Depois de termos analisado o número de jogadores portugueses que compõem cada plantel da Liga ZON-Sagres (ver aqui),
importa saber quantos minutos são dados aos jogadores nacionais (1º balanço, aqui e 2º balanço, aqui). Mais do que ter um plantel com muitos portugueses, será importante verificar se esses mesmos jogadores estão a ter minutos de utilização nos seus clubes. Contudo, se compararmos o número de portugueses inscritos na Liga (43% do total de jogadores), com os minutos de utilização (41.8%), podemos observar uma descida na percentagem (o valor subiu entre a 10ª e a 15ª jornada). Em contrapartida, a utilização de jogadores brasileiros sobe de 30 para 31.6% e os argentinos de 3 para 4%.
importa saber quantos minutos são dados aos jogadores nacionais (1º balanço, aqui e 2º balanço, aqui). Mais do que ter um plantel com muitos portugueses, será importante verificar se esses mesmos jogadores estão a ter minutos de utilização nos seus clubes. Contudo, se compararmos o número de portugueses inscritos na Liga (43% do total de jogadores), com os minutos de utilização (41.8%), podemos observar uma descida na percentagem (o valor subiu entre a 10ª e a 15ª jornada). Em contrapartida, a utilização de jogadores brasileiros sobe de 30 para 31.6% e os argentinos de 3 para 4%.
Percentagem de minutos dos portugueses, por equipa (% da 1ª ou 2ª maior força):
Paços de Ferreira – 73.3% (15.4% Brasil)
Beira-Mar – 59.3% (11.7% Brasil)
Olhanense – 57.0% (17.3% Brasil)
Vit. Setúbal – 55.9% (25.8% Brasil)
Académica – 52.9% (29.0% Brasil)
Vit. Setúbal – 55.9% (25.8% Brasil)
Académica – 52.9% (29.0% Brasil)
Moreirense – 52.0% (35.9% Brasil)
Estoril – 51.1% (44.2% Brasil)
Sp. Braga – 50.4% (42.0% Brasil)
Estoril – 51.1% (44.2% Brasil)
Sp. Braga – 50.4% (42.0% Brasil)
Gil Vicente – 40.4% (52.1% Brasil)
Vit. Guimarães – 38.3% (32.9% Brasil)
Rio Ave – 33.4% (50.7% Brasil)
Marítimo – 32.8% (41.4% Brasil)
Rio Ave – 33.4% (50.7% Brasil)
Marítimo – 32.8% (41.4% Brasil)
Nacional – 29.8% (36.7% Brasil)
Sporting – 20.4% (24.0% Argentina)
Sporting – 20.4% (24.0% Argentina)
FC Porto – 16.2% (36.5% Brasil)
Benfica – 6.2% (26.0% Brasil)
Destaque positivo para Paços de Ferreira, Beira-Mar, Olhanense, Vit. Setúbal, Académica, Moreirense, Estoril e Sp. Braga, com utilização de portugueses acima dos 50%. O Gil Vicente dá 40.4% de utilização a portugueses, com tendência a melhor na 2ª metade da temporada, enquanto no Vit. Guimarães, Rio Ave e Nacional dão menos minutos aos jogadores portugueses, tendo em conta o número de portugueses no plantel (58.3 para 38.3 nos minhotos, embora a recuperar, 41.7 para 33.4 nos vilacondenses e 48.0 para 29.8 nos insulares). Marítimo, Sporting, FC Porto e Benfica, apresentam poucos portugueses nos plantéis e têm índices de utilização muito baixos. Os madeirenses utilizam os portugueses em 32.8% do tempo (evolução positiva), os leões voltaram a ultrapassar a barreira dos 20% de utilização de portugueses (também com tendência a melhorar), os dragões permaneceram nos 16% de utilização de portugueses, tal como o Benfica, com cerca de 6% de tempo de jogo para os jogadores nacionais.
Entre a 10ª e 15ª jornada, o destaque vai para o Marítimo e Vitória de Guimarães, com um aumento da utilização de portugueses de 7.1% e 5.2%, respectivamente. Das oito equipas com mais de 50% de utilização de portugueses, Estoril (1.8%), Académica (1.7%), Paços de Ferreira (1.3%), Beira-Mar (1.0%), Olhanense (0.7%) e Vit. Setúbal (0.6%) aumentaram a utilização de portugueses, enquanto Moreirense (-0.3%) e Sp. Braga (-1.9%) decresceram. Nacional (2.4%), Gil Vicente (1.2%), Sporting (0.5%) e FC Porto (0.1%) também deram mais minutos a portugueses, enquanto Rio Ave (-0.7%) e Benfica (-0.4%) fizeram o contrário.
