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Quando a China acordar, o mundo tremerá

À primeira vista, esta frase de Napoleão Bonaparte parece totalmente descontextualizada, no entanto, ajuda-nos a desvendar o grande objectivo já assumido pelos dirigentes chineses: transformar a China numa potência do futebol internacional. E este sonho, por enquanto muito distante, já esteve mais longe de se tornar realidade.
Motivados pelo recente desempenho da selecção chinesa na Taça das Nações Asiáticas, os clubes nacionais protagonizaram um defeso bastante animado, aumentando ainda mais o apetite para uma nova temporada na Superliga Chinesa. O principal escalão do futebol chinês arrancou no último fim-de-semana com inúmeras caras novas. A contratação de jogadores estrangeiros juntamente com os salários exorbitantes que muitos deles auferem, tornaram-se de resto nas principais imagens de marca do futebol chinês durante os últimos anos. Ainda assim, cada clube só poderá incluir 5 jogadores estrangeiros no seu plantel, sendo que um deles terá de ser obrigatoriamente de origem asiática. Desses 5 jogadores, apenas 4 poderão jogar em simultâneo.
Com um formato semelhante ao de muitas ligas europeias, a Superliga Chinesa irá desenrolar-se ao longo de 30 jornadas, nas quais as 16 equipas que a compõem, se irão defrontar duas vezes entre si. No final da temporada, os dois últimos classificados serão automaticamente despromovidos. No topo da tabela, os três primeiros classificados garantem, juntamente com o vencedor da Taça, o apuramento para a Liga dos Campeões Asiáticos, a mais importante competição de clubes da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Se os finalistas da Taça tiverem terminado o campeonato no pódio, então a última vaga será entregue ao quarto classificado.
A edição de 2015 contará com a presença de duas novas equipas, os recém-promovidos Chongqing Lifan e o Shijiazhuang Ever Bright que ocuparam os lugares do Dalian Aerbin e do Harbin Yiteng, entretanto despromovidos à Liga Jia.
Em relação à luta pelo título, o Guangzhou Evergrande parte com todo o favoritismo. O actual tetracampeão em título cedeu Alessandro Diamanti e Alberto Gilardino à Fiorentina, mas em contrapartida, assegurou a contratação dos brasileiros Ricardo Goulart, um dos melhores jogadores do Brasileirão por uma verba recorde, e Alan, ponta-de-lança que apontou quase uma centena de golos durante as cinco temporadas em que representou os austríacos do Salzsburg. A chegada destes dois jogadores reforça a armada brasileira do clube, da qual também fazem parte o médio Renê Júnior e o avançado Elkeson, melhor marcador da Superliga Chinesa nas duas últimas temporadas. Entre o contingente asiático, destacam-se o sul-coreano Kim Young-Gwon e os internacionais chineses Zheng Zhi, capitão de equipa, Gao Lin e Zhang Linpeng. No entanto, apesar de todas estas movimentações, a mais importante aconteceu no banco de suplentes. Marcello Lippi, até aqui treinador da equipa principal, colocou um ponto final na sua carreira para abraçar as funções de director desportivo. Contudo, o técnico italiano de 67 anos, acabaria mesmo por abandonar o clube em definitivo alegando problemas de saúde. A confiança recaiu então em Fabio Cannavaro, de 41 anos, que enfrenta a sua primeira experiência como treinador principal. À partida, a sua tarefa parece facilitada mas tudo o que não signifique a conquista do pentacampeonato, poderá ser encarado como um falhanço. A Liga dos Campeões Asiáticos, conquistada pela primeira e única vez pelo clube em 2013, também faz parte dos objectivos para a nova temporada, apesar da forte concorrência dos clubes do Médio Oriente.
A principal ameaça na luta pelo título surge na capital chinesa, Pequim. O Beijing Guoan, que já foi orientado pelo português Jaime Pacheco, ficou a apenas três pontos de recuperar um título que lhe escapa desde 2009. O clube apostou na continuidade de Gregorio Manzano, treinador do ano, no comando da equipa e só existem razões para acreditar num desempenho superior ao da temporada transacta. O clube perdeu Zhang Xizhe para o Wolfsburgo (mais de 50 milhões de telespectadores assistiram à conferência de imprensa de apresentação no clube alemão) mas apostou na contratação de Yu Dabao, avançado que somou uma breve passagem pelo futebol português, e do sueco Erton Fejzullahu, a título definitivo, depois das excelentes impressões deixadas durante os primeiros seis meses no futebol chinês. O talento de Pablo Batalla, completamente recuperado da grave lesão que sofreu, a veia goleadora de Dejan Damjanovic e a experiência de elementos como Darko Matic, Ha Dae-Sung, Shao Jiayi ou do capitão Xu Yunlong, continuarão a fazer a diferença.
Mais renhida que a luta pelo título promete ser a disputa pelo último lugar do pódio. Shangai East Asia, Shandong Luneng, Guangzhou R&F e Shangai Shenhua, todas elas se propõem a um lugar que lhes garanta o apuramento para a Liga dos Campeões Asiáticos.
