A Austrália vai marcar presença num Campeonato do Mundo pela 6.ª vez na sua história, a 5ª de forma consecutiva. Apesar disso, esta geração dos “socceroos” está muito abaixo das anteriores, especialmente a de 2006, que chegou aos 1/8 de final da competição e tinha nomes com percursos sólidos no futebol europeu (Viduka, Schwarzer, Moore, Neill, Emerton, Bresciano, Kewell e Cahill, entre outros). A mudança para a Confederação Asiática de Futebol permitiu aos australianos evoluírem competitivamente num cenário mais complicado (já não há Samoa, nem Fiji pela frente, por exemplo), mas com mais vagas de acesso ao Mundial. Contudo, tal como há 4 anos, os “socceroos” tiveram que ultrapassar dois playoffs para chegar ao Qatar. O Japão e a Arábia Saudita voltaram a ficar com as duas vagas diretas do grupo de apuramento, restando à Austrália bater os Emirados Árabes Unidos (vitória por 2-1) e o Peru, este no desempate por grandes penalidades (o desconhecido Redmayne virou herói). Graham Arnold, antigo avançado dos “socceroos”, é o seleccionador nacional desde 2018, tendo chegado com a Austrália aos quartos-de-final da Taça Asiática em 2019. O elenco carece de experiência internacional, com 13 jogadores com 10 ou menos internacionalizações, e muitos elementos a disputarem o Championship, a Liga Escocesa e a Liga Australiana. Harry Souttar (importante no jogo aéreo) é reforço de última hora, pois esteve 1 ano parado devido a lesão, enquanto Trent Sainsbury e Tom Rogic ficaram de fora. Inseridos no grupo D, novamente com a França e a Dinamarca, dificilmente os “socceroos” vão ficar nos dois primeiros lugares, restando lutar pela vitória perante a Tunísia.
Estrela: Aaron Mooy (Médio, 32 anos, Celtic) – Um dos poucos jogadores australianos a render ao mais alto nível. Depois da experiência acumulada na Premier League, o centrocampista rumou 2 anos para uma aventura chinesa (entre 2020 e 2022), tendo regressado esta temporada à Europa. Com uma utilização intermitente no Celtic, Mooy acrescenta qualidade com bola e remate ao meio campo australiano.
Jogadores em destaque: Mathew Ryan (Guarda-redes, 30 anos, FC Copenhaga) – Tal como Mooy, Mathew Ryan tem muita experiência de Premier League. Atualmente joga na liga dinamarquesa e segue para o seu 3.º Mundial, garantindo segurança à baliza dos “socceroos”; Ajdin Hrustic (Médio, 26 anos, Hellas Verona) – Está na Europa desde os 14 anos, e foi formado pelo Schalke 04 e Groningen, estando neste momento a representar o Hellas Verona da Serie A. É o playmaker da equipa, dono de um excelente pé esquerdo, boa técnica e visão de jogo. Martin Boyle (Médio Ofensivo, 29 anos, Hibernian) – Nasceu na Escócia e fez praticamente toda a sua carreira entre as três principais divisões escocesas, tendo revelado qualidade para dar o salto para um clube maior. Apesar de não ser um finalizador nato, na falta de um homem golo desde os tempos de Cahill, Boyle terá que dar o passo em frente (tem mais de 100 golos como profissional).
XI Base: Mathew Ryan, Aziz Behich, Harry Souttar, Kye Rowles e Nathaniel Atkinson; Aaron Mooy, Jackson Irvine e Ajdin Hrustic; Martin Boyle, Jason Cummings e Awer Mabil
Jovem a seguir – Garang Kuol (Avançado, 18 anos, Central Coast) – A surpresa de última hora de Arnold e um jogador que promete ser a grande referência dos “socceroos” nos próximos anos. O jovem, nascido no Egito e filho de refugiados sudaneses, já tem contrato assinado com o Newcastle.
Convocatória: Guarda-redes: Andrew Redmayne (Sydney FC), Mathew Ryan (FC Copenhaga), Danny Vukovic (Central Coast); Defesas: Aziz Behich (Dundee United), Milos Degenek (Columbus Crew), Nathaniel Atkinson (Hearts), Bailey Wright (Sunderland), Fran Karacic (Brescia), Harry Souttar (Stoke City), Joel King (Odense), Kye Rowles (Hearts) e Thomas Deng (Niiagata); Médios: Ajdin Hrustic (Hellas Verona), Jackson Irvine (St. Pauli), Riley McGree (Middlesbrough), Keanu Baccus (St. Mirren), Aaron Mooy (Celtic) e Cameron Devlin (Hearts); Avançados: Awer Mabil (Cadiz), Mathew Leckie (Melbourne City), Jamie McLaren (Melbourne City), Mitchell Duke (Okayama), Martin Boyle (Hibernian), Craig Goodwin (Adelaide United), Jason Cummings (Central Coast) e Garang Kuol (Central Coast).
Selecionador – Graham Arnold
Prognóstico VM – Fase de Grupos


13 Comentários
Tiago Silva
Muito curioso para ver o que o Kuol pode dar neste Mundial, estou ansioso por o ver em ação! Espero que tenha alguns minutos pelo menos.
