Terminados os Jogos do Rio 2016, chega a altura de fechar o ciclo olímpico nacional. Como esperado, a semana anterior ao evento foi repleta de sonhos de glória e promessas de ouro, prata e bronze. O certame em si decorreu em conformidade com o habitual, com atletas a ficarem aquém das (reais) expectativas, outros a superarem-se, e o pecúlio metálico a ficar perfeitamente dentro da média. A análise posterior também foi a do costume, a de que afinal os atletas são pouco competitivos, falham nos momentos decisivos, e o país ficou mais pobre em 17 milhões de euros a troco de nenhuma glória desportiva.
Os atletas defendem-se, dizem que nem gelo para o banho existe, que vivem a expensas dos pais, que treinam 24 horas por dia e mais umas quantas à noite, ao frio e à chuva; os detractores respondem com o exemplo de quenianos que treinam descalços enquanto fogem dos leões e de mongóis cujas infraestruturas são um yurt no meio do deserto de Gobi. E porque todos se queixam, os que vão e os que ficam, os que exigem reconhecimento pelos resultados que obtêm e os que exigem resultados que acabam por não ver, alguém terá de ter a razão do seu lado.
O veredicto parece simples. Os resultados obtidos pela comitiva portuguesa são francamente maus. Objectivamente, a participação é negativa, não se admitindo que um país como Portugal seja totalmente irrelevante no que diz respeito à conquista de medalhas. Mas a questão é que tal conclusão não se aplica exclusivamente a 2016, pois todas as participações têm demonstrado de modo inequívoco que Portugal é um concorrente fraco nestes eventos. Os Jogos de 2016 não foram excepção, foram a regra, e considerando parâmetros de classificações obtidas na globalidade, estará entre os melhores de sempre. Como diria o outro, “e esta hein”?
A esta altura, todos estaremos mais ou menos de acordo que o desempenho foi fraco. A dúvida estará entre este desempenho estar dentro ou abaixo das possibilidades reais. É aqui se entra no capítulo das justificações. Ou desculpas, conforme o lado que se defenda.
Uma justificação para o curto pecúlio de 2016, tal como o acumulado, é o facto de Portugal ser um país pobre e pequeno em população. A tal base de recrutamento é curta, e o dinheiro não abunda. Essa teoria cai por terra quando vemos certos países darem cartas, tais como a Hungria, ou a Croácia, com populações semelhantes ou inferiores, e índices de riqueza não superiores, quando comparados com Portugal. E mesmo a “desculpa” do país pobre não cola muito, pois o Portugal da mortalidade infantil elevada e cuidados de saúde precários, dos miúdos que iam descalços para a escola com nada no bucho que não umas sopinhas de vinho, jovens tísicos e enfezados, já não é uma realidade. Por mais crise que passemos, Portugal é um país desenvolvido, com índices sociais e de saúde dignos de um primeiro mundo, com paz, bom clima e boas condições de vida. Então afinal, qual o obstáculo entre Portugal e a excelência desportiva?
Perguntas difíceis tendem a resultar em respostas complexas, e de facto existe um conjunto de restrições que condicionam o rendimento das comitivas portuguesas nos grandes eventos internacionais. Mas tudo entronca num grande problema, aquilo a que o falecido Moniz Pereira se referia como a Ditadura do Futebol. Portugal é um país cujo povo vive única e exclusivamente para o futebol. Todos os recursos financeiros, todo o esforço político, toda a devoção popular, tudo é dirigido para o futebol. Daí que hoje estejamos munidos de modernos centros de estágio e academias, treinadores qualificados e em constante formação e estádios modernos. O investimento foi grande, e os resultados apareceram em consequência disso. Não porque o lusitano tenha criado especial aptidão para o chuto na bola nos últimos 25 anos, mas porque o empirismo do treinador de bigode foi substituído pela metodologia de treino científica, e as excursões da Selecção Nacional deram lugar a deslocações com preparação logística profissional. Ou seja, o futebol é a prova de que com trabalho metódico e investimento sustentado, os resultados aparecem. Porque não replicar o modelo?
Porque sendo o investimento no futebol em Portugal total, consome tudo, não deixa espaço para mais nada. Para as outras modalidades, fica um vazio. Torna-se portanto complicado investir em modalidades cujo retorno financeiro seja nulo, e cujo reconhecimento mediático seja inexistente. A consequência é que cada vez menos jovens a encararem o desporto de alta competição como uma opção de carreira, sendo antes algo que vêem como um complemento à sua vida académica ou profissional. Fala-se de desporto escolar e de alta competição nas universidades, mas sejamos claros; a certa altura os sacrifícios de manter duas carreiras paralelas são demasiados, e tem de se optar. Não é difícil perceber o que a maioria escolhe. Assim sendo, continuamos e continuaremos a ter um reduzido tecido de atletas, ainda mais assente numa base amadora, o que naturalmente é contraproducente quando se pretende alto rendimento.
Depois, há a questão mediática, que envolve os conteúdos vendidos ao público em geral pela Comunicação Social e a cultura desportiva de um povo. Jornais e televisões habituaram-se ao caminho fácil, e do mesmo modo que vendem telenovelas e reality shows aos magotes, vendem futebol. É um modelo simples, todos conhecem, todos gostam, todos comem. É inegável que enquanto somos bombardeados diariamente com análises exaustivas ao futebol dentro e fora de campo, os restantes atletas vivem num completo anonimato. Esse cenário prejudica-os no plano financeiro, pois nenhum patrocinador vai investir num indivíduo que passa despercebido. Mas também acaba por prejudicá-los no plano competitivo, pois quando chegam a competições mediáticas, sofrem uma pressão a que nunca foram sujeitos. Sejamos realistas, quando o João Costa vai aos Mundiais de Tiro, é indiferente ficar em 1º ou em 100º. O máximo que vai ter é um cantinho de um jornal, uns likes no facebook, um sorriso seguido de um encolher de ombros. Mas nos JO é diferente, todo um país está atrás dele, aliás, em cima dele, e de repente um tipo pachorrento que viveu três anos, onze meses e duas semanas de vidinha bucólica, tem dez milhões de espectadores atentos à arte da pistolada. E sim, é perfeitamente normal que a mão trema, com a possibilidade da conta de facebook rebentar com tanto comentário que se avizinha.
Quanto à cultura desportiva, pouco há a dizer. Num país onde pouco desporto se pratica e o interesse é reduzido por tudo o que vai para além da bola vista do sofá, é complicado fazer análises profundas. Daí que as nossas prestações olímpicas sejam básicas, pois quem vê não percebe o suficiente (a maioria não faz a mínima ideia de quem são os adversários, do seu valor, das suas condições, do que treinam, como e com quem treinam, como competem, isto quando conhecem as regras, estratégias e movimentos técnicos), e honestamente, quem participa não sente obrigação de dar explicações. E no fim, tudo o que resta são desculpas de mau pagador e críticas infundadas.
