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A última década do Lille dava uma trilogia

Desde 2010 que em Lille se vive um clima de bipolaridade no que à equipa da cidade diz respeito. Depois de se sagrar campeão 57 anos depois (3ª vez em toda a história) e fazer a dobradinha em 2010/2011 com um plantel formidável espelhado no trio da frente Hazard, Gervinho e Moussa Sow ou no maestro Cabaye, nos anos seguintes o Lille Olympique Sporting Club e após a mudança de estádio para o Stade Pierre-Mauroy entrou numa espiral descendente. Participou na Liga dos campeões nas duas épocas seguintes, depois de obter um 3º lugar em 11/12, mas tornaria-se a época de 2012/2013  a última em que participaram na fase de grupos. Esse mesmo ano ficou marcado por um 6º lugar no campeonato que os deixou de fora das competições europeias, feito que repetiram por mais 3 vezes esta década.

Mas eis que em Janeiro de 2017 e na sequência de problemas financeiros, o clube é adquirido por Gerard Lopez e a chama acende-se novamente em Lille. O ex-presidente da equipa Lotus de Fórmula 1 tem grandes planos para o clube começando com um ano de transição e um objetivo de chegar aos 3 primeiros e regressar à Liga dos Campeões nos 3 anos seguintes.

6 jogadores chegaram nesse mesmo mercado de transferências, mas o clube terminou a época no 11º lugar.

No ano seguinte a aposta para treinador recai em Marcelo Bielsa e o sentimento de revolução acentua-se. O português Luís Campos chega para Director Desportivo e juntamente com Bielsa traz 14 novas caras para o plantel entre contratações e recrutamentos às camadas jovens e forma um plantel recheado de jovens promessas com uma média de idades de apenas 21,2 anos!

A experiência não podia ter corrido pior, e após resultados desastrosos (7 derrotas e 3 empates em 13 jogos na Ligue 1 e eliminação da Taça da Liga) e demasiadas polémicas, Bielsa deu o lugar no início de 2018 a Christophe Galtier, ex-treinador do Saint-Étienne.

Além do terrível início, mais problemas financeiros afetavam os Dogues. O Lille foi proibido de contratar nessa janela de transferências e obrigado a pagar uma multa ou a descida de divisão pela secretaria seria uma realidade, isto se não acontecesse mesmo dentro de campo. É que o cenário não melhorava e após um empate em casa para o campeonato, dezenas de adeptos invadiram o campo agredindo jogadores e mostrando o seu descontentamento, em mais um momento marcante na historia recente do clube. Só na penúltima jornada a manutenção foi assegurada e o Lille, após um investimento de 85 milhões, terminava a temporada em 17º lugar 1 ponto apenas acima da linha de água.

A época seguinte não augurava nada de muito bom. O Técnico Galtier manteve-se, uma raridade no passado recente (desde 2015, Galtier é o 7º homem a orientar o Lille), mas as necessidades financeiras obrigavam a que fosse realizado um encaixe até para inscrever novos jogadores. O mercado do verão ditou a saída de jogadores como Malcuit, Bissouma ou Amadou e um lucro gerado de cerca de 50 milhões numa política de redução de despesas. Chegaram novamente vários novos elementos para suplantar as saídas e, para se ter uma noção, do plantel de 16/17 já só restavam 5 jogadores. A aposta desta vez não podia ter corrido melhor e o Lille tem-se revelado uma equipa completamente diferente esta época, com uma boa mistura entre experiência e potencial e ocupam neste momento o 2º lugar na Ligue 1 e vendo cada vez mais próximo o regresso à Liga dos Campeões 7 anos depois. Somam atualmente 61 pontos em 31 jornadas fruto de 18 vitórias, 7 empates e 6 derrotas e são também a 2ª defesa menos batida, apenas atrás do PSG.

Do mercado passado chegaram José Fonte, Rafael Leão, Jonathan Bamba e Jeremy Pied a custo zero mais Celik, Remy e Ikoné e todos eles têm sido importantes. Fonte, Bamba e Celik assumiram-se como indiscutíveis, Leão já ganhou o lugar e Pied e Remy são boas alternativas.