Por ser a minha grande aposta para a revelação da temporada, o Shangai East Asia surge à frente dos restantes. O forte investimento no reforço do plantel foi acentuado pela chegada ao comando de técnico de Sven-Göran Eriksson, que conduziu o Guangzhou R&F a um inédito terceiro lugar e consequente apuramento para a Liga dos Campeões Asiáticos. Juntamente com o experiente treinador sueco, chegou também o médio criativo brasileiro Davi, nomeado para a equipa do ano. No entanto, todos os olhares estarão fixados em Darío Conca. Um ano depois de regressar ao Fluminense, clube no qual se notabilizou, o médio ofensivo argentino, que em 2011 se tornou no terceiro futebolista mais bem pago do mundo, só superado pelos extraterrestres Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, regressou ao futebol chinês depois de três anos de enorme sucesso com a camisola do Guangzhou Evergrande, com o qual conquistou três campeonatos nacionais, uma taça, uma supertaça, e mais importante que tudo isto, a Liga dos Campeões Asiáticos, numa campanha em que assumiu um papel preponderante para esse desfecho. Uma grande parte do sucesso desta equipa estará dependente do entendimento que Conca será capaz de estabelecer com Tobias Hysén, experiente ponta-de-lança sueco, que apontou 20 golos no seu ano de estreia no futebol chinês.
Não muito distante surge o Shandong Luneng, actual detentor da Taça, o que lhe valeu o apuramento para a Liga dos Campeões Asiáticos. A equipa é orientada pelo brasileiro Cuca, que conduziu o Atlético Mineiro à conquista da Taça dos Libertadores em 2013. O defeso não registou grandes movimentações. Vágner Love, cujo rendimento deixou algo a desejar, regressou ao futebol brasileiro. Diego Tardelli, que reencontra Cuca com quem já havia trabalhado no Galo, foi o eleito para colmatar a saída do seu compatriota. A frente de ataque fica completa com Hao Junmin, internacional chinês que soma uma passagem muito discreta pelo Schalke 04 e Walter Montillo, a grande figura da equipa laranja e o principal municiador do ataque. Para já, a temporada arrancou da melhor maneira com a conquista da Supertaça, perante o Guangzhou Evergrande, após a marcação de grandes penalidades.
O Guangzhou R&F lidou bem com a saída de Sven-Göran Eriksson e de Davi, mas parte em desvantagem nesta corrida. Cosmin Contra deixou o Getafe em troca de muitos milhões e trouxe consigo Míchel, médio espanhol com o qual conviveu durante alguns meses em Espanha. No entanto, uma boa temporada está intimamente dependente da eficácia do ponta-de-lança Abderrazak Hamdallah, a estrela da equipa. Melhor marcador do campeonato marroquino (Botola) em 2012/13 e segundo melhor marcador do campeonato norueguês (Tippeligaen) em 2013, o internacional marroquino de 24 anos, foi contratado pelo Guangzhou R&F a pedido expresso de Sven-Göran Eriksson. No seu ano de estreia, apontou 22 golos no campeonato em outras tantas partidas, incluindo dois hat-tricks no espaço de oito dias, sendo apenas superado por Elkeson, com 28 golos, na lista de melhores marcadores. Um jogador que merece sem dúvida ser seguido com outra atenção por parte dos clubes europeus.
Em relação ao Shangai Shenhua, é complicado arriscar uma previsão. Depois do decepcionante 9º lugar obtido na última temporada, o clube despediu Sergio Batista e investiu imenso no reforço do plantel. Ao capitão de equipa Giovani Moreno e ao ponta-de-lança Paulo Henrique, juntaram-se os nomes de Stoppila Sunzu, central de 25 anos internacional pela Zâmbia e que chegou a ser sondado pelo Arsenal, Avraam Papadopoulos, central de 30 anos internacional pela Grécia e o veterano Tim Cahill, que deu muito boa conta de si durante a Taça das Nações Asiáticas, que viria a conquistar com a selecção australiana. Para orientar esta equipa, o escolhido foi Francis Gillot, técnico francês de 55 anos, que orientou o Bordéus durante as últimas três temporadas.
Estas são as equipas que parecem reunir argumentos para lutar por objectivos mais ambiciosos, no entanto, equipas como o Jiangsu Sainty (Sammir e vários internacionais chineses), o Changchun Yatai (Marcelo Moreno e Moussa Maazou aumentam e de que maneira o poder de fogo de uma equipa que já contava com Szabolcs Huszti) e o Tianjin Teda (Hernán Barcos) deverão ser protagonistas de alguns resultados surpreendentes ao longo da temporada. 
Os próprios recém-promovidos parecem ter jogado pelo seguro contratando jogadores que lhes permitirão assegurar a manutenção com maior ou menor dificuldade. O Chongqing Lifan contratou Emanuel Gigliotti, Jajá ou Issam El Adoua. Já o Shijiazhuang Ever Bright garantiu algumas caras bem conhecidas para os adeptos portugueses: Rodrigo Defendi e Mario Rondón, antigos jogadores do Vitória de Guimarães e do Nacional da Madeira, respectivamente. 
Todas as outras equipas que não foram mencionadas farão o que estiver ao seu alcance para escapar aos dois últimos lugares da tabela, com especial ênfase, pela negativa, para o Guizhou Renhe, que participou nas últimas duas edições da Liga dos Campeões Asiáticos, mas que para 2015, face à incapacidade para substituir os seus melhores jogadores (o internacional chinês Yu Hai assinou pelo Shangai East Asia e o antigo internacional bósnio Zvjezdan Misimović anunciou a sua retirada) deverá viver momentos bastante conturbados. É portanto a minha aposta para a grande desilusão da temporada. O Hangzhou Greentown, o Liaoning, o Henan Jianye e o Shangai Shenxin completam o lote de aflitos. 
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): João Lains