Este debate irá durar mais alguns dias, até assentar a poeira. Depois, voltaremos a entrar num período de silêncio absoluto, até que se aproximem os Jogos de 2020. E por alturas de Agosto desse ano, iremos concluir que a participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio foi negativa, mas excelente, consideradas as circunstâncias.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.


72 Comentários
cards
Escrevi aqui que Portugal venceria 5 medalhas 2 de ouro canoagem K1 e k4, 1 de prata Telma Monteiro e 2 de Bronze Patrícia Mamona e Rui Bragança.
Falhei n meu prognóstico, mas não vou criticar os nossos atletas que muito fazem\fizeram com os meiosque dispõem.
Talvez alguns têm excelentes condições mas provavelmente a maioria deles não as tem.
Deixo aqui dois bons exemplos que o Brasil fez tanto na canoagem como na ginástica artística, em ambas as modalidades o Brasil à meia dúzia de anos estava muito atrás de Portugal, mas neste momento são duas potências emergente.
Quem diz o Brasil diz a China, Grécia, Polónia, etc.
josediogo
De facto fiquei bastante surpreendido com a presença sólida de atletas brasileiros na ginástica artística (onde há pouco tempo nem dávamos por eles).
cards
Contratação de treinadores estrangeiros, aposta de clubes e do estado Beasileiro, atravésdasforças armadas, 10 das 19 medalhas do Brasil foram conquistadas por militares.
Na ginástica venceram 3 medalhas e estiverem nas finais por equipas em ambos os sexos e em 5 finais individuais de aparelhos.
Nosanos 90 eram muito fracos na ginástica mjito piores que Portugal.
Na canoagem contrataram bons técnicos estrangeiros e como resultado desse investimento tiveram Isaquias Queirós dos Santos que venceu 3 medalhas.
bmcrl
Em 2012, Vicente Moura disse: “enquanto não tivermos indíces de prática desportiva análogas às da Europa, não podemos pensar em medalhas. Temos o mais baixo índice de actividade física na Europa, temos o mais baixo indíce de atletas federados da Europa. E enquanto não tivermos uma massa grande de praticantes, nunca poderemos aspirar a grandes resultados nos Jogos Olímpicos”. Concordo com estas palavras. Muitas coisas têm de mudar, e isso tem logo de começar pelas políticas públicas no que à educação dizem respeito. O Desporto é essencial no desenvolvimento de qualquer pessoa. Existem países em que é obrigatório praticar um desporto até ao 12o ano, e outros em que essa cultura já existe (o que podia ter acontecido no tempo da ditadura em Portugal, como aconteceu noutros países). Mas também há que perceber as críticas às fracas prestações dos nossos atletas olímpicos. É que levá-los lá implica custos. Ou se criam condições primeiro cá e depois sim, vamos aos Jogos para obter resultados, ou então não vale a pena. Muitos foram literalmente ver o Bolt. Eu também gostava de ir ao Rio, infelizmente nunca fui. Outros foram lesionados, e disseram que se sentiam em condições. Mas pronto, está tudo bem. Mas atenção, estas palavras não servem para todos. Há alguns que trabalham imenso o ano todo e que vão mostrando resultados durante o ciclo olímpico. Outros não, e mesmo assim vão lá. Muita coisa está mal.
De Carvalho
Que bem que se escreve por aqui. aplauso
A minha opinião é bastante simples sobre este assunto.
Nas escolas o desporto passa ao lado, não existe nem vai existir um plano desportivo que ponha as crianças do nosso pais a praticar desporto.
Num pais de futebol onde todos os pais querem que o filho seja ronaldo ou messi é dificil para as outras modalidades prepararem potenciais medalhados pois quando estes la chegam já é tarde.
As crianças tem de passar por uma fase de adpatação ao desporto até aos 8/10 anos, e a partir dai sim estes escolherem um desporto com o qual se identificam.
Como isto não é possivel, é aqui que entra o DESPORTO nas ESCOLAS que não existe.
bmcrl
Touché
Kafka
O desporto escolar é a chave para o sucesso de qualquer desporto
E isso é valido até para o futebol, que podia e devia apostar no desporto escolar e de certeza teria melhores resultados do que tem
Nuno R
Um fenómeno interessante: cada vez há mais pais a colocar filhos em academias de futebol. Investem dinheiro e tempo (bem raro e precioso) na formação futebolística dos petizes, algo que há 30 anos era impensável, pois futebol era vocação de quem não tinha condições na escola. Está bem que hoje o diploma não tem o mesmo significado que em 1990, mas é estranho ver alguém apostar tanto no futebol como na formação académica.
Em outras modalidades, quando a coisa é levada a sério (treinos diários, desgaste físico), a escola salta para prioridade única. Porque não veem futuro nisso, será sempre um hobby, e quando os hobbies consomem demasiado tempo ou recursos, são abandonados.
De Carvalho
Concordo contigo mas o desporto escolar poderia ter uma papel vital nisto.
Imagina a situação:
Depois das 16h as crianças ficam na escola e tem acesso a vários desportos onde não podem praticar o desporto no qual sao federados, as 18h depois vão para os respetivos clubes.
Nuno R
Na minha opinião, o desporto escolar é essencial para dar cultura desportiva (e claro, actividade física) às crianças e jovens. Em termos de alta competição, é difícil de implementar, pois exige espaço, equipamento, treinadores especializados. Em modalidades individuais como atletismo ou ginástica, aos 15/16 já serás um “especialista”. Isso obrigaria a teres um treinador de saltos, um de lançamentos, um de fundo, etc…
O que o desporto escolar pode ajudar é em dirigir os jovens para os desportos em que se sintam mais à vontade, ou com maior aptidão.
Uma possibilidade seria ter essas aulas de desporto centralizadas na sede de agrupamento, ou então divididas por disciplinas em cada escola, mas isso obrigaria a esforços em transporte escolar, e já se sabe o que é…
Uma opção viável em termos de alta competição é um modelo como sugeriu um comentador, o de termos uma espécie de Conservatório, mas para o Desporto.
TSerrano17
Excelente Texto ( mais um ) Nuno R.
De facto já se debateu aqui este assunto vezes e vezes sem conta. Sou da opinião que cada um vê ou acompanha o que gosta, eu por exemplo obviamente que gostando de futebol e de futsal é praticamente o que acompanho, mas sendo realista se quisesse acompanhar algo como atletismo ou outra modalidade nunca teria tanta facilidade em comparação com o futebol. Mas é perfeitamente compreensível isto, visto do lado de quem transmite, visto que o que vende e dá dinheiro é 99.99% o futebol, e desde que o Sporting, o Benfica ou o Porto ganhem no final está tudo ainda melhor.
