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Surpreender como na qualificação

Após um longo período de ausência da maior prova do mundo de selecções (2006 marca a última presença), a Suécia está de volta aos grandes palcos e totalmente revigorada. Órfã da sua principal figura da última década, Zlatan Ibrahimovic, que renunciou à Blǎgult depois do pretérito Europeu, o conjunto nórdico partiu à procura de um lugar na Rússia e, apesar das dificuldades na fase de qualificação, conseguiu cumprir esse objectivo. Inserida num grupo complicadíssimo, em face das presenças de França e Holanda, os suecos conseguiram terminar na 2.ª posição, que dava acesso a play-off. Contudo, o sorteio ditou um confronto de peso com a Itália, tetracampeã mundial. A formação transalpina não falhava um Mundial há 60 anos e, apesar de não atravessar a melhor fase da sua história, possui um elenco de luxo e uma experiência a este nível incomparável. No entanto, o futebol é o desporto mais bonito do mundo por várias razões, entre elas a imprevisibilidade do jogo e, como tal, a turma de Janne Andersson, técnico de 55 anos com uma carreira modesta (nunca saiu do país natal e o maior feito até aqui terá sido devolver o campeonato ao IFK Norrköping 26 anos depois, o seu único título na carreira), partiu à procura da surpresa e conseguiu-o. Parecia um sonho, mas era bem real. A Itália estava fora do Mundial e o carrasco era a Suécia. Ultrapassada a fase preliminar, a competição na Rússia será um teste de exigência semelhante para a equipa do norte da Europa. Presentes no Grupo F com Alemanha, actual campeã mundial e vencedora da Taça das Confederações, México, elenco mais habituado a estas andanças e a melhor equipa da CONCACAF, e Coreia do Sul, a tarefa não se afigura fácil e, nesse sentido, será necessário um espírito colectivo idêntico ao da fase de qualificação para seguir em frente na prova. Individualmente, a Suécia não tem nesta fase as grandes figuras de outrora como Ibrahimovic, Larsson, Ljungberg, Brohlin, Dahlin ou Ravelli, ou seja, o talento não abunda, tanto que Andreas Granqvist, central do Krasnodar, foi eleito o futebolista sueco do ano em 2017. A abertura das hostilidades será contra a Coreia e um triunfo será vital para lançar os escandinavos com outra confiança e conforto para os desafios seguintes.

Estrela: Emil Forsberg (Médio Ofensivo, 26 anos, RB Leipzig) – Um talento raro, que tem a missão de carregar a equipa após o abandono de Ibrahimovic. Menos excêntrico, mas igualmente fascinante, o criativo do Leipzig, que também pode actuar a partir da ala, não teve, à semelhança do conjunto alemão, uma temporada tão feliz como as anteriores, sofrendo algumas lesões, nomeadamente uma pubalgia que o afastou por algum tempo. Contudo, se há elemento capaz de elevar esta Suécia para outro patamar é o loirinho de Sundsvall.

Jogadores em Destaque: Marcus Berg (Avançado, 31 anos, Al Ain) – Em tempos prometeu muito, quando explodiu num Europeu sub-21, mas acabou por não ter uma carreira à altura daquilo que se esperava. Contudo, Berg tem construído uma carreira sólida fora dos grandes palcos e, além de ter sido o melhor marcador da Suécia na qualificação (8 golos em 11 partidas), chegará à Rússia com a moral em alta, tento sido campeão e apontado 34 golos nos Emirados Árabes Unidos. Um finalizador nato, que contabiliza cerca de 70 golos nas últimas duas épocas. Andreas Granqvist (Central, 33 anos, Krasnodar) – Há muitos anos no futebol russo, o capitão foi um dos indiscutíveis no apuramento (12 jogos) e um dos principais responsáveis pelo sucesso no play-off, limpando tudo contra a Itália. Eleito o futebolista sueco do ano em 2017 e fortíssimo no jogo aéreo ofensivo (3 golos na campanha) e defensivo, é a voz de comando e a personificação da experiência nesta equipa. Sebastian Larsson (Médio, 32 anos, Hull City) – Outro dos mais experientes do grupo (98 internacionalizações), Larsson é um elemento preponderante pelo critério que acrescenta no passe e pela sua qualidade nas bolas paradas, uma das principais armas do seu jogo.

XI Base: Robin Olsen, Lustig, Lindelof, Granqvist, Augustinsson, Sebastian Larsson, Jakob Johansson, Claesson, Forsberg, Toivonen, Marcus Berg

Jovem a Seguir: Ludwig Augustinsson (Lateral Esquerdo, 24 anos, Werder Bremen) – Lateral equilibrado, tanto a nível físico como técnico, com um bom pé esquerdo (cruza de forma competente e passa bem a longas distâncias), que despontou no Copenhaga e que esta temporada deu o salto para uma grande Liga, sendo um dos mais utilizados no Werder Bremen. Enfrenta a concorrência de Olsson (Wendt nem foi chamado), que rubricou bons jogos no Swansea, mas foi a opção principal do treinador na qualificação (10 partidas) e, como tal, parte na frente. Um dos muitos campeões da Europa sub-21 em 2015 presentes na comitiva e um dos nomes a seguir neste torneio.

Principal Ausência: Zlatan Ibrahimovic (Avançado, 34 anos, LA Galaxy) – A principal referência da última década no futebol sueco, possivelmente o melhor de sempre, o melhor marcador da história (62 golos) e um elemento carismático como poucos. A sua presença na Rússia foi uma incógnita durante vários meses mal a Suécia garantiu o apuramento, mas Zlatan não quis reconsiderar e, após 116 internacionalizações, deixa o ataque entregue a nomes como Guidetti, Toivonen e, sobretudo, Berg.

