A Bélgica há vários anos que é apontada como uma das principais favoritas, mas o facto é que os Diabos Vermelhos continuam sem conquistar o título europeu ou Mundial. Apareceram vários craques ao mesmo tempo, que tornaram esta geração a melhor da história do país, mas os anos têm passado e esta será muito provavelmente a última oportunidade de nomes que marcaram a história da seleção como Vertonghen, Alderweireld, Witsel, Eden Hazard e Mertens (os 5 mais internacionais de sempre) de finalmente conquistarem um troféu. Outras das estrelas, como De Bruyne, Courtois, Lukaku, Carrasco ou Thorgan Hazard também já não vão para novos e, apesar de ainda terem grandes chances de jogar mais uma ou duas grandes competições, estarão já provavelmente a entrar em fases descendentes da carreira, o que aumenta a pressão sobre a prestação no Qatar, principalmente por não se verificar nas jovens fornadas uma capacidade sequer próxima da atual (dos 26 convocados, apenas 11 estão abaixo dos 29 anos e só 7 são sub-25). Roberto Martínez assumiu o leme da seleção após o fracasso no Euro’2016 e assumiu um esquema de 3 centrais para tentar escamotear o crónico problema nas laterais e conseguiu o melhor resultado de sempre da Bélgica em Mundiais, com o 3.º lugar no Rússia’2018. No Euro’2020, caiu nos quartos perante a campeã Itália, depois de ter eliminado Portugal nos oitavos, e tem conseguido qualificações bastante tranquilas. Mesmo assim, terá forçosamente de fazer melhor no Qatar e atingir pelo menos a final para que o seu trabalho seja visto como positivo. No entanto o grupo, com Croácia, Marrocos e Canadá é matreiro, ainda por cima os belgas, se passarem, devem ter pela frente a Espanha ou Alemanha logo nos oitavos.
Estrela: Kevin de Bruyne (Médio, 31 anos, Manchester City) – Craque que dispensa apresentações. Um dos melhores do Mundo, principal estrela da Bélgica e do City e é nele que residem as maiores esperanças dos Diabos Vermelhos, sendo simultaneamente a maior arma na criação e no ataque da equipa.
Jogadores em destaque: Thibaut Courtois (Guarda-redes, 30 anos, Real Madrid) – O melhor guardião da atualidade e na melhor fase da carreira. Fez uma época 21/22 estrondosa, sendo fundamental nas conquistas da Champions League da La Liga pelo Real Madrid, é indiscutível na seleção desde 2012 e demonstrou sempre um bom nível nas 4 grandes competições internacionais que disputou. Leandro Trossard (Extremo, 27 anos, Brighton) – Ainda não adquiriu o estatuto de titular na seleção e nem esteve presente no último Mundial, mas está em grande e a ser um dos melhores jogadores da Premier League, pelo que vai ser difícil para Roberto Martínez continuar a preteri-lo. Romelu Lukaku (Avançado, 29 anos, Inter) – Está a passar um grande calvário, que começou na temporada transata com o pouco rendimento que apresentou no regresso ao Chelsea, e tem continuado este ano com sucessivas lesões que o levam a chegar ao Qatar com apenas 5 partidas disputadas. Mesmo assim foi convocado e, se estiver em condições de dar o seu contributo, é uma arma enorme (literal e figurativamente). Melhor marcador de sempre da seleção, fez 4 golos no Mundial da Rússia e mais 4 no último Europeu.
XI Base: Courtois; Debast, Vertonghen, Alderweireld; Meunier, Witsel, Tielemans, Carrasco; Hazard, De Bruyne, Lukaku.
Jovem a seguir: Zeno Debast (Defesa central, 19 anos, Anderlecht) – Um dos poucos valores a surgir nos últimos anos no futebol belga e também o mais jovem da lista de convocados. Foi aposta precocemente no Anderlecht e encantou com as suas performances, onde mostrou ser um defesa elegante, com boa saída de bola e passada larga, atuando normalmente à direita de uma linha de 3. Ganhou o lugar na seleção devido ao envelhecimento das opções habituais e vai ter no Qatar a sua 1.ª prova de fogo como sénior. A sua fragilidade física pode ser um aspeto a explorar pelos adversários.
Convocatória: Guarda-redes: Thibaut Courtois (Real Madrid), Simon Mignolet (Club Brugge), Koen Casteels (Wolfsburgo); Defesas: Jan Vertonghen (Anderlecht), Toby Alderweireld (Antwerp), Leander Dendoncker (Aston Villa), Arthur Theate (Rennes), Zeno Debast (Anderlecht), Wout Faes (Leicester City), Thomas Meunier (Borussia Dortmund); Médios: Axel Witsel (Atlético Madrid), Kevin de Bruyne (Manchester City), Youri Tielemans (Leicester City), Thorgan Hazard (Borussia Dortmund), Hans Vanaken (Club Brugge), Amadou Onana (Everton); Avançados: Eden Hazard (Real Madrid), Dries Mertens (Galatasaray), Romelu Lukaku (Inter), Yannick Carrasco (Atlético Madrid); Michy Batshuayi (Fenerbahçe), Leandro Trossard (Brighton), Charles de Ketelaere (AC Milan), Jérémy Doku (Rennes), Loïs Openda (Lens).