Continuo a ser da opinião que o melhor caminho para começar a mudar este paradigma, e começar a apostar em mais desportos é através de mais novos e mais concretamente do desporto escolar, que em Portugal é inexistente. Se um miúdo até é bom na escola a atletismo, e é mediano em futebol ele de certeza que vai acabar por ir jogar futebol á mesma, porque á muito mais escolha, mais opções e mais apoios. Se o desporto escolar começar desde as idades assim, e forem incutidos os gostos por desportos e modalidades diferentes, e acima de tudo acompanhamento e apoio, de certeza que no futuro iremos ter muito mais atletas das mais variedades modalidades.
Mas claro que a ideia é uma coisa, pratica outra ,as começando por aqui e tentar seguirmos o exemplo de alguns países que neste capitulo são excelentes já seria um bom começo.
SL
Kafka
Num País de modalidade única onde 99,9% das pessoas só se vê futebol à frente, exigir medalhas fora do futebol é no mínimo hipócrita e ridiculo
Curiosamente essas mesmas pessoas que exigem medalhas fora do futebol, depois são as mesmas que desculpam que o Futebol nunca ganhe nada (não me venham com o Campeonato da Europa de futebol que andam desde 1930 a tentar ganhar alguma coisa e depois Campeonatos Europa tem o Atletismo, Triatlo e afins ao pontapé) apesar do Futebol ter muito mais apoios e condições de excelência comparativamente com as restantes modalidades
Só para se ter uma ideia da diferença ,vejam os trials Americanos da Ginástica, com um pavilhão a abarrotar para ver quem seriam as 5 seleccionadas para representar os Estados Unidos…alguma vez em Portugal um pavilhão encheria para ver qualquer coisa que não fosse futebol ou estivesse relacionada com Benfica, Porto, Sporting??
Atenção NADA CONTRA esta situação, porque vivemos numa democracia e as pessoas são livres de gostarem do que quiserem, logo são livres de apenas gostarem de futebol, NADA CONTRA isso…cada um gosta do que quer
Só peço é para depois não pedirem nem exigerem medalhas
Stalley
subscrevo.
Antonio1904
Nuno R.
Percebo tudo o que diz, e considero que em parte tem razao. Contudo, questiono-me, sera que em paises como a Espanha, Italia, Croacia ou Hungria, o futebol tem assim tao menos peso que os restantes desportos comparativamente a Portugal, que justifique esta descrepancia em termos de medalhas?
Acredito que ideias ja aqui apresentadas como o desporto escolar pudessem ajudar no nosso desenvolvimento desportivo, e consequentemente, num maior numero de medalhas conquistadas em futuros JO.
Mas de uma vez por todas, HA QUE DEIXAR DE SER O POVO DAS “DESCULPAS” E DO QUASE. Esta cultura da “Desculpa” enraizada nao so no desporto como no pais em si, justificam muitos destes resultados, pois os atletas presentes nos JO sabem que se nao tiverem sucesso, podem-se sempre refugiar nas faltas de condicoes, nas competicoes matinais, e nas algas no lago. Esta complacencia para com as desculpas deveria acabar, e ja, ou acreditamos mesmo que o lancador de martelo do Tadjiquistao que conquistou a medalha de Ouro (e tantos outros por esses jogos fora) tem melhores condicoes que os atletas portugueses?!
Cumprimentos,
Antonio
cards
Antonia 1904.
Espanha, Itália, Croácia e Hungria apostam no desporto em geral não só no futebol.
Croácia tem a escola jugoslava e a Hungria tem a escola das ditaduras comunistas que apostavam no desporto para a divulgação do país no exterior.
Jose Silva
O atleta do Tadjiquistao é uma excepção à regra como nos já tivemos também por exemplo com o nelson evora. Para se conseguir medalhas de forma mais consistente é preciso investimento e é preciso incentivar os nossos jovens a praticar outras modalidades que não futebol.
Quando uma equipa da distrital de futebol consegue arranjar patrocinios mais facilmente que um atleta olimipico;
Quando um jogador de futebol junior que na maior parte das vezes nem dá jogador recebe salários de elevados e os campeões nacionais de outras modalidades recebem muitas vezes 0;
Quando um campeonato nacional de atletismo com figuras como nelson evora, francis obikwelu, naide gomes tem 0 de espectadores apesar de ser grátis a entrada e um jogo da distrital cobra 2,5 euros e tem mais gente;
Quando estas coisas acontecem, entre outras, é normal que o nosso desporto nao consiga cativar os nossos jovens mais talentosos e que leve outros a desistir em prol da carreira académica.
Fui atleta durante muitos anos, treinava 7 dias por semana e não tinha carrinha que me levasse aos treinos, o equipamento para treinar era comprado por mim, não nos lavavam o equipamento como no futebol, não tínhamos massagem ou qualquer outro tipo de sistema de recuperação muscular…tudo era do nosso bolso e ao passo que eu era um dos melhores atletas nacionais na minha especialidade esses jogadores eram só mais uns que na sua maioria jogam hoje numa distrital e nenhum deles chegou à equipa principal (não vou referir o clube mas é de 1º Liga).
Este é apenas o meu testemunho pessoal mas penso que também ocorrerá noutras modalidades onde muitas vezes o salário de um só jogador que muitas vezes nem joga o ano todo chega para pagar o orçamento de uma modalidade.
Cumprimentos,
José
JSC101
A publicidade tem 2 propósitos para uma empresa:
1º Apresentar despesa que possa ser deduzida.
2º Dar a conhecer a marca/empresa, ora se não têm espectadores este 2º ponto é inválido.
João Brito
Infelizmente é a realidade nacional. Somos pouco exigentes por natureza. Fazer o “melhor possível” é sempre o objectivo mais importante.
Comprando com o futebol, que dita as regras do desporto em Portugal, sobretudo financeiras, temos o exemplo de Fernando Santos. Assim que assumiu o cargo de seleccionador sempre disse que o objectivo era ser campeão. Parece fácil falar agora e, todos vão dizer “mas se não tivessemos ganho nada estaríamos a achincalhar o homem”, sem dúvida que sim! O que é certo é que ganhámos, somos campeões da Europa.
Com mais ou menos condições, mais ou menos apoios, a exigência do desporto em geral em Portugal não é a adequada. Acho que os fracos resultados partem em primeiro lugar deste ponto.
Excelente texto, não podia concordar mais!
cards
Apostar no desporto escolar e contratar treinadores de topo estrangeiros para ensinar os nossos e levar os nossos atletas ao outro nível.
shearervsc
Em paises como Portugal as medalhas serao sempre fruto de superacao e qualidades inatas dos atletas, do que propriamente fruto das condiçoes e dinheiro investido.
Durante os jogos tive na Colombia, pais que conquistou 8 medalhas, e nao tem nem metade das tais condicoes e apoios que tanto se fala, e a futebolite tambem e bem aguda aqui, ninguem fazia ideia quem eram os atletas antes de estes disputarem as finais.
