Godinho Lopes, confirmou, em entrevista à RTP, que Jesualdo Ferreira será o novo manager dos leões. JF terá responsabilidades na aquisição e venda de jogadores e será uma espécie (!) de treinador principal de todos os escalões do clube leonino. VM – É adepto do Benfica, mas foi no FC Porto que teve sucesso. As suas capacidades técnicas são evidentes, se hoje Falcao, Hulk e Lisandro são o que são em termos futebolísticos devem (pelo menos em 50%) a Jesualdo. Apresenta igualmente um bom currículo como treinador (várias vezes campeão pelo FC Porto) e larga experiência ao nível de futebol de formação. Se juntarmos a isso a sua “bagagem” pelos anos que passou na Luz (principalmente como adjunto) e Dragão, parece evidente que o Sporting poderá beneficiar daquilo que JF pode emprestar aos leões. No entanto, é uma incógnita no que diz respeito ao trabalho de aquisição e venda de jogadores, ninguém sabe como se mexe no mercado, as suas ideias e que modelo vai tentar implementar em Alvalade (na teoria será algo semelhante ao do Porto, que agora é igualmente copiado pelo Benfica), e nesta fase isso é mais importante para o Sporting (vender bem e contratar melhor) do que propriamente ter mais uma pessoa capacitada em termos técnico-tácticos na estrutura. Por outro lado, Godinho com a afirmação de que Jesualdo será o treinador de todos os escalões (inclusive da equipa A), acaba por limitar desde já Vercauteren (sempre mencionamos que só chegou a Alvalade porque foi dos poucos que aceitou ficar apenas até final da época e treinar o Sporting nestas condições, até GL apostar no treinador que realmente quer), aliás, deixa mesmo a ideia que JF (que na nossa opinião até devia era substituir já o belga como treinador principal até final da época) a curto prazo (caso os resultados não apareçam) acabe mesmo por substituir o “pequeno príncipe”. Boa escolha? Conseguirá Jesualdo ter sucesso onde Freitas, Costinha e Pedro Barbosa falharam: dar bons encaixes financeiros aos leões com boas vendas e contratar elementos que acrescentem verdadeiramente algo ao elenco leonino? Até que ponto a posição de Vercauteren fica desde já colocada em cheque com a aquisição de JF para Manager?
Outros destaques da entrevista do presidente leonino à RTP:
– «Na minha cabeça eleições antecipadas não fazem sentido. Temos um plano de 3 anos, no primeiro ano consegui os objectivos, neste segundo ano estamos a trabalhar na reestruturação do clube e a criar sustentabilidade para o futuro e condições para a equipa vencer no terceiro ano». VM – Demos a nossa perspectiva sobre este tema aqui!
– «Chamavam-lhe maçã podre, mas afinal de contas João Moutinho era uma vítima do sistema, porque os jogadores que estavam à sua volta queriam sair, porque não se sentiam bem. Entendemos imediatamente que se tínhamos bons jogadores e boas fornadas de formação, tínhamos de preparar a casa para lançar esses jogadores na equipa principal, por isso criamos a equipa B e contratamos 19 estrangeiros para o plantel principal». VM – Não fica bem a um presidente desvalorizar uma decisão de um antecessor. Já no que diz respeito à maneira como justificou a contratação de vários jogadores estrangeiros, percebemos a ideia (é mais fácil integrar jovens numa estrutura sólida, como aconteceu com Viana e Quaresma na fase onde havia Jardel, JVP, Paulo Bento, etc) do que fazer essa integração num conjunto desmoralizado/desorganizado (como acontece actualmente). O problema para GL foi que o forte investimento que fez na 1ª época acabou por não corresponder à criação dessa dita estrutura.
– Entre os vários elogios que fez a Pinto da Costa, no tópico Izmailov referiu que não fecha as portas a uma negociação com o FC Porto e que em Janeiro haverá novidades. VM – À excepção da 1ª época e na temporada passada com Sá Pinto, o russo pouco ou nada produziu em Alvalade. Muitas lesões, algumas delas estranhas, poucos jogos e uma situação que parece não ter fim. Sendo assim, e como referimos anteriormente, apesar do russo ser (a 100%) inequivocamente o melhor jogador do Sporting, Janeiro (à semelhança de outros 11/13 elementos) devia representar a sua saída do clube leonino. Independentemente de qual seja o seu destino uma proposta superior a 4 milhões de euros (ou então que envolva algum jogador), não deveria merecer por parte dos leões qualquer tipo de hesitação. Caso o seu futuro passe pelo FC Porto (os azuis e brancos necessitam de um médio com as suas características), um negócio que não envolva dinheiro mas apenas jogadores terá de passar (considerando os excedentários do campeão nacional) por Kléber (é melhor avançado que tem demonstrado – no Porto acusou a pressão de suceder a Falcao – mas é jovem, internacional AA pelo Brasil e tem características que os leões necessitam), ou Rolando (o valor de mercado do central é superior ao de Izmailov, mas está numa situação peculiar, e o Sporting precisa de um defesa). Se a opção for uma troca directa com Miguel Lopes, GL irá dar um “tiro no pé”. Deve o Sporting vender Izmailov ao FC Porto? Qual seria um bom negócio para ambas as partes?
– O Sporting vai contratar pelo menos 3 jogadores em Janeiro (são 3 as posições que vão ser reforçadas). VM – Os leões necessitavam de pelo menos 5 jogadores: um lateral direito, um central, um médio, um extremo e um avançado, mas no actual contexto (praticamente nenhum objectivo desportivo esta época), contratar jogadores (e no passado à excepção de 1999-2000, os leões sempre falharam no defeso de Inverno) não faz qualquer sentido. Que elementos vai contratar GL?
– Devido à conjuntura económica, resultados desportivos e falta de adaptação de alguns elementos, vão haver saídas em Janeiro (as mesmas já foram analisadas com Vercauteren e Jesualdo). VM – Não é uma afirmação surpreendente, já defendemos anteriormente que o Sporting deve procurar transferir pelo menos 12 activos no mercado de Inverno (aproveitar o mercado que os jogadores ainda tem, pois no final da época a tendência é que o mesmo desapareça) e gerar o máximo lucro possível: Patrício, Cédric, Carriço, Xandão, Boulahrouz, Capel, Jeffrén, Izmailov, Elias, Schaars, Pereirinha e Ínsua, por razões diferentes: valor individual (Patricio é dos poucos que pode permitir um encaixe importante), final de contrato (Carriço, Pereirinha e Xandão, o brasileiro de empréstimo),e nada acrescentarem, são alguns dos nomes que deviam abandonar Alvalade. Esta espécie de revolução iria permitir (além da melhoria das contas do clube) a entrada de mais elementos da equipa B no elenco principal (como Pedro Mendes, Esgaio, Rubio, Arias, Bruma, etc), não condicionando a época leonina, pois um 11 com: Boeck, Árias ou Dier, Pedro Mendes, Rojo, Pranjic, Rinaudo, André Martins, Labyad, Carrillo, Viola e Wolfswinkel, certamente pior não faria (também é impossível). Veremos é se os leões vão vender em saldos ou finalmente realizar encaixes significativos (enquanto o Sporting não vender de maneira sistemática jogadores por mais de 12 milhões de euros, como acontece com o Benfica e FC Porto, nunca conseguirá lutar com os 2 rivais).


