Tamanho desempenho deste jogador, que resolvia jogos de livre, jogada individual, remate forte ou pelo simples oportunismo de ponta de lança (tão importante), mereceu uma transferência para o Sporting Clube de Portugal. A acompanhar esta transferência (que mereceu uma disputa com o rival da segunda circular), veio a sua primeira internacionalização por Portugal nos Sub-17, onde teve oportunidade de honrar a camisola, correr pelo país e levantar o caneco no Europeu desse mesmo escalão contra a França. Que Verão incrível, em que no meio de toda esta panóplia de acontecimentos e sentimentos, surge o primeiro “Padrinho”, um director das camadas jovens no Odivelas (que é feito dele hoje que o Paulo Costa é um jogador livre…?? O facto do Paulo Costa ser menor de idade, e pela ausência de um familiar mais dedicado a estas andanças, fez com que se tornasse seu tutor). Os anos seguintes seriam de sonho para este Matador no SCP, onde dividia o protagonismo com um rapaz franzino de nome Simão Saborosa, com o esquerdino Alhandra, com o capitão Miguel Vargas (outro matador) e com o patrão da defesa Marco Caneira. Nesta fase de sonho, em que se olha para cima e nem o céu é o limite, e para o lado temos o Padrinho a dizer “tu vais despontar é lá fora” (estava muito na moda as transferências para o Real Madrid C, quem não se lembra do Edgar do Benfica), ainda teve oportunidade de vestir a camisola das quinas num Mundial de Sub20 em 1999 (competição onde brilhou mais que Simão, na altura o ex-Barcelona era considerado uma das 3 principais promessas da competição).
Aproveitando o embalo da Visão do Leitor: Bráulio Pinto (ler aqui), nada melhor que dar a conhecer a alguns, e relembrar a outros, mais um matador do nosso país, tão pequeno, mas cheio de promessas, certezas e grandes vedetas mundiais! Corria o ano de 1996, e um jovem desconhecido para a maioria de todos os portugueses, evoluído tecnicamente, de boa compleição física, e um instinto matador fora do normal, despontava nos Juvenis do Odivelas (equipa que nesse ano ficou em 3º lugar a nível nacional alcançando a melhor classificação de sempre nas camadas jovens daquele clube). A sua fome pelo golo era tal, que terminada a fase regular doscampeonato nacional de juvenis, dos 60 golos marcados pela sua equipa, 30 eram dele! Matador de nome Paulo Costa!
A partir daqui inicia-se uma fase de más decisões (e conselhos de Padrinhos) e uma péssima gestão de carreira. Ora vejamos! Numa fase de transição das camadas jovens para Sénior, onde é tão importante o talento como uma mão amiga e consciente para orientar uma cabeça cheia de sonhos e ambições, Paulo Costa após dois empréstimos para “rodar” no Lourinhanense e Alverca (será que não merecia uma oportunidade no SCP em detrimento de jogadores como Krpan, Ramirez, Robaina, Hanuch ou Spehar (!?) que estavam literalmente a “ocupar” espaço ou a fazer numero para o treino de conjunto) causa sensação ao transferir-se para o Inter de Milão juntamente com Marco Caneira (clube que nunca chegam a representar e acabam a jogar no Reggina). Continuando…, mais um Padrinho da vida, consegue colocar o Paulo Costa no Futebol Clube do Porto, onde claramente estava tapado por jogadores como Pena (na sua segunda época, depois de ter sido o melhor marcador do campeonato nacional na sua época de estreia), Postiga e Benny MacCarthy como referencias no ataque! Não era de esperar que ia acabar a época com poucos minutos e sem golos marcados? Seguem-se escolhas duvidosas numa gestão de carreira desastrosa, passando por clubes como Venezia, Bordeaux e Gil Vicente (o ataque estava reservado a Paulo Alves, Carlitos, Nandinho) antes de embarcar para a “segunda casa dos portugueses” para jogar em diversos clubes no Chipre e na Grécia. É no Chipre que ainda consegue um ligeiro balão de oxigénio, alinhando pelo APOEL, chegando mesmo a jogar na Liga dos Campeões, mas sem nunca conseguir comprovar o que o fez dele uma promessa em jovem (zero golos na LC).
Quem viu o Mundial sub-20 na Nigéria (e a sua carreira nas camadas jovens) percebeu que Portugal tinha em Paulo Costa um diamante por lapidar. Mas o seu percurso (representou até ao momento 15 clubes diferentes como profissional) acabou por oferecer uma resposta totalmente diferente. Mais um talento perdido. Poderia a sua passagem pelo futebol ter sido diferente com outra gestão de carreira? Até que ponto as entidades que gerem o futebol deviam ter um maior controlo sobre as acções dos empresários? E no que diz respeito aos jogadores, o que os leva a seguir “futuros”(absurdos e que na sua maioria vão resultar num atraso na carreira) alimentados pelos empresários?
Visão do Leitor: João Rodrigues