Portugal teria que desenvolver um projecto semelhante ao da Espanha para os Jogos de 92, esse projeto deu frutos 15,20 anos depois com os Espanhois a dominarem em muitas modalidades
Tirando as grandes potencias como os EUA, GB, China Russia e alguns mais com um plano desportivo bem estruturado e com muitos milhoes investidos,
cards
Esses Colombianos que venceram as medalhas não vivem \ treinam na Colômbia mas sim nos EUA, Reino Unido e Espanha.
JSC101
Grande verdade.
diogopalma
Eu fracamente não percebo qual é a moral de exigir seja o que for aos atletas … vão vocês (criticos) lá tentar fazer melhor.
Pessoalmente estou-me literalmente a borrifar para estes resultados, não acompanho essas modalidades e tem me faz se ganham o ouro ou a medalha de lata.
A maioria das pessoas que fazem estas críticas são uns coitados que nunca ganharam nada na vida por mérito próprio e aproveitam-se dos sucessos dos outros para festejarem … festejarem algo que não merecem porque fizeram BOLA para esse resultado acontecer.
João Lains
Mais um comentário a manter a bitola… lá bem no fundo.
Tiago S.
Completamente de acordo…dos comentários mais ridículos que li. Dps de um texto espetacular, “isto” resume grande parte da problemática do nosso país.
Tiago S.
Pensei em parar de ler no “vão lá vocês fazer melhor”. Cometi o erro de continuar.
RodolfoTrindade
Mais um excelente texto do Nuno como é seu apanágio.
Não vou debater o texto em questão, vou apenas a minha opinião em relação a alguns atletas.
Na minha opinião muitos vão para os jogos “passar férias”, com o sentimento de pequeninos e derrotados. “Ah e tal não temos as condições que outros têm por isso o que interessa é participar”.
Este sim é também um dos problemas de alguns atletas portugueses, como é óbvio não são todos, nem nada que se pareça.
Não me esqueço da maneira como se apresentou aquela gorda chinesa do ping pong que nem se conseguia dobrar, não falo em mexer que isso já era mesmo demais para ela.
OCULTO
Isto é facil … os desportos que somos bons nao existem nos jogos
Sempre fomos um pais virado para os desportos ligados o futebol (futebol, futsal, e futebol de praia) e ai somos dos melhores do mundo ! em todos !
Também sempre tivemos uma tradição no hoquei ! E voltamos a ser dos melhores do mundo !
destes 4 so um existe nos jogos olimpicos e com a equipa C ou D fizemos um bom trabalho lá porque a levar os melhores jogadores teriamos sem duvidas a hipotese de chagar ao Ouro (noa estoua dizer com isto que o iiamos ganhar)
Sendo assim um pequeno pais em que todos se dedicam a estes desportos e um percentagem muito reduzida (menos de 20%) se dedica a TODOS os restantes nao se pode exigir seja la o que for
se em vez dos acima referidos fossemos monstros no atletismo nestes jogos trariamos imensas medalhas mas andariamos durante 4 anos à espera dos Jogos outra vez porque a nossa seleção nacional de futebol (desporto mais mediatico) tanto no europeu como no mundial nem chegava às fases finais
É tudo muito bonito mas nao se pode ter tudo
No que gostamos e damos valor aqui no pais , mesmo sendo ridiculamente pequenos em comparação com outros, SOMOS OS MELHORES DO MUNDO
no resto, bem … USA são péssimos a futebol
Kafka
No futebol???
A competição mais importante é o Mundial, e no Mundial o máximo que conseguiste até hoje foi o equivalente a uma medalha de bronze em 1966
Portanto ter futebol nos olimpicos ou não ter iria dar ao mesmo…em vez de termos 23 medalhas em 23 participações, teríamos 24 medalhas em 23 participações
Kafka
Já agora no Mundial de Futsal o máximo que conseguimos até hoje também foi apenas 1 terceiro lugar em 2000
Portanto na teoria, mesmo que Futebol e Futsal existissem nos jogos e ambos ao mais alto nivel, pelas probabilidades só teriamos 25 medalhas ao contrário das 23 actuais
Joao Vieira
Os EUA são excelentes no futebol feminino e só não no masculino porque não querem.
Rui Mateus
No entanto não os conseguimos vencer no futebol.AInda no último mundial se viu.
cards
O futebol masculino dos EUA é muito fraco investem forte desde o mundial de 1994 e nada fazem de jeito nos mundiais..
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Não é por não quererem mas som por não saberem mais.
Chegar a oitavos não me diz nada.
Kafka
Cards
Não tem nada a ver com não saberem mais, tem a ver com o futebol não conseguir penetrar na sociedade Americana, por diversos factores que nem interessam aqui para o caso, mas um deles é mesmo não ser um desporto muito atractivo para as televisões Americanas a nível de publicidade, pois obriga a 45 minutos corridos sem intervalos, nem sequer há descontos de tempo….mas pronto isso é outra história…não interessa aqui o motivo, simplesmente não entra na sociedade Americana…
Por muito que invistam, as crianças americanas não querem ser jogadores de futebol, é um desporto menor para elas logo é esse o problema, não é não saberem mais…
Achas mesmo que a maior potência desportiva Mundial, que acabou de ganhar 151 Medalhas, com mais de 50 de avanço para o 2º País e que tem uma base de recrutamento de 330 Milhões Habitantes, não é boa no futebol “porque não sabem mais”??
Simplesmente não conseguem é penetrar a sério dentro da sociedade Americana, ou seja, é a própria sociedade que não quer/gosta de futebol,…logo por muito investimento que façam, nunca consegue evoluir para um patamar superior
cards
121 medalhas não 151.
Os EUA são a maior potência desportiva mundial, mas no futebol são fracos e dificilmente nos próximos anos serão melhores do que são.
Joao Vieira
Se não soubessem não eram uma das melhores seleções do mundo em futebol feminino.
Apenas a cultura desportiva masculina não está virada para o nosso futebol (soccer), sempre preferiram basebol, futebol americano, basquete, hóquei no gelo. Ainda assim um dado interessante e que por certo vai fazer mudar o paradigma é que desde 2013 que o futebol (soccer) é o desporto mais praticado nos EUA.
Miguel Fonseca
As palavras de Vicente Moura são sábias. Para aumentarmos a probabilidade de conseguir medalhas teríamos forçosamente de ter uma comitiva maior e resultante de um processo de apuramento mais competitivo do que aquele que existe.
Nao há em Portugal atletas federados suficientes para incrementar a competição e elevar a fasquia dos resultados.
Como não há, não se investe e como não se investe, não há!
O nosso maior equívoco, enquanto País é estarmos aborrecidos com estes resultados. Estão ao nível do que temos condições de fazer. O resto são complexos de superioridade.
diogopalma
Mais do que formar bons atletas as escolas têm de formar BOAS PESSOAS.
Cidadãos informados, educados, civilizados, conhecedores, etc … em vez desta escumalha que não faz nada da vida, não se esforçam, não têm ambições, procuram sempre o caminho mais fácil, etc.
diogopalma
Para que não existam duvido estou a referir-me às pessoas que criticam os atletas que não foram medalhados.