Entretanto, o VM também andou a fazer contas à II Liga, neste caso, com o número de titulares utilizados pelas 22 equipas deste escalão (até à 23ª jornada). A % de portugueses titulares na II Liga é de 67.89, contra 15.15 de jogadores brasileiros e 11.18 de africanos (Cabo Verde com 3.8 e Guiné-Bissau com 1.9): Freamunde – 92.5% (portugueses titulares); Atlético – 86.6%; Leixões – 85.4%; Desp. Aves – 81.0%; Naval – 81.0%; Sp. Covilhã – 77.9%; Vit. Guimarães B – 74.3%; Oliveirense – 73.5%; Penafiel – 72.3%; Santa Clara – 69.6%; Sporting B – 69.2%; Tondela – 69.2%; Belenenses – 66.8%; Arouca – 64.8%; Portimonense – 64.8%; Benfica B – 63.6%; Feirense – 56.9%; Trofense – 56.1%; Porto B – 48.2%; Marítimo B – 48.2%; Sp. Braga B – 45.9%; U. Madeira – 45.1%
Os planteis da II Liga estão bem servidos de portugueses, daí esta utilização de 16 equipas acima dos 60% (Feirense e Trofense ainda ficam acima dos 50%). Destaque bem positivo para o Freamunde, apesar da péssima classificação, bem como para Atlético, Leixões, Desp. Aves e Naval (todos acima dos 80%). Entre as equipas B, destaque positivo para o Vit. Guimarães B, Sporting B e Benfica B (acima dos 60%), enquanto FC Porto B, Marítimo B e Sp. Braga B estão abaixo dos 50% de portugueses titulares. No fundo da utilização de portugueses no 11 inicial, encontra-se a União da Madeira, com 45%.
Como se explica tão pouca utilização de portugueses? Nacional, Marítimo, Sporting, FC Porto e, especialmente, Benfica não deveriam dar mais oportunidades a jogadores nacionais? Poderão as equipas B mudar este paradigma? Boa política por parte de Paços de Ferreira? Para a 2ª volta, a utilização de portugueses vai aumentar (Vit. Guimarães, Gil Vicente, Nacional e Marítimo parecem dispostos a tal)? Bons sinais na II Liga?
PS – David Silva (Olhanense), Brito (Gil Vicente) e Ricardo (Paços de Ferreira) representam Cabo Verde, contudo, contam como portugueses (nasceram e sempre viveram em Portugal), o mesmo se passando com Cícero (Paços de Ferreira), internacional pela Guiné-Bissau, e Luís Leal (Estoril), internacional por São Tomé e Princípe.
PS2 – Esta análise baseia-se nas partidas disputadas até à 15ª jornada do campeonato.



7 Comentários
CSMARITIMO
O jogador portugês para ir jogar para a Madeira pede o mesmo do que se fosse jogar no estrangeiro, tornando mais cara a contratação de portugueses (do continente) tanto por Marítimo como por nacional e União.
Este factor explica a baixa % de portugueses, especialmente no Marítimo e explica ainda que a maioria dos portugueses utilizados pelo Marítimo sejam naturais da Madeira.
Anónimo
Mas que grande trabalho! Força nisso, continuação desses excelente trabalho! saudadações, nt
Nuno Moura
a solução é simples: eliminar os jogadores brasileiros do nosso campeonato. Algo que pode acontecer naturalmente com a nossa crise e o crescimento do campeonato brasileiro.
benficasempre
Isso não é simples porque é um ato de completo racismo e traria graves prolemas para a liga portuguesa
benficasempre
Ridículas estas estatísticas. Como se faltassem jogadores portugueses lá fora, têm de implementar algumas regras de utilização de jogadores portugueses.
Diogo Ribeiro
Parabéns por mais um excelente artigo. Gostava que a comunicação social Portuguesa fizesse artigos deste calibre.
Jorge Prata
É com enorme orgulho que vejo que o meu Freamunde é o clube da II Liga com mais portugueses. E embora a má classificação, a recuperação já começou e tenho a certeza que a época findará com boas noticias para o Freamunde. Uma equipa com 22 jogadores portugueses em 25, sendo 14 da formação é obra, e é um processo pelo qual a maioria das equipas terá de passar para "sobreviver" face à actual situação económica do país e do mundo, tal como o VM tem vindo a referir. Pena é que uns tentem reduzir custos, apostar nos portugueses e na "prata da casa" de forma a cumprir os compromissos, e outros continuem a importar contentores de estrangeiros, vivendo acima das possibilidades sem nenhuma punição. Mas a longo prazo veremos quem "colherá mais frutos".
Uma boa continuação de trabalho,
Jorge Prata