0 Comentários

  • JSC
    Posted Março 14, 2015 at 8:20 pm

    Eu não sei anda sobre a liga chinesa de futebol, mas não creio que este seja o caso para esse título e para isso vou dar um exemplo.

    A China tem um número de praticantes federados em Basquetebol, maior que todo o resto do mundo e mesmo desta forma são apenas a 14ª classificada no ranking FIBA, e é claramente o desporto que levam mais a sério vários treinadores e jogadores estrangeiros, além de dinheiro tem sido investido na Liga Chinesa de Basquetebol, mas não é por isso que a China se tornou um fenómeno nesta modalidade. A raça chinesa tem muitas qualidades, nomeadamente a capacidade de trabalho, mas não sei até que ponto podem realmente fazer a diferença a nível futebolístico.

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 8:36 pm

      De basquetebol não percebo eu, mas volto a recordar que a selecção da China não conseguia um desempenho tão bom na Taça das Nações Asiáticas desde 2004, onde como organizadora da prova, atingiu a final, perdendo o título para o Japão. O campeonato nunca foi capaz de atrair tão bons jogadores como actualmente (já não se fica pelos futebolistas consagrados em final de carreira) e a popularidade do futebol não pára de aumentar. Isto tudo são sinais que não podem ser ignorados. Ninguém está à espera que a China se torne numa selecção competitiva do dia para a noite. Levará anos, décadas, mas existe a certeza que de facto o futebol chinês está num bom caminho.

  • cards
    Posted Março 14, 2015 at 6:02 pm

    o crescimento tem que ser feito com o ritmo certo e nunca queimando etapas, para começar a china tem que tornar potencia regional e isso está muito longe de acontever o Japão e a Coreia do Sul sao muito melhores mas com o tempo a china poderá chegar lá de depois de chegar lá tem que começar a disputar fases finais de mundiais. Já repararam que as finais de mundiais sempre foram disputadas unicamente por selecções europeias e americanas da CONMEBOL?

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 7:36 pm

      Acho que aqui ninguém está interessado em queimar etapas, mas é recorrente ouvirmos este tipo de afirmações "queremos conquistar o mundial" da boca destes dirigentes, que muitas vezes julgam que o dinheiro compra tudo.

