
O poderio financeiro das equipas de Leste tem possibilitado uma evolução das mesmas na qualidade dos seus plantéis. Os investimentos feitos por multimilionários em clubes de futebol tem vindo a aumentar e a antiga União Soviética tem sido o alvo favorito destes magnatas. O melhor exemplo disso é sem sombra de dúvidas o FC Shakhtar Donetsk.
A equipa ucraniana tem tido uma ascensão meteórica nos últimos anos, sobretudo a nível internacional. A nível interno, a equipa orientada por Mircea Lucescu tem conseguido impor-se ao “eterno” Dínamo de Kiev, conseguindo conquistar títulos atrás de títulos, e afirmando-se como a grande potência do futebol ucraniano da actualidade. Mas se na Ucrânia o futebol se resume a um punhado de clubes com condições para lutar pelo título, a nível internacional tudo muda. Há dois atrás, o Shakhtar espantou a Europa e conquistou a extinta Taça UEFA ao bater na final o Werder Bremen. As consecutivas idas à Liga dos Campeões permitiram aos ucranianos importantes encaixes financeiros mas acima de tudo consolidar-se na montra do futebol internacional e adquirir a experiência necessária para enfrentar os melhores. Na actual edição da liga milionária, o desempenho da equipa de Donestk tem sido vistoso mas acima de tudo muito consistente, e prova disso, foi a categoria com que eliminaram a AS Roma nos oitavos de final da prova: 2-3 em Itália; 3-0 na Ucrânia.
Numa equipa recheada de promessas e algumas certezas do futebol Mundial, é a mistura de fantasia brasileira com a típica frieza de Leste que sustentam o jogo dos ucranianos. Mircea Lucescu dispões de um conjunto jovem, que já joga junto há algum tempo e ainda com uma larga margem de progressão. Na baliza, Pyatov é o indiscutível e tem à sua frente jogadores como Srna, Rat (dois dos melhores laterais do Mundo) ou Chygrynskiy. À frente da defesa, está o checo Hübschman e a partir daqui, a força e garra, dão lugar ao virtuosismo e técnica que a armada brasileira ostenta. Jádson, Douglas Costa, Alex Teixeira, Willian e Eduardo (embora naturalizado croata) possuem uma capacidade técnica acima da média e são o complemento ideal para o “matador” da equipa, respectivamente: Luiz Adriano. Curiosamente, o melhor jogador da equipa: Fernandinho, falhou praticamente toda a época devido a uma grave lesão.
Com um moderníssimo estádio, onde não perdem há mais de 60 jogos e com uma média de assistências a rondar os 25 mil espectadores por jogo, o Shakhtar promete deixar a sua marca no futebol ucraniano e internacional nos próximos tempos. As bases estão lançadas e condições não faltam para que os ucranianos conseguiam ombrear com as melhores equipas da Europa da actualidade. Os investimentos feitos nos últimos anos estão agora a render o esperado e ameaçam não ficar por aqui.
Até onde poderá ir o Shakhtar na actual edição da Champions? Considerando que o 11 titular é composto na sua grande maioria por jogadores com menos de 25 anos e que já joga junto há 3/4 temporadas, conseguirá o clube ucraniano cimentar uma posição no futebol europeu que lhe permita rivalizar todos os anos com as melhores equipas da Europa, ambicionando mesmo conquistar a Liga dos Campeões?
A.Mesquita