Jeco Baleiro
O Rogic está lesionado? Para não ser chamado, deve ser lesão, até porque é um dos três melhores jogadores da equipa juntamente com o Ryan e o Aaron Mooy. Aquele miúdo que pertencia ao Man City, o Arzani, também desapareceu completamente do radar, tinha talento.
Compara los com a selecção de 2006 é até um pouco injusto, foi a melhor selecção australiana da história, com grandes craques que davam cartas sobretudo na Premier League, o Cahill (referência do Everton) o Kewell (Leeds e Liverpool) o keeper Schwarzer (Boro e Fulham), o Bresciano com muitos anos de série A e o Aloisi creio que chegou a ter bons números na liga espanhola, no Alavés. Salvo erro o Viduka, talvez o melhor deste naipe a par do Cahill e do Kewell, já não esteve no mundial da Alemanha, já tinha passado o seu auge, ele que também teve uma grande carreira em Inglaterra, particularmente naquele grande Leeds do final dos anos 90 e início do século.
Deverão ficar pela fase de grupos e provavelmente sem vitórias.
Af2711
Não, o Viduka esteve também no Mundial 2006. É que ele apesar de ter deixado marca na PL, nunca transportou os golos em jogos importantes pelos Socceroos.
Jeco Baleiro
Pois teve, e jogou os 4 jogos, fui confirmar. Tinha a ideia que já não tinha estado, não sei porquê.
Antonio Clismo
Rogic fez uma jogada à Rafa Silva há uns meses atrás e pediu para não ser mais convocado pelos Socceroos, alegando razões pessoais.
Jeco Baleiro
Não sabia, obrigado.
rmatos24
Dois jogadores que sempre apreciei e que fizeram parte de uma grande geração de jogadores australianos: primeiro Kewell e depois Tim Cahill. Ainda hoje relembro o golo de Tim Cahill no Mundial 2014 à Holanda, já numa fase descendente da carreira, que banana de primeira! Viduka, Bresciano, Schwarzer, entre outros, tudo nomes que, não sendo de topo, eram jogadores importantes nas equipas que passaram.
Atualmente, com todo o respeito pelo elenco australiano, tenho que me concentrar para conseguir identificar 1 ou 2 jogadores australianos de renome.
Antonio Clismo
Graham Arnold está a fazer um bom trabalho (é tido como o José Mourinho australiano) e faz o que pode com o que tem à mão.
Curioso constatar que a maior parte da fantástica seleção de 2006 agora são treinadores e a meu ver os principais candidatos a suceder ao Graham Arnold quando ele sair será o Patrick Kisnorbo ou o Tony Popovic, 2 dos melhores treinadores da A-League do momento.
Mark Bresciano é adjunto da seleção australiana, Kevin Muscat, John Aloisi, Vidmar, etc deram treinadores. Mesmo o Harry Kewell é adjunto do Ange Postecoglou no Celtic de Glasgow.
Antonio Clismo
Os clubes da A-League são obrigados a dar lucro e o Covid deu cabo de tudo… a média de espectadores desceu para os 5 mil adeptos por jogo e isso é insustentável para manter os clubes actuais.
Antonio Clismo
Num país de quase 30 milhões de pessoas, altamente viciadas em desporto e com um mix de ascendências de todos os países de Mundo.
Com uma liga profissional que segue o modelo da MLS, sem descidas de divisão e com caps salariais irrisórios (nenhum clube pode gastar mais do que 1.5 milhões de euros por ano em salários no plantel todo- apenas 2 jogadores por plantel podem estar acima deste tecto salarial) acaba por não chamar grande talento.
A formação é muito boa até aos 15, 16 anos, praticamente não há grandes diferenças entre as melhores seleções do mundo e a Austrália até estas faixas etárias. Depois entre os 16 e os 21 é onde tudo vai por água abaixo, porque não há grande competitividade e os australianos acabam por não levar o futebol muito a sério, porque recebem mais dinheiro a trabalhar no McDonalds do que com um contrato com algum clube da A-League com essas idades.
O futebol em termos de formação é de longe o desporto mais praticado até aos 20 anos mas é inegável que o maior talento acaba por ir parar ao rugby, cricket ou futebol australiano onde há muito maior reconhecimento e especialização.
Dca
Eu moro na Austrália e tenho te a dizer que isso é que é falar sem conhecimento de causa. Incrível.
So para teres uma ideia, os Sub15 da Austrália até com o Vietname Sub15 perderam.
Antonio Clismo
Se vives na Austrália ia-te dizer para passares pelas instalações do Centro de Excelência do Futebol em Camberra que produziu alguns dos melhores talentos australianos dos últimos 30 anos, mas infelizmente foi fechado pela FFA em 2017 fruto das convulsões na Federação e guerras internas. A meu ver há um antes e depois da família Lowy a gerir a federação australiana. Tentou mudar a estrutura da A-League para um modelo inglês com subida e descida de divisão e os clubes acabaram por correr com ele para proteger os seus investimentos…
Tiago Abreu
Realmente é falar mesmo sem conhecimento…
Austrália quer é drag racing, ragueby, cricket etc..tudo menos fute..Soccer dizem eles.