    • Kafka I
      Posted Março 14, 2015 at 6:06 pm

      Só Europa e América do Sul disputaram finais de Mundiais, porque são as únicas zonas no Mundo onde o Futebol esta realmente evoluido e levado 100% de uma forma profissional, no resto do Mundo ou não esta implementado como desporto rei, ou estando é de uma forma completamente amadora..

  • Hugo
    Posted Março 14, 2015 at 4:45 pm

    Bom post. Como vivo em Macau percebo alguma coisa do futebol chines. Esta em clara evolucao. Ja ultrapassou o futebol japonee e esta quase a chegar ao coreano.
    Gosto pelo futebol nao falta. Falta apenas alguma dedicacao ao treino e claro bons treinadores.
    O Manzano tem tido grande impacto na China

  • Flávio Trindade
    Posted Março 14, 2015 at 4:02 pm

    Óptimo post João Lains!
    Confesso que nunca vi um jogo da Liga Chinesa, e que dos campeonatos ditos "em expansão" aquele que me motiva maior interesse é mesmo a MLS, ou não fosse eu um apaixonado pelos desportos americanos.
    Tive algum interesse em ler a respeito dos planos de expansão dos dirigentes chineses aquando do primeiro grande boom de contratações sonantes (Drogba e Anelka no Shangai Shenhua), mas essa situação correu mal.
    Agora é normal este entusiasmo dadas as contratações neste defeso. O campeão em título principalmente garantiu dois jogadores de inegável categoria e dos quais sou fã. Goulart e Alan são dos melhores jogadores brasileiros nas suas posições e no caso do ex- Salzburg só o preço de jogar num campeonato periférico é que não o levou à Canarinha.
    A China tem tudo para se afirmar, mas terá que o fazer lentamente e numa primeira fase, afirmar-se regionalmente (ainda está muito longe das principais potências asiáticas, Japão, Coreia do Sul e Austrália, neste caso federativamente), para depois tomar de assalto o resto.
    E independentemente do elevar do nível da sua Liga, isso irá demorar algumas décadas a acontecer.

  • Pedro Barata
    Posted Março 14, 2015 at 3:57 pm

    Vejo poucas pessoas capaz de se expressar tão bem em Português sobre as periferias do futebol como o meu querido João Lains. Texto pleno de conhecimento e de oportunidade.

    Desde logo, vejo na Liga Chinesa uma capacidade de atração de jogadores no topo de forma, como Alan, Goulart, ou até Gila e Diamanti, que quando foram tinham muito para dar, que, por exemplo, a MLS (apesar de Giovinco), não tem. Depois, tenho curiosidade para ver Cannavaro como treinador, já o seu nível naquele verão na Alemanha nunca me sairá da cabeça.

    Como amante do futebol de língua espanhola, sabes dizer-me o impacto que tem tido o Manzano na China? Ele em Espanha é muito gozado…Em relação ao Conca, é incrível com um jogador que esteve sempre longe do top mundial teve sempre salários de candidato À bola de Ouro…

    Finalmente, uma palavra para Giglioti, que saíu do Boca devido á presença de Calleri e à chegada de Osvaldo, que é um Ponta-de-Lança forte, que sabe usar o corpo, que vai bem de cabeça, e que acredito que fará alguns golos.

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 4:50 pm

      Sem conhecer a carreira de Manzano a fundo, o facto de ter orientado 17 clubes, alguns deles por mais do que uma vez, em 20 e poucos anos de carreira, não são um grande atestado para as suas competências.

      Contrariamente ao que acontece em Espanha, na China, Manzano é uma figura muito respeitada. No início da temporada, ninguém acreditaria numa campanha tão positiva do Beijing no seu ano de estreia no futebol chinês. O investimento do Guangzhou Evergrande em nada se compara com o das restantes equipas, portanto o prognóstico mais fácil seria atribuir-lhes total favoritismo.

      No entanto, o Beijing, que ganhou inclusive no terreno do Guangzhou Evergrande na última temporada, foi capaz de adiar a decisão do título para a última jornada e com um pouco de maior "sorte", acredito que o clube da capital teria sido capaz de interromper este monopólio que se tem assistido nos últimos anos no campeonato chinês.

