O que podia ser o regresso de Adesanya marcou a confirmação daquilo que todos sabiam e optavam por ignorar: as agora 4 derrotas em 5 combates significam que o fim do “Last Stylebender” era já evidente.
Foi na Arábia Saudita que decorreu o UFC Fight Night: Adesanya vs. Imavov, com um card que muitos consideravam ter a qualidade de um pay per view. Vários eram os motivos que chamavam à atenção para este evento, nomeadamente o regresso do ex-campeão da categoria middleweight, assim como a estrela em ascensão, Shara “Bullet” Magomedov.
Israel Adesanya não lutava num Fight Night desde 2018, o que diz bem da incrível jornada que teve ao longo dos anos. Vinha de duas derrotas seguidas, uma contra Sean Strickland, contra quem perdeu o título recém reconquistado, e outra contra Dricus Du Plessis, actual campeão da divisão que submeteu Izzy com um mata-leão no quarto round.
Para o ex-campeão de 35 anos que teve cinco defesas bem-sucedida do cinturão, o evento ocorrido ontem poderia ter significado o regresso às vitórias e um virar de página, não tivesse apanhado pela frente o francês Nassourdine Imavov, quinto posicionado no ranking dos middleweight, que vinha de três vitórias seguidas e um no contest, e que contava com um cartel de 15-4, 6 vitórias por k.o e 4 por submissão.
O francês, conhecido por “The Sniper” vinha como o underdog por ser um nome com menos peso, mas o estilo ortodoxo, o boxe agressivo, os socos pesados e a capacidade de entrar em curta distância podiam colocar problemas a Adesanya. Bastava ver o combate de Imavov contra Joaquin Buckley para perceber que o francês não foge a uma boa guerra dentro do octógono. Izzy sabia da ameaça que o seu oponente representava e levou a lição bem estudada.
No primeiro round viu-se em Adesanya aquilo que Dana White também viu: «Ele estava fantástico». Aproveitando a diferença existente no reach, o “The Last Stylebender”, com jabs constantes com a mão esquerda, procurou manter a distância. A sua esquerda encontrava-se solta, mais baixa, com o braço a tapar as costelas de forma a ir picando constantemente. A mão direita estava junta à cara de forma a salvaguardar qualquer contra-ataque de Imavov. Os low kicks serviram também para compor a táctica para a abordagem em prática. Adesanya ainda conseguiu evitar takedowns e procurou duas projecções de forma a aproveitar o peso que o francês metia nos seus avanços.
Estava tudo controlado até a um momento que pode ter quebrado a confiança de cristal do ex-campeão. Faltando pouco mais de um minuto para o fim do primeiro round, Nassourdine Imavov pôs Israel Adesanya em sentido com um excelente uppercut que sem grande dificuldade furou a sua defesa.Adesanya ainda responde com um hook de esquerda, o que obrigou o francês, que estar pronto para dar seguimento a uma combinação, a recuar. Neste momento ficou clara a diferença entre os dois lutadores: Izzy estava a ter um primeiro round de estudo e Imavov estava à procura de uma única brecha para arrumar o embate.
O segundo round deixou este cenário evidente, tanto que só houve espaço para mais 30 segundos de combate, não havendo grande história. Imavov, sem querer acertou com um dedo no olho de Adesanya, este último não quis ter direito ao período de recuperação a que tinha direito, relembrando o seu rival Alex Pereira contra Jamahal Hill, e o francês, ao jeito do boxe, lança um jab de esquerda que abriu a guarda do Izzy, desferindo de seguida um hook de direita com todo o peso do seu corpo e acertando em cheio no adversário. Adesanya caiu de imediato contra a rede e Imavov não hesitou em arrumar o assunto.
Desta forma, Nassourdine Imavov alcançou a maior vitória da sua carreira e condenou Izzy à sua terceira derrota consecutiva, a quarta em cinco combates, confirmando o declínio evidente. Imavov, a nível de ranking da divisão ainda tem à sua frente Robert Whittaker, Khamzat Chimaev e Sean Strickland, este último agendado contra o campeão em título, Dricus du Plessis, para a próxima semana, dia 9 de Fevereiro, no UFC 312.
