Mais um Gary Neville ou Tony Adams (ou ainda vai afirmar-se como treinador)?
Aleksandr Golovin, que foi o reforço mais caro do Monaco para esta época, recordou a passagem de Thierry Henry pelo comando técnico, não poupando o ex-avançado. “Talvez ainda não tenha despido a pele de jogador. Foi um dos melhores e os únicos jogadores ao seu nível que estão no Monaco são talvez Falcão e Fàbregas, mas ainda não completou a sua transição para treinador. Quando as coisas não funcionavam no treino, ele ficava nervoso e gritava muito. Talvez fosse desnecessário. Ele ia para o relvado, tentava mostrar-nos como fazer as coisas e gritava. Outro treinador teria dito ‘vamos, todos juntos’, mas ele ficava nervoso, corria para o relvado e começava a jogar e mostrar-nos. Gritava ‘tentem tirar-me a bola’. Os jogadores estavam calmos, mas alguns talvez tenham ficado em choque. Por vezes sentia-se magoado e não falava connosco durante horas”, afirmou o russo em entrevista. “Depois do regresso de Jardim, o espírito positivo voltou aos treinos”, acrescentou.


18 Comentários
Richrad
Ora certamente é de uma das boas questões a serem discutidas nos principais panoramas de análise.
Será obrigatoriamente um jogador bem sucedido igualmente um treinador bem sucedido?
Mourinho não foi um jogador de todo bem sucedido e tem um palmarés inigualável como treinador, ao passo que mais de 50% da sua equipa campeã europeia do Futebol Clube do Porto seguiram após as suas carreiras de futebolistas com ligações ao mundo do treino desportivo.
Ao passo de outros bons jogadores como Henry, casos como Gattuso ou Zidane demonstram total discrepância numa real opinião? Valerá todo o conhecimento adquirido ao longo das suas carreiras para que possam a curto-prazo seguirem projetos de treinadores? O que lhes distingue serão as capacidades relacionais e formas de pensar para chegar ao sucesso?
Gunnerz
Não diria que dá para tirar grandes conclusões de Henry, talvez apenas a burrice de ter escolhido o pior contexto para iniciar a carreira. É dar mais uma oportunidade e veremos.
RicardoFaria
Pior contexto?!
Ele estava numa equipa que estava nos lugares de descida mas essa equipa tinha plantel para muito mais..
Saudações DesPortistas!
André Dias
O contexto desfavorável não se deve apenas à classificação na tabela. Saíram vários jogadores de qualidade e entraram muitos jovens, o que por si só já chegava para provocar dificuldades, mas também houve uma onda de lesões. A dada altura, se não estou em erro, havia 14 jogadores lesionados.
RicardoFaria
Acho que a entrada de jogadores jovens não desculpa estarem nos lugares de descida mas as lesões, isso é algo a ter em conta e eu não sabia disso.
Saudações DesPortistas!
Gunnerz
Ele chegou a ter 11s em que eu não conhecia nenhum jogador tal era a onda de lesões.
RicardoFaria
Não tinha conhecimento dessa situação.
Sendo assim, retiro o meu comentário!
Saudações DesPortistas!
André Dias
Henry parece ter uma filosofia de jogo ofensiva, técnica e se calhar mais dependente do talento individual. Não soube passar a mensagem aos jogadores, o contexto do Mónaco também não ajudou, e os resultados nunca chegaram a aparecer. Se quiser realmente vingar como treinador terá que receber a formação devida, começar num patamar mais baixo e adaptar-se ao que a profissão exige.
É curioso que Zidane também foi um craque da mesma era que Henry e teve um percurso completamente diferente. E olhando para outros casos de sucesso como Conte, Simeone ou Guardiola começa a tornar-se evidente que os treinadores que foram médios compreendem o jogo melhor que treinadores que foram defesas ou avançados.
v de vendetta
Mauricio Pochettino era defesa Jürgen Klopp era lateral.
Jupp Heynckes era avançado e o treinador mais revolucionário do futebol mundial Johan Cruyff era médio ofensivo e avançado.
André Dias
Enquanto tu tiveste que ir buscar um treinador que já não está entre nós e outro que ainda não conquistou nada eu posso referir Conte, Simeone, Guardiola, Zidane, Ancellotti, Deschamps e Allegri.
Claro que há bons treinadores que foram defesas ou avançados, eu não disse o contrário. Tal como também existem médios que não são nada de especial como treinadores. Apenas acho que a grande maioria dos médios tem outra compreensão do jogo e referi vários exemplos que reforçam o meu ponto de vista.
Madame Tatica
Como assim começa a tornar-se evidente?
O cu nada tem a ver com as calças.
Uma coisa é capacidade de ser treinador, que se estende para além da compreensão táctica; outra coisa é capacidade de ser jogador.
Quanto ao primeiro parágrafo, concordo contigo.
André Dias
Não falei na capacidade como jogador mas sim na compreensão do jogo e nesse capítulo os médios parecem ser melhores que jogadores de outras posições. Começa a tornar-se evidente porque a maioria dos treinadores de topo (actualmente) foram médios.
Joga_Bonito
Bem visto.
João Lains
Se isto se tratasse apenas de passar a mensagem :P
Pablo
Henry, tal como Gary Neville são bons como comentadores a criticar o trabalho dos outros mas como vão para orientar uma equipa não passa de banal, teve oportunidade no Mônaco por ser o jogador que foi.
Antonio Clismo
Falou-se que o João Tralhão tem sido sondado pela FPF para assumir as selecções nacionais jovens uma vez que o Hélio está de saída. Parece-me que vai continuar a acompanhar o Thierry Henry, alguém me sabe dizer se este rumor tem fundamento?
Empaler
Na minha opinião ser bom jogador em nada tem a ver com ser bom treinador. São visões totalmente diferentes, e não percebo o porquê de quase todos os clubes terem treinadores que foram ex jogadores.
Por ex, que aprendeu um avançado em toda a sua carreira sobre como montar defesas em linha? Os médios têm maior facilidade porque compreendem uma maior parte do jogo, mas muitos destes treinadores não têm perfil de estudiosos de táctica, tecnica e moral. Os que se destacam nesses aspectos têm impacto, Mourinho, Guardiola, Klopp, Vilas Boas, etc, tentam estudam e perceber o jogo e formas de o alterar. Não simplesmente fazem igual aos outros.
Joga_Bonito
Valdano sintetizou isso quando disse sobre Maradona “ele nunca resultaria como treinador, porque para ele o futebol é tão fácil, pois ele resolve tudo com o talento. Ele faz coisas impossíveis e pede aos jogadores coisas que só ele saberia fazer no jogo. Um treinador tem de ser mais “humano”. “