
Arrancou hoje a 13ª edição da Gold Cup. O principal torneio de futebol entre as selecções da CONCACAF será disputado até dia 26 de Julho. A competição, que não tem o peso mediático da Copa América, muito menos as figuras da prova sul-americana, terá como cabeças de cartaz Dempsey, Michael Bradley, o regressado Vela, o portista Héctor Herrera e a nova contratação do Sporting o craque da Costa Rica Bryan Ruiz, e será organizada uma vez mais pelos Estados Unidos, que contarão com a colaboração do Canadá, que acolhe a Gold Cup pela primeira vez na sua história. Porém, apenas dois jogos, e ambos referentes à fase de grupos, terão lugar em solo canadiano, mais concretamente na cidade de Toronto.
O formato da prova é semelhante ao da Copa América, conquistada no último sábado pelo Chile. Ou seja, os dois primeiros classificados de cada um dos três grupos, apuram-se para a fase a eliminar, juntamente com os dois melhores terceiros classificados. Pela primeira vez desde 2003, será disputado um jogo de atribuição do 3º e 4º lugar. Em relação à luta pelo título, Estados Unidos e México repartem não só o favoritismo como o número de troféus conquistados (5 contra 6).
GRUPO A: Estados Unidos, Panamá, Haiti e Honduras
GRUPO B: Costa Rica, El Salvador, Jamaica e Canadá
GRUPO C: México, Guatemala, Trindade e Tobago e Cuba
CANDIDATOS
A selecção dos EUA, orientada por Jürgen Klinsmann, é a actual campeã em título e atravessa um excelente momento de forma, depois de derrotar no último mês de Junho as selecções da Holanda e da Alemanha em encontros de carácter particular. Clint Dempsey, o mais experiente do grupo; Jozy Altidore, a principal referência ofensiva; Michael Bradley, o novo capitão da equipa nacional; e Brad Guzan, pela primeira vez na baliza numa grande competição, são as estrelas da companhia. Quem não poderá oferecer o seu precioso contributo é Landon Donovan – melhor marcador na história da competição – presente em 4 das 5 conquistas da turma norte-americana, entretanto já retirado. Em caso de vitória, os Estados Unidos igualam o México com seis troféus conquistados e garantem um lugar na próxima Taça das Confederações, em 2017, uma vez que também se sagraram campeões da CONCACAF em 2013, dispensando-se por isso a realização de um playoff entre os vencedores das duas últimas edições da Gold Cup.
Já o México ficou integrado no grupo C, o mais fraco da competição, e a caminhada até aos quartos-de-final deverá ser uma mera formalidade. No entanto, o vibrante Miguel Herrera não poderá contar com dois dos seus melhores jogadores: Héctor Moreno e Chicharito, ambos lesionados. Em contrapartida, Carlos Vela está de regresso. O atacante da Real Sociedad não participava em encontros oficiais pelo México desde 2010. O saldo com os Estados Unidos em finais desta competição, é claramente favorável ao México (4-1), no entanto, a equipa tricolor não poderá cair em facilitismos, para evitar surpresas como as que aconteceram em 2013, onde acabaram por ser eliminados pelo Panamá nas meias-finais. Veremos se Diego Reyes aborda esta competição como uma montra para recolher interessados, já “El Zorro” Herrera – que parece transcender-se ao serviço da “El Tri” –, deverá ser uma das unidades em maior destaque.
Para além destas duas selecções, o Canadá é a única com um troféu nas suas vitrinas, conquistado em 2000. No entanto, a principal ameaça para norte-americanos e mexicanos é a Costa Rica, embalada pela brilhante campanha no último Campeonato do Mundo. A selecção costarriquenha ainda não logrou qualquer vitória nos cinco encontros já disputados desde que Paulo Wanchope – uma das maiores glórias do futebol nacional – assumiu o comando técnico em Fevereiro e a comitiva sofreu um duro revés depois de confirmada a ausência do guarda-redes Keylor Navas, que se junta a Óscar Duarte, Bryan Oviedo e Yeltsin Tejeda, na lista de indisponíveis. Resta saber se a qualidade de Bryan Ruiz e Joel Campbell e a motivação de “Los Ticos” será suficiente para fazer face a todas estas contrariedades.
OUTSIDERS
A diferença de argumentos entre os três principais candidatos ao título e as restantes selecções é notória, no entanto, algumas delas apresentam potencial suficiente para contrariar as expectativas e causar mossa. O
Panamá é o caso mais flagrante.