Esses atletas merecem respeito … o Évora e o Pimenta nem tanto porque a arrogância e má educação tiraram-lhes a razão que tinham em estar indignados.
cards
O Nelson Évora e o Fernando Pimenta foram mal educados quando?
Pedritxo
Portugal esta morto no desporto competitivo, e isto deve-se ao desporto escolar, e o Kafka frisa sempre isso e bem, porque sem um desporto escolar eficiente e inter ligado, e impossivel termos um desporto top.
Como um pais valoriza o desporto quando diminui carga horaria de educaçao fisica, tira a disciplina da media, etc, etc..
Tudo isto estraga completamente o desporto ca, e se juntarmos a isso, muitas outras coisas.
Marco Rodrigues
Para além de cargas horárias e pesos na média, importa perceber igualmente a metodologia da disciplina.
Não sei se em todas as escolas é assim, mas em seis anos de Educação Física no Secundário a base esteve em dar umas corridinhas à volta do campo e o professor entregar-nos uma bola (em cada trimestre era uma modalidade diferente), jogando os rapazes metade da aula e as raparigas a outra metade. O que se passasse dentro de campo pouco interessaria. Ele estaria a ler uma revista durante os 50 minutos ou à conversa sobre música, política ou cinema. Para a avaliação teórica, mandava-nos comprar uma sebenta, sobre a qual jamais falava, e que só interessaria para o dia da prova.
Não sei até que ponto não importaria especializar os professores desde aqui. Ao invés de andar a fazer-se de tudo (mal) e a não aprender-se nada, fazer algo específico e tornar-se competitivo nisso.
Nuno R
O desporto em Portugal sempre assentou nos clubes. Sempre. Os maiores, ditos clubes de futebol, usaram esse argumento para manter o estatuto de utilidade pública que mantêm até hoje.
A partir do momento em que os clubes pequenos começam a definhar, o modelo morre.
Marco Rodrigues
Sou um apologista da promoção da igualdade, ou, pelo menos, da diminuação das desigualdades. Portanto, tudo o que seja, dentro do possível, tirar aos mais favorecidos e “oferecer” aos menos, mediatizar as modalidades de forma decente, mesmo que cortando no futebol, ou ver estádios como o da Luz, Alvalade ou Dragão menos cheios para observar outros com assistências razoáveis, terá a minha assinatura.
No entanto, um rico não é obrigado a dar a um pobre, uma pessoa que goste de futebol não é obrigada a ver a final do campeonato europeu de andebol quando à mesma hora estiver a ser transmitido um Schalke vs Borussia Dortmund e nenhuma lei obriga um natural e residente de Vila do Conde a deixar de torcer pelo Benfica.
Pessoalmente, procuro ir aos estádios cá de Lisboa, com exceção à Luz, e interesso-me por modalidades diferentes, como o tennis ou o wrestling (nacional). São formas de, de certo modo, darmos o nosso contributo. Sendo que, a meu ver, são os órgãos de poder, a comunicação social e, em certa medida, as famílias, os responsáveis por alterar mentalidades. Mas isto é para caso exista interesse em ver as mentalidades alteradas. Algo que não me parece.
Rui__
Estranha forma esta de encarar o desporto. Temos a maior comitiva e os piores resultados. Temos a euforia de ganhar medalhas europeias e a depressão dos piores resultados nos jogos. Nem tudo está bem, nem tudo está mal. É necessário dar importância a todos os desportos. Temos condições únicas para desportos como vela e canoagem e temos praticantes de nível mundial para não falar do melhor fabricante. Temos excelentes resultados nas seleções de futebol, temos excelentes fundistas e meio fundistas. Temos grandes ginastas e dois tenistas nos jogos, portanto presumo que não nos falta matéria prima. Falta-nos mais educação, cultura desportiva e investimento. Penso que tem que se criar condições para que todos os desportos sejam um investimento atrativo e apostar também no desporto universitário. A bipolaridade é excelente para quem escreve e quer mais leitores, mas adianta pouco. As frases politicamente corretas e mais que usadas e gastas não levam a lado nenhum.
João D
Portugal em termos de JO é fraco, ponto. Talvez o pior do mundo desenvolvido à exceção dos pequenos países e ilhas.
Causas? Há culpas dos dois lados. Quer da parte de quem gere quer dos atletas.
Se por um lado a atitude algo ” derrotista” dos atletas não ajuda por outro não se pode exigir milagres. A pratica desportiva à exceção do futebol, hóquei e canoagem ainda é muito rudimentar e amadora.
Portugal é um país desenvolvido. Dos 40 mais ricos do mundo. Mas olimpicamente falando somos terceiromundistas.
E à exceção de algumas gracinha aqui e ali, os nossos resultados nunca passarão disto.
E culpar o futebol é tapar o sol com a peneira.
Carlos Gomes
Excelente texto, com o qual concordo a 100%, de facto é difícil num país apenas orientado para uma modalidade, aparecerem outros desportos, o facto de o desporto escolar ser inexistente e também o facto de termos um país onde praticamente não se pratica desporto, levam a estes resultados, nem bons nem maus, é mesmo muito difícil adjectivar o que foram estes jogos olímpicos para o nosso país.
Tal como foi dito nos comentários anteriores, o aumento do numero de praticantes associado a um plano de desporto escolar a sério, onde os jovens possam estudar e praticar desporto de alta competição (em diferentes modalidades) ao mesmo tempo é o caminho que terá que ser seguido, sendo também importante apostar no desenvolvimento de modalidades nas quais tenhamos realmente capacidade de obter resultados (como é o caso do remo, onde é notório que possuímos condições para ser dos melhores do mundo).
Também levar mais de 80 atletas, sendo que apenas uma dúzia deles obtém resultados de relevo não é o correcto, deve-se levar sim e canalizar investimento para quem de fato possa fazer a diferença e mesmo não ganhando pelo menos apresentem condições de ganhar um certificado olímpico.
DCAP
Opinião bem fundamentada. A questão é: e qual o caminho? O diagnóstico é correto a solução a definir…
Ze
Essa é a million dollar question. Toda a gente sabe o problema, ninguém sabe a solução (ou, se sabe, não sabe como pagar os custos ddela).
Gunnerz
Em Portugal aplica-se bem o “desculpas há muitas”. Mas também se aplica muito o “orgulho” (mesmo quando nem se sabe do que se trata) e a “critica fácil” (novamente quando nem se sabe do que se trata).
Para mim não é especial orgulho a Telma ter ganho a medalha, nem faço criticas por termos tido uma unica medalha. Gosto do desporto em si e divirto-me com isso. Forçar orgulhos quando se ganha não é comigo.
