A primeira conferência de antevisão de Jorge Jesus como Selecionador Nacional foi a continuidade do que tem sido a última década e meia da seleção portuguesa: uma plateia cheia, olhares mais curiosos que entendidos, pergunta sim pergunta não sobre Ronaldo, palmas, graxa… a única diferença foi que agora passámos a ter dois narcisistas a autopromoverem-se em vez de um só.
Ronaldo diz que é um pensador, que os números mostram que ainda é o maior, que vai jogar quando quiser, quanto tempo quiser e até quando quiser e empurra a bola para Proença e Jesus quando alguém ousa colocar a hipótese que já não serve, que prontamente se apressam a validar as palavras do veterano, como se tivessem voto na matéria, tendo o treinador logo confirmado a sua titularidade e que o trabalho vai ser escolher quem é mais capaz de rodear o seu capitão, chegando ao cúmulo de justificar a sua presença com a quantidade de adeptos que o vêm ver.
A convocatória já tinha praticamente confirmado tudo isto, mas se ainda havia dúvidas, ficou claro que vamos continuar a ter uma seleção focada em cumprir interesses próprios de Ronaldo em vez de representar os portugueses.
Há um ano confessei a minha tristeza sobre este evoluir da Seleção Nacional, que me levou do êxtase à indiferença e depois ao repúdio sobre o circo que a compõe e, apesar de ser bem conhecido o perfil de Jorge Jesus e tudo isto ser mais do que previsível, como eterno otimista que sou foi ainda pensei que a sua própria arrogância o levasse a afastar o outro galo do poleiro, o que seria o menos mau dos cenários possíveis. Infelizmente, continuaremos reféns de Cristiano Ronaldo e, por mim falo, continuarei sem apoiar uma entidade que em nada me revejo.
Afonso Ascensão


2 Comentários
Um Jasomp
Algumas das minhas melhoras memórias desportivas da infância foram com a seleção.
O Euro 2004, o Mundial 2006, a mão do Abel Xavier em 2000, a desilusão na Coreia.
Tudo isto me levou a apaixonar pela seleção.
Obrigado por me tirarem tudo isso. Obrigado por fazerem da seleção um monopólio de um homem só, em que todos lhe devem submissão.
Não esperava algo de diferente com Jesus, mas as lambidelas das botas não ficam a dever nada ao espanhol careca.
Art Vandelay
Nunca houve a menor dúvida, eu avisei precisamente isso no dia em que ele foi contratado
***
Só quem não conhece o Jesus é que podia achar que ele iria enfrentar o Aveiro, porque o Jorge é dos maiores borrados que existe, que está por dentro do futebol sabe bem como o Jorge era borrado no Benfica e só falava grosso para os fracos e mais novos, mas bastava qualquer jogador lhe abrir os olhos que o Jorge se borrava todo e nem piava mais até ao fim do treino e por isso ele tinha tanto medo do Cardozo que quase lhe deu na tromba na final da Taça e o Jorge piou fininho nem reagiu
***
Portanto era demasiado óbvio que ele se ia borrar todo com o Aveiro e jamais iria ousar não o meter a jogar
***
Eu avisei tudo isto no dia em que ele foi contratado portanto não percebo qual é o espanto