O Sporting é nos dias de hoje o clube mais peculiar do futebol português. A interacção que os sportinguistas tem com a equipa leonina devia ser um caso de estudo, pois é complicado encontrar num clube de futebol tantas opiniões divergentes (só estamos a abordar as dos adeptos e não aquelas de indivíduos como J.E., E.B, Vicente M., C. B., etc, que ao mínimo deslize saltam para os meios de comunicação social com o objectivo claro de criar divisões e alcançar os seus propósitos). A crítica a tudo o que mexe é tão interessante que nesta fase (talvez motivado por 4 anos sem títulos e 10 desde o último campeonato) os adeptos leoninos chegam ao ponto de:
– Se indignar por o elemento X não estar no 11 (mesmo que a equipa vença, afirmam que o Y devia ter jogado);
– Criticar por o Sporting vencer por 5-0 uma equipa (para alguns deviam ter sido 10);
– Se o clube leonino vence o adversário por 1-0, devia ter goleado;
– Em termos tácticos (deve ser o clube com mais “Guardiola’s” tal são os conhecimentos técnico-tácticos dos adeptos) criticar a utilização, principalmente, do trio de meio campo (ainda ontem Mourinho utilizou de inicio Xabi Alonso, Khedira e Essien, todos menos ofensivos que Elias e Adrien);
– Insistir que os leões deviam ter contratado X ou Y (ainda na última segunda-feira o presidente da Assembleia Geral do Sporting afirmou que falta um avançado). Quando são públicas as fragilidades financeiras do clube leonino (para conseguirem Viola só por intermédio de fundos). Pedir jogadores à direcção do Sporting só se percebe caso a pessoa tenha menos de 5 anos (seria curioso saber a idade de Eduardo Barroso);
Posto isto. E considerando o actual momento do Sporting (apenas 2 pontos em 9 possíveis é preocupante). Nestes primeiros jogos da Liga foram visíveis as lacunas que o VM sempre apontou ao elenco leonino: As individualidades são inferiores às do Benfica e Porto (a dependência de Carrillo é evidente, que apesar do seu tremendo potencial nem sempre decide bem e ainda não tem a capacidade de suportar em si todo o peso de uma equipa); falta poder de decisão (algo fundamental no futebol actual, mas que no caso dos leões pode ser atenuado com Pranjic e Izmailov); e maturidade competitiva (a equipa reage mal às adversidades e neste aspecto até o Braga apresenta mais argumentos que o emblema de Alvalade). Contudo, e porque na nossa opinião Sá Pinto continua a ser o técnico ideal para o Sporting (o que fez o ano passado: vitórias diante do Man City – 3º melhor plantel do Mundo, Benfica, algo que o clube leonino já não consegui há 3 anos, e um futebol de muito qualidade, principalmente diante dos encarnados, City, Braga, Bilbao e Guimarães são prova disso mesmo…comparar com o pior futebol que Alvalade viu nos últimos anos apresentado por Domingos, treinador que nem conseguiu bater em casa um Moreirense B, e foi eliminado na Taça da Liga num grupo fácil, a que juntou exibições de praticamente zero em termos ofensivos frente a Marítimo e Olhanense, é não ter memória). Os leões tem dominado os seus jogos, a espaços apresentado um futebol interessante, melhoraram defensivamente e nesta fase parece mais um bloqueio psicológico que está a condicionar a equipa (falta uma injecção de confiança que só se consegue com vitórias) do que propriamente a falta de qualidade em termos técnico-tácticos. Apesar disto, há a necessidade do clube leonino efectuar algumas alterações em termos tácticos (passar para 1-2 no meio campo em vez do 2-1) e principalmente no 11 titular, para conseguir contrariar as suas próprias lacunas (é um plantel claramente inferior ao do Benfica e Porto, mas os orçamentos não vencem campeonatos). Esse processo já começou (e bem) com a saída de Capel (Labyad ou Viola deviam ocupar a vaga do espanhol), mas no meio falta ainda alguém que pense o jogo de maneira diferente e tenha mais qualidade ao nível da visão e capacidade de decisão, nesse sentido parece obrigatório que Sá Pinto utilize Izmailov (ainda o melhor jogador deste Sporting mas já sem fulgor para jogar na ala) numa posição mais interior. A presença de Pranjic (os leões não se podem dar ao luxo de abdicar da qualidade do croata) igualmente no meio ia certamente dar outra dinâmica ao futebol do Sporting. Na frente, seria igualmente interessante ver Sá Pinto a inovar: ou actuar com 2 avançados (Wolfswinkel e Viola) ou com um jogador mais móvel (Viola, Carrillo ou Jeffren). Muitas vezes o envolvimento ofensivo do Sporting pede um avançado que não só recue (como faz Wolfs) mas que tenha igualmente outra capacidade para se virar para a baliza e ele próprio desequilibrar com as suas acções (algo que o holandês não tem). Em suma, alterações pontuais, mas nenhuma tão decisiva como um ciclo de vitórias. Qual o melhor 11 do Sporting? O que deverá mudar Sá Pinto para contrariar este mau inicio de época? Até que ponto a (excessiva) pressão dos adeptos acaba por condicionar a equipa leonina?


