No entanto, há factores que poderão pesar na decisão de manter, ou não, Jorge Jesus no comando dos destinos encarnados na próxima temporada. Desde logo a começar pelo discurso de Jesus. É impressão minha, ou Jesus e o Benfica deixaram de falar a mesma língua? Embora a reconhecida arrogância continue lá, o tom cativante e popular que arrastou uma legião de adeptos a época passada tem vindo a desvanecer-se. Estará Jesus cansado da instituição? Sentirá que o trabalho está feito e almeja vôos mais altos? Todas estas perguntam podem ter uma resposta afirmativa, mas é preciso não esquecer que, durante semanas, foi Jesus quem manteve a vela da esperança acesa para os lados da Luz. Ontem esfumou-se, e será a quota parte da responsabilidade de Jesus nesse acontecimento que terá que ser medida e analisada no fim. Segundo factor: é a forma de ser, de sentir, de reagir de Jesus. O Benfica que não espere que essa atitude mude. Falo, como é óbvio, da forma exagerada (por vezes violenta), como Jesus lida com a pressão no final de alguns jogos. As agressões a jogadores foram-se sucedendo ao longo da temporada, e certamente que até aqui passaram impunes pela grandiosidade e peso que um clube como o Benfica tem. Mas, quererá o Benfica continuar ligado a este tipo de comportamento de um homem que é, basicamente, umas das caras da sua instituição? Quererá o Benfica ser sinónimo de violência, falta de respeito, de consideração pelo outro? Porque é essa a imagem que Jesus muitas vezes passa: a da lei da bala, e a que se faz valer é a que é disparada pela arma do técnico das águias.
Por último, as competições que ainda podem valer títulos ao Benfica. Imagine-se um cenário onde o clube encarnado não chega, pelo menos, à final da Liga Europa. Junte-se-lhe a ausência, suponhamos, da final da Taça de Portugal. Será a presumível vitória na Taça da Liga suficiente para atar o futuro de Jesus ao Benfica durante mais tempo? Eu, como todos os amantes deste desporto, apenas posso fazer suposições e tentar adivinhar que números irão sair dos dados lançados pelo destino. No entanto, todos conhecemos a forma cíclica em que se baseiam os príncipios do sucesso desportivo e, por isso mesmo, a resposta, como o povo diz, está na cara.


