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Quando há “padrinhos” que (des)ajudam mas não é suficiente!

Aproveitando o embalo da Visão do Leitor: Bráulio Pinto (ler aqui), nada melhor que dar a conhecer a alguns, e relembrar a outros, mais um matador do nosso país, tão pequeno, mas cheio de promessas, certezas e grandes vedetas mundiais! Corria o ano de 1996, e um jovem desconhecido para a maioria de todos os portugueses, evoluído tecnicamente, de boa compleição física, e um instinto matador fora do normal, despontava nos Juvenis do Odivelas (equipa que nesse ano ficou em 3º lugar a nível nacional alcançando a melhor classificação de sempre nas camadas jovens daquele clube). A sua fome pelo golo era tal, que terminada a fase regular doscampeonato nacional de juvenis, dos 60 golos marcados pela sua equipa, 30 eram dele! Matador de nome Paulo Costa

Tamanho desempenho deste jogador, que resolvia jogos de livre, jogada individual, remate forte ou pelo simples oportunismo de ponta de lança (tão importante), mereceu uma transferência para o Sporting Clube de Portugal. A acompanhar esta transferência (que mereceu uma disputa com o rival da segunda circular), veio a sua primeira internacionalização por Portugal nos Sub-17, onde teve oportunidade de honrar a camisola, correr pelo país e levantar o caneco no Europeu desse mesmo escalão contra a França. Que Verão incrível, em que no meio de toda esta panóplia de acontecimentos e sentimentos, surge o primeiro “Padrinho”, um director das camadas jovens no Odivelas (que é feito dele hoje que o Paulo Costa é um jogador livre…?? O facto do Paulo Costa ser menor de idade, e pela ausência de um familiar mais dedicado a estas andanças, fez com que se tornasse seu tutor). Os anos seguintes seriam de sonho para este Matador no SCP, onde dividia o protagonismo com um rapaz franzino de nome Simão Saborosa, com o esquerdino Alhandra, com o capitão Miguel Vargas (outro matador) e com o patrão da defesa Marco Caneira. Nesta fase de sonho, em que se olha para cima e nem o céu é o limite, e para o lado temos o Padrinho a dizer “tu vais despontar é lá fora” (estava muito na moda as transferências para o Real Madrid C, quem não se lembra do Edgar do Benfica), ainda teve oportunidade de vestir a camisola das quinas num Mundial de Sub20 em 1999 (competição onde brilhou mais que Simão, na altura o ex-Barcelona era considerado uma das 3 principais promessas da competição).

A partir daqui inicia-se uma fase de más decisões (e conselhos de Padrinhos) e uma péssima gestão de carreira. Ora vejamos! Numa fase de transição das camadas jovens para Sénior, onde é tão importante o talento como uma mão amiga e consciente para orientar uma cabeça cheia de sonhos e ambições, Paulo Costa após dois empréstimos para “rodar” no Lourinhanense e Alverca (será que não merecia uma oportunidade no SCP em detrimento de jogadores como Krpan, Ramirez, Robaina, Hanuch ou Spehar (!?) que estavam literalmente a “ocupar” espaço ou a fazer numero para o treino de conjunto) causa sensação ao transferir-se para o Inter de Milão juntamente com Marco Caneira (clube que nunca chegam a representar e acabam a jogar no Reggina). Continuando…, mais um Padrinho da vida, consegue colocar o Paulo Costa no Futebol Clube do Porto, onde claramente estava tapado por jogadores como Pena (na sua segunda época, depois de ter sido o melhor marcador do campeonato nacional na sua época de estreia), Postiga e Benny MacCarthy como referencias no ataque! Não era de esperar que ia acabar a época com poucos minutos e sem golos marcados? Seguem-se escolhas duvidosas numa gestão de carreira desastrosa, passando por clubes como Venezia, Bordeaux e Gil Vicente (o ataque estava reservado a Paulo Alves, Carlitos, Nandinho) antes de embarcar para a “segunda casa dos portugueses” para jogar em diversos clubes no Chipre e na Grécia. É no Chipre que ainda consegue um ligeiro balão de oxigénio, alinhando pelo APOEL, chegando mesmo a jogar na Liga dos Campeões, mas sem nunca conseguir comprovar o que o fez dele uma promessa em jovem (zero golos na LC).
Quem viu o Mundial sub-20 na Nigéria (e a sua carreira nas camadas jovens) percebeu que Portugal tinha em Paulo Costa um diamante por lapidar. Mas o seu percurso (representou até ao momento 15 clubes diferentes como profissional) acabou por oferecer uma resposta totalmente diferente. Mais um talento perdido. Poderia a sua passagem pelo futebol ter sido diferente com outra gestão de carreira? Até que ponto as entidades que gerem o futebol deviam ter um maior controlo sobre as acções dos empresários? E no que diz respeito aos jogadores, o que os leva a seguir “futuros”(absurdos e que na sua maioria vão resultar num atraso na carreira) alimentados pelos empresários?
Visão do Leitor: João Rodrigues

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