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Treinador vs. Manager

Será altura de os clubes europeus repensarem a sua estratégia? Mourinho como manager tem dado lições no Chelsea como se deve abordar o mercado, mas Ancelotti é apenas treinador no Real Madrid, um dos clubes mais ricos do Mundo.

É sobejamente conhecido que no futebol do Reino Unido, reina o manager. Mourinho, Ferguson (agora Van Gaal) e Wenger são expoentes máximos de um sistema antigo que muitos frutos tem dado nas ilhas. Contudo, hoje em dia, os britânicos começam a absorver as estratégias desenvolvidas na Europa e, com isso, o sistema sistema “continental”: treinador (head coach) — director desportivo/de futebol.

Antes de mais, urge estabelecer as diferenças. De forma resumida, um treinador apenas lida com a equipa: treina, selecciona, modela, motiva, dirige… Basicamente, o papel de treinador a que estamos habituados a ver aqui na Europa. O manager, além das funções do treinador, está encarregue de encontrar jogadores, vender, comprar e emprestar, além de um número de tarefas até certo ponto empresariais. No que toca à aquisição de activos, o treinador pede um jogador dentro de determinados requisitos e é-lhe dada pelo director desportivo uma lista de nomes entre os quais tem de escolher (no caso de uma equipa como o Sunderland, dizia-me um amigo em jeito de brincadeira, é sempre o último da lista porque o clube não quer gastar um penny que seja). Já o manager faz o seu próprio scouting e escolhe ele os jogadores dentro das finanças do clube. Note-se que não há treinador principal e manager na mesma equipa, os papéis não são compatíveis.
O manager não trabalha sozinho. Hoje em dia, é impossível um homem só conseguir abarcar todas as funções, pelo que há usualmente toda uma equipa em vigor. Veja-se o caso de Brian Clough, que treinou clubes como o Derby County e o Nottingham Forest (esqueçamos a curta passagem pelo Leeds United). Peter Taylor, o seu assistente, era um elo precioso do sucesso do melhor manager que a Inglaterra nunca teve, encontrando jogadores, ajudando a contratá-los e emprestando valiosos conselhos. Tanto assim era, que a partir do momento em que os dois se separaram, em 1982, Clough nunca mais foi o mesmo. Num caso mais recente, veja-se quão importante Sir Alex Ferguson considerava Carlos Queiroz para o seu trabalho no United; ou Harry Redknapp, de quem se diz nem sequer participar nos treinos da equipa, delegando essa tarefa nos seus assistentes.
Quanto ao sistema continental, temos o caso de Pocchettino no Tottenham, Poyet e previamente Di Canio em Sunderland ou antigamente Alan Irvine no West Bromwich Albion. Esta é uma estrutura que tem causado alguma confusão e constata-se facilmente que treinadores não-britânicos (especialmente os europeus) adaptam-se melhor às funções. A explicação poderá estar no facto de ainda não se entender plenamente o sistema em terras de Sua Majestade (como funciona? até que ponto o director desportivo detém poder sobre o treinador e vice-versa?), pelo que alguém com conhecimento prévio (i.e. os europeus) permite um melhor funcionamento do método. Veja-se que o WBA, usando um treinador britânico, foi criticado por adoptar o modelo que muitos classificaram como defeituoso, mas o problema foi antes a má aplicação do mesmo o uso das pessoas erradas: Irvine não estava preparado para trabalhar dentro deste sistema.
Poderão argumentar que um dos melhores treinadores britânicos de sempre, Bobby Robson, trabalhava com mestria no sistema continental. Contudo, há aí um factor-chave: a sua larga experiência europeia. Mas mesmo na Europa há casos de mau funcionamento: veja-se a disputa entre Koeman (treinador) e Van Gaal (director desportivo) no Ajax, culminando na saída do agora manager do United. E quem lidera: o director desportivo ou o treinador? No caso do Porto, Antero Henriques tem indubitavelmente mais poder que os treinadores que tem passado pelos azuis e brancos, mas será Jorge Jesus subordinado de Rui Costa/Carraça? De facto, JJ é o que mais se assemelha a um manager em Portugal e veja-se o sucesso recente que os benfiquistas têm tido a nível nacional.