A selecção panamiana é a actual vice-campeã em título e possui um dos elencos mais experientes da competição, algo que poderá jogar a seu favor. A baliza estará entregue a Jaime Penedo, guarda-redes de 33 anos dos LA Galaxy. Dono de uns reflexos acima da média e protagonista de algumas saídas felinas dos postes, “San Penedo” já foi eleito o melhor guarda-redes da Gold Cup por duas ocasiões, e em ambas, o Panamá só caiu na final perante os Estados Unidos. Na ausência de Felipe Baloy, o capitão Román Torres, de 29 anos, comandará a linha defensiva. O miolo será protegido por Gabriel Gómez, antigo jogador do Belenenses e o mais internacional de sempre de “Los Canaleros”. A dupla de ataque será confiada aos veteranos Blas Pérez e Luis Tejada, os dois melhores marcadores na história da selecção panamiana, com 37 e 38 golos, respectivamente. Esta será a última oportunidade para uma “Geração de Ouro” arrebatar o título que lhe escapou noutras ocasiões.
Depois surgem as Honduras, cujo maior trunfo reside seguramente no banco. Jorge Luis Pinto, o principal responsável pelo brilharete da Costa Rica no Brasil, foi o eleito para revolucionar todo o futebol hondurenho. A experiência não começou da melhor forma, mas o empate arrancado ao Paraguai e a derrota pela margem mínima perante o Brasil, são sinais bastante promissores. Boniek García e Andy Najar destacam-se entre um misto de experiência e juventude. Atenções redobradas com “Choco” Lozano, ponta-de-lança de 22 anos, que se sagrou o melhor marcador do campeonato local. A herança é pesada, ou não tivessem as Honduras criado artilheiros como Carlos Pavón ou Carlos Costly.
Uma das selecções que mais expectativas tem gerado nos últimos tempos é a Jamaica. Os “Reggae Boys” deram muito boa conta de si na mais recente edição da Copa América: não amealharam nenhum ponto, nem sequer fizeram balançar as redes adversárias mas venderam caras as três derrotas que sofreram perante Uruguai, Paraguai e Argentina, todas elas pela margem mínima. O elenco não sofreu muitas alterações o que poderá jogar a seu favor comparativamente com as outras selecções que poderão acusar alguma falta de rotinas. A velocidade, o poderio físico e ambientação de muitos dos seus jogadores ao futebol britânico, tornam a Jamaica num dos principais outsiders na luta pelo título. Por outro lado, a falta de experiência internacional e a ausência de um goleador mais creditado não abona a seu favor.
O Canadá, que possui um troféu da Gold Cup nas suas vitrinas, aborda a competição com muita expectativa. O futebol nacional tem sido alvo de diversas reformas e programas de desenvolvimento, as equipas nacionais têm conquistado o seu espaço na MLS e o país tem sido muito elogiado pela sua capacidade de acolher grandes competições internacionais, a última das quais, o Campeonato do Mundo de futebol feminino, que bateu todos os recordes de assistências. No entanto, este crescimento não se tem alargado para a equipa masculina. Actualmente na 109ª posição do ranking FIFA, o Canadá é selecção pior classificada entre as 12 participantes. Obrigado a lidar com muitas ausências de vulto, nomeadamente Atiba Hutchinson – o melhor jogador canadiano da actualidade – a contas com uma lesão, e Milan Borjan, guarda-redes do Ludogorets, que rejeitou a convocatória para que pudesse participar nas pré-eliminatórias de apuramento para a Liga dos Campeões, o Canadá assenta as suas esperanças na solidez defensiva imposta pelo técnico espanhol Benito Floro. A baliza e a defesa estão confiadas a jogadores experientes, o desempregado Julian de Guzmán ganha voz a meio-campo, mas é o ataque que marca a diferença com jogadores jovens e extremamente irreverentes, entre os quais, Cyle Larin, considerado “the next big thing” do futebol canadiano. A sua velocidade e potência, e claro o seu faro pelo golo, poderão causar muitos estragos nas defensivas contrárias. Tem apenas 20 anos e actua no Orlando City, a mesma equipa de Kaká.