      Quando eu digo que "só existem razões para acreditar numa campanha superior" refiro-me não só à continuidade de Manzano, que conquistou o prémio de treinador do ano com toda a justiça, mas sobretudo tendo em conta as condicionantes da últimas temporada: o Batalla perdeu alguns meses de competição por lesão, o Joffre Guerrón, que deves conhecer perfeitamente, abandonou o clube no mercado de verão e foi só nessa altura que chegaram ao Beijing o Dejan Damjanovic (2º melhor jogador montenegrino em 2013, numa decisão muito polémica porque a sua temporada tinha sido claramente superior à de Vucinic, e ao contrário deste tinha ajudado a selecção com alguns golos fundamentais. Acumulou um palmarés vastíssimo no futebol sul-coreano) e o Erton Fejzullahu.

      Portanto, numa temporada com estes dois de início e completamente adaptados ao futebol chinês e ao país, estão reunidas as condições para tudo correr pelo melhor.

  • Rodrigo
    Posted Março 14, 2015 at 1:54 pm

    Grande post Lains. De facto, as equipas chinesas investiram bastante neste defeso e o campeonato promete ser bastante competitivo. Mais do que nas competições na Europa, na Ásia as estrelas fazem a diferença de forma muito mais significativa, fruto da diferença qualitativa para os outros jogadores chineses. Diga-se que não sabia que o Marcelo Moreno tinha rumado ao futebol chinês.

    Quanto a tornarem-se uma potência a nível mundial, e sempre difícil até por motivos geográficos, pela situação política do pais e porque retirar o monopólio a Europa e quase utópico por estes dias. Ainda assim, os sinais de melhoria são evidentes e o campeonato e hoje bem mais competitivo.

  • Ricardo Ricard
    Posted Março 14, 2015 at 1:53 pm

    Sinceramente não acredito que algum dia algum espanhol ou inglês ligue a televisão porque vai dar um jogo do campeonato chinês. Assim como não acredito que algum dia chegue a uma final de um mundial, se chegar é de 100 em 100 anos.

  • Anónimo
    Posted Março 14, 2015 at 1:33 pm

    Excelente João Lains, Parabéns !!!
    não sei se já aconteceu mas é possível um artigo destes sobre o Japão e a Nova Zelândia?

    Ricardo B.

    • Anónimo
      Posted Março 14, 2015 at 3:45 pm

      Obrigado pelo feedback João Lains e se possível continua a dedicar o teu tempo a estas realidades, pois na minha opinião é uma mais valia para todos.
      Em tom de brincadeira só te falta chegar ao futebol da Mongólia um pais enorme mas com muito pouca população (o desafio de desenvolver o futebol por essas paragens, provavelmente é proporcional aos 12 trabalhos épicos de Hércules!!!..

      Ricardo B.

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 2:55 pm

      Teria todo o gosto em satisfazer-te essa curiosidade mas neste momento precisava de um pretexto mais forte para o fazer. Se me pedisses em 2010 para falar da Nova Zelândia, não teria problemas nenhuns em fazê-lo (com o apuramento para o Mundial, acabei por desenvolver um gosto especial pela selecção e pelo seu representante no campeonato australiano, o Wellington Phoenix. Nessa altura, conhecia praticamente todos os jogadores seleccionáveis dos All Whites e até os melhores das Ilhas Fiji ou das Ilhas Salomão). Em relação ao Japão, acho que o futebol nacional já está num patamar demasiado avançado que me desperte a curiosidade.

      Nos últimos tempos, dediquei boa parte do meu tempo à Indian Super League e aos projectos das federações de Marrocos (tinha um texto sobre o crescimento do futebol neste país preparado mas perdi o timing certo quando a CAF decidiu retirar a organização da Taça das Nações Africanas) e do Canadá, dois países potenciais acolhedores de um Campeonato do Mundo.

  • Rui Miguel Ribeiro
    Posted Março 14, 2015 at 1:11 pm

    Interessante, mas sou céptico. Acredito que cresçam, mas não é por decreto que se torna uma potência de futebol. É a mania dos ditadores que conseguem fazer tudo…

    • Anónimo
      Posted Março 15, 2015 at 10:38 am

      Kafka, uma ditadura camuflada?!

      O partido comunista da China tem como base o 改革 (reformismo), ou seja, os seus 86.7 milhões de participantes vão a votos a cada trimestre, e é de referir que todos esses votantes têm educação universitária e participam em votações apenas nas suas especialidades.