E isto leva-nos à questão: o treinador luso está cada vez mais cotado a nível internacional, mas continua sem poderes em Portugal. Curiosamente, aquele que goza de maior liberdade é lider do actual campeão nacional. Não faria sentido, então, considerar introduzir o modelo britânico no futebol português?

Visão da Leitora (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Inês Sampaio

0 Comentários

  • Anónimo
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 8:06 pm

    Acho graça as pessoas gabarem o 'mestre da táctica' por causa de Coentrões e companhia. Ai e tal ele é que potencia como ninguém, entre outros chavões. A minha pergunta é… e o resto? Os flops que vieram pela mão dele para o clube? Porque não os potenciou? Patric, Shaffer, César Peixoto, Airton, Felipe Menezes, Weldon, Éder Luis, Keirrison, Alan Kardec, Roberto, Carole, Fábio Faria, José Luís Fernández, Jara, Wass, Kanu, Emerson, Capdevila, Bruno César, Nuno Coelho, Élvis, Melgarejo, Rodrigo Mora, Yannick Djaló, Luisinho, Ola John, Hugo Vieira, Michel, Bruno Cortês, Fariña, Fejsa, Djuricic, Irmão de Markovic, Sulejmani, Funes Mori, Djavan, Candeias, Luís Felipe, Bebé, Derley, Eliseu e mais de uma centena que agora não me recordo. Acham mesmo o Senhor 4 Milhões competente? Pensem outra vez.

    P.Ribeiro

    • Anónimo
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 10:04 pm

      Desses todos so retirava o Bruno Cesar que ate o proprio ja disse que foi o LFV que o vendeu. Para mim, é um excelente jogador.

      Nuno

  • Ricardo Ricard
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 4:06 pm

    Sobre Jesus apenas vou dizer uma coisa…Quantos jogadores é que vieram por causa dele? Alguém acredita que foi Jorge Jesus que pediu Markovic,Ramires ou Enzo Perez,por exemplo? Já nem estou a falar da velha treta de o homem potenciar jogadores,da eterna mentira que transforma água em vinho. Foi como o Talisca,alguém acredita que o Jesus acompanhava a carreira do Brasileiro?

    • Anónimo
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 7:42 pm

      Por fim leio um benfiquista consciente e conhecedor.Pk isto do Jesus fazer maravilhas já chateia ele que faça milagres com o Bebe,Djalo,Derlei,Patric,Eliseu etc fez mtos milagres com os Felipes Meneses,Airtons,Eder Luizes,Cortezes,Micheles,Chuta Chuta e mais uns matraquilhos que ele escolheu e torrou milhões,faz como todos os treinadores uns dão outros não agora ele acerta num em 10 é logo um génio.Maior parte de todos que sairam por milhões eram internacionais A antes de chegarem ao Benfica é pk tinham qualidade.Agora comparar outros tempos onde nem dinheiro havia pa pagar a luz aí não há milagres nem Mourinhos,Guardiolas,Sachis,Happels,Michels nenhum fazia nada.

      Filipe Ribeiro

    • Ricardo Ricard
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 6:31 pm

      O que jogava Di Maria? Di Maria chegou a Portugal depois de ser campeão do mundo e ter sido considerado o melhor jogador do mundial! Chegou a um país completamente diferente do dele,tinha 20 anos e estava num estado físico muito mau,numa equipa que ficava sem treinador na primeira jornada! Querias milagres?
      O Luisão quando o Jesus chegou,já tinha algumas 40 internacionalizações pelo Brasil assim como o Maxi umas dezenas! Por amor de Deus…

      Que tem o Pizzi? Fez um bom jogo no Domingo contra um "Setúbal" e já é candidato a bola de ouro?

      O Benfica compra por 6 milhões jogadores com um potencial enorme,dinheiro que antigamente não havia! Com fundos que antigamente não haviam! E quando milhões não deram em nada? Quantas apostas de Jesus que não deram em nada? Onde anda o Djaló que ia ser bola de Ouro? E os defesas esquerdos? O Matic era tão bom e só jogou porque não havia mais ninguém! Mas foi ele que o descobriu,isto depois de já ter estado no Chelsea,coisa pouca. Jorge Jesus só é dos melhores do mundo numa coisa: A ganhar dinheiro! Tanto em ordenados como em comissões de jogadores medíocres que o Benfica todos os anos contrata,mas isso não interessa para nada.

