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Qatar’2022: Muita técnica, mas ainda não deve ser desta

O Japão até 1998 nunca tinha participado num Mundial. Desde aí, soma 7 participações consecutivas e tem-se consolidado como uma das maiores potências asiáticas no futebol e como uma seleção ímpar no panorama mundial, pelas características próprias do jogador japonês, que se vão mantendo de geração para geração. Dotados de uma capacidade técnica acima da média e de uma capacidade física inversamente proporcional, ver os nipónicos jogar é sinónimo de divertimento, pela energia que emprestam ao jogo, verticalidade e bom futebol, mas também pelos erros caricatos e ingenuidade num desporto com cada vez menos honra. Qualificaram-se em 2.º lugar num grupo com a Arábia Saudita, Austrália, Omã, China e Vietname, onde os triunfos sobre os Socceroos foram decisivos e a capacidade defensiva o maior destaque (4 golos sofridos em 10 jogos). São atualmente os vice-campeões asiáticos, tendo perdido o troféu para o Catar em 2019, ano em que marcaram ainda presença como convidados na Copa América, mas sem brilho (eliminados na fase de grupos). No último Mundial ficaram-se pelos oitavos-de-final, onde perderam com a Bélgica, depois de terem ultrapassado os grupos de forma caricata (terminaram empatados com o Senegal, mas passaram devido ao critério disciplinar). De resto, os oitavos foi mesmo a fase mais adiantada que os Samurais alguma vez conseguiram alcançar, sendo que no Catar, num grupo com Alemanha, Espanha e Costa Rica, dificilmente vão igualar ou melhorar essa posição, apesar de haver a esperança de conseguir imitar o feito da vizinha Coreia do Sul em 2002. O seleccionador Hajime Moriyasu não tem baixas de relevo na convocatória e as maiores surpresas são as não presenças de Kyogo Furuhashi, do Celtic, e Haraguchi, do Union Berlin, mas a falta de minutos nos clubes das principais armas ofensivas, como Minamino, Kubo, Mitoma ou Asano (vem de lesão) pode ser um fator prejudicial, a juntar ao registo pobre que Kamada tem apresentado na seleção. Há também interesse em perceber como se comportam os nipónicos neste Mundial pela mudança de ciclo que se deu nos últimos anos, com a saída de nomes importantes como Kagawa, Honda, Okazaki, Inui, Hasebe ou Osako.

Estrela: Tomiyasu (central/lateral, 23 anos, Arsenal) – A maior figura dos nipónicos nesta altura. Defesa polivalente, central de raiz mas que se tem afirmado como lateral direito no Arsenal, Tomiyasu faz da força e potência física as suas maiores armas, algo que ganha ainda mais relevância numa defesa envelhecida como a do Japão. Muito difícil de ultrapassar, é igualmente forte no jogo aéreo e capaz tecnicamente. Uma autêntica muralha.

Jogadores em destaque: Wataru Endo (Médio, 29 anos, Estugarda) – O pêndulo do meio-campo nipónico. O capitão do Estugarda até ao último Mundial andou na sombra de Shibasaki, mas com a afirmação na Bundesliga, onde tem sido dos melhores na sua posição, veio a consolidação no XI da seleção. Médio defensivo com uma intensidade e agressividade acima da média, é ainda um jogador muito vertical, capaz de tornar uma recuperação de bola num contra-ataque perigoso em segundos. Hidemasa Morita (Médio, 27 anos, Sporting) – O craque do Sporting quase dispensa apresentações. Muito forte no trato da bola, é também um profundo entendedor dos momentos do jogo, sendo peça chave no estilo vertiginoso de Moriyasu. Takumi Minamino (Extremo, 27 anos, Mónaco) – O ex-Salzburg tem vivido momentos difíceis desde que deixou os austríacos para rumar ao Liverpool, mas continua a ser a principal ameaça de golo dos japoneses. Tem uma excelente média pela seleção (17 golos em 43 internacionalizações) e, não atuando o Japão com um ponta de lança clássico, passará muito pela sua eficácia o sucesso do seu país na prova.

XI Base: Gonda; Sakai, Tomiyasu, Yoshida, Nagatomo; Endo, Morita, Tanaka; Ito, Asano e Minamino.

Jovem a seguir: Takefusa Kubo (Extremo, 21 anos, Real Sociedad) – Despontou muito cedo, quando com apenas 15 anos brilhou no Mundial sub-17, o que lhe valeu meses depois a chamada ao seu 2.º campeonato do Mundo num ano, desta vez em sub-20. Com passado nas camadas jovens do Barcelona, acabou por ser o Real Madrid a ganhar a corrida pelo seu passe e começou a ter impacto na Europa de imediato, ao serviço do Maiorca. Ainda não ‘explodiu’ como se perspetivava, mas o seu habilidoso pé esquerdo, aliado à sua agilidade e grande capacidade no drible, tornam-no numa das mais valorosas armas dos Samurais, seja de início ou a partir do banco.

