Sp. Braga 1-0 Liverpool (Alan 18′ g.p.)
Quanto ao jogo, um Braga de grande nível na primeira parte dominou os ingleses, tentando sempre ter posse de bola, circulando-a bem, e apostando na velocidade dos seus quatro elementos ofensivos: Lima, Alan, P. César e Mossoró. O Liverpool tentava as saídas em contra ataque mas sempre com Kuyt muito desapoiado na frente. Aos 18 minutos, após uma arrancada de Mossoró para dentro da área e derrube de Kyrgiakos que deu direito a grande penalidade, Alan marcou o golo da partida. Sílvio ainda desperdiçou outra boa ocasião com um grande remate fora da área que só foi travado pela trave da baliza dos ingleses.
Na segunda parte o Liverpool mudou de atitude, entrou disposto a tentar marcar e lançou Andy Carrol no jogo. O avançado, fortíssimo no jogo aéreo passou a ser a referência no ataque e o futebol inglês passou a ser directo. Domingos foi obrigado a mexer e lançou Paulão para central, e Kaká, jogando como espécie de 3º central / trinco, ficou encarregue de marcar Carrol. Com isto, o Braga abdica do controlo de jogo mas segura o resultado até ao final, precioso para a discussão do segundo jogo, em Inglaterra.
Destaques
Braga – continuam as boas exibições nos jogos europeus, e hoje mais uma grande equipa europeia foi derrotada na pedreira, tal como já haviam sido Celtic, Sevilha e Arsenal. Se na segunda mão o Braga não seguir em frente, sai de cabeça erguida, pois demonstrou que é capaz de jogar de igual para igual com qualquer equipa, no seu terreno.
Hugo Viana – Hoje foi o elemento mais recuado do meio campo, já que o Braga não contou com nenhum dos três médios defensivos do plantel. E fez, provavelmente, um dos seus melhores jogos da época. Muito interventivo e sempre a colocar calma e organização no centro do terreno. Quase fazia nova “graçinha” quando tentou um canto directo, bem defendido por Reina.
Sílvio – o lateral teve uma exibição irrepreensível, e é a par de Hugo Viana o melhor homem do Braga hoje. Intransponível na defesa com vários cortes de grande qualidade, Sílvio tentou sempre dar uma ajudinha ao ataque, e além do seu remate à barra de Reina, ainda saiu dos seus pés a melhor oportunidade dos bracarenses na segunda parte, com um remate por cima.
Mossoró e Salino – o primeiro foi muito importante a segurar as transições ofensivas dos ingleses, pressionando sempre muito alto a defesa do Liverpool. Além disto, era o homem responsável pela organização ofensiva e saídas em velocidade. O segundo foi um elemento sempre muito batalhador, e o pouco jogo que passou pelos pés de Joe Cole e Raúl Meireles muito se deveu ao pequeno brasileiro.
Artur Moraes – Um jogo com pouco que fazer, mas a vitória também se deve ao guarda redes bracarense que fez uma grande defesa na segunda parte a remate de Kuyt.
Paulo César – Não se percebe porque jogou tanto tempo, pois está claramente fora de forma. Perdeu muito tempo com a bola nos pés em lances de contra ataque quando podia ter craido muito perigo, alem de que perdeu algumas bolas em zonas proibidas. Hélder Barbosa, que vem jogando bem, merecia ter entrado mais cedo.
Raúl Meireles – o jogador português teve um jogo muito apagado. Na primeira parte a jogar atrás do avançado Kuyt, praticamente não conseguiu ter influência no jogo, e após a entrada de novo avançado, Meireles recuou e jogou descaído para a direita, mas Sílvio e Hugo Viana nunca deram margem para que o português criasse grandes lances de perigo.
Liverpool – uma entrada desastrada em jogo, com os jogadores pouco empenhados, levou a que a equipa inglesa perdesse este jogo. Kenny Dalglish afirmou mesmo que foi uma sorte a sua equipa apenas ter sido derrotada apenas por uma bola.
Adeptos – numa semana em que tanto se falou nos adeptos dos clubes e o seu comportamento, destaco hoje o fair-play demonstrado entre adeptos bracarenses e do Liverpool, quando no final do jogo à saída do estádio ambos os lados se aplaudiram, num gesto que devia ser mais visto nos palcos portugueses.