    • Rúben Cardoso
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 6:13 pm

      Todos os outros eram já jogadores com relativa reputação, com qualidades bem vincadas, que cresceram dado o contecto competitivo em que se inseriram.

    • João Lucas
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 5:49 pm

      Ricard,

      O JJ pos o David a DE dois jogos, na época antes dele fez o ano todo nessa posição… Convinha n inventar argumentos.

    • João Lucas
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 5:44 pm

      Epá assim nem vale a pena discutir…

      Eu lembro-me do que jogava o Di Maria antes do JJ, mesmo Luisão e Maxi são muito melhores jogadores por terem noções táticas que nunca tiveram antes. Markovic tb melhorou, etc.

      Já nem falo no Pizzi… Ou tb vão dizer que ele era 8?

      Vocês dizem que ele n valoriza ninguém… Como é que o benfica compra por 6 e vende por 20? Magia?

      A trabalhar jogadores, em termos de posicionamento defensivo o JJ é dos melhores do mundo. Perdeu campeonatos para um Porto em que o James era suplente, e perdeu 2 para o VP (tb um grande treinador) em que pelo menos o último foi ganho num lance que podia ter acontecido a qq um.

      As pessoas acham que os treinadores ganham jogos e títulos mas esquecem-se que os jogadores ainda jogam.

    • Filipe M
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 5:33 pm

      Exacto, Rúben. Os outros foi potenciação a brincar (tal a facilidade com que ele o faz).

    • Ricardo Ricard
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 5:28 pm

      O David Luiz já estava a crescer imenso,já era internacional sub-20 pelo Brasil inclusive. O Jesus ainda tentou fazer dele defesa esquerdo no Dragão,deu no que deu para variar…

    • Rúben Cardoso
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 5:11 pm

      Esses 3 são mesmo os únicos casos de potenciação séria, da parte de Jorge Jesus.

    • Ricardo Ricard
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 5:02 pm

      Já o disse várias vezes,o único mérito de Jorge Jesus na treta de potenciar jogadores chama-se Fabio Coentrão,tudo o resto eram jogadores já com enorme potencial,alguns estavam nas listas das maiores esperanças do futebol mundial e vários já eram internacionais. Até com o Zé da Esquina evoluíam,faz parte do crescimento dos jogadores,isso não é potenciar. O Messi e o Ronaldo são os melhores jogadores do mundo nos últimos anos,será que só assim foi porque tiveram treinadores que os potenciaram?

    • Filipe M
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 4:57 pm

      Estás a perder tempo, João. Não vale a pena. Eu acho que ele nem faz por mal, não é embirração pessoal, nem nada disso. Sinceramente, quem diz o que diz de Jorge Jesus é porque percebe pouco ou nada do assunto. Chama-se ignorância. O Ricard não faz por mal.

    • João Lucas
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 4:17 pm

      Toda a gente sabe que o JJ vê os jogos do Brasileirão e da Argentina.

      Claro que ele não recomenda os jogadores todos e se calhar a maior parte vem dos olheiros.

      Treta potenciar jogadores? Conheces Coentrão, Matic ou David Luiz? Não evoluíram com JJ?

  • Awesome_Mark
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 3:19 pm

    Excelente artigo e tema pertinente

    Para treinadores não poderem escolher os seus jogadores é das maiores estupidezes do futebol, pois eles, ao serem contratados é para tomarem conta da equipa pelo que a seleção pessoal dos membros dessa equipa é primordial. Além do mais ele tem uma filisofia de jogo e mais do que ninguém sabe quais opções melhor se adaptariam à mesma.

  • Rui Cardoso
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 3:00 pm

    É por isto que o Jesus recebe 4 milhões de euros todos os anos. O Benfica gira em torno de Jesus e depende dele para sobreviver. O mister chegou tarde a um grande e não tem a ambição que caracteriza o treinador português do século XXI de vingar no estrangeiro. Portanto o que eu espero é que ele continue no Benfica até ao final da sua carreira. O Jesus está para o Benfica como um pé para uma cadeira e se por acaso o clube prescindir dos seus serviços, duvido que a estrutura aguente.

