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Qatar’2022: Uma ideia de jogo para contornar o decréscimo de qualidade

A Espanha é a seleção mais vencedora do século XXI. Com triunfos nos Europeus de 2008 e de 2012, e do Mundial 2010, La Roja atingiu o topo do mundo e conquistou uma hegemonia pouco vista no que diz respeito ao futebol de nações. Apesar de Alemanha, Itália ou Brasil possuírem mais troféus no seu historial, nenhuma outra esteve na rota do sucesso durante tanto tempo seguido e esses pergaminhos recentes não são fáceis de igualar no presente. Na verdade, já pouco resta dessa geração de ouro (Busquets e Jordi Alba são os resistentes), mas há muito talento a ser explorado e, sobretudo, uma ideia de jogo que difere os espanhóis de grande parte das seleções. Finalistas da última edição da final-4 da Liga das Nações (derrota com a França, atual campeã do mundo) e com nova passagem para a competição a 4 em 2023, Nuestros Hermanos irão agora tentar surpreender o globo e reconquistar o troféu mais desejado. Não se prevê uma tarefa fácil, não só porque a fase de grupos está recheada de perigos, mas também porque a qualidade individual não é tão forte como há alguns anos atrás. Nesse sentido, a presença de Luis Enrique, possivelmente o melhor selecionador do certame a nível tático e motivacional, é decisiva. Com um elenco muito jovem, nomeadamente os dois últimos Golden Boy (Pedri e Gavi), mas mesclado com várias unidades acima dos 30, a Espanha, que venceu o grupo de qualificação à frente de Suécia e Grécia, terá pela frente a Alemanha, o Japão e a Costa Rica na primeira ronda. No país vizinho existem muitas dúvidas sobre a prestação espanhola (a convocatória foi uma das mais discutidas, sobretudo pela presença de vários suplentes nos clubes e, consequentemente, pela ausência de algumas unidades com peso – Sergio Ramos e De Gea desde logo – e em boa forma – Iago Aspas, Canales ou Grimaldo), mas parece existir matéria-prima para almejar uma campanha de sucesso.

Estrela: Pedri González (Médio, 19 anos, Barcelona) – Quis o tempo moderno que o craque da equipa fosse tão jovem e utilizasse a camisola 26. Contudo, como diz o ditado popular, os últimos são os primeiros e o ex-Las Palmas tem talento para dar e vender. Pedri é o chefe da orquestra, ele que conquistou primeiro o selecionador, depois o país e, consequentemente, os amantes da modalidade. Criatividade, técnica, visão de jogo, passe, inteligência e critério em posse. Tem tudo aquilo que se pedia a um herdeiro de Xavi e Iniesta.

Jogadores em Destaque: Sergio Busquets (Médio Defensivo, 34 anos, Barcelona) – Se Pedri é o chefe da orquestra, Busi é o mestre de cerimónias. Luis Enrique revelou que o quer convencer a jogar até 2026 e, de facto, percebe-se que a presença do catalão é vital para o sucesso da equipa. Apesar da veterania, continua com um requinte e uma inteligência fantásticas (que o diga Portugal no mais recente duelo), sendo o farol que ilumina toda a equipa e que a organiza em simultâneo. Um dos melhores de sempre na sua posição. Dani Carvajal (Lateral Direito, 30 anos, Real Madrid) – Após um período com algumas lesões, onde se chegou a questionar se voltaria a ser o dono da posição na La Roja, o defesa reconquistou o seu espaço e está, novamente, em grande forma. Traz agressividade, competitividade e competência ao flanco direito. Gavi (Médio, 18 anos, Barcelona) – O mais recente Golden Boy é já uma certeza. Jogava na seleção antes de ser indiscutível no clube e o seu talento é bem maior do que o seu tamanho. Tecnicamente evoluído e com qualidade de passe, Gavi acrescenta também capacidade de pressão, velocidade na reação à perda e inteligência posicional. Um médio muito completo, de tal forma que o seu ‘teto’ assusta.

XI Base: Unai Simón; Carvajal, Laporte, Pau Torres, Jordi Alba; Busquets, Gavi, Koke; Ferrán Torres, Pedri, Morata.

Jovem a Seguir: Nico Williams (Extremo, 20 anos, Athletic) – Fixou-se no XI de Ernesto Valverde e pode ser uma arma muito útil no decorrer do Mundial. Pode agitar com a sua velocidade e potência, sendo que tem também uma boa relação com a baliza contrária e facilidade no cruzamento, o que certamente agradará a Álvaro Morata.