      Portanto já não estamos a falar de ''comunismo'' tradicional, mas sim de ''centralismo democrático'' que, apesar de não ser um modelo perfeito, permite corrigir erros de forma muito mais dinâmica e com melhor conhecimento, do que estar a involver o povo inteiro, incluindo aqueles que não entendem política, ou pior, aqueles que não querem saber de política.

      Claro, o facto disto estar a resultar na China, não significa que resulta noutro país qualquer. Pesquisa ''TED – A Tale Of Two Political Systems'' e vê o video, que explica tudo muito melhor.

      Pedro

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 1:27 pm

      Eles querem pôr os bebés a jogar à bola! Por enquanto, o futebol já se tornou numa disciplina obrigatória nas escolas. O que eu aconselho aos mais cépticos, como é o teu caso, é "medirem-se" pela selecção do Japão, que para além de ser a selecção mais forte do continente asiático e ter também o campeonato mais competitivo, tem sido responsável, sobretudo nos últimos anos, pela importância de inúmeros jogadores para o futebol europeu com o sucesso que se conhece (Honda, Kagawa ou Okazaki). É esta a fonte de inspiração para o futebol chinês. Dificilmente a China recupera os 50 ou 100 anos de atraso para as selecções mais fortes da actualidade.

    • Kafka I
      Posted Março 14, 2015 at 1:23 pm

      Rui

      Toca num ponto bastante interessante, pois não sei até que ponto o facto da China ser uma "ditadura" não seja um entrave ao crescimento do campeonato para um nível superior, pois quer queiramos quer não, um Messi ou um Ronaldo desta vida (exemplo extremo), acho que preferira sempre viver numa democracia Europeia ou Norte-Americana do que numa ditadura camuflada da China…isto no momento de escolher o campeonato, supondo que estavam todos ao mesmo nivel e a o que diferenciava seria apenas a questão monetária…

      A "liberdade de movimentos" que um cidadão qualquer tem em Madrid, Londres, Paris, Milão ou New York, é bem superior a liberdade que tem em Pequim, isto apesar da abertura da China ao resto do Mundo, nos últimos 20 anos..

  • Kafka I
    Posted Março 14, 2015 at 12:56 pm

    O Futebol tem um particularidade bem interessante, ou seja, por um lado é inquestionavelmente o desporto rei a nível Mundial, ou seja, é a modalidade mais mediática, com mais executantes, e que esta implementado no maior número de Países, no entanto nunca se conseguiu implementar nos 4 Países mais Populosos do Planeta, ou seja, China, India, Estados Unidos e Indonésia (os indonésios até gostam de futebol, é o estado do futebol lá é completamente amador)…

    Quanto ao caso concreto da China (que é o teor do post), duvido que consiga alguma vez atingir o nível da Europa, a começar pela corrupção (devido às apostas desportivas) que existe no seu campeonato, é certo e sabido que é dos PAíses onde mais "arranjos" de resultados existe devido às apostas, portanto já começa mal por aí e depois o atraso por si só já é enorme, digamos que a China parte com quase 100 anos de atraso em relação ao futebol EUropeu e Sul Americano, ora é demasiado tempo…mas veremos

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 1:30 pm

      O mais curioso é que o gosto pela modalidade existe em todos esses países (cabe na nossa cabeça, adeptos ocidentais, que haja alguém incapaz de gostar de futebol?), só precisa de ser despertado.

  • Anónimo
    Posted Março 14, 2015 at 12:49 pm

    Muito bom artigo! Parabéns ao autor

    Ruben Marques

  • Stanislas Wawrinka
    Posted Março 14, 2015 at 12:32 pm

    Não acredito que a China alguma vez seja uma super potência do futebol por questões geneticas do seu povo. Da mesma maneira que se vê poucos africanos a nadar, ou muitos africanos a ganhar provas de fundo o mesmo se passa com os chineses e o futebol. Simplesmente a genética não os ajudou nesse aspecto e o atraso que já levam face a um desporto bastante desenvolvido na actualidade (basta comparar messi e Ronaldo com os jogadores de há 50 anos atras) faz com que seja muito difícil alguma vez singrarem no futebol mundial

    • cards
      Posted Março 14, 2015 at 2:42 pm

      o problema é simples a china só desenvolve modalidades que dêem muitas medalhas olímpicas tirando o voleibol feminino em mais nenhuma modalidade colectiva eles são top mundial.
      Já o Brasil é muito forte em modalidades colectivas isto uma filosofia completamente diferente da chinesa