    • Anónimo
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 6:34 pm

      Só "ses", se o Benfica for contratar um treinador de qualidade e der liberdade que dá ao JJ, pode muito bem fazer melhor ou igual que ele.
      Muito gostam de criar mitos, mas desde quando é que o Benfica precisa do JJ para vencer?

      Pedro Cunha

    • Rui Cardoso
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 4:09 pm

      Esquece a palavra estrutura. Vou ser ainda mais directo, se o Benfica libertar o Jesus, terá muitas dificuldades para lutar sistematicamente pelo título como tem acontecido desde a sua chegada.

      Imagina que te debruças sobre as grades de uma varanda. Ficas agarrado apenas com uma das mãos à grade. Preferes esperar que alguém chegue para te ajudar ou preferes tentar segurar-te com as duas mãos, mas ainda assim correres o risco de perderes o único apoio que te segura?

    • Anónimo
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 3:37 pm

      Rui e o que é isso da Estrutura? Muita gente manda o seu bitaite, mas não sabem nada do que se passa lá dentro. Estrutura, Estrutura sabemos lá nós alguma coisa lol
      O Carraça já não está no Benfica e mesmo assim quando lá andou não era DD, o Rui Costa sim já foi mas parece que agr tá no Scouting e acompanha de perto a equipa, devido ao seu estatuto e acho bem (penso eu). Lá está é a "Estrutura".

      Pedro Cunha

    • Filipe M
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 3:19 pm

      Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Sou um acérrimo defensor de Jesus e espero também que fique no Benfica até final da carreira. É um treinador que só após sair do Benfica (se tal se suceder) é que muitos adeptos lhe vão dar o real valor. Mas o cenário levantado por ti é erradamente alarmante e não corresponde de todo à verdade. Quando Jesus sair do Benfica (seja por acordo ou por reforma) é óbvio que a estrutura aguenta, não tenhas dúvidas. Poderá e deverá ressentir-se, como é natural, não estivéssemos perante um dos treinadores com mais tempo de clube, mas o Benfica já viu sair Ericksson, Gloria, Gutman ou outros técnicos marcantes na história encarnada. Já perdeu Eusébio, Coluna, Simões, Rui Costa ou mais recentemente Matic, Garay ou Enzo e continuou o seu caminho. Já viu sair um Presidente como Fernando Martins, por exemplo, e irá ver sair Luis Filipe Vieira. Os presidentes, treinadores e jogadores passam mas o Sport Lisboa e Benfica fica.

  • Nuno R
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:51 pm

    Em Inglaterra o treinador tem mais poder, mas também dura mais tempo.
    Que sentido faz um treinador montar uma equipa à sua imagem, e ser despedido ao fim de um mês?
    Continuo a preferir o sistema continental, sendo que o treinador deve ser consultado no processo negocial. O treinador, basicamente, faz uma lista do que precisa, em termos conceptuais, e o manager vai ao mercado, sendo que no final, a aquisição deve ser avalizada pelo treinador.
    No caso do Marco Silva, ele não parece ser tido nem achado na política de mercado.
    O Jesus, tenho dúvidas. Não acho que o Benito ou agora este Jonathan tenham vindo a seu pedido. Também os há que vieram a pedido expresso do treinador (já os conheceria?), mas penso que no caso do Benfica o conceito seja aquele que referi acima; o Jesus diz o que quer (posição, idade, características), e o Vieira e o Mend… hmm… Rui Costa, vão ao mercado.

  • João Lucas
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:48 pm

    É como tudo, mais que os cargos interessam as pessoas.

    Se fores competente como era o Fergusson ou como foi o Wenger no passado é bom teres mais poder porque tomas melhores decisões que os outros. Se fores só bom treinador mas falhares muito na avaliação de jogadores a contratar mais vale não teres poder nenhum no mercado.

    E o JJ não é manager como são Wenger ou era o Fergusson por uma simples razão. Ele tem poder nas compras mas não tem nas vendas como tinham estes dois… Ou seja o JJ não pode manter um jogador se quiser, mediante boas propostas, como fez Fergusson com Ronaldo em 2008 ou Wenger com Fabregas um ou 2 anos.

