Com que então um adolescente fez uma birra por, num jogo de futebol, vejam lá, aquecer e não entrar em campo. Como é daqueles miúdos teimosos, e como faz parte da idade, decidiu deixar o estágio um dia antes de uma partida. E, não contente com tudo isto, escreve um comunicado a criticar tudo e todos. Esperem, afinal não se trata de um adolescente a passar por uma daquelas crises da puberdade em que contraria sempre os pais e acha que é o dono da razão. Foi um homem adulto de 41 anos que, por sinal, é o capitão da seleção.
Vamos dissecar esta birra por partes. A saída apressada do relvado até poderia ser desculpada como o típico ato de cabeça quente e de frustração — apesar de ser, no mínimo, estranho um capitão sair aparentemente chateado depois de uma vitória. Já a segunda atitude, de virar as costas à concentração, é um ato completamente ponderado. Nesse momento, o jogador já tem tempo para refletir e entender a gravidade e a repercussão desse comportamento.
No comunicado, Cristiano não hesita em criticar Jorge Jesus, ao contrário do selecionador, que não o criticou, mesmo tendo razões para tal. O técnico evita alongar-se sobre o assunto, não lhe tece qualquer crítica, não revela pormenores e até desvaloriza o episódio.
Agora, indo à minha parte favorita do comunicado: os oito pontos que o avançado queria que fossem lidos pelo selecionador perante a imprensa. Esta lista não passa de uma completa bajulação, entre comparações com Pelé e Maradona — ficou certamente a faltar uma comparação com Jesus Cristo. Fez questão de lembrar também que é o jogador que mais selfies tira, mais autógrafos dá e mais acarinha os adeptos. E atenção, Jorge Jesus teria ainda de afirmar publicamente: «Quero o Cristiano na Seleção. Aliás, não quero pouco, quero muito»; mais um pouco e teria de cantar uma serenata e declarar todo o seu amor através de um poema ao estilo de Shakespeare.
Mais engraçada ainda é a postura de Pedro Proença, que preferiu estender-lhe a passadeira vermelha. Há quem fale pouco e fale bem; o presidente da Federação fala pouco e fala mal. Depois de o capitão ter tido aquelas atitudes, Proença, como qualquer dirigente faria num caso destes, tomou uma posição firme e deixou claro que o comportamento era inaceitável, certo? Errado. É verdade que houve consequências disciplinares, mas isso não impediu o presidente da Federação de pedir aos portugueses que prestassem uma vénia a alguém que acabara de virar as costas à equipa. E, como se não bastasse, garante que conta com ele para os próximos compromissos. Fica a ideia para os restantes jogadores: quando quiserem ir mais cedo para casa e estiverem fartos do estágio, não ficam impossibilitados de regressar à Seleção Nacional; recebem vénias institucionais e ainda um lugar cativo na próxima convocatória.
Se, eventualmente, a imagem de Cristiano ficar deteriorada aos olhos de grande parte dos seus fãs, não se deve a más exibições ou maus resultados; deve-se sobretudo às atitudes do próprio.
Cristiano Ronaldo construiu uma carreira que poucos conseguirão igualar. É pena que, fora de campo, pareça tão empenhado em manchar o legado que demorou décadas a construir.
Visão do Leitor: Vasco Mourato

2 Comentários
Art Vandelay
Adolescente?????? Isso é demasiado, no máximo tem 5 anos de idades, é uma criança autêntica
Paulo Roberto Falcao
É isto.
Outro ponto engraçado do comunicado é quando ele obriga o Jesus a dizer: “Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos.”
O resto admito que tenha sido ditado por representantes, mas isto não, isto foi ele que exigiu ao Jorge Jesus, e aliás foi por não ter dito isto tudo direitinho que ele abandonou o estágio. Diz muito do ego doentio de Cristiano Ronaldo, mas até que ponto ele está a ficar pirulas. Ele está a perder noção da realidade, está clinicamente doido, isto deveria ser tratado como um problema, ele deveria ser ajudado. Não sou psiquiatra, mas de certeza que existe uma doença mental qualquer que explique o comportamento dele.
Imagino o quanto os colegas o devem temer e odiar, ele não olha a meios, e sim está louco. E tem no palhaço que dirige a Federação uma marioneta que faz o que ele quer.