Não há jogos fáceis. O Euro’2016 começou de maneira mais equilibrada do que se pensava com a França a derrubar a Roménia apenas em cima dos 90 e numa fase em que pouco fez por isso. Os gauleses, apesar de terem tido mais lances ofensivos, apresentaram algumas dificuldades no momento com posse e aquelas que são na teoria as duas principais figuras: Griezmann e Pogba, não conseguiram fazer a diferença (o avançado do Atlético esteve particularmente discreto). Melhor esteve Payet, a unidade mais do conjunto de Deschamps, tendo o médio ofensivo tido uma participação directa nas melhores situações da França, e garantindo mesmo a vitória com um lance incrível. Já a Roménia juntou a uma boa organização (o segredo é não permitir os ataques rápidos da França) uma postura desinibida que até permitiu criar oportunidades claras de golo. Os centrais Chiricheș e Grigore, apoiados pelo médio Pintilli estiveram em destaque.
Destaques:
França – Muitas dificuldades na estreia, mas o mais importante foi conseguido, ainda para mais numa competição em que uma vitória no primeiro jogo representa um passo de gigante para estar na próxima fase. Mas este jogo deve ter deixado Deschamps algo preocupado, já que a sua equipa revelou muitas dificuldades em organização ofensiva, com problemas para fazer uma circulação de bola fluida e abusando do passe longo, surgindo os seus melhores momentos quando teve espaço para correr nas transições. Individualmente, Evra protagonizou uma má abordagem no lance que resultou na grande penalidade, ao passo Kante, como é hábito, fartou-se de roubar bolas e de interceptar transições do adversário, apesar de com bola se notar que está longe de ser um médio-defensivo organizador. Um pouco mais à frente, Pogba esteve abaixo do esperado, não dando a qualidade em posse que se pedia e abusando do passe longo, sendo que também Griezmann desiludiu (ambos os jogadores acabaram substituídos), não só porque pouco se viu mas também porque quando apareceu desperdiçou duas oportunidades flagrantes. Giroud acabou por marcar depois de alguns falhanços, mas o rei da noite foi mesmo Payet: o jogador do West Ham protagonizou uma super-exibição, gerando perigo permanentemente, quer recebendo entre-linhas, quer descaindo nas alas, colocando vários vezes os companheiros em posição privilegiada para marcar e culminando tudo isto com um golaço mesmo a acabar que deu a vitória a França e o coloca já como primeiro grande nome do Europeu.
Roménia – O que fica do jogo é a derrota que praticamente obriga a selecção romena a não perder no próximo desafio com a Suíça, mas é verdade é que a formação de Iordanescu deixou uma bela imagem, complicando muito a vida de uma das principais favoritas à vitória final. O principal mérito, sem bola, terá sido o de conseguir quase sem evitar as transições gaulesas, obrigando o adversário a um jogo de ataque posicional no qual se sente incómodo, ao passo que no momento ofensivo a Roménia, para além do golo, dispôs de mais duas oportunidades flagrantes que podiam ter mudado a história do jogo. No plano individual, Tatarusanu acaba por ficar negativamente ligado ao golo de Giroud, ao passo que a linha defensiva apresentou um excelente nível, sobretudo os centrais Chiricheș (excelente leitura dos jogos e uma técnica anormal) e Grigore. No meio-campo, saltou à vista o bom posicionamento de Pintolii, uma espécie de motor da equipa, ao passo que mais na frente Stanciu não teve muitas oportunidades para mostrar a sua qualidade, acabando por ser o seu quase-homónimo Stancu a estar muito em jogo, primeiro com dois falhanços e depois ao marcar o golo do empate.