    • Anónimo
      Posted Março 14, 2015 at 2:14 pm

      Obrigado pela correção Kafka. Não estava de todo longe ahah

      Rafael

    • Kafka I
      Posted Março 14, 2015 at 1:08 pm

      Concordo em certa medida com a visão do Rafael, a China nunca apostou no futebol, logo é dificil dizer que geneticamente não têm jeito, até porque a China quando pôs na cabeça que tinha que ser uma potência a nivel desportivo, conseguiu e hoje em dia lutam taco a taco com os Estados Unidos pelo País mais medalhado nos J.Olimpicos, ou seja, é a prova que são (basta quererem) um povo com jeito para o desporto…

      Porto outro lado o que Stanilas diz também é verdade, que o atraso é muito significativo (partem com 100 anos atraso, relaivamente à Europa e América do Sul), e portanto será muito complicado recuperarem 100 anos assim de um dia para o outro..

      PS: Rafael, não são 2 mil milhões, são 1400 milhões habitantes :)

    • Anónimo
      Posted Março 14, 2015 at 12:49 pm

      Wawrinka não concordo e passo a explicar:
      1- os chineses nunca foram bons no futebol pela simples razão de não haver aposta.
      2- apostaram noutras modalidades e nas que apostaram estão entre os melhores (ginástica, saltos para a água, halterofilismo, etc).
      3- se entre cerca de 2 mil milhões de habitantes não houver pelo menos uns 100 com capacidade de serem excelentes jogadores de futebol se forem aposta seria é grave visto que em Portugal em cerca de 10 milhões de habitantes todos os anos aparecem 100 jogadores com potencial a serem bons jogadores.
      Logo, o problema não está na genética, porque é conhecido o potencial dos chineses no desporto, mas sim na aposta. É como qualquer pessoa, só faz bem o seu trabalho pois apostou nisso e foi bem ensinado mas as características genéticas já as tinha tal como acontece com os chineses e o desporto.

      Rafael

  • Anónimo
    Posted Março 14, 2015 at 12:20 pm

    Caro Lains até me deixaste com os olhos em bico.
    Primeiro pelo conhecimento que tens da liga, isto não se consegue pelo Google, gabo-te a coragem por visualizares jogos da Liga Chinesa.
    Não sabia da existência de tantos craques por essas paragens, tinha conhecimento de alguns mas são bem mais do que eu pensava, bem como de treinadores interessantes que por lá andam.
    Há a salientar, também, a protecção do jogador chinês. Se fosse completamente livre a utilização de estrangeiros provavelmente enchiam o campeonato com jogadores de campeonatos periféricos a nível internacional, assim concentram a capacidade financeira para jogadores de qualidade que ajudarão no crescimento do jogador nacional. Este facto aliado ao modelo do campeonato faz crer que isto não é para brincarem um bocado ao futebol mas para construir um projecto desportivo a sério.
    Já agora sabe quantificar mais ou menos a média de espetadores do campeonato? Ou alguma estatística de crescimento dessa média?
    Cumprimentos pelo bom texto, e por provavelmente ter despertado o interesse de mais frequentadores do blog neste campeonato. Deveria ser o embaixador do futebol chinês para a Europa…

    Del Piero

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 1:04 pm

      Nestes países em que o futebol não goza da mesma expressão que no Velho Continente, o objectivo principal passa sempre por criar uma selecção competitiva e para isso é necessário um campeonato que a sustente.

      Como disse noutro comentário, o futebol chinês tem muitos defeitos e vive assolado pelos fantasmas que envolvem os escândalos de apostas e viciação de resultados, daí que o campeonato tenha sofrido ao longo da sua história várias quebras ao nível das assistências.

      Nos últimos três anos e 2012 marcou o ingresso de jogadores como Drogba, Anelka e Keita no futebol chinês, a média de espectadores tem rondado os 19 mil espectadores, mas o crescimento tem sido muito ténue de ano para ano. Segundo apurei, nos jogos que já foram disputados em 2015, os números aproximam-se dos 22 mil.

  • Vasco
    Posted Março 14, 2015 at 12:13 pm

    Gosto da regra dos 4+1 estrangeiros, não pedia tanto em Portugal. Bastava a obrigatoriedade de se utilizar 3 portugueses no 11 titular.