No entanto a estrela maior tem sido Nicolas Pepé. O costa-marfinense de 23 anos já se tinha começado a destacar no final da época anterior, depois de ter derivado do centro do ataque para o flanco direito onde pôde aproveitar melhor a sua velocidade e técnica de “cortar para dentro” somando 9 golos e 5 assistências só na segunda metade de 17/18. Este ano explodiu de vez e já leva 18 golos (só Mbappé marcou mais) e 13 assistências (é o melhor assistente) na Ligue 1. Atuando à direita do ataque, tem uma velocidade e aceleração impressionante, técnica refinada e boa capacidade de remate. É muito rápido a decidir e fortíssimo no 1×1.

Aliás, são estas as características que definem o processo ofensivo do Lille. Atuam em 4-2-3-1 com ambos os extremos a flectirem para dentro (do lado esquerdo Jonathan Bamba replica o comportamento de Pepé), privilegiando a coesão defensiva e apostando em transições rápidas e desequilíbrios individuais. As individualidades adequam-se perfeitamente ao modelo e jogadores como Ikoné, Jonathan Bamba, Rafael Leão ou o próprio Pepé têm saído muito beneficiados. Também os médios são muito importantes para manter o equilíbrio e auxiliar na chegada à area (Xeka já fez o gosto ao pé por 2 vezes).

Les dogues têm vivido toda a espécie de acontecimentos durante a última década, mas têm sido a equipa do ano na Ligue 1 e vale a pena acompanhar os seus jogos enquanto é possível, pois jogadores como Pepé (associado ao Bayern), Bamba ou Thiago Mendes podem não fazer outra época no Pierre-Mauroy. Este fim de semana há um escaldante Lille-PSG, que embora não vá influenciar as contas do título, pode ser decisivo para o 2.º lugar, visto que o Lyon se encontra apenas a 5 pontos.

Visão do leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui): Afonso Ascensão

7 Comentários

  • T. Pinto13
    Posted Abril 12, 2019 at 11:57 pm

    Sem dúvida uma das equipas sensação do ano.

  • ohomemdabeirabaixa
    Posted Abril 12, 2019 at 10:55 pm

    Bom lá vou ter de ir ver o Lille jogar. Parece que vale a pena. Belo texto.

  • Turiacus
    Posted Abril 12, 2019 at 4:52 pm

    Excelente texto e um belo post sem dúvidas algumas! Ainda me recordo daquela equipaça do Lille que foi campeã, era uma das minhas equipas de eleição no FIFA daquela altura e lembro-me que era quase imparável sempre que jogava com eles.
    Têm uma equipa bastante interessante com belíssimos jogadores e certamente que irão garantir a champions esta época. Veremos se conseguirão ser mais consistentes já que devem perder alguns jogadores que valorizaram muito este ano.

  • Tiago Silva
    Posted Abril 12, 2019 at 3:44 pm

    Excelente texto! O Lille é a equipa que eu gosto mais em França e a equipa que foi campeã em 2010 conquistou-me com Debuchy, Gervinho, Hazard e principalmente Cabaye e serem jogadores que eu gostava muito! Tiveram tempos difíceis mas agora estão novamente uma bela equipa, uma equipa muito vertical e que gosta de esticar o jogo de um lado para o outro. Uma equipa com muitas promessas e potencial de crescimento, acredito que para o ano estarão ainda melhores.

  • FabioMatinhos
    Posted Abril 12, 2019 at 3:06 pm

    Muito bom. Mas se continuar assim o Lille, até ao final da temporada, provavelmente os melhores vão sair, e vão ter de começar de novo. Mas se fosse ao Lille tentava segurar até ao máximo possivel as estrelas para conseguirem mais estabilidade,até porque para o ano devem ir a champions!

  • hugo7
    Posted Abril 12, 2019 at 3:04 pm

    O Lille já merecia este destaque. Grande temporada dos franceses…
    Gostaria de destacar, para além do óbvio Nicolas Pepe, o médio Thiago Mendes (é um craque e promete agitar a próxima janela de mercado) e o talentosíssimo Ikone, que brilhou pelas camadas jovens francesas e tem um capacidade de desiquilibrio estonteante quer pelo meio quer pelas alas (antes era mais extremo direito sendo canhoto e fazendo o que Pepe faz agora mas no meio tem causado estragos, sendo ainda muito jovem).
    Destaque também para os portugueses, principalmente o José Fonte, Xeka (é pouco valorizado mas tem qualidade) e Leão.

  • RodolfoTrindade
    Posted Abril 12, 2019 at 2:35 pm

    Bom post. Gostei!

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