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Sp. Braga: “O Enigma” Rúben Micael

Rúben Micael é um caso estranho no futebol português. O madeirense fez toda a formação no União da Madeira e era um verdadeiro desconhecido quando assinou pelo Nacional. Estávamos na temporada 2008/09. Apareceu de rompante, surpreendendo tudo e todos. As suas exibições e os seus golos, quer na liga portuguesa, quer na Europa, valeram-lhe o passaporte para voos mais altos. Quando em Alvalade foi aplaudido de pé, tudo apontava para que fosse assinar pelo Sporting…puro engano. Em Janeiro de 2010, o madeirense assinou pelo FC Porto a troco de 3M€. Esteve época e meia no Dragão. E se os títulos foram uma constante, o seu rendimento foi decrescendo com o passar do tempo, acabando por ser vendido ao Atl. Madrid. Seguiu directamente para o Zaragoza (por empréstimo), contudo a sua situação no clube de Aragão foi algo instável. Alternou entre a titularidade e o banco, mas as suas exibições estiveram longe daquilo que havia demonstrado anteriormente.

Sem espaço no plantel colchonero, Jorge Mendes colocou Micael no Sp. Braga e, até ver, António Salvador e José Peseiro têm esfregado as mãos de contentes. O clube minhoto segue no 3º lugar da Liga ZON-Sagres, logo atrás de FC Porto e Benfica. Há muito que o Sp. Braga deixou de ser uma surpresa, e prova disso tem sido as prestações dos “gverreiros”, tanto nas competições, como na Liga dos Campeões. Numa equipa com qualidade e onde tem tido oportunidades, Rúben Micael está a recuperar a forma que evidenciou, sobretudo, ao serviço do Nacional da Madeira. A sua leitura de jogo, bem como a capacidade de assistir os companheiros ou aparecer na área adversária a fazer o gosto ao pé têm sido bastante úteis ao Sp. Braga, e o internacional português detém um papel importante nesta versão 2012/13 do Sp. Braga (por exemplo, foi o médio ofensivo que carimbou a vitória do Sp. Braga frente à Udinese. Transformou a última grande penalidade em golo e carimbou a passagem do conjunto bracarense para a fase de grupos da Liga dos Campeões). O crescimento sustentado do emblema bracarense é uma realidade contínua, tornando-o num clube que deve (ou devia) ser um exemplo para muitos clubes, não só no nosso país, mas por essa Europa fora. Foram vários jogadores que o Sp. Braga recuperou (César Peixoto, Hugo Viana, Nuno André Coelho, etc), e Rúben Micael é (mais um) exemplo da excelente política do clube, retomando a forma que o catapultou para a ribalta do futebol nacional.
Pese embora as excelentes prestações do madeirense ao serviço do Sp. Braga, o médio tarda em afirmar-se ao serviço da Selecção Nacional (mesmo actuando numa posição onde a qualidade escasseia). Em Moscovo foi um dos principais responsáveis pela derrota, frente ao Gabão onde (sem Ronaldo e Nani) podia se afirmar com outro protagonismo foi uma nulidade e, até ver, ainda não conseguiu afirmar-se em pleno na equipa de Paulo Bento. A que se deve esta diferença exibicional? Entrando no campo da suposição, caso Rúben Micael tivesse optado pelo Sporting ou Benfica na altura em que escolheu o FC Porto teria tido o protagonismo a que nos habitou no Nacional da Madeira (e no FC Porto numa primeira fase)? Com 26 anos, por onde passa o futuro do internacional português? Sp. Braga? Vai voltar ao estrangeiro? Ou poderá voltar a um dos chamados “grandes” do futebol lusitano?

André Mesquita

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