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Schjelderup: O Bacalhau Que Não é de Demolhar

Dizem que o bacalhau quer alho, mas em Barcelos o norueguês Schjelderup provou que o que o fiel amigo quer mesmo é baliza e um par de rins de defesas laterais para fritar. Este rapaz, que tem nome de quem está a tentar pronunciar “prateleira” em sueco enquanto espirra, decidiu finalmente que o banco de suplentes é demasiado desconfortável para quem tem aquele toque de veludo nos pés.

É a ironia deliciosa do nosso futebol: há uns meses, o Schjelderup era o “miúdo que não servia” e que estava com um pé na porta de saída; hoje, agradece-se a Rui Costa por não ter vendido a joia da coroa ao desbarato. Passou de “excedente” a “salvador da pátria” num abrir e fechar de olhos – ou num um para um bem medido. Em Barcelos, onde o galo costuma cantar grosso, foi o talento vindo do frio que aqueceu a alma dos adeptos. Um “um para um” que deixa defesas a precisar de fisioterapia e uma frieza de quem nasceu no gelo. O Benfica ganhou, o miúdo brilhou e os críticos do costume enfiaram o barrete. Se este “Bacalhauzinho” continuar a ser servido assim, com esta inteligência e confiança, o Benfica arrisca-se a ter um problema: as filas para a mesa vão ser longas e o preço do azeite vai disparar.

A verdade é que os treinadores de bancada – e especialmente os “olheiros de quarto” que passam madrugadas agarrados ao Football Manager – já sabiam disto desde que o rapaz usava calções curtos na Noruega. Para esses génios do teclado, o Schjelderup não é uma revelação, é uma profecia que tardou em cumprir-se. Enquanto a Luz desesperava por um rasgo, o miúdo ia maturando na sombra, como um bom queijo que ninguém tinha pressa de abrir.

Esperávamos uma evolução de foguete, mas recebemos uma de cruzeiro: lenta, segura e com uma vista deslumbrante para a baliza adversária. Ele agora não corre, ele desliza; não finta, ele pede licença para passar por onde não há espaço. Ver Andreas agora é perceber que o talento não tem pressa, mas tem memória. Ele é, finalmente, o jogador que os pixéis prometiam e que a Luz exigia. No reino do improviso, o norueguês é o mestre de cerimónias que faz o difícil parecer uma brincadeira de recreio, deixando para trás a etiqueta de “promessa” para vestir o fato de “dono disto tudo”. Se isto é só o início, que venham as próximas doses, que o povo está com fome de bola.

𝐕𝐚𝐥𝐭𝐞𝐫 𝐁𝐚𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚

10 Comentários

  • Mantorras
    Posted Março 5, 2026 at 9:37 am

    Ao dia de hoje é o jogador em melhor forma (aliado ao Fred, que para variar, anda a jogar lesionado). Cresceu taticamente, isso ficou claro pela forma como defendeu com o Real (na vitoria por 4-2), ajudando o meio campo, pressionando bem e ajudando o lateral a defender baixo. Isto era o principal problema do seu jogo e parece estar a mudar. Este crescimento demonstra que esta com a atitude certa.

    Ja a parte fisica, que pode sim melhorar, envolve muito mais trabalho da sua parte, e duvido mais que aconteca. Nunca sera um jogador tremendamente explosivo, mas se crescer para aguentar 90min regularmente, e conseguir estar fisicamente forte na maior parte do tempo, ira ser mais regular e desaparecer menos do jogo. E chegando a esse ponto, sera sempre um jogador importante.

    • Kacal
      Posted Março 5, 2026 at 4:44 pm

      Que achas Mantorras? Eu não lhe vejo potencial para ser craque num colosso, no máximo uma opção de banco em alguns deles. A sair de Portugal será para uma equipa média das Ligas de topo. Mas até acho que pode ficar cá muitas épocas no Benfica a ser importante. A não ser que acabe a falhar e aí desça patamares ou evolua imenso e se torne outro jogador além.

