A temporada fantástica do Sp.Braga no ano passado levou o clube para um patamar superior tanto a nível nacional como internacional. A equipa orientada por Domingos Paciência tornou-se a 5ª equipa lusa a garantir a presença na Liga dos Campeões onde fez uma campanha a todos os níveis notável, acrescente-se. A capacidade de António Salvador em gerir o clube financeira e desportivamente é de louvar, sobretudo se tivermos em conta os 13 milhões de € (!) que os minhotos amealharam durante a sua passagem pela maior competição de clubes, somando-lhe ainda os lucros com as recentes vendas de Matheus e Moisés bem como os negócios de Verão: Evaldo e Eduardo. Contudo, não são só coisas boas a registar nos “arsenalistas”. O 3º lugar obtido na fase de grupos da Champions garantiu o acesso à Liga Europa, onde irá defrontar o Lech Poznan…apenas com 18 jogadores inscritos na competição! As regras da UEFA são claras: neste período de novas inscrições, não é possível inscrever mais do que 3 jogadores aos inscritos anteriormente. De 22 elementos que o Braga inscreveu, já saíram 7 (!) neste defeso, ou seja, fará com que o Sp.Braga dispute a prova com um número bem reduzido de jogadores (18 no máximo). Resta que a equipa técnica dos bracarenses reze, e muito, para que não hajam castigados ou lesões. É uma situação impensável para um clube da dimensão do Sp.Braga, pois é um erro crasso de gestão desportiva. As culpas são repartidas mas Fernando Couto é um dos principais responsáveis. Contratado para substituir Carlos Freitas, o actual director-desportivo do clube é uma figura ausente, sem se saber ao certo as suas funções. A ausência do agora homem forte do futebol do Panathinaikos é notória pela má construção de plantel. Faltará ainda um longo caminho para que o actual vice-campeão nacional se assuma como um candidato claro ao título. Os projectos de António Salvador passam por isso mesmo: elevar os patamares de um clube e de uma região que cresce a olhos vistos mas que comete lapsos de principiante, como é este o caso.
A “revolução” neste mercado de Inverno, pode ser vista como um resultado necessário tendo em conta os interesses e necessidades do clube, embora fosse necessário ter em conta os próximos meses. As saídas de elementos chaves como Matheus, Luis Aguiar e principalmente Moisés, poderão pesar numa época que a nível interno é muito provavelmente a pior dos últimos anos, já que às eliminações da Taça da Liga e Portugal se junta um frustrante 7º lugar no campeonato. Por outro lado, a contratação de Ukra, independentemente da qualidade do jogador, acaba por ser inexplicável pois o extremo está impossibilitado de participar nas competições europeias e mais parece uma valorização de um jogador que estava tapado noutro clube.
Como se explica que um clube como o Braga dispute a Liga Europa com apenas 15 jogadores, numero que poderá aumentar no máximo para 18? Depois das receitas do último ano e meio com as vendas de Matheus, João Pereira, Evaldo, Eduardo e Moisés, a que se juntam os 13 milhões de euros obtidos na Liga dos Campeões, não seria de esperar um investimento mais forte no plantel? Ou este empréstimo de Ukra (jogador proveniente de um clube rival), revela que o Braga ainda está longe do patamar dos 3 “grandes”? E por último, até que ponto Salvador conhecido pela sua falta de paciência em relação aos maus resultados aguentará a tentação de despedir Domingos?
A.Mesquita

