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Roda o disco e toca o mesmo

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Imagem: www.headlines-news.com

Na Bielorrússia, há vários nomes que são reconhecidos pelo seu domínio e pela sua liderança. Por um lado, Alexander Lukashenko é o presidente no poder desde 1994, enquanto no futebol o Dínamo Minsk passou de dominador a dominado, perante a cultura de vitória avassaladora desenvolvida por outro clube, fora da capital. Na passada sexta-feira, o FC BATE Borisov sagrou-se unodecacampeão, após derrotarem o Granit Mikashevichi por 1-0, quando restam cinco jornadas para o fim da Vysshaya Liga. Sim, é o seu 11º título consecutivo, o que corresponde ao décimo terceiro campeonato conquistado desde que esta nação se tornou independente.

Em primeiro lugar, é importante referir que a fundação deste clube aconteceu em 1973, sob o nome de Berezina Borisov, uma equipa de trabalhadores da fábrica da BATE, acrónimo de Baryssau Automobil- und Traktor-Elektrik. Contudo, em 1981, ocorreu a dissolução do colectivo que tinha o nome do rio que passa na região. Foram precisos quinze anos até que os donos da referida fábrica tomassem a iniciativa de o refundar, com a designação actual, altura em que os auri-azuis iniciaram a sua participação na terceira divisão. Em dois anos, lograram uma extraordinária dupla promoção e em 1998, ano de estreia no principal escalão, ficaram em segundo lugar, numa edição que coroou o Dnepr Mogilev com o seu único campeonato conquistado na sua história, nas terras da Rússia Branca.
A partir daqui, os primeiros troféus de campeão surgiram em 1999 e 2002, sob o comando de Yuri Puntus, enquanto as presenças nas pré-eliminatórias das competições europeias se sucediam. Porém, a saída de Puntus resultou numa época de adaptação para a formação de Borisov. O técnico Igor Kriushenko, que antes orientava as reservas, comandou a equipa numa desastrosa campanha doméstica que concluiria num quinto lugar, com 47 pontos (a pior participação de sempre na liga). O técnico redimiu-se com o título nos dois anos seguintes e assim, deu-se o ponto de viragem. Seguiram-se na liderança da equipa técnica Viktor Goncharenko, que se tornou o primeiro ex-jogador do BATE a encarregar-se da equipa principal, e Aleksandr Yermakovich, um dos melhores médios que os auri-azuis já tiveram e que é o actual timoneiro. Curiosamente, estes três últimos técnicos referidos foram adjuntos dos anteriores staff técnicos, apresentando profundo conhecimento das camadas jovens do clube. Assim, há hipótese para o acompanhamento desses jogadores e permite a continuidade da política de investir em nos talentos que saem da formação ou que são identificados noutros clubes mais pequenos, abrindo-lhes as portas para a equipa principal da grande potência da Rússia Branca, que, desde 2006, não dá qualquer hipótese aos rivais na luta pelo campeonato. Olhando para o palmarés, incluem-se também três taças (2006, 2010, 2015) e seis supertaças nacionais (competição introduzida apenas em 2010, cujas sete edições contaram todas com a comparência do BATE).
Em segundo lugar, Anatoli Kapski, um dos donos da famosa fábrica que dá o nome ao clube, entrou para a presidência do crónico campeão em 2008. A sua liderança visionária e a sua paixão pelo futebol foram elementos essenciais para concretizar o sucesso de alguns dos projectos desta entidade desportiva, tanto a nível nacional como internacional. E os resultados estão à vista de todos. Nas últimas épocas, para além do domínio da liga local, conseguiram uma projecção europeia, fruto das presenças na fase de grupos, quer da UEFA Champions League (2008, 2011, 2012, 2014, 2015), quer da UEFA Europa League (2009, 2010). Além disso, as melhores prestações continentais são 2 comparências nos 32-avos de final da Liga Europa, nas quais foi afastado pelo PSG (um nulo em Paris e os golos sofridos em Minsk a serem decisivos para o desfecho da eliminatória, em 2011) e pelo Fenerbahçe SK (1-0 em Istambul foi determinante, depois do nulo em casa em 2013). A título de curiosidade, foi este mesmo conjunto do leste europeu que conseguiu na liga milionária aplicar um 3-1 ao Bayern, que mais tarde se sagraria vencedor dessa edição, na final de Wembley.
Noutro plano, houve o planeamento de novas infraestruturas: foi construído e inaugurado há dois anos uma nova casa a sul da cidade, com capacidade para cerca de 13000 pessoas, que possui categoria 4 da UEFAA concepção da belíssima Arena Borisov foi da responsabilidade dos eslovenos da OFIS Architects (criadores também do recinto do NK Maribor, o que explica algumas semelhanças entre os estádios). Esta obra permitiu ao BATE realizar os jogos das competições europeias na sua cidade, dado que o estádio Haradski não tinha condições para receber jogos de pré-eliminatórias mais avançadas das competições europeias, o que obrigava os auri-azuis a viajar até Minsk para defrontar os seus adversários internacionais.
Outras das particularidades do emblema azul e amarelo é a aposta em jovens talentos, que são posteriormente vendidos. Um dos exemplos trata-se do futebolista mais mediático do país, cujo currículo inclui passagens por algumas das principais ligar europeias, nomeadamente em clubes como o Estugarda, o Wolfsburgo, o Arsenal, o Birmingham City e o Barcelona e 2 regressos a Borisov. Alexander Hleb, foi formado nas escolas do Dínamo Minsk, mas o seu debute como profissional na principal liga do país ocorreu no BATE, onde brilhou por 2 temporadas, rumando à Alemanha. Outros nomes também importantes no panorama futebolístico do país e que inicialmente brilharam com a camisola azul e amarela são o de Vitali Kutuzov, antigo ponta de lança do Milan, da Sampdoria e do Sporting CP, e o guarda-redes Yuri Zhevnov, que passou pelo Zenit e foi o titular da selecção das asas brancas durante vários anos. Nas últimas temporadas, Igor Shitov, Pavel Nekhaychik, Yegor Filipenko e Mikhail Sivakov foram as vendas de maior destaque e que demonstram que o BATE é uma das principais fornalhas de futebolistas para as selecções bielorrussas.
Por conseguinte, o BATE tem garantido ano após ano diversas conquistas que demonstram a forte consolidação e sucesso do seu projecto desportivo, ao passo que consegue fazer o seu crescimento de maneira sustentável. O sonho é um dia conseguir qualificar-se para os oitavos de final da Liga dos Campeões, dado que o domínio a nível nacional parece inabalável.
Luis Enrique Santos
VM
Author: VM

4 Comentários

  • To Madeira
    Posted Outubro 17, 2016 at 8:30 pm

    Esta falta de competitividade só acontece porque o dínamo de Minsk já não tem o meu companheiro na frente de ataque, o grande Maxim Tsigalko! :D

  • gperuzzi
    Posted Outubro 17, 2016 at 5:55 pm

    É pena não haver competitividade. Nesta altura temos:
    1 – BATE 63pts
    2 – Shakhtyor 46 pts
    3 – Minsk 45 pts

    É uma diferença enorme. Existe apenas a luta pelo 2º lugar

  • Ricardo M.
    Posted Outubro 17, 2016 at 3:54 pm

    Like ! Textos como este e os muitos que o Lains publica (atenção há mais,mas é o que mais conheço), são enriquecedores e deliciam qualquer um.

  • Tom
    Posted Outubro 17, 2016 at 3:34 pm

    Na Bielorrússia ninguém os bate.

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