    Quanto ao JJ está a melhorar nas contratações. Este ano Jonas, Júlio Cèsar foram excelentes apostas, Cristante, César e Talisca tem potencial inegável, Pizzi é excelente jogador e Lisandro tb tem as suas qualidades (estes vieram de outros mercados mas só começaram a jogar no clube este ano). Derley, Eliseu e Bebé (o guito dos 3 dava para comprar um bom jogador) foram más compras e se foi ele que viu o Luis Filipe então estava perdido de bêbado quando achou que ele era jogador de futebol. O Samaris não vale o que custou mas tb é um jogador competente.

    Já o ano passado também se acertou na maioria das compras como Markovic, Fejsa, Sílvio e Siqueira. Djuricic quanto a mim falhou por coisas que não dariam para ver pois qualidade ele tem.

    Ou seja o JJ acerta e falha como todos. Mourinho, Guardiola, Fergusson tb têm vários exemplos de flops. O que interessa é acertar mais que falhar e aí o JJ (se ele tem o poder que se diz nas compras) acerta muito mais que o que era costume no SLB portanto acho que tem o poder porque o merece.

    O Veiga por exemplo era um especialista de mercado e fez muito mais porcaria (apesar de Di Maria e David Luiz). Tudo bem que não havia tanto dinheiro mas tb esse dinheiro só existe porque em 2010 o JJ começou a valorizar jogadores, porque não se esqueçam que agora todos os anos o Benfica faz 30, 40 ou mais entre vendas e compras portanto tendo investimentos negativos, naquela altura comprava-se mais que o que se vendia.

  • diogoribeiro
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:24 pm

    Bom artigo e interessante mas acho que cada vez mais se utiliza um modelo entre os dois, ou seja, o treinador apenas indica o tipo de jogador que quer e o treinador e diretor desportivo identificam vários jogadores que lhes interessam e procede-se depois para as negociações. Veja-se o exemplo do Chelsea, que tem sido o melhor clube no mercado de transferências no últimos dois anos. Tem o Mourinho mas também tem o Emenalo e eles juntos é que têm feito as decisões.

  • Schmeichel
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:20 pm

    De facto o Jorge Jesus é o exemplo mais próximo de um manager que temos em Portugal, mas isso não surge dissociado do longo tempo de permanência no mesmo clube.
    Creio que com os orçamentos bastante limitados – e que têm de ser geridos com uma margem mínima de erro nas contratações – tem de haver uma garantia de continuidade no projecto (não se pode vender e comprar dezenas de jogadores ano após ano) e é aí que se coloca o director desportivo, uma vez que na ausência de resultados será o treinador o mais exposto e pode assim assegurar-se uma certa continuidade na política desportiva. Não há margem para revoluções contínuas.
    Na perspectiva de manter um treinador longos anos (e logo, à partida uma filosofia de jogo e um perfil de jogador coerentes) faz todo o sentido o papel de manager, mas resta saber se os nossos clubes encontram esse perfil de técnico (que dê garantias e queira abraçar um projecto a mais longo prazo) e se estão dispostos a correr o risco dessa aposta.

    • Schmeichel
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 4:51 pm

      Não tinha a ideia de ser o Rui Vitória a escolher os jogadores, principalmente os que transitam pela equipa B, mas admito que tenho falta de conhecimento para ter uma opinião avalizada.
      Independentemente disso, tem um ponto em comum com o JJ e vai de encontro ao que eu disse: já vai na 4ª época à frente do Vitória SC (em 2011/12 sucedeu ao Prof Manuel Machado) e tem este poder e protagoniza um projecto de longo prazo porque conquistou bastante crédito junto da direcção do clube.

    • Lucas Ferreira
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:42 pm

      Não. O exemplo mais próximo é o de Rui Vitória no Vitória SC. É por isso que muitos dos reforços deste ano do VSC tiveram sucesso: foram escolhas do treinador/manager. Mas por exemplo, o Dória, no Marseille não foi escolha do Bielsa e está-se a ver o resultado.

