O Sporting não foi além de um empate em Coimbra e está agora a 6 pontos da liderança de Benfica e Porto. Os leões não superaram o teste frente à Briosa por demérito próprio (dominaram por completo a partida, foram muito intensos, particularmente na 2ª parte, mas falharam muitas oportunidades claras de golo e sofreram o 1-0 no único ataque da Académica no 1º tempo) e têm agora a vida muito complicada na luta pelo título.
No primeiro tempo, os leões foram superiores, mas a ineficácia de Van Wolfswinkel (desperdiçou 3 ocasiões claríssimas para marcar) impediu que se colocassem na frente do marcador. A Académica, na única vez que chegou perto da baliza de Rui Patrício, fez mesmo golo: Éder a surgir nas costas de Polga, depois de uma iniciativa pela esquerda do ataque da turma de Pedro Emanuel. Para a etapa complementar, Domingos fez entrar Carrillo e Bojinov para os lugares de Pereirinha e Carriço, a pressão leonina acentuou-se, as ocasiões de golo foram-se sucedendo (Wolfswinkel desperdiçou logo a abrir, Insúa dispôs igualmente de boas oportunidades, e Onyewu falhou de baliza aberta, depois de remate de Carrillo), mas o empate apenas chegou ao minuto 80, com Elias a fazer o único tento verde e branco e a dar esperança a Domingos Paciência. Até final, o médio brasileiro seria expulso, após derrubar Éder. Um resultado que penaliza a ineficácia dos leões, principalmente do seu avançado perante uma Académica (que juntou ao golo, uma boa oportunidade na 2ª parte, que Patrício evitou com a defesa da noite) que continua a realizar um excelente campeonato.
Destaques
Sporting – Os leões complicaram a sua situação na luta pelo título (até mesmo pelo 2º lugar, que dá acesso directo à Champions). Neste jogo, apesar do domínio leonino voltou a ser claro (sempre o foi para o VM) que a turma de Domingos Paciência tem ainda lacunas evidentes (fora as que vão ser colmatadas com o regresso dos lesionados), como a posição de central (Polga já não tem capacidade para jogar num grande), trinco, lateral direito ou mesmo de avançado (para jogar ao lado de Wolfswinkel, substituir o holandês, ou para entrar em jogos em que é necessária mais presença na área contrária). Por outro lado, parece claro, que caso o clube leonino pretenda manter as suas ambições nas 4 frentes que disputa deve atacar o mercado antes dos compromissos com o Rio Ave para a Taça da Liga (o 1º jogo é decisivo) e com Porto e Braga para o campeonato.
Éder – O melhor em campo. Sozinho na frente de ataque, deu muito trabalho aos centrais leoninos, surgiu oportuno para fazer o golo da Briosa e ainda conseguiu expulsar Elias. Apresenta características físicas e ao nível da pressão sobre os centrais adversários e jogo de costas para a baliza muito boas.
Wolfswinkel – O destaque da partida, pela negativa. Esteve completamente irreconhecível no ataque leonino, falhou (4) golos completamente isolado em zona frontal praticamente dentro da pequena área e livre de marcação, e é um dos culpados para que o Sporting não tenha alcançado o triunfo.
Académica – A turma de Coimbra continua a realizar um excelente campeonato. Destaque para as exibições de Cédric (secou Capel), Habib (impôs a sua lei no meio campo), Peiser (várias defesas de bom nível), Berger no eixo defensivo e Éder na frente de ataque.
Elias – Bom jogo do médio brasileiro, forte na pressão e ao nível da recuperação, objectivo ofensivamente (os jogadores leoninos foram algo egoístas nos momentos ofensivos, principalmente nas acções onde um passe para o lado em vez de um remate tem o poder de isolar um companheiro de equipa), fez ainda o golo dos leões. Acabou por ser expulso, por culpa de João Pereira.
Polga – Quando confrontado com avançados rápidos ou possantes tem grandes dificuldades e, neste momento, não apresenta qualidade para representar um grande. Foi o culpado do golo da Académica e ainda juntou a isso uma má saída de bola (usou e abusou do passe longo, mas sem resultados).
Capel/Evaldo – O espanhol não realizou uma boa exibição, foi batido por Cédric e revelou-se demasiado individualista. Já o brasileiro entrou bem na partida, deu velocidade e acutilância ao flanco esquerdo, com boas combinações com Ínsua.
Carrillo/ Schaars – Ao seu estilo, entrou ao intervalo e mexeu com a partida, criou vários desequilíbrios pela direita e foi decisivo no lance do empate. Por outro lado, o holandês foi importante na pressão que fez, recuperou várias bolas, mas demonstrou pouca objectividade em termos ofensivos, melhorando, porém, com a passagem para trinco.
Insua/João Pereira – Estiveram bastante activos em termos ofensivos ao longo da partida, com o argentino a desempenhar muito bem a posição mais avançada pela esquerda. A nível defensivo, o ex-Liverpool não teve grandes problemas, enquanto que o português teve enormes dificuldades perante Diogo Valente.