Lista de convocados: Guarda-redes: Eiji Kawashima (Estrasburgo), Shuichi Gonda (Shimizu S-Pulse), Schmidt Daniel (Sint-Truiden); Defesas: Yuto Nagatomo (FC Tokyo), Maya Yoshida (Schalke), Hiroki Sakai (Urawa Red Diamonds), Shogo Taniguchi e Miki Yamane (Kawasaki Frontale), Ko Itakura (Monchengladbach), Takehiro Tomiyasu (Arsenal), Hiroki Ito (Estugarda); Médios: Gaku Shibasaki (Leganes), Wataru Endo (Estugarda), Ritsu Doan (Friburgo), Hidemasa Morita (Sporting) Daichi Kamada (Eintracht Frankfurt), Yuki Soma (Nagoya Grampus), Kaoru Mitoma (Brighton), Takumi Minamino (Mónaco), Ao Tanaka (Fortuna Dusseldorf), Takefusa Kubo (Real Sociedad), Junya Ito (Stade Reims); Avançados: Takuma Asano (Bochum), Daizen Maeda (Celtic), Ayase Ueda (Cercle Brugge).

Seleccionador: Hajime Moriyasu

Prognóstico: Fase de Grupos

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

8 Comentários

  • Kafka
    Posted Novembro 4, 2022 at 8:36 pm

    Muito azar no sorteio, é pena

    Por acaso seria interessante uma realidade paralela onde as 3 maiores economias Mundiais (EUA, China e Japão), fossem também 3 potências mundiais em futebol, com um nível de desenvolvimento a nível de treino e paixão da população pelo que futebol, igual à Europa e América Sul

    Seria bastante interessante ver como seria a realidade futebolística nesse cenário hipotético, pois até pela quantidade de população que têm, seriam 3 países que produziriam tantos jogadores como o Brasil produz para o Mundo inteiro, mas com a “vantagem” de fruto de serem as 3 maiores economias Mundiais, teriam também o poder financeiro para terem os melhores jogadores do Mundo, para além deles próprios produzirem os melhores jogadores do mundo, e portanto seria bastante interessante ver um futebol completamente globalizado, onde provavelmente nas melhores 5 ligas do Mundo deixariam de ser todas na Europa e teríamos 3 delas (EUA, Japão e China) no lote das 5 melhores ligas Mundiais

    • AndreChaves9
      Posted Novembro 4, 2022 at 11:43 pm

      Claro. Eles decidiam e pronto tinham as melhores equipas do mundo….
      Não aprendes

      • Kafka
        Posted Novembro 5, 2022 at 8:47 am

        Tu é que não aprendes a ler o q está escrito

      • Oldasity
        Posted Novembro 5, 2022 at 10:43 am

        O que ele diz não é descabido. E óbvio que ele não se refere para estas potências “decidirem” e daqui a 2 meses colhem os frutos.
        Mas se nos próximos 10 anos investissem cerca de 30% a mais no futebol, não tenho dúvidas que daqui a 30 anos lançassem muito mais jogadores, ao nível de outros países de topo. Poderiam perfeitamente ter uma seleção com 10-15 jogadores em equipas no top 50.

  • Jeco Baleiro
    Posted Novembro 4, 2022 at 10:02 pm

    O grupo tem dois candidatos, o que só uma hecatombe de um desses daria chances do Japão passar a fase de grupos, pelo que deverão mesmo ficar por aí. No entanto têm qualidade e quem sabe possam proporcionar jogos entretidos.
    Apesar de tudo, há quatro anos, estiveram a poucos minutos de estar pela primeira vez na história nos quartos de final, alguma ingenuidade e o forcing da Bélgica (Chadli desfaz o empate literalmente no último lance do jogo e em contra ataque) fizeram o Japão cair nos oitavos (a sua melhor classificação, conseguida por três vezes).

    As ausências de Furuhashi, Hatate ou Haraguchi são realmente estranhas, para mais quando venos elementos como Shibasaki ou Maeda que não têm tanta qualidade, pelo menos para quem vê de fora.

  • kiterioVFC
    Posted Novembro 4, 2022 at 10:36 pm

    O grupo é aparentemente complicado para o Japão passar, mas na minha opinião poderá ser a selecção a conseguir surpreender se tal acontecer…. A sua coesão e capacidade defensiva, podem ser fatores chaves para surpreender uma Espanha ou Alemanha que na minha opinião não deslumbram…

  • odracir
    Posted Novembro 5, 2022 at 1:00 am

    Impressão minha ou a análise do VM passou completamente ao lado do Kamada e do Doan?
    Nesta fase até diria que são os principais jogadores, juntamente com o Tomiyasu

    • Kacal
      Posted Novembro 5, 2022 at 1:58 pm

      Na estrela só pode estar mas concordo que Kamada devia ter lugar nos jogadores em destaque, sem duvida.

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