No co-main event da noite, Shara “Bullet” Magomedov vs. Michael “Venom” Page, talvez se tenha confirmado que havia uma promoção desmedida face ao russo que apresentava fragilidades que eram camufladas por uma excelente capacidade de finalização e um estilo pouco ortodoxo.
O “MVP”, inglês com um excelente passado na extinta Bellator, levou a melhor, por decisão, contra Shara “Bullet” que até ao momento tinha um registo imaculado de 15 vitórias, sendo que 12 eram por KO. O lutador russo do Daguestão tinha pela frente o seu maior desafio, um lutador que não tem um estilo ortodoxo e na chamada “trocação” viu Page a impor a sua experiência, velocidade e à vontade a combater.
Se o primeiro round, sem muita história, dava uma ligeira vantagem ao “MVP”, o segundo round confirmou a vantagem, e o terceiro obrigou-o simplesmente a manter a distância contra Shara, que procurou correr atrás do prejuízo, partiu para a troca de golpes, conseguiu desferir alguns, mas um esforço que se revelou insuficiente. Michael Page venceu Shara Magomedov por decisão unânime dos juízes.
Para a UFC, a luta da noite pertenceu a Vinicius “Lok Dog” Oliveira vs. Said Nurmagomedov com o brasileiro a levar a melhor sobre o russo. Esta luta dos bantamweight ditou a terceira vitória consecutiva para o “Lok Dog” que vinha de lesão, após fraturar uma costela há poucos meses. Depois de perder o primeiro round para o russo, e ter ganho o segundo, no terceiro, Vinicius Oliveira viu Nurmagomedov ficar sem energia e ganhou o round.
Ao longo do mês de Fevereiro, destaque, como já foi referido, para o UFC 312 que irá opor o campeão Dricus Du Plessis contra Sean Strickland, dia 9 em Sydney, e para o UFC Fight Night: Cejudo vs. Song, com o primeiro a tentar voltar às vitórias depois de ter perdido com Aljamain Sterling o combate pelo cinturão dos bantamweight e ter perdido contra Merab Dvalishvili, actual campeão dessa mesma divisão.
António Azevedo


5 Comentários
Citizen_Erased
Excelente review. Já tinha pensado escrever alguma coisa aqui sobre MMA, mas não acho que consiga desta forma.
Quanto à luta principal, concordo com o que dizes, mas também partilho uma opinião generalizada sobre o Adesanya – acho que depois do KO contra o Poatan ele desconprimiu, tirou aquele peso todo de cima e fez um “check” mental. Verdade seja dita já tem 35 e neste desporto muito raramente (sem ir aos pesos maiores) alguém acima dessa idade se mantém consistente.
MVP contra Shara foi uma péssima jogada do UFC; penso que queriam construir uma estrela árabe, saiu-lhes o tiro pela culatra.
Além das 3 lutas que mencionaste também gostei bastante de Ziam vs Davis – é uma pena que o Davis lute tão pouco (uma vez por ano); e também do KO do futuro campeão Gaziev – detentor de um corpo escultural que todo o homem com mais de 30 anos deve sonhar.
TF
Bom ponto de vista em relação à consistência dos fighters com mais de 36 anos, principalmente nas divisões mais leves (170 para baixo), lutadores mais novos quando lutam contra alguém campeão na sua categoria e que tenha 36 anos ou mais, perdem quase sempre. Nos Heavyweights e Light Heavyweight já é ao contrário. Ri-me bastante com a menção do Gaziev, tenho a certeza se perdesse peso era middleweight.
KingPin
Parabéns pelo post. Gostaria que continuasse
Tyrion
Já cá faltava um espaço destinado ao UFC neste blogue, só o enriquece.
Gosto muito de MMA e só não acompanho com mais frequência UFC devido aos horários geralmente muito tardios (não foi o caso deste fim de semana). Um bem haja ao António Azevedo e aguardo com interesse os seus textos.
Citizen_Erased
Ainda o consigo fazer mas é um desgaste tremendo – a começar à meia noite e a acabar as seis 90% das vezes, é um domingo perdido.
Mas gosto de ver ao vivo sempre que possível, tem outra emoção.