Convocados: Guarda-redes: Unai Simón (Athletic de Bilbao), Robert Sánchez (Brighton) e David Raya (Brentford); Defesas: Dani Carvajal (Real Madrid), César Azpilicueta (Chelsea), Eric Garcia (Barcelona), Hugo Guillamón (Valencia), Aymeric Laporte (Manchester City), Pau Torres (Villarreal), Jordi Alba (Barcelona) e Gayà (Valencia); Médios: Sergio Busquets (Barcelona), Rodrigo (Manchester City), Pedri (Barcelona), Gavi (Barcelona), Koke (Atlético de Madrid), Marcos Llorente (Atlético) e Carlos Soler (PSG); Avançados: Alvaro Morata (Atlético de Madrid), Ferrán Torres (Barcelona), Dani Olmo (RB Leipzig), Nico Williams (Athletic de Bilbao), Pablo Sarabia (PSG), Marco Asensio (Real Madrid), Yeremy Pino (Villarreal) e Ansu Fati (Barcelona).

Selecionador: Luis Enrique

Prognóstico: Quartos-de-final

9 Comentários

  • Tiago Silva
    Posted Novembro 15, 2022 at 2:57 pm

    Só não percebo é como é que não metem o Pedri no XI base e dizem que é a estrela. Não sei se é gralha do VM, mas não acho que faça muito sentido.

    • Tiago Silva
      Posted Novembro 15, 2022 at 2:58 pm

      Já vi que está nos avançados. Mas mesmo assim acho estranho porque acho que nunca jogou nessa posição.

  • Jeco Baleiro
    Posted Novembro 15, 2022 at 1:16 pm

    Engraçado que os dois melhores treinadores do certame vão-se defrontar já na fase de grupos, Luis Enrique e Flick.

    Naturalmente houve um decréscimo de qualidade face à grande Espanha que surgiu no final da primeira década do século, tinha muitos dos melhores do mundo em quase todas as posições. Neste momento não há essa abundância mas há uma ideia de jogo vincada (goste-se ou não), fiel aos princípios do seu treinador, sendo uma verdadeira equipa.
    Falta claramente uma unidade diferenciada na frente de ataque, Morata é insuficiente na minha opinião mas o vício da Espanha jogar com o falso 9 (quem não se lembra de Fabregas nesse papel?) talvez nos mostre que não é uma preocupação premente no seio da Fúria.

    Têm um grande teste logo na fase de grupos e isso pode ser positivo. Acho que têm boas hipóteses de chegar aos quartos e depois é mais difícil prever, mas não me espantaria que estivessem nos 4 semifinalistas, o que não parecendo é muito raro, para além do título em 2010, só o conseguiram por mais uma vez, em 1950 no Brasil.

  • feelfreeyouare
    Posted Novembro 15, 2022 at 11:33 am

    Esta é a convocatória mais incompreensível que me lembro de ver da Espanha para um mundial. No entanto, são sempre candidatos. Têm para mim o melhor meio campo desde Xavi-Iniesta….

  • JFN
    Posted Novembro 15, 2022 at 10:36 am

    Engraçado o jovem a seguir ser mais velho que a estrela, parece aqueles prémios criticados por darem o melhor avançado a um jogador e o melhor jogador a um avançado diferenfe

    • Stravinsky
      Posted Novembro 15, 2022 at 12:47 pm

      O Johny já explicou é bem a lógica.

      Tal como nesses prémios em que o avançado é um e o melhor jogador é outro, a lógica é a de que o melhor jogador está fora dessas caixas. É melhor no geral.

    • Johny
      Posted Novembro 15, 2022 at 11:14 am

      Talvez neste caso Pedri já não é considerado uma jovem promessa, mas sim uma afirmação, o que é legitimo, pois já joga ao mais alto nivel há algumas épocas. Enquanto que o “jovem a seguir” apareceu há pouco tempo.

      • feelfreeyouare
        Posted Novembro 15, 2022 at 12:49 pm

        O Pedri com 19 anos vai na quarta temporada nos seniores… impressionante, mas não compreendo como isso pode fazer com que não se considere uma jovem promessa.

        • Fireball
          Posted Novembro 15, 2022 at 9:42 pm

          É simples. Promessa é um jogador que promete muito mais ainda não mostrou quase nada. Daí ser uma promessa, ainda não é grande, mas promete ser. Não é uma questão de idade, não existe uma idade mínima ou máxima para se ser uma promessa ou uma confirmação. Pedri já é uma confirmação, não é uma promessa.

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