Gurka86
Penso que um dos maiores problemas é a nossa falta de cultura competitiva. Já pratiquei vários desportos, nomeadamente natação, ginástica, ténis e kick-box e à excepção do último a falta de estrutura e mentalidade competitiva é assustadora – pela minha experiência. Escolas a manter atletas em classes mais baixas para maximizar o número total de alunos, torneios de fim-de-semana para os padrinhos do clube que podem chegar atrasados e jogar na mesma, etc… o nosso clientelismo aplicado ao desporto. No mínimo devíamos ter mais relevo no ténis (com a quantidade de escolas e praticantes que temos) e em desportos aquáticos. Não estou 100% de acordo com o desabafo de alguns atletas, mas percebo a frustração deles.
josediogo
Joguei andebol durante pouco mais de 15. Sempre a alto nivel desde pequeno e consequente grau de exigência. Durante muitos anos (agora não sei), esta foi a modalidade com mais praticantes, logo a seguir ao futebol.
Porém, mesmo sendo esta talvez a modalidade com mais impacto a nível nacional, as condições e apoios nunca foram muitos. E de condições não me refiro a centros de estágio e preparações, longe disso. Águas, cuidados e assistência médica, além do estado de muitos pavilhões (públicos ou privados), etc, etc. Naturalmente que sempre existiram excepções nesta regra. Além dos três grandes, que aos poucos lá apostaram na modalidade, e alguns clubes do norte do país, a maioria dos clubes espalhados por esse país fora viveram da boa vontade, trabalho e sacrifícios de pessoas que pouco ganhavam ou rendiam com isso.
Agora, pergunto-me, se a realidade do andebol foi muito assim, como seria, ou é, com outros desportos e modalidades? Aquelas ainda menos seguidas e apoiadas?
Logo aqui ao lado, em Espanha, temos um país que, independentemente das diferenças e potencialidade, aposta muito mais nas modalidades. Muitos locais têm condições para os atletas treinarem e serem capazes de melhorar e ser competitivos. Senão, porque iria o nosso melhor tenista de sempre, João Sousa, para Espanha?
O desporto escolar e abrir a mentalidade dos portugueses a outros desportos que não apenas o futebol, é o único caminho para esta realidade mudar.
S. Cunha
Nao se pode exigir nada aos atletas mas pode se exigir quem os molda desde pequeninos. e mais verbas para o desporto sem ser futebol! A “pequena” Hungria arrecadou 15 medalhas por exemplo.
cards
A Hungria tem uma tradição de desporto desde a ditadura comunista.
Stalley
Belo texto.
Eu admito sem problema algum, sou adepto de futebol, acompanho algumas modalidades mais devido ao Sporting(fases finais ou jogos importantes), fugindo um pouco ao tema do post, o bonito pavilhão que está a ser construído em Alvalade, poderá ajudar mais a malta a ter interesse nas modalidades(claro do Sporting).
Agora acho sinceramente que isto não vai mudar, vamos continuar a ser o país do futebol e depois vem o resto.
Mesmo na televisão ou comunicação social, é aquela velha história só passa o que a malta quer ver ou só se escreve o que a malta quer ler, ainda ontem dei por mim a ver o prolongamento (é aquela coisa, não se aprende nada, mas parece que tem um “íman”, isto é um pouco idiota mas é verdade).
O Futebol é quem terá sempre o maior foco em Portugal, onde anda o nosso Basket? o Futsal tem vindo a crescer, o Andebol assim assim, o Hóquei sempre fomos fortes e por ai fora.
Agora tocando na Televisão,por exemplo, vejo algumas pessoas a pediram um talk show, estilo Conan O’brien, Jay leno, Jimmy Fallon em Portugal, mas o problema é que isso aqui não teria sucesso e seria bastante controlado, o único canal que passa isso é a Sic Radical, porque é onde á liberdade para isso e mesmo assim hoje em dia, já não é o que era(também pouco vejo agora).
E mais agora em Setembro vai começar uma nova Casa dos Segredos, porque é que será?
Indo ao desporto escolar, já é outra história, de facto é uma salganhada completa, mas mesmo assim os putos querem é jogar futebol (eu era assim), educação fisica a melhor parte era quando era futebol, o resto a malta nem queria fazer, fazia porque era “obrigado”, mas já agora isto dava um belo Post, sobre o Desporto escolar.
Enfim desvie-me muito do tema, mas acho que me fiz compreender.
Saudações.
cards
Para se ter muitas medalhas nos JO Portugal tem que ser Potência Mundial nestes 3 modalidades Atletismo Natação e Ginástica. Para termos um exemplo só nestes 3 modalidades os EUA venceram 78 das suas 121 medalhas.
Todos os países têm atletas que são desilusão e outros que boas surpresas.
Kafka
Portugal não tem muitas nem poucas, não tem nenhumas…ou melhor tem 1 por Jogos Olimpicos
23 medalhas em 23 participações
Ze
Ninguém pede “muitas” medalhas. Eu acho, sinceramente, que 2 ouros, 2 pratas e 2 bronzes (O mesmo que teve a Bélgica. Espanha, por exemplo, teve 7O, 4P, 6B), deveria ser o “normal” para Portugal.
Knox_oTal
Tanto comentário e discurso hipócrita e incoerente! As minhas tiradas favoritas são: “… vão para lá de férias!”, “… vão para lá já derrotados, sem ambição!” e claro “há lá gente com menos apoio que ganha medalhas”, enfim mais do mesmo!
O problema não são os atletas desta comitiva, ou das comitivas do passado, nem tão pouco se estes são ambiciosos ou tem complexo de inferioridade (curioso como as pessoas mudam o chip quando se fala por exemplo da possibilidade de vitória de um clube português na Champions, aí sim as condições e orçamentos já devem ser levados em conta na equação porque já é desporto a sério, nas outras modalidades nos JO o que interessa é a atitude! HIPOCRISIA). Continuando, o problema de Portugal quanto ao Desporto é a falta de cultura desportiva e a ausência de investimento/planeamento/incentivo à prática desportiva. Estou de acordo quanto à importância do Desporto Escolar, quase inexistente neste momento em Portugal.
Logo mediante o panorama e circunstâncias, a participação portuguesa é dentro do expectável. O resto é estupidez, a começar pelo chefe de Missão a dizer que foram muito negativos os Jogos. Convém fazer diferença entre ambição e ser realista. Aí mas o Fernando Santos disse que íamos ganhar, pois, mas ainda assim a base seleccionável no futebol é muito maior e temos uma boa base de jogadores, incluindo um dos melhores do Mundo. Depois vem a afirmação, mas temos Campeões da Europa no Atletismo, no Taekwondo, etc, sim e com muito mérito. Mas as pessoas esquecem-se é que os JO são a nível Mundial. Em certas modalidades e disciplinas vão ver quantos europeus estão lá presentes! Logo, as classificações de João Pereira, Mamona, Évora, entre outros, são muito boas! A canoagem prometia mais, sim é verdade, mas também em Londres quando ninguém esperava, nem ninguém sabia quem eram eles trouxeram uma medalha, agora de repente são obrigados a trazer sempre medalhas?!?