  • Kacal
    Posted Março 5, 2026 at 4:52 am

    Acho que precisa de evolução fisica, mas é novo e tem tudo para a fazer. Mas a qualidade está lá. Tem que ser mais incisivo e transformar em golos e assistências. Com a confiança tem ganho mais nesse sentido. Se limar umas arestas pode ser importante no Benfica durante épocas.

  • Pablo2
    Posted Março 4, 2026 at 12:16 am

    Por fazer o que fez, já deveria ter sido despachado… infelizmente os valores hoje em dia estão trocados

  • Gato das Bolas
    Posted Março 3, 2026 at 11:24 pm

    Quando cheguei ao “Hoje, agradece-se ao Rui Costa (…)” já sabia quem era o autor deste artigo sem precisar de ver. O que tem de se agradecer ao Rui Costa é de saber escolher autênticos pedreiros para treinadores. Que preferem um corredor do que um talento.
    Com Bruno Lage, segurou-lhe o lugar ao ter carregado a equipa na taça da liga. E mesmo assim saiu ao intervalo no jogo com o Sporting. Se fizesse dois jogos bons e um mau saltava para o banco para vermos 9 jogos maus e um bom do “tosco” Akturkoglu, que tinha lugar cativo.
    A seguir vem Mourinho que chegou a jogar com 5 médios e sem extremos, com 2 talentos do nível do Andreas e do Prestianni no banco. Por alguma coisa a equipa melhorou quando os 2 passaram a titulares. Quando não tens espaço para jogar e falta criatividade, estes dois jogadores nunca podem ser banco. E logo em Portugal, que atacam 80% do tempo.
    Agradecer ao Rui Costa? Poupem-me. A agradecer-lhe uma coisa, seria se saísse pelo próprio pé do lugar em que está. Incapaz.

  • _Mushy_
    Posted Março 3, 2026 at 8:26 pm

    Não estivesse Bruma lesionado já estaria no Brugges, porque Mourinho não ia apostar nele..
    Como apostou em Prestianni por lesão do Lukebakio..
    Os dois mostraram sempre conseguir desequilibrar mais do que os Mourinho apostava, como por exemplo Sudabov que queria por na esquerda enquando o nórdico quando entrava fazia e dava muito mais…
    Quiserem despachar e como em tantas coisas no futebol a escassez muitas vezes revela e ascende jogadores que não davam muito por eles e que depois mostram o seu real valor.

  • Bruno Cunha
    Posted Março 3, 2026 at 4:58 pm

    “Agradece-se a Rui Costa” é um bom pormenor.

    Ele que não tivesse brilhado frente ao Real e esta hora andava no Brugge por meia dúzia de trocos enquanto se estourava 15M no André Luiz.

    Schjelderup só precisava de continuidade para ter impacto e ganhar confiança, mas todos os treinadores insistiam em colocá-lo 55 min num jogo de mes a mes e esperar que ele se destacasse.

    Acho que não tem características físicas para evoluir para um nível acima de Benfica (falta lhe velocidade) mas para esta realidade, com a sua capacidade de decisão e 1 vs 1 tem tudo para ser o melhor jogador da equipa.

    • Tiago Silva
      Posted Março 3, 2026 at 7:16 pm

      Tudo dito, o Schjelderup foi sempre aposta a espaços e nunca teve continuidade. Assim ninguém se destaca e ainda para mais num jogador jovem que precisa de confiança. Ainda bem que houve aquelas lesões todas, deu para ele jogar mais e neste momento ser um jogador importante na equipa. Vamos Schjelderup!

    • dabide23
      Posted Março 3, 2026 at 6:27 pm

      nem mais…

      não fosse a exibição contra o Real Madrid e teria sido despachado no mercado de Inverno!

      mais uma prova do quão amadora é a gestão profissional do Futebol do Benfica 🥴

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