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Raúl, o Rei da Liga dos Campeões!

Os meus indíces de obcessão por futebol apenas começaram a subir de tom em 1996 e, recuando até essa data, Raúl aparece de forma instantânea na minha mente. Ele era rápido, tinha uma destreza individual acima da média, e um pé esquerdo soberbo, que tanto podia fuzilar o guarda-redes adversário, como enganá-lo com fintas corporais apenas dignas dos enormes avançados que, à época, povoam o futebol do Velho Continente. A forma como Thierry Henry celebrizou aquele remate seco, rasteiro e colocado, com o pé direito, Raúl já havia assim finalizado, vezes sem conta, com o esquerdo. Como se não bastasse ser um ponta-de-lança clínico, o agora Schalke 04 juntava a essa capacidade uma inteligência no relvado singular, tanto que no entardecer da sua carreira, ainda no Real Madrid – mas também agora no Schalke 04 – a jogar atrás dos avançados da equipa, aproximando linhas com o seu meio-campo, sendo-lhe entregues as rédeas da definição e decisões das jogadas de ataque. E como ele decide bem…!

Sim, haverá sempre a questão pendente sobre a sua influência e habilidade na selecção espanhola. Durante muito tempo parte do falhanço colectivo que foi La Roja em grandes competições, Raúl manifestava também na selecção a sua saga de colheita de golos, festejos. Os 44 golos marcados com a camisola vermelha vestida atestam isso mesmo. Poderá argumentar-se que a Espanha começou a jogar como uma equipa campeã depois da sua omissão das convocatórias, somando os títulos europeu e mundial, mas é preciso não esquecer que a armada espanhola nem sempre foi esta, os intérpretes eram diferentes…em suma, eram outros tempos, outras batalhas. Há também quem levante questões relacionadas com o seu peso no seio do clube madridista, tendo carta branca para decidir que jogadores, e treinadores, chegavam ao Santiago Bernabéu, quais partiam, mas, como um verdadeiro campeão que nunca larga a sua mochila carregada de ambição, ele fazia de tudo para que os padrões de qualidade no clube se mantivessem elevados, e o museu do Real Madrid talvez lhe deva, no mínimo, um obrigado.

Na minha estima pessoal, avalio Raúl como estando entre os melhores avançados dos últimos 15 anos. Não será preciso lançar números para tornar o debate mais aceso mas quem, com a camisola blanca, tem um registo de 550 jogos e 228 golos na liga espanhola, 66 anotações certeiras na Liga dos Campeões em 128 jogos (ainda no Real), é ilustrativo da qualidade deste jogador. No Schalke, o seu pecúlio goleador não dá mostras de baixar: 22 aparições e 10 golos, o último dos quais de tremenda importância na história do emblema alemão, proporcionando o empate no terreno do Valência, abrindo as portas dos quartos-de-final à equipa de Gelsenkirchen. Com esse golo a cifra subiu, atingindo proporções de recorde: já é o melhor marcador de sempre na competições da UEFA, somando agora 71 golos, sendo igualmente o melhor marcador da história da Liga dos Campeões com 69 golos. Mais que palavras, números. Foi tudo aquilo que sempre se exigiu a Raúl González, e ele nunca nos deixou ficar mal.

«Nunca na minha carreira tive uma lesão grave e apenas realizei uma cirurgia. Depois também devo ter bons genes, mas também sou muito profissional. Sou uma pessoa que gosta de estar com a família e não em festas», afirmou Raúl, em declarações ao Bild.
Numa semana marcada pelo adeus do fenómeno, não deixa de ser estranho que alguém com a história de Raúl seja tão pouco reconhecido pela crítica Mundial e que nunca tenha recebido um prémio individual digno da sua estrondosa carreira (apenas em 2001 foi o eleito o 3º melhor do Mundo pela FIFA). Três Ligas dos Campeões, seis La Ligas, desde os 17 anos e durante 15 anos titular indiscutível no Real, 3º melhor marcador de sempre do campeonato espanhol, entre tantas distinções individuais e colectivas…o que mais é necessário para respeitarem a grandeza de Raúl? Num ranking dos últimos 15 anos, em que lugar colocaria o ex-Real no top dos notáveis? Que balanço faz da carreira do avançado espanhol? Considerando que tem apenas 33 anos, ou seja, menos 4 que Inzaghi (que ainda este ano bisou na LC frente a Mourinho) até onde poderá chegar o saldo de golos do jogador do Schalke 04, nas competições europeias?
António B.

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