Embora seja verdade que alguns têm tiradas infelizes ou posturas menos correctas (quem não as têm?!? Por exemplo JJ já interferiu de forma bacoca com uma acção policial, insultou meia dúzia de colegas, entre outras peripécias, e o pessoal idolatra-o e diz só, é o Jesus a ser Jesus seguido de sorrisos), tendo em conta a pressão a que são sujeitos e a inevitável frustração de não conseguirem dar aquilo que não podem oferecer, devido às expectativas irrealistas do tuga, os atletas olímpicos da minha parte só têm duas coisas: RESPEITO e ADMIRAÇÃO!!! E sim só o facto de ter estado lá, vale muito, tendo eu a certeza que todos deram o seu melhor!
Desculpem o longo texto, mas há coisas que me fazem comichão!
Bom texto Nuno R, boa reflexão imparcial!
Saudações Desportivas
Manuel
Em relação ás questão do desporto escolar: concordo, mas tenho uma dúvida. Para além dos EUA (o paradigma do desporto escolar), como é a situação noutros países? Alguém sabe? Tenho um vago conhecimento da situação alemã e tenho ideia de que passa essencialmente pelo desporto federado (apesar de as escolas secundárias terem piscinas).
Não sei as escolas têm condições para formar atletas para além de um nível incial, i.e. incentivar a actividade desportiva para que depois esta continue num clube com mais meios físicos e humanos.
cards
Tirando os EUA cujo o desporto se baseio no despprto escolar não sei como finciona nos oitros países, mas li notícias nos jornais brasileiros de que em Pequim 2008 a delegação brasileira ficou admirada com o elevado nº de militares em algumas comitivas de paises europeus e resolveu fazer o mesmo.
No Rio 2016 10 das 19 medalhas conquistadas pelo Brasil foram conquiwtadas por militares.
Em Londres 2012 pelo menos 2 foram conquistadas por militares.
Flavio Trindade
Excelente texto Nuno.
Mantenho a opinião que dei noutro post sobre o mesmo assunto.
Para aqueles que defendem a aposta no desporto escolar, parem para pensar e reflictam em que bases funciona o nosso desporto (inclusive o futebol)…
Totalmente assente numa estrutura onde o clube ou a agremiação desportiva é o completo responsável pela formação dos atletas. A única motivação competitiva é o clube A ganhar ao clube B. Essa é a mentalidade.
Tentar mudar isso para um paradigma (que diga-se seria correcto) de investimento no desporto escolar e universitário levaria décadas! Porque ao contrário dos Estados Unidos, onde um jogo de futebol, ou basquete universitário tem estádios e pavilhões cheios e direito a cobertura televisiva, gostava de ver a nosso país a fazer o mesmo num derby Lusíada vs Católica ou Universidade do Porto vs Universidade de Lisboa, em vez de um Benfica vs Porto ou Benfica vs Sporting…
Nunca irá acontecer!
Como tal é preciso conforme já discutimos, apostar na qualidade em detrimento da quantidade.
Ver as Federações e o COP a investir no atleta A ou B enviando-o para faculdades americanas de top com bolsas integrais, ou para centros de alto rendimento por esse mundo fora. A qualidade vem ao de cima quando se treina e se compete com os melhores. Talvez assim as tais bolsas por diplomas olímpicos fossem mais bem empregues…
Poderemos questionar depois se não seria castrador enviar apenas 20 atletas com hipóteses de irem a finais e discutirem as vitórias em vez de 80/90 onde a grande maioria se contenta com bater máximos pessoais (a natação portuguesa é o caso mais evidente disso mesmo).
Mas se pensarmos no quadro grande, um investimento pensado em futuros atletas com capacidades top, como um Rui Costa, um João Sousa (que curiosamente é quem é hoje porque os seus pais através da banca financiaram a sua ida para Barcelona), uma Telma Monteiro, um Nélson Évora ou um Fernando PImenta sera mais prolífico do que tentar apoiar na generalidade uma modalidade ou uma Federação.
Porque são os grandes ídolos que movem as massas, não o conceito em si.
Quantos novos praticantes de ciclismo apareceram por causa das vitórias do Rui Costa, ou quantos novos praticantes de ténis surgiram com as vitórias do João Sousa?
Quantos novos futebolistas com potencial apareceram por causa do Cristiano?
Com certeza bem mais do que os que começaram porque a Federação de natação pôs uns flyers nas escolas…
Esse sim é o futuro.
Quanto à nossa participação foi mais do mesmo. Os nossos atletas de topo foram todos ou quase todos a finais (não ganharam desta feita é certo, mas poderiam ter ganho noutra qualquer circunstância), enquanto os melhores da freguesia continuaram a ser os melhores da freguesia.
Pedro
Como ex-top5 mundial em sub18 de um desporto olímpico, é com grande satisfação que vejo alguém falar no ponto realmente relevante – a criação de “heróis”. Só assim será possível tornar mediáticos estes desportos. É preciso que as crianças fora do ciclismo sonhem em ser o Rui Costa ou fora do judo em ser a Telma Monteiro. Até lá, atletas como estes não vão passar de peixe-miúdo a nadar contra a corrente.
JSC101
Primeiro ser atleta de alto rendimento é preciso muito sacrifício pessoal, muita qualidade mental e física. O povo português (cultura do desenrasca) é mau nestes aspectos.
Portugal não é um país pequeno, é médio em termos económicos, sociais, população e área. Obtivemos medalhas que nos enquadram dentro desta mediania.
As condições são melhores agora do.que nos anos 80 e 90, quem dizer o contrário está a mentir. Se os resultados são iguais ou piores só se pode concluir que os atletas são piores ou que os outros países melhoraram mais ou o mesmo.
A educação não é especializada em nada até praticamente ao 12, por exemplo na Alemanha/Holanda aos 10 anos todos fazem exames que os direccionam(obrigam) a ir para uma área específica.
A educação portuguesa está direccionada para a mediania, para manter a mediania que é Portugal, portanto tudo normal.
As pessoas acham estranho terem tirado da média E, eu acho estranho é no secundário toda a gente ainda ter EF.
Pela experiência que tenho os portugueses nem ligam assim muito futebol, ligam mais que aos outros desportos claro, no entanto não é muito comum conversar-se sobre futebol, pelo menos por mais de 5 min.
Pyros
Os resultados são – e prometem continuar a ser – maus. Não obstante, levamos uma comitiva de bela dimensão – 92 atletas (+treinadores e quejandos), a 37ª maior dos JO (ficámos em 78º em medalhas).
Portugal não é um país de amantes de futebol, mas de amantes de clubes (de futebol). E quase só de 3. Daí que achar que vão passar de gostar de um desporto (que desde já não gostam assim tanto quanto isso) para apreciarem patinagem artística, saltos para a água ou natação sincronizada é lirismo.
