Os Camarões são a seleção africana com mais presenças em Mundiais (7) e esta será a terceira participação nas últimas quatro edições (falharam 2018). Os Leões Indomáveis, que terminaram a última CAN, disputada em casa, no 3.º lugar querem agora deixar uma marca forte no Qatar. Pela frente terão um grupo terrível, possivelmente o mais equilibrado da competição, com Brasil, Sérvia e Suíça. O Escrete possui algum favoritismo para o 1.º lugar, mas todas as seleções do Grupo G podem sonhar com o apuramento. Orientados por Rigobert Song, uma lenda no país e o jogador com mais internacionalizações AA, os Camarões eliminaram a Costa do Marfim no grupo de qualificação e a Argélia no playoff, num duelo de potências do continente africano. Nesse sentido, existiu muito mérito no apuramento, mas a exigência não irá agora baixar no Campeonato do Mundo. Com um ataque capaz de causar estragos (muitas opções de nível), e que é a principal esperança dos camaroneses para seguir em frente, a ambição passa ainda por ‘salvar’ a imagem de África neste certame, uma vez que em 2018 nenhuma seleção africana se apurou para os oitavos-de-final.
Estrela: Zambo Anguissa (Médio, 26 anos, Nápoles) – O chefe da orquestra. Está a todo o vapor a Itália, num Nápoles que lidera a Serie A e que se apurou para os oitavos da Champions, sendo que pode acrescentar muito com a sua técnica, capacidade de passe e nas bolas paradas. Alia ainda uma boa capacidade física ao seu jogo, sendo que o seu talento com bola faz a diferença numa equipa muito musculada e que abusa do poder de choque e do contacto.
Jogadores em Destaque: Vincent Aboubakar (Avançado, 30 anos, Al Nassr) – O capitão é uma referência no país e para os companheiros. Está num campeonato de menor importância, mas não perdeu protagonismo na seleção e, apesar das lesões terem diminuído alguma da sua potência, continua a ser um avançado com recursos para causar estragos, nomeadamente com a sua mobilidade e forte remate. Choupo-Moting (Avançado, 33 anos, Bayern Munique) – A saída de Lewandowski permitiu-lhe ganhar algum espaço na Baviera e tem respondido com golos. São já 10 em 15 partidas, sendo mesmo um dos pontas de lança em melhor forma no futebol europeu. Vem de uma CAN onde nem sempre foi 1.ª opção, o que causou dificuldades ao português António Conceição no controlo do balneário e do ego do ex-Schalke 04, mas deve aparecer de ‘cara lavada’ no Qatar. Andre Onana (Guarda-Redes, 26 anos, Inter) – Ganhou o seu espaço nos Nerazzurri, depois de uma paragem ‘forçada’ devido a um controlo anti-doping positivo, e é um dos elementos mais experientes do elenco. Nem sempre seguro nas suas abordagens, é um guardião com qualidade na construção e com bons reflexos.
XI Base: Onana, Collins Fai, Castelletto, Nkoulou, Tolo, Anguissa, Honga, Mbeumo, Ekambi, Aboubakar e Choupo-Moting
Jovem a Seguir: Bryan Mbeumo (Extremo, 23 anos, Brentford) – Um agitador permanente, que ainda se está a habituar à equipa, mas com perfil para vir a causar problemas aos adversários neste Mundial. Rápido e potente, Mbeumo, que nasceu em França, tem também uma boa relação com a baliza contrária e é um habitual titular nos Bees.
Prognóstico: Fase de Grupos
Convocados: Guarda-Redes – Andre Onana (Inter de Milão), Epassy (Abha) e Ngapandouetnbu (Olympique de Marselha); Defesas – Nkoulou (Aris), Ebosse (Udinese), Tolo (Seattle Sounders), Olivier Mbaizo (Philadelphia Union), Collins Fai (Al-Tai), Castelletto (Nantes), Wooh (Rennes) e Onguéné (Eintracht Frankfurt); Médios – Ondoa (Hannover), Gouet (Mechelen), Pierre Kunde (Olympiacos), Martin Hongla (Verona), Zambo Anguissa (Napoli) e Olivier Ntcham (Swansea); Avançados – Nkoudou (Besiktas), Vincent Aboubakar (Al-Nassr), Bryan Mbeumo (Brentford), Jean-Pierre Nsamé (Young Boys), Karl Toko Ekambi (Lyon), Ngamaleu (Dynamo Moscow), Choupo-Moting (Bayern de Munique), Bassogog (Shanghai Shenua) e Marou (Coton Sport).
Selecionador: Rigobert Song
Prognóstico: Fase de grupos


3 Comentários
Tiago Silva
Não sei se chegarão muito longe porque a defesa deixa bastante a desejar. Neste tipo de torneios é mais importante ter uma defesa sólida do que propriamente um ataque demolidor, porque quando uma equipa não sofre golos acaba por ficar mais confiante durante a partida e as coisas saem melhor depois. Ainda assim poderiam ter nomes como Boey e Matip que poderiam elevar imenso o nível da defesa.
Ainda assim um XI com Onana, Fai, Woo, Ebosse, Tolo, Anguissa, Ntcham, Mbeumo, Choupo-Moting, Ekambi e Aboubakar é um XI forte e sólido, mas não acredito que consigam passar a fase de grupos.
Dario Nunes
É pena para os Camarões que o Matip não se interesse muito pela seleção, dava-lhe logo outra qualidade na defesa.
Jeco Baleiro
Têm em Anguissa e Choupo-Moting dois elementos em forma superlativa nas últimas semanas, além de vários valores individuais interessantes. Ainda assim, tendo em conta o grupo, surpreender-me-ia bastante que não ficassem no quarto lugar