RESTANTES
A este grupo de selecções apenas se lhes exige que dignifiquem o emblema que carregam ao peito e lutem de forma digna para que possam acumular o maior número de pontos possíveis. O melhor que alguma delas poderá almejar é a passagem aos quartos-de-final.
A Trindade e Tobago é uma equipa muito consistente defensivamente, mas deposita todas as suas esperanças no ataque em Kenwyne Jones, o único resistente do Campeonato do Mundo de 2006. A principal referência dos Soca Warriors, contribuiu na última temporada para a subida do Bournemouth ao máximo escalão do futebol inglês.
Apesar de muitos dos seus jogadores serem desconhecidos, a Guatemala possui um colectivo muito interessante, beneficiando das rotinas que a esmagadora maioria criou ao serviço do Comunicaciones, o principal emblema daquele país e o mais representado na convocatória com 10 elementos. Carlos Ruíz é o melhor jogador guatemalteco de sempre, mas aos 35 anos, já não apresenta a mesma frescura física. É o criativo Marco Pappa, actualmente ao serviço do Seattle Sounders, que carrega as ambições de uma nação. A luta pelo segundo lugar no Grupo C, promete ser muito apertada entre a Trindade e Tobago e “Los Chapines”.
El Salvador melhorou significativamente o seu registo defensivo, como comprovam os mais recentes particulares com algumas das selecções mais poderosas da actualidade como a Espanha ou a Argentina, mas a ausência do seu jogador mais reputado e um dos melhores marcadores da história da Gold Cup – “Fito Zelaya” – suspenso por compactação com um esquema de resultados combinados, reduz drasticamente as suas hipóteses. Tudo dependerá do seu jogo de estreia.
O Haiti é o patinho feio do grupo mas nem por isso merece ser desprezado. Por outro lado, poucas coisas jogam a seu favor. Estão integrados no Grupo da Morte, com Estados Unidos, Panamá e Honduras, as três melhores classificadas na última edição da Gold Cup. A falta de entrosamento entre os seus jogadores poderá ditar uma participação sem história. Tudo por questões financeiras, que não permitiram à selecção disputar muitos amigáveis nos últimos anos. Até os seus jogadores mais veteranos têm pouca experiência internacional, quando comparados com os de outras selecções. O guarda-redes Johnny Placide, peça-chave na manutenção do Stade de Reims na Ligue 1, o lateral Jean Sony, antigo jogador do Leixões e que se transferiu recentemente para o Steaua de Bucareste, e o jovem Jeff Louis, do Standard, são as figuras maiores de uma selecção com poucas aspirações para este torneio.
Por fim, e em relação a
Cuba, não há que ter receio de o dizer: estamos perante a selecção mais fraca da competição, com um historial com poucos motivos de orgulho no que diz respeito a anteriores participações. Sem grandes resultados de relevo, a Gold Cup foi vista anteriormente por muitos jogadores, como uma forma de escaparem do asilo que se vivia no seu país de origem. Todos os jogadores actuam no campeonato local, já de si amador, e a falta de qualidade, competitividade e experiência, acabará por vir ao de cima.
Prognósticos:
1.º – Estados Unidos da América
2.º – México
3.º – Costa rica
Revelação: Cyle Larin (Canadá)
Melhor Jogador: Dempsey (EUA)
Melhor Marcador: Carlos Vela (México)
Para seguir com atenção: Gyasi Zardes (Estados Unidos), Anthony Lozano (Honduras), Jeff Louis (Haiti), Cyle Larin (Canadá) e Tesho Akindele (Canadá)
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): João Lains
0 Comentários
Anónimo
boa tarde, alguém sabe se os jogos têm transmissão?
alberto caeiro
Tomas
Vao dar na Sporttv, mas os jogos realizam-se durante a madrugada
K.Dot
Gostava de saber exactamente o mesmo
Anónimo
Em relação a Costa Rica espero que façam um grande torneio, e o Ruiz tbm para vir motivado, porque os grupos passam de certeza e então que seja a jogar muito para vir cheio de confiança e dp ser potenciado pelo mister JJ)
Michael Santos
Mega Badjeras
Eu acho que faria muito mais sentido e era muito mais competitivo se a Copa América incluísse os países da América Central e Norte a juntar aos do Sul e assim não seriam só 2 grupos e assim, era excusado dividir tão poucos países em 2 provas, quando se podia perfeitamente juntá-los todos numa.