Se calhar a abordagem é ao contrário – ou seja, não vale a pena “investir” em alta competição de todo. E, por isto, entenda-se gastar dinheiro público em extensas comitivas aos JO para pobres resultados. OS atletas gostariam de poder fazer disso profissão – verdade, mas como qualquer outra profissão, só é possível se arranjar uma que pague as contas, e não me parece que “apoiar” deva ser, como sempre parece ser por cá, meter dinheiro do estado e subsídios, com o contribuinte a pagar uma “festa” na qual está pouco interessado. Porventura mais valia pagar um prémio de 500k euros por uma medalha de ouro, 200k por prata e 100k por bronze.
Desporto escolar é outra questão – e sinceramente – não faço ideia se necessita de investimento, mas certamente o modelo americano não será de seguir…
Pedro Barata
Grande texto, a corroborar a ideia de que houve poucas pessoas durante os JO que merecessem mais a pena ser lidas do que o Nuno. E julgo que a principal conclusão a tirar é mesma aquela com que se encerra o texto: faltam poucos dias para que entremos em largos, larguíssimos meses de profunda indiferença face a todo o movimento olímpico, por isso toda esta discussão acaba por ser algo inútil, já que nada, absolutamente nada, vai mudar.
Filipe Santos
Excelente post. Uma das raras vezes em que o sentido crítico cáustico do Nuno é de facto a perfeita constatação da realidade. Quanto à temática em si pouco ou nada há a dizer. Os resultados foram maus, mas adequados e A ditadura do futebol é de facto uma realidade.
Volto a deixar o repto – porque temos de começar por algum lado – ao maior blog português: criar uma rubrica do género “Road to Tokyo”, que de visibilidade no mínimo aos atletas que mais se destacaram nestes jogos.
Pedro
Nos EUA só querem saber de futebol americano, basquetebol, basebol e hóquei no gelo e no entanto são os melhores dos jogos olimpicos. é uma questão de investimento. em Portugal não há quem invista nem há interesse, muitos atletas pagam do próprio bolso as suas participações nos jogos e isso é um grande motivo de desinteresse para jovens que pratiquem deporto. para quê sacrificar-se se depois não os apoiam e até menosprezam?
Hugor
O que disse não faz qualquer sentido.
Se há algo em que os EUA apostam, é na formação desportiva. Todos os jovens praticam modalidades variadas desde tenra idade, sejam modalidades colectivas ou individuais. Todas as escolas\universidades\institutos têm programas desportivos e bolsas para os atletas, e a actividade física está sempre presente…
Dizer que só apostam em 4 modalidades é de uma ignorância extrema.~
Cumprimentos
Pedro
Imaginem se tivesse de ser a Dona Dolores a pagar todas as despesas que o Critiano Ronaldo teve até chegar a profissional, ou se ela tivesse de pagar para ele participar nuns jogos olímpicos. Nunca teríamos o melhor jogador do Mundo porque ele não tinha condições para isso.
Até podemos ter talentos como o do cristiano ronaldo em diferentes modalidades mas como ninguém investe neles acabam por passar ao lado.
vfcquiterio
O título diz tudo!
RMSO
Excelente artigo. Já venho um bocado atrasado para o comentar (culpa das férias), mas não queria deixar de dar a minha opinião.
O Nuno deixou bem claro quais são os principais entraves à evolução das modalidades, por isso não me vou alargar muito, apenas quero deixar a minha experiência de vida:
Durante 18 anos residi num concelho do interior, com cerca de 20 000 habitantes (totalidade do concelho), em que a minha freguesia pouco mais de 1000 pessoas tinha. No que diz respeito às infraestruturas municipais, para além do estádio municipal de futebol, e de mais uns 20 campos de futebol de 11 (em terra batida, claro, e sem redes nas balizas, com a excepção dos “estádios” dos outros 2 ou 3 clubes do concelho), existia apenas um pavilhão (da escola secundária) a cerca de 15km de casa, e dois ringues de futebol de 5 (cimento martelado), sendo que nenhum deles estava implantado na minha freguesia (a segunda maior em área do concelho). Na realidade existia um segundo pavilhão na escola profissional, mas tendo em conta o estado do mesmo, nem entra para a contabilidade (vergonhoso).
Quando fiz 14 anos, abriu uma escola preparatória nova, onde foi construído um pavilhão de raiz (de dimensões surreais, mas pelo menos tinha uma sala de ginástica, ao contrário do velhinho pavilhão da escola secundária).
Mais tarde, ainda com idade de júnior (jogava futebol nas camadas jovens do principal clube a nível municipal, o único com formação…), e decidiu-se construir um pavilhão para a prática de futsal federado na minha aldeia. Com alguns apoios da junta de freguesia e da câmara municipal, mas sobretudo com um esforço imenso da associação desportiva da minha terra, e dos residentes/associados, lá conseguimos erigir um pavilhão com melhores condições (nem sequer vou falar nas dimensões) do que aqueles reservados ao desporto escolar nas duas maiores escolas do concelho, bem como criar a primeira equipa federada de futsal do concelho. Atualmente a equipa de futsal acabou (não há dinheiro, diz a câmara e a junta), um dos 3 ou 4 clubes do concelho faliu (era mantido apenas por um “mecenas” , que acabou por se fartar) e as equipas andam todas pelas distritais…
Isto para dizer o quê? Que neste concelho (deve servir de exemplo para muitos outros), durante largas décadas, apenas se investiu no futebol (11), na abertura, sem qualquer critério, de campos de futebol (11), onde 70 ou 80% estão transformados em pistas (para o pessoal sacar cavalinhos ou peões…), ou campos de pasto… Se nem matéria-prima existia, para quê gastar milhares de euros a criar campos para todas as terrinhas (não é fácil arranjar 22 pessoas para jogar futebol, com a excepção dos solteiros vs casados no verão)? Porque não se criou um ou dois, para não pedir muito, courts de ténis, ou de basquetebol ao ar livre, com condições mínimas para a prática dessas modalidades? Porque é que não se criaram pistas para o pessoal treinar atletismo, ou ciclovias? Porque é que só há meia dúzia de anos se edificaram as piscinas municipais? O dinheiro (havia e muito) foi todo canalizado para o futebol federado (incrível como a cultura e o desporto estão sempre ligados nos municípios, sugando o segundo, e mal, o dinheiro do primeiro…).
Eu recordo-me perfeitamente de querer aprender a jogar ténis, ou basquetebol, e não haver nenhuma infraestrutura/escola/professor para isso no concelho…
Desporto escolar… Se nem infraestruturas tínhamos, como é que alguém iria querer, ou conseguir, aprender/desenvolver uma modalidade? Lembro-me perfeitamente que bastava chover mais um bocadinho e já não havia aula de educação física… O pavilhão metia água… enfim… Alguns professores de ginástica metiam a malta a jogar futebol o ano inteiro (quando não chovia), outros nem isso…