  • Anónimo
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:18 pm

    Neste momento o mais próximo ao sistema da Premier League será no Guimarães. Em que o Rui Vitória assumiu vários papeis na gestão da equipa para além do papel convencional de treinador. Os resultados são evidentes.
    Falando mais concretamente na aplicação deste sistema em Portugal, parece me claro que traria uma melhoria significativa no aumento do chamado "Espectáculo Desportivo", que la no fundo seria uma melhoria da qualidade de jogo. Enquanto houver engenheiros, doutores, empresários, trolhas ou pasteleiros a selecionar e formar equipas e não treinadores, treinadores estes, que vão ser aqueles que vão trabalhar com os jogadores, o "Espectáculo" irá continuar em zonas negativas.
    Dando dois exemplos muito rápidos e actuais, uma equipa que participa no CNS que acompanho regularmente, o único jogador que conseguiu dar dinheiro ao clube através de transferência para um divisão superior, foi precisamente o único jogador que foi selecionado e contratado pelos treinadores. O segundo exemplo, a Académica, que tem jogadores com qualidades muito abaixo da exigência de uma primeira liga, e arrisco até a dizer, de uma segunda liga, vê se neste momento sem treinador, que naturalmente é o elo mais fraco, independentemente das suas qualidades, estaria condenado desde o inicio ao insucesso. Agora a questão é saber quem seleciona e contrata, época a época, um constante batalhão de jogadores de qualidade muito suspeita. Se bem me recordo, as melhores épocas da Académica ainda foram quando tiveram jogadores emprestados dos três grandes.
    Agora o tal sistema britânico, adaptado à realidade dos tostoes portugueses e nao dos milhoes das ilhas, viria a suprimir estas debilidades, mas naturalmente também iria afastar os empresários e retirar mediatismo e diminuir os egos dos dirigentes desportivos, seja na primeira divisão ou na distrital.
    É uma questão que começa a ser cada vez mais pertinente em Portugal, e quem tiver uma melhor capacidade de adaptação e não tiver medo de delegar tarefas a quem as deve ter, vai ter mais sucesso, olhem só o Guimarães.

  • Karabatic13
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:05 pm

    Vejam o caso de Lopetegui: foi ele que trouxe vários jogadores:Oliver,Tello,Brahimi,Casemiro,Marcano,Andrés.
    Nenhum deles cá estaria sem a cunha de Lopetegui. E não é manager.
    Entre o preto e o branco existe muito cinzento.

    • André Vieira
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 3:40 pm

      Brahimi já era seguido pelo FC Porto desde os tempos do Rennes.
      Quanto aos outros, falo de Oliver, Adrian López, Tello, Marcano, José Angel, Andrés, Campana, parece-me óbvio que a vinda deles para o Porto teve mão de Lopetegui.
      Casemiro acho que foi imposto pela SAD, quem Lopetegui queria mesmo era Ilarramendi, mas como não foi possível teve de aceitar o Casemiro.

    • João Lucas
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:53 pm

      Oliver, Tello e Casemiro até acredito, Brahimi jogava no Granada e não se falou no Verão em clubes maiores que o Porto. Aliás ele nem o Lopetegui devia conhecer. Ele simplesmente aceitou o clube mais apetecível para ele e onde teria mais hipóteses de dar o salto.

      O Porto como qualquer clube devia saber quem era o Brahimi, para isso têm olheiros em todo o lado. Se até eu o conhecia e sempre me pareceu bom jogador, Porto e Benfica deviam ter carradas de relatórios dele.

    • Samuel
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:39 pm

      O problema é que Marco Silva não tem liberdade nenhuma, e têm um Presidente que quer tanto pelo clube que acaba por se intrometer no trabalho dos outros, aqui refiro-me ao BDC querer ser ele a construir as equipas, e o Sporting tem perdido muito devido a isso, o BDC poderá ser dos melhores dirigentes do Sporting, mas isto será no dia em que irá perceber a real função dele e delegar a quem de direito o respectivo trabalho de encontrar soluções válidas para o plantel, deixando ao treinador uma parte ativa no mesmo. O BDC é um ONE-MAN-SHOW, o dia em que perceber que é um por todos, todos por um aquilo vai funcionar muito melhor.

