Parece inevitável que, ao se falar deste desporto, e especialmente entre adeptos de rugby, venham
à conversa inúmeras comparações com o desporto rei: o futebol. Frases feitas como “futebol é um
desporto de cavalheiros jogado por brutos, rugby é um jogo de brutos jogado por cavalheiros” são
uma constante. Pessoalmente não concordo. São dois desportos diferentes, destinado a pessoas
diferentes, com regras, histórias, e tradições diferentes.
Por outro lado há também aqueles que, por nunca terem seguido o desporto com atenção, preferem
lançar para o ar críticas falaciosas e sem fundamento… que é um desporto de brutamontes, que não
tem regras, que são 80 minutos de pancada, que não tem sentido, etc…
Sou fã de rugby. Um grande fã. Mas em vez das habituais comparações e ideias sem fundamento,
prefiro basear a minha paixão nos aspectos que tornam o rugby o jogo extraordinário que é, e
que fazem com que seja dos poucos onde ainda se pode aplicar o termo “desporto” no verdadeiro
sentido da palavra:
No rugby a equipa é o mais importante. Não há individualidades em campo. São 15
jogadores a lutarem juntos por um único objectivo. Uma boa maneira de o provar é o facto de ser
dos poucos desportos onde na maior parte das ligas profissionais e dos jogos internacionais os
jogadores não têm o nome nas costas, apenas o número, pois para eles o único nome que interessa
está na parte da frente da camisola, no emblema.
condições de se levantar faz todos os possíveis por ao menos não interromper o jogo e atrapalhar o
trabalho da sua equipa.
No rugby há um respeito único entre companheiros de equipa, rivais, equipa de arbitragem
e adeptos. Os adeptos torcem incansavelmente pela sua equipa, nos bons e nos maus momentos.
O árbitro fala única e exclusivamente com os capitães de equipa e sempre de maneira respeitosa,
sendo que qualquer outro jogador que se dirija ao árbitro de maneira menos respeitosa é punido com
graves sanções disciplinares, o que faz com que nunca haja qualquer tipo de reclamação sobre
qualquer decisão do árbitro. Os companheiros de equipa são como irmãos dentro de campo e,
quanto aos rivais, existe uma terceira parte onde a seguir ao jogo (que tem duas partes), jogadores e
treinadores de ambas as equipas se juntam para comer, beber e conviver.
Os erros de arbitragem no rugby são quase inexistentes devido às novas tecnologias, não
havendo por isso polémicas depois do jogo.
É um desporto empolgante, que nunca pára, onde se podem marcar muitos pontos e de
muitas maneiras diferentes, e sempre com um desfecho inesperado. É divertido ver qualquer jogo de
rugby, por mais amador que seja, e por muito que nenhuma das equipas em campo nos diga alguma
coisa.
Em Portugal, por ainda ser amador, o rugby é um desporto com muito poucos adeptos e
praticantes, mas deixo aqui um desafio: da próxima vez que encontrar rugby na televisão, pare um
pouco e veja nem que sejam 5 minutos. Vai ver que terá uma agradável surpresa.
Visão do Leitor: Lourenço de Almeida