Convocatória: Guarda-Redes: Robin Olsen (Copenhaga/Dinamarca), Karl-Johann Johson (Guingamp), Kristoffer Nordfelt (Swansea/Inglaterra); Defesas: Mikael Lüstig (Celtic/Escócia), Lindelöf (Manchester United/Inglaterra), Granqvist (Krasnodar/Rússia), Martin Olsson (Swansea/Inglaterra), Augustinsson (Werder Bremen/Alemanha), Filip Helander (Bolonha/Itália), Emil Krafth (Bolonha/Itália), Pontus Jansson (Leeds/Inglaterra); Médios: Sebastian Larsson (Hull City/Inglaterra), Albin Ekdal (Hamburgo/Alemanha), Emil Forsberg (Leipzig/Alemanha), Gustav Svensson (Sounders/Estados Unidos), Oscar Hiljemark (Génova/Itália), Viktor Claesson (Krasnodar/Rússia), Markus Rohdén (Crotone/Itália), Jimmy Durmaz (Toulouse/França); Avançados: Marcus Berg (Al-Ain/Emirados Árabes), John Guidetti (Alavés/Espanha), Isaac Kiese-Thelin (Anderlecht/Bélgica), Ola Toivonen (Toulouse/França).

Seleccionador: Janne Andersson

Prognóstico VM: Fase de Grupos

Rodrigo Ferreira

9 Comentários

  • Rui Miguel Ribeiro
    Posted Maio 26, 2018 at 5:08 pm

    A Suécia não é o que já foi, mas deixou para trás a Holanda e a Itália, por isso não devem ser subestimados. Contra a Alemanha é difícil, mas espro que contra o México e a Coreia do Sul consigam garantir a qualificação.

    • Nome sem Caracteres Ilegais
      Posted Maio 26, 2018 at 7:10 pm

      Para não falar de ter ganho o Euro Sub-21 de 2015. Ou muito me engano ou uma seleção cujos jovens ganham uma competição vai sempre estar um bocadinho melhor do que se estes não tivessem ganho. ;) PS: Que será feito de Tibbling? Para mim foi um dos melhores suecos na final de 2015…

      • Knox_oTal
        Posted Maio 26, 2018 at 8:36 pm

        O Tibbling está no Brondby! Ainda tem apenas 23 anos, mas na altura também pensei que estava ali jogador para outros voos…

        • Nome sem Caracteres Ilegais
          Posted Maio 27, 2018 at 2:37 am

          Estou a ver. Sinceramente também esperava que aos 23 o moço já estivesse num clube com maior destaque, mas talvez tenha estagnado…não sei. Também, jogadores jovens perdem-se com uma frequência relativamente alta, portanto Tibbling pode ser sempre mais uma vítima disso. Para bem dele, espero que não.

  • Knox_oTal
    Posted Maio 26, 2018 at 3:08 pm

    A Suécia já deu marcantes e brilhantes jogadores ao Mundo do Futebol, do demolidor trio Gre-No-Li do AC Milan dos anos 50, aos históricos guarda-redes Ravelli ou Hellström, passando pelo gigante da defesa Olof Mellberg ou o terror das defesas de seu nome Henrik Larsson… mas a verdade é que na última década tem vivido quase exclusivamente às custas do génio do Ibra. E olhando para este lote de convocados, faltam nomes mais consensuais com mais peso no panorama do futebol europeu. É certo, há os jogadores destacados pelo VM, mais Lindelof e outros da geração que ganhou o Europeu sub-21, mas parece-me curto ainda assim. Sobretudo olhando a época de Forsberg, claramente o jogador mais, muito marcada pelas lesões e paragens, ou seja, não espero muito desta Suécia!

    Ainda assim, reforço o destaque dado a Augustinsson! Parece-me dos melhores laterais esquerdos a actuar na Europa, sem contar com os principais clubes. Merece claramente uma oportunidade noutro patamar e espero que o Mundial o ajude a ter mais visibilidade e reconhecimento. Já em 2015 quando ganhou o Europeu de Esperanças com a Suécia, parecia um lateral com imenso potencial. Até desejava que o Benfica se tivesse antecipado na altura (e temos boa memória dos suecos e tudo)… parece-me mais completo e consistente em comparação a Grimaldo. Agora pede outros voos, estou curioso para ver como evolui e para ver que rumo terá a sua carreira.

  • T. Pinto13
    Posted Maio 26, 2018 at 2:49 pm

    A alemanha passa o grupo. Logo os jogos contra a coreia e o México terão de ser encarados como finais.devido ao espírito desta equipa penso que vão passar em 2 e talvez até sacar um pontinho contra a Alemanha.

  • Tiago Silva
    Posted Maio 26, 2018 at 2:18 pm

    É uma equipa muito bem montada, coesa e unida. Vão sentir a ausência do Zlatan, mas acredito que poderão surpreender ainda bem depois de deixarem a Holanda e a Itália para trás. Muito do jogo passará nos pés de Forsberg que é um jogador muito objetivo e inteligente, vamos ver como está fisicamente.

    • TheHunter
      Posted Maio 26, 2018 at 3:12 pm

      Não creio que a sua ausência se faça sentir assim tanto. Creio que durante a qualificação eles ultrapassaram bem essa dependência e a notar-se só talvez na liderança e na ajuda a lidar com a pressão.

  • Joao D
    Posted Maio 26, 2018 at 1:33 pm

    Acho que ficam atrás do México.

    Falta talento a esta seleção.

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