A Dinamarca ofereceu-nos a história mais bonita do último Europeu. Desde o trágico incidente com Eriksen à incrível resiliência dos seus companheiros, os dinamarqueses conquistaram adeptos em todo o mundo e corresponderam dentro de campo, só caindo no prolongamento das meias-finais e praticando o melhor futebol que se viu na competição. O objetivo agora é dar continuidade no Mundial, prova na qual nunca superaram os quartos-de-final, sabendo que o fator surpresa já se foi. Ainda assim é a seleção, fora das habituais candidatas, que reúne mais condições para brilhar no Qatar, contando com uma geração apetrechada em todos os setores e que nos últimos 6 meses derrotou por duas vezes a França, seleção que voltarão a enfrentar neste certame. A inclusão no grupo D, juntamente com os franceses, a Austrália e a Tunísia, deverá permitir a passagem aos oitavos, mas a partir daí é uma incógnita (ficar em 1.º tem importância acrescida devido aos cruzamentos). A qualificação foi um passeio (1.º lugar com 27 pontos em 30 possíveis, sendo que única derrota foi já no último jogo, 30 golos marcados e apenas 3 sofridos) e na Liga das Nações também deixaram boa imagem (1 ponto separou os nórdicos da Croácia, que seguiu para a fase final). O plantel tem vários jogadores a jogar nas melhores equipas do Mundo, como Eriksen, Kjaer, Höjbjerg e Christensen, outros também já muito rodados (Schmeichel, Andersen, Wass, Delaney, Braithwaite), vários talentos a mostrarem-se na alta roda (Maehle, Skov Olsen, Lindström) e em Damsgaard um craque que, apesar de tardar a afirmar-se a nível de clubes, foi uma das sensações do Euro’2020. São ainda das seleções onde mais se nota o dedo do treinador na forma de jogar. Hjulmand tem alternado entre vários esquemas táticos, ora organizando a equipa em 3-4-3, 3-5-2 ou 4-3-3, mas os dinamarqueses destacam-se sempre pela vontade de ter bola, procura de combinações em jogo apoiado e largura dos laterais, que têm muita influência no jogo ofensivo. Por último, o facto de algumas das referências dos últimos anos deverem estar a fazer a última grande competição pela seleção pode também servir como um tónico motivacional adicional.
Estrela: Christian Eriksen (Médio ofensivo, 30 anos, Manchester United) – Protagonista da história que marcou o último Europeu, o craque dos Red Devils viveu dois anos muito conturbados, com a sua situação clínica a ser alvo de muita incerteza. No entanto, a sua recuperação superou todas as expectativas e regressou a um grande clube muito antes do esperado e a este nível é sem dúvida a grande figura dos dinamarqueses. Dono de um pé direito invejável, pode atuar em todas as posições do meio-campo para a frente, emprestando a sua inteligência, criatividade e qualidade no passe em qualquer zona do terreno. As bolas paradas são igualmente um ponto forte (é um exímio batedor de livres).
Jogadores em destaque: Joakim Maehle (Lateral direito/esquerdo, 25 anos, Atalanta) – Da escola dos laterais destros adaptados à esquerda, Maehle destaca-se pela qualidade técnica e capacidade que tem para se entrosar no ataque. Aparece frequentemente na área adversária e tem um registo de golos anormal para a posição (fez 5 na qualificação); Pierre-Emile Höjbjerg (Médio defensivo, 27 anos, Tottenham) – A viver o melhor momento da carreira, é o médio responsável por oferecer equilíbrio à equipa. Agressivo e forte nos duelos, é um dos líderes do plantel e homem de confiança de Hjulmand (fez todos os minutos na última Liga das Nações); Andreas Skov Olsen (Extremo, 22 anos, Club Brugge) – Outro que chega ao certame em ponto rebuçado. Encontrou na Bélgica o contexto ideal para brilhar e com isso ganhou também o seu espaço na seleção. No último Euro jogou pouco, mas neste Mundial tem tudo para deixar a sua marca e contribuir com golos e desequilíbrios.
XI Base: Schmeichel; Christensen, Kjaer, Andersen; Wass, Delaney, Hojbjerg, Maehle; Eriksen, Skov Olsen, Dolberg
Jovem a seguir: Jesper Lindström (médio ofensivo/extremo, 22 anos, Eintracht Frankfurt) – O jovem do Frankfurt ainda tem pouco currículo na seleção (vai estrear-se em fases finais de competições internacionais) e, à partida, não deverá fazer parte das escolhas iniciais de Hjulmand, mas o impacto que tem tido na Alemanha leva a crer que poderá ser uma arma secreta de muito valor. Jogador muito rápido, atua preferencialmente à esquerda e destaca-se pela sua agressividade e notável sentido de baliza (7 golos em 20 jogos esta época). Bate muito bem na bola.