Selecionador: Roberto Martínez
Prognóstico: Oitavos-de-final


15 Comentários
fanatic
Eu gosto imenso destes posts das seleções mas acho que um ponto que tem sido falhado recorrentemente são os “jogadores em destaque”.
Não sei bem se o criterio para a escolha destes jogadores é o momento de forma, a importância na equipa ou o estatuto mas, seja qual for, nao me tem feito nenhum sentido as escolhas.
Neste caso, trossard tem feito uma boa epoca mas esta longe de ser um jogador em destaque na seleção. O mesmo achei por exemplo para a escolha de Paquetá no Brasil (que tenho algumas duvidas que va ser titular) ou do Shaw em Inglaterra. Isto so para dar alguns exemplos
Visão de Mercado
O Paquetá tem sido indiscutível no Brasil, inclusive foi o 3.º jogador com mais minutos na qualificação. Só se a lesão o estiver a afetar é que fica de fora, é um elemento essencial nas ideias do Tite.
O Trossard está explicado no post.
O Shaw foi um dos melhores da Inglaterra no Europeu.
fanatic
Então estão a dar-me razão e o criterio é diferente em todos os casos. No caso do Trossard é pela boa epoca, no caso do Shaw é por ter feito um bom europeu ha ano e meio e do Paquetá é porque é importante para o selecionador (como por exemplo o Fernando Santos com o Wiliam). É que o Paquetá nao tem feito uma epoca nada por aí alem e ha jogadores da seleção brasileira numa forma bem melhor.
É apenas uma critica construtiva pois acho que estes posts são muito interessantes mas falta um maior criterio (ou pelo menos escolher um) na seleção dos jogadores em destaque
Sporting1906
E porque é que o critério tem que ser sempre o mesmo? Um jogador pode estar em destaque pela boa época, outro pelo que fez em competições no passado e outro pelo rendimento que costuma ter na seleção.
Jeco Baleiro
Acho que a Bélgica vive um bocado daquilo que faz nas fases de qualificação (onde tem passeado) e na taça das Nações, porque quando apanha adversários de maior calibre em Europeus e Mundiais tem quase sempre vacilado (com excepção dos triunfos sobre Inglaterra e Brasil em 2018, que foi a competição em que realmente demonstraram créditos para vencer).
Em 2014 venceram Argélia, Rússia, Coreia do Sul e EUA e foram eliminados pela Argentina nos quartos;
Em 2016 perderam frente à Itália, venceram a Irlanda, a Suécia e a Hungria e foram eliminados pelo País de Gales nos quartos;
Em 2018 venceram Panamá, Tunísia, Inglaterra, Japão, Brasil e foram eliminados pela França nas meias finais, voltando a vencer a Inglaterra no jogo do terceiro lugar;
Em 2020 venceram Rússia, Dinamarca, Finlândia e Portugal e foram eliminados pela Itália nos quartos.
Ou seja, tirando 2018, nunca conseguiram o dar o passo seguinte, eliminar uma grande selecção, com o handicap de em 2016 terem sido eliminados por uma selecção bem inferior.
Acho que a melhor fase desta selecção já passou e também não os vejo a ir mais longe que os oitavos.
Neville Longbottom
Fico contente de ver alguém finalmente a excluir Portugal do lote de “adversários de maior calibre”. A ver se alguém nos tira do pedestal que muitos acham que estamos, já que pelos resultados ninguém chega lá.
Jeco Baleiro
Para mim não está nesse patam
Jeco Baleiro
Para mim não está nesse patamar, para outros estará. Cada um com a sua ideia e assim é que está bem.
Individualmente – jogadores de elite em algumas posições (Diogo Costa, Rúben Dias, Cancelo, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Vitinha, Bernardo, Félix quando quer, estes para mim os melhores).
Colectivamente – medíocre. E como o futebol ainda é um jogo colectivo…
Dario Nunes
Concordo, mas o Leão também é de elite a meu ver.
Jeco Baleiro
Pessoalmente acho que não está no patamar dos que citei, juntamente com o Bruno Fernandes, Ronaldo, Jota, Palhinha etc. Estão num nível abaixo. Mas é apenas opinião pessoal
Sporting1906
Pôr o Bruno Fernandes, o Jota e o Leão num patamar abaixo do Matheus Nunes e do Félix não faz sentido nenhum.
Miguel Mendes
A inglaterra não gamha nada desde 1966.
Jeco Baleiro
Verdade mas a Inglaterra de 2018 cabia no critério de ser um adversário à altura/superior à Bélgica de então. Não tive em conta o palmarés, até porque a Inglaterra tem um palmarés superior , tanto a Portugal (1 Mundial vs 1 Europeu) como à própria Bélgica (1 Mundial vs Nenhum título)..
Sporting1906
Eliminar Portugal no Euro tem que contar como eliminar uma grande selecção tanto como ganhar à Inglaterra.
JFN
Faz muita falta o Kompany nesta seleção…