Sporting empata frente ao Moreirense; Leões não aproveitam derrota do Braga, voltam a cometer erros infantis e apesar da recuperação no 2º tempo, continuam a agravar a crise; Desde que Sá Pinto foi despedido o clube leonino fez 9 jogos e só ganhou 1 (perdeu 5)
O Sporting voltou a escorregar em Moreira de Cónegos, e depois da derrota para a Taça, não foi além de um empate na casa do último classificado. Os leões, que ganharam apenas um ponto ao Braga (não conseguiram aproveitar a derrota dos minhotos), continuam, com um terço de campeonato decorrido, sem vencer fora e principalmente parecem não encontrar armas para fugir à crise (desde que Sá Pinto foi despedido, o clube leonino fez 9 jogos e apenas venceu 1…já perdeu 5). Já o Moreirense subiu uma posição, mas continua com os mesmos pontos do último classificado.
Um ponto suado, o clube leonino chegou ao intervalo a perder por 2-0, e quando nada o fazia prever, Xandão e Dier no espaço de um minuto empataram a contenda. Que valoriza a atitude dos leões no 2º tempo (o Sporting podia inclusive ter chegado à vitória não fosse o desperdício de Viola e Carrillo), mas que fica marcado pela lesão de Ghilas (o Moreirense perdeu capacidade quando a sua referência ofensiva saiu por lesão). O encontro foi o espelho da temporada dos verde e brancos. Início promissor, algumas oportunidades, todas desperdiçadas, algumas de forma a envergonhar um jogador de distrital, perda gradual de intensidade, e falhas defensivas infantis, que desta vez nem São Patrício salvou. Valeram dois golos quase que caídos do céu, que pelo menos recuperaram animicamente a equipa leonina. Ainda assim, não souberam capitalizar esse aumento de confiança, quer deixando o Moreirense recuperar do choque e reequilibrar o jogo, quer voltando a falhar a oportunidades flagrantes. Mais uma vez Vercauteren não ficou bem na fotografia: não se vê dedo do belga, o futebol leonino é demasiado pobre e as opções técnicas e tácticas não convencem (desde o 11 titular às substituições, pouco acertou).
No que diz respeito à partida, o Sporting entrou a pressionar, atacando em especial pelo lado direito, e com a integração de Pranjic no ataque. Por falta de velocidade ou de habilidade, os leões não conseguiram criar grande perigo (um remate na relva de Pranjic foi um bom exemplo), embora mantivessem o Moreirense encostado à área. Com o decorrer dos minutos a equipa da casa foi-se soltando, e chegando à frente mais vezes. Ghillas passou a ter mais apoio, a equipa passou a rodar a bola com mais à-vontade, e a baliza do Sporting passou a estar sob perigo. Ghilas deu o aviso, após falha (uma de muitas) de abordagem de Dier, ao rematar por cima já na cara de Patrício. Não serviu ao Sporting, visto que o cariz do jogo não mudou. Até que após cruzamento da direita, Pablo Olivera (o carrasco da Taça) apareceu a desviar na cara do GR leonino e não falhou. Já os centrais, nem marcaram, nem avançaram para o fora de jogo. Já com Rinaudo no lugar do lesionado Schaars, mais uma abertura na direita (novamente do lateral Paulinho), os defesas a olhar, e Ghilas a empurrar para o 2-0. A segunda parte parecia resumir-se aos jogadores leoninos arrastarem-se em campo e falharem passes consecutivos, até que após um canto (o primeiro cobrado decentemente), Xandão cabeceou para o 1-2. Logo de seguida, Dier apanha uma bola rechaçada pela defesa, e atira forte para o empate. O Sporting estava na mó de cima, o Moreirense acusou o toque, e Elias e Viola podiam ter feito a remontada. Mas o Sporting não capitalizou o seu melhor momento, e deixou os homens da casa recomporem-se, e até voltarem a chegar à sua baliza. Até ao fim do jogo, oportunidade para Carrillo (isolou-se e falhou o mais fácil… fosse ele holandês e o que não se diria) e duas intervenções arrojadas de Ricardo Ribeiro, enquanto que do outro lado, Fábio Espinho falhou por centímetros o cabeceamento na cara de Patrício.
Destaques
Vercauteren – voltou a usar o duplo pivot, a colocar Pranjic como 10, e Dier a lateral direito. A equipa leonina entrou bem, mas foi perdendo supremacia sem que o belga fizesse algo que corrigisse a situação. A substituição de Schaars por Rinaudo correu bem, mas foi forçada, enquanto que a de Pranjic pecou por tardia. Já colocar Labyad em cima do minuto 90 não fez sentido, não era em 5 minutos que um jogador ia entrar no ritmo de jogo e decidir. Até ao momento o trabalho apresentado pelo belga é francamente negativo (apenas uma vitória, um futebol muito pobre e opções absurdas). Terá agora 10 dias para fazer passar as suas ideias (nas outras pausas, apostou mais nas folgas do que nos treinos), veremos como será o comportamento dos leões no próximo jogo da LE e principalmente no derby frente ao Benfica.
Dier – Teve algumas falhas de abordagem e posicionamento, nomeadamente na primeira parte, mas marcou o golo do empate (não devem ter sido muitos, os defesas juniores de 2º ano, a conseguir esse feito na equipa principal do Sporting) e parece estar a ganhar o lugar. No entanto, ainda tem que ganhar rotinas e experiência até ser uma opção indiscutível (recordamos que é central e está a jogar adaptado).
Rinaudo – claramente o jogador mais agressivo dos leões, e que para além disso, consegue levar a bola para a frente com critério. É verdade que beneficiou do desgaste dos homens da casa, mas limpou o meio-campo como Schaars nunca fizera.
Pranjic/ Wolfswinkel – O croata começou bem, a dar linhas de passe e a desmarcar-se, mas durou cerca de 10 minutos. O resto do tempo foi passado a perder bolas e a não pressionar os adversários; já o holandês este sempre muito só (tem aquela ilha aluga já há uns meses), e apenas se destacou a cair para as alas e tabelas com os extremos. Na área foi uma nulidade.
Xandão/Rojo – Foram os responsáveis pelos golos do Moreirense. Falhas inadmissíveis em centrais desta (ou que se dizem desta) craveira. O brasileiro ainda fez o empate, e esteve bem a dobrar Dier, mas o mal já estava feito.
Capel – esteve fora de jogo na primeira parte, mas na segunda apareceu ao seu estilo: arrancadas de cabeça no chão, em esforço, e muitos cruzamentos, embora poucos com qualidade. Mesmo assim, colocou nos colegas algumas bolas que mereciam melhor finalização.
Carrillo – é de longe o jogador leonino mais talentoso, e dos poucos a desequilibrar no 1×1, mas continua sem definir bem. A finalização ao minuto 90 marcou a sua exibição (podia ter saído como herói, acabou por sair depois de mais um jogo onde demonstrou novamente que tem de evoluir muito ao nível do poder de decisão).
Elias/Schaars – começaram a empurrar os médios do Moreirense para trás, mas cedo foram perdendo gás. Elias ainda apareceu algumas vezes na frente, mas nunca fez a diferença.
Paulinho – duas assistências para golo, e uma primeira parte em que meteu Capel e Insua no bolso. Quebrou (fisicamente?) na segunda parte, em que foi ultrapassado algumas vezes pelo espanhol.
Ghilas – é bom de bola, e quando começou a ter apoio (o que não aconteceu até ao minuto 20), recebeu e tabelou com qualidade com os colegas de trás. Marcou um golo numa boa desmarcação, e deu muito trabalho. Enquanto esteve em campo, o Moreirense foi superior.