Rony Lopes foi uma das principais figuras de uma geração de jogadores que “bateu na trave” em diversas competições de selecções jovens, com dolorosas eliminações em Europeus sub-19 ou no Mundial sub-20. Apesar de ter nascido no Brasil o médio ofensivo, na 2.ª parte de uma entrevista exclusiva ao Visão de Mercado, explica a relação com Portugal e não esconde a desilusão por não ter estado no Europeu sub-21 de 2017 com o país que escolheu representar.
Olhando ao seu percurso nas selecções jovens. Fez, como titular, dois Europeus sub-19 e um Mundial sub-20. Perdeu por duas vezes nos penáltis (nas meias-finais do Europeu sub-19 de 2013 contra a Sérvia e nos quartos-de-final do Mundial sub-20 contra o Brasil) e por uma vez na final (frente à Alemanha no Europeu sub-19 de 2014). O Domingos Duarte, que jogou consigo nos torneios de 2014 e 2015, revelou em entrevista ao Visão de Mercado que ficou frustrado por ter sentido que poderia ter conquistado um troféu por Portugal. Partilha desse sentimento?
Gostava de ter ganho um troféu nas camadas jovens por Portugal. Estivemos muito perto nessas três ocasiões, mas saiu-nos ao lado. Mas não posso falar em frustração, prefiro pensar nos troféus que ainda posso ganhar por Portugal, na selecção principal! [risos]
Qual destas derrotas foi mais dolorosa? Contra a Alemanha, na final em 2014, Portugal não fez um grande jogo (o próprio Domingos o assumiu na referida entrevista), mas contra o Brasil desperdiçou inúmeras oportunidades e poderia, claramente, ter resolvido a questão antes dos penáltis…
Uma final é sempre muito dura de perder, sim. Mas essa com o Brasil também não foi fácil. Estávamos nos quartos de final do campeonato do Mundo e dominámos um adversário directo, criamos muitas oportunidades e até atirei uma bola ao poste. Não era o nosso dia. Mas saímos de cabeça levantada e com a certeza de que Portugal se orgulhou de nós.
Com este percurso, foi uma desilusão não ter estado presente no Europeu sub-21 em 2017?
Foi, nunca o escondi. Depois do percurso na fase de qualificação e na sequência de uma época em que estive bem no Lille, gostava de ter ajudado na fase final. Sentia-me parte do grupo e foi duro ficar de fora. Mas foi uma opção que respeitei e não guardo rancor. Fez-me ver um lado menos bom desta profissão, quando as expectativas caem de repente e temos de saber lidar com a desilusão. Tive a sorte de ter a minha família e os amigos perto de mim e a transformar essa tristeza em capacidade de trabalho para esta época me afirmar definitivamente. E aqui estou, feliz pelo percurso até ao momento e cheio de vontade de continuar a crescer.
Poderia ter optado por representar o Brasil. Porquê Portugal?
Foi uma decisão natural. Cheguei a Portugal com apenas 4 anos e comecei na AD Poiares antes de ir para o Benfica. O meu percurso no futebol foi feito com a selecção portuguesa em todos escalões desde os sub-16 aos sub-21. Nasci no Brasil, parte da minha família é brasileira e continua claro a ser um país ao qual tenho uma forte ligação, até no meu dia a dia, com a música que ouço e algumas das minhas comidas preferidas. Mas cresci em Portugal, a minha terra é aí, os meus amigos são portugueses e eu próprio sinto-me muito português.
Entrevista realizada por Pedro Barata


1 Comentário
Looper
Excelente Pedro Barata. Obrigado por esta partilha. Deve ter sido um prazer entrevistar um miudo tao talentoso e ao que parece humilde.
Continua estas estupendas emtrevistas