Há imagens do futebol que, sem darmos conta, vão desaparecendo.
Uma delas era ver os extremos trocarem de lado durante o jogo.
Quem acompanha futebol há alguns anos lembra-se bem. O extremo da direita passava para a esquerda, o da esquerda aparecia no lado oposto e, de repente, o jogo parecia ganhar uma nova vida. Os defesas tinham de voltar a conhecer o adversário que tinham pela frente, criavam-se dúvidas e, muitas vezes, surgiam oportunidades que antes não existiam.
Hoje, isso acontece muito raramente. Não porque os jogadores tenham menos qualidade. Muito pelo contrário. O futebol evoluiu, tornou-se mais organizado, mais intenso e muito mais preparado ao detalhe. Cada movimento faz parte de uma ideia coletiva e cada jogador conhece exatamente o seu papel.
Mas, por vezes, dou por mim a sentir falta dessa liberdade. Uma simples troca de flanco podia mudar a história de uma partida sem que fosse preciso parar o jogo ou esperar por uma indicação do banco.
Talvez seja apenas nostalgia. Ou talvez seja a prova de que o futebol está sempre em evolução e que cada geração terá as suas próprias imagens para recordar.
Continuo a gostar do futebol de hoje. A exigência tática é impressionante e o nível competitivo nunca foi tão elevado.
Mas quando, de vez em quando, vejo dois extremos trocarem de lado durante um jogo, sorrio.
Roberto Leal


1 Comentário
Fantantonio
A verdade é que não muda o jogo porque antes os extremos iam à linha, hoje é-lhes exigido muito mais jogo interior e não há tantos jogadores com margem para arriscar 1vs1. Os extremos hoje trocam de lado constantemente, a questão é que o jogo já mudou o suficiente para as equipas se adaptarem q.b. a essas mudanças no decorrer da partida.