Lista de convocados: Guarda-redes: Kasper Schmeichel (Nice) e Oliver Christensen (Hertha Berlim); Defesas: Daniel Wass (Brondby), Rasmus Nissen Kristensen (Leeds United), Jens Stryger Larsen (Trabzonspor), Joakim Maehle (Atalanta), Andreas Christensen (Barcelona), Simon Kjaer (Milan), Joachim Andersen (Crystal Palace) e Victor Nelsson (Galatasaray); Médios: Pierre-Emile Hojbjerg (Tottenham), Thomas Delaney (Sevilla), Christian Eriksen (Manchester United) e Mathias Jensen (Brentford); Avançados: Mikkel Damsgaard (Brentford), Andreas Skov Olsen (Brugge), Jesper Lindstrom (Eintracht Frankfurt), Martin Braithwaite (Silkeborg), Kasper Dolberg (Sevilla), Jonas Wind (Wolfsburg) e Andreas Cornelius (Copenhaga).
Selecciondor: Kasper Hjulmand
Prognóstico VM: Oitavos-de-final


14 Comentários
Antonio Clismo
Dinamarca é talvez a única seleção a ter feito alguma coisa para chamar a atenção para os crimes que foram cometidos por detrás da organização deste Mundial.
AndreShevchenko
Não levar o bah deveria dar crime, wass joga na liga dinamarquesa mesmo sendo bom jogador é um contexto inferior a liga portuguesa e Champions, mesmos os outros não acho nenhum superior ao que bah tem jogado…
Jeco Baleiro
Sem dúvida das selecções europeias em melhor forma e das que melhor joga. Sempre a quererem a bola, pressionantes, literais muito ofensivos. Acredito que darão continuidade no mundial.
Passar a fase de grupos é “obrigatório” depois depende se passam em primeiro (acho que o podem fazer embora a França seja favorita) podem almejar os quartos de final (melhor classificação em 1998), se passarem em segundo já é mais complicado pois cruzam com o grupo da Argentina (partindo do princípio que a celeste passa em primeiro).
Arrisco os oitavos de final mas são uma selecção que se pode bater com qualquer um dos candidatos.
E já agora um apontamento histórico interessante: sempre que Dinamarca e França se enfrentaram na fase de grupos de um Mundial ou Europeu, com excepção de 2002, o troféu foi sempre para uma das duas (1984, 1992, 1998, 2000 e 2018).
Sporting1906
Sempre para uma das duas e essa é praticamente sempre a França.
Jeco Baleiro
O “praticamente” faz toda a diferença. E é óbvio que é quase sempre a França, é uma selecção tradicionalmente e quase sempre muito mais forte que a França
Jeco Baleiro
*que a Dinamarca aliás
JFN
Ainda não superei a 100% a eliminação da Dinamarca pela Inglaterra no Euro. Cheguei às meias finais a querer ver a final Dinamarca – Espanha e saiu completamente ao lado.
Dario Nunes
Já é a segunda vez que o VM se refere à Dinamarca como principal outsider, algo que com todo o respeito não consigo concordar. Não vejo nada de especial nesta equipa. O Erikssen já foi um grande jogador, mas hoje em dia já não é.
O Schmeichel também já teve dias bem melhores a meu ver, e o resto são os apenas jogadores que variam entre o mais ou menos e o bonzito.
Concordo com a previsão, acho que passam o grupo e fica pelos oitavos.
AndreShevchenko
Tal e qual também não entendo o fetiche da maioria pela Dinamarca seleção mediana só e apenas só isso, o registo que traz da qualificação foi num grupo ridículo dos mais fracos que já vi.
kiterioVFC
Sim… No último europeu foram somente às meias finais, tendo sido eliminados num jogo com uma arbitragem vergonhosa.Mas sim são medianos…
AndreShevchenko
E quem eliminou nos oitavos e nos quartos? Grandes colossos o país de Gales e a chequia, pode ter sido roubado nas meias mas que equipa de topo ganhou mesmo??
Ganhou a França na liga das nações uma competição que a maioria dos selecionadores nem quer saber.
Borsalino
Só 21 porquê? Alguém sabe dizer? Faltam o entusiasmante Rasmus Höjlund e o Alexander Bah.
Goncalo Silva
Só são 21 porque o selecionador ainda está à espera de ver alguns jogadores que estejam com problemas físicos. Também acho que deveria ter levado Bah, mas não ficam mal servidos com Kristensen, Stryger Larsen e Wass.
Borsalino
Obrigado pela explicação.