  • Pedro
    Posted Março 14, 2015 at 12:11 pm

    Comparando com a MLS, parece-me que a SuperLiga Chinesa está mais bem apetrechada. A maior parte dos estrangeiros são de categoria e ainda jovens, muitos no pico da carreira. Reparo que todas as equipas tem igualmente treinadores capacitados, com provas dadas.

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 1:10 pm

      E reparas muito bem, porque esse é um dos sinais de que o paradigma do futebol chinês se está a alterar. Outrora palco de aposentadoria para muitos futebolistas consagrados, são agora cada vez mais os jogadores estrangeiros cotados que embarcam nesta aventura.

      Muitos jogadores, sobretudo oriundos do Brasil, chegam ao futebol chinês com os melhores anos da sua carreira pela frente. É óbvio que para os convencer a abdicar do sonho europeu e de certa forma da canarinha sejam necessários contratos milionários. O Diego Tardelli está a receber cinco vezes mais do que o salário médio no futebol brasileiro.

  • Litos
    Posted Março 14, 2015 at 12:07 pm

    Grande post João Lains, não é por acaso que o Visão de Mercado te destaca no conhecimento do futebol internacional.

  • Anónimo
    Posted Março 14, 2015 at 12:03 pm

    Interessante. Grande Yu Dabao! Contratacao excelente do meu Benfica. Joao, alguma ideia do estatuto dele na China?

    Antonio

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 1:20 pm

      Desde que abandonou o futebol português, o Yu Dabao tem vindo a conquistar o seu espaço no campeonato chinês, chegando inclusive à selecção nacional. Tem sido um dos jogadores mais cobiçados nos últimos anos, falando-se inclusive do interesse do Guangzhou Evergrande. Era o capitão de equipa do Dalian Aerbin que desceu de divisão, que naturalmente não acompanhou para o segundo escalão. Tem jogado preferencialmente sobre um dos corredores e creio que terá sido uma das contratações mais caras entre emblemas chineses no último defeso: custou mais de 4 milhões de euros.

  • Rui
    Posted Março 14, 2015 at 11:57 am

    Bom artigo. Lains continua a mostrar ser muito conhecedor sobre "futebois" pouco conhecidos.
    Mas creio que falta muito (mas mesmo muito) para isso (China tornar-se potência no futebol) acontecer.
    A China tem menos federados no futebol que Portugal. Está tudo dito…

    • João Lains
      Posted Março 14, 2015 at 12:56 pm

      É impossível ignorar os sinais que vão sendo dados. A selecção nacional conseguiu o seu melhor desempenho em mais de 10 anos na Taça das Nações Asiáticas. Depois de uma fase de grupos 100% vitoriosa, a equipa orientada por Alain Perrin caiu nos quartos-de-final perante a anfitriã e eventual campeã Austrália. No entanto, como já deixei expresso, a China ainda está muito longe de concretizar os sonhos dos seus dirigentes, mas ressalva-se o compromisso que têm assumido com o desenvolvimento do futebol.

      Os principais problemas com os quais os clubes se têm vindo a debater ao longo dos anos prendem-se com a qualidade (ou falta dela) do jogador chinês e com os escândalos de apostas e viciação de resultados, que são os principais responsáveis para a quebra de assistências que o campeonato foi sofrendo em diferentes épocas desde que o campeonato foi profissionalizado durante os anos 90. Não se pode afirmar que o crescimento do futebol chinês tenha seguido uma linha recta.

      Pessoalmente também sou mais adepto do modelo franchisado que está na base da criação da MLS ou da Hyundai A-League. Nos moldes actuais, o campeonato chinês, inspirado no futebol japonês, dá azo a grandes diferenças pontuais na tabela.

    • JM
      Posted Março 14, 2015 at 12:36 pm

      Até parece que são só os chineses que vão para onde lhes pagam mais.

    • Vital Moreira
      Posted Março 14, 2015 at 12:07 pm

      O problema do futebol chinês sempre foi e continuará a ser a corrupção e os arranjos de resultados. Quando um jogador prefere jogar num clube de segunda divisão que lhe pague mais do que num clube que esteja na Liga dos Campeões e lute pelo título, está tudo dito sobre a ambição dos jogadores chineses.

      Tem ficado provado que os chineses são loucos por futebol, mas não gostam de o jogar.

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