Careca
Tem a ver com a forma como as Confederações estão organizadas. Juntar a CONCACAF à CONMEBOL seria acabar com a hipótese dos países mais a norte conquistarem títulos.
Por exemplo, mesmo após a passagem da Austrália para a Confederação Asiática, continua a realizar-se prova na Oceânia.
Rodrigo
Aposto na vitoria do Mexico. Em relaçao ao Ruiz, espero que a Costa Rica seja eliminada rapidamente.
LuisRafaelSCP
Também, mas as probabilidades são poucas. Devem passar em 1º. Mas esta noite já podemos ver o Ruiz em acção!
Careca
Excelente post, obrigado João.
Concordo nas previsões colectivas, os EUA apesar de alguns jovens na equipa têm uma experiência e atitude competitiva superior ao México e acredito que isso fará a diferença no final. Além disso, a recente forma das equipas não pode ser ignorada, já que os americanos vieram ao velho Continente arrancar vitórias à Campeã e 3ª classificada do último Mundial.
A Costa Rica poderia ter uma palavra a dizer mas a troca de seleccionador não foi benéfica, pelo que não acredito numa classificação melhor.
Estou curioso para ver a participação do Canadá, é um país que seguramente aumentará bastante de qualidade depois das reformas adoptadas.
Das previsões individuais só mudaria o melhor marcador para o Dempsey, até porque já leva 2 golos desta madrugada :)
Careca
Deixar só ainda uma nota para a revolução que Jorge Luís Pinto está a fazer nas Honduras, ao deixar de fora nomes como Izaguirre, Wilson Palacios e Bengston.
Marcos
Vamos Herrera, vamos Reyes… Vejam lá se ganham mercado para dar um bom lucro :p
LuisRafaelSCP
Grande trabalho Lains, grande aprofundamento das expectativas e previsões para a prova!
A minha aposta vai toda para o México, além de ter as maiores e melhores individualidades, praticamente abdicaram da Copa América para vencer esta competição.
A Costa Rica pode ser eliminada logo, o Bryan faz mais falta em Lisboa! eheh
João X
Bom trabalho João.
Uma pergunta: porque apostas nos EUA para vencer? O que é que eles tem de melhor em relação às outras seleções?
João Lains
Entre os Estados Unidos e o México é ela por ela, mas o momento de forma dos primeiros não pode ser ignorado bem como as lesões de Héctor Moreno e Chicharito que atingiram os segundos.
Fabio_33
Só uma questão que penso que o VM ainda não abordou, a suspensão de 2 anos do Dempsey na Mls já está confirmada?
Fabio_33
Obrigado não sabia , pensava que era na MLS.
Careca
Fabio a suspensão é válida apenas para jogos da taça, pelo que não terá grande expressão.
Pedro
A FIFA tem que começar a limitar o calendário das competições. Uma prova destas em Julho vai condicionar bastante as equipas que tem lá jogadores. O mesmo acontece na CAN em Janeiro.
Mas nos EUA nada me surpreende, é ver os horários dos jogos da NBA, que em nada tem em consideração os europeus.
Rucascp17
Porque é que os EUA deviam ter em conta os horários europeus para os jogos da NBA? A liga é norte americana, logo oa horários são os deles..
Quanto à FIFA ter que tomar alguma medida em relação à calendarização das provas de selecções sou totalmente de acordo
Pedro Miguel Garcia
Sou da Costa Rica desde pequenino! :)
João Bernardo
Ahah já somos dois :D
Paulo Almeida
Estou curioso para ver o Lozano, é muito jovem e tem números impressionantes no campeonato das Honduras. Desiludiu na equipa b do Valencia, por isso, quero ver o que vale.
Parabéns pelo texto João, muito bom!
João Bernardo
Esta Gold Cup acabou de ganhar muitos interessados. Os sportinguistas todos a ver os jogos da Costa Rica eheh
Xaimito
E porristas também irá ter. Reyes e herrera se aproveitarem a fragilidade do seu grupo, e acabarem por ganhar a prova em evidência, ganharam certamente maior coração para serem despachados..
Rodolfo Trindade
Para o bem do SCP o ideal seria já a eliminação da Costa Rica, apesar de não me parecer que isso se venha a verificar.
São claramente favoritos em conjunto com México e EUA, mas podem acontecer surpresas.
A minha aposta será a vitória dos EUA, apoiados em Dempsey e Bradley.
By the way, mais um excelente post João. Parabéns!