      Em Portugal esta noção de Manager é pouco ususal, penso que só o Benfica poderá ter uma estrutura parecida, se bem que o JJ tem o dedo nas contratações e isto é inegável, mas tambem já se viu mais do que uma vez que ele não tem poder nenhum no que se trata à venda de ativos no Benfica, só sabe das vendas quando acontecem e lá tem o JJ que repensar o seu futebol e por lá outro que preencha o perfil daquele que tem saído. Se o JJ tivesse o mesmo poder nas vendas como tem nas contratações o Benfica estaria muito mais forte disso não tenho duvidas, o problema em Portugal é que esse Manager não é possivel, porque os clubes precisam sempre de vender daí o treinador não ter capacidade para segurar as estrelas porque o dinheiro fala sempre mais alto. Em inglaterra há essa liberdade porque existe muito dinheiro no futebol, todos têm capacidade para construir planteis muito competitivos com jogadores feitos.

    • JOAO.p
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:19 pm

      50 Shades of Grey

      Eu acho q n é liniar mas acaba por haver uma certa destinção. O Jesus é mais manager q os outros todos.

      E um dos problemas com a atual direção do Sporting é q se mete demasiado no trabalho do marco silva

  • Sombras
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 2:02 pm

    Perspectiva interessante.

    Para mim o sistema que mais sentido faz é o sistema de manager como em Inglaterra e um pouco à semelhança do que em Portugal se faz no Benfica e esta época no Porto. É o treinador que implementa o modelo, a táctica e a dinâmica, e como tal deve ser sempre a sua palavra a última (e a primeira) sobre que tipo de jogador pretende e para que papel o pretende. Mas neste modelo existe uma grande importância nas valias e capacidades de observação do treinador assim como em todo o seu staff: quer os adjuntos mais responsáveis pelo treino, quer o staff administrativo que fica responsável por realizar as aquisições desejadas, colocar excedentários, negociar renovações, etc. e por último no departamento de scouting que é responsável por identificar e qualificar o maior número possível de jogadores, principalmente nos clubes fora das principais ligas europeias onde o dinheiro não é assim tão abundante.

    Já o modelo treinador que mete a jogar o que lhe disponibilizam, como é muito característico do campeonato português, e com o insucesso relativo que se vê (o Sporting parece-me um caso bastante relevante nos últimos anos) parece-me claramente mais complicado, expõe em demasia o treinador, que muitas vezes tem que fazer omeletes sem ovos, significando que muitas vezes tem que ser um autêntico milagreiro para poder manter o seu lugar (em portugal ninguém vai "despedir" o presidente ou o director) e que resulta em grande parte em camiões de contratações falhadas, e em insucesso financeiro e desportivo.

    • tomascapucho
      Posted Fevereiro 16, 2015 at 4:30 pm

      Referiste bem o Sporting. Ve se claramente naquele clube que MS é apenas treinador, n consegui ainda perceber é quanto managers existem…1 ou 2? Ahaha, adiante, em Portugal para um treinador ter o estatuto de manager precisa de ganhar moral/títulos no clube para lhe darem essa liberdade ou terá de ser um treinador com um bom currículo. Eu preferia que fosse implementado o modelo inglês. Por exemplo, se marco silva escolhesse e planeasse o plantel como bem quisesse provavelmente o Scp não tinha os excedentarios que tem, teria um melhor aproveitamento da formação (a partida), não desvalorizavam ativos etc mas claro que também tem os seus contras, como o acréscimo de responsabilidade por parte do manager (e vêem se bem as críticas a JJ). É apenas a minha visão…

  • Don Corleone
    Posted Fevereiro 16, 2015 at 1:59 pm

    Bem, vivendo em Inglaterra devo dizer que a Inês acertou em cheio neste artigo! Só ficou a faltar a tipica "pop-culture refrence" como ao Community (dos meus textos favoritos que alguma vez li no VM) ou mais recentemente o "Scott Pilgrim vs the world".
    De qualquer maneira exelente trabalho!!

    Em relação ao contiudo, os "managers" são mais arrogantes que os treinadores normais mas tambem têm menos desulpa quando as coisas correm mal. Pessoalmente creio que é mais facil ter sucesso quando é só uma pessoa ao leme da equipa, pois evita-se contradições na filosofia de jogo e contratações desnecessárias (em Portugal então são demasiados os jogadores contratados que depois não contam para o treindador). Por isso quereio que um "manager" acava por ser preferivel a um treinador, e tambem é mais facil de mudar quando as coisas correm mal (é só um homem, em vez de uma equipa tática inteira).

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