O Barcelona do Equador é a maior surpresa da edição da Libertadores 2021. Não é muito normal uma equipa do Equador chegar às meias-finais desta competição, muito menos vencer esta taça. Na história, só uma equipa equatoriana levantou o maior troféu da América do Sul: o LDU Quito em 2008.
A equipa de Guayaquil – cidade onde se situa o clube – já foi duas vezes finalista da competição (1990 e 1998), mas em ambas ocasiões perdeu. Em 2017 esteve na mesma fase que se encontra esta temporada, mas nessa altura não conseguiu garantir o acesso para a final, sendo derrotado pelo Grémio – que viria a ser campeão – por 3-1 no conjunto de duas mãos. A título de curiosidade, o Grémio nesse ano era orientado por Renato Gaúcho, atual treinador do Flamengo, que é o seu adversário nas meias-finais deste ano. O Barcelona procura voltar a colocar um clube equatoriano na fase decisiva da prova, facto que aconteceu pela última vez em 2016, quando o Independiente del Valle chegou a final.
Fundado em 1925, o Barcelona de Guayaquil conta com 15 títulos nacionais, o último dos quais em 2020. Fabián Bustos devolveu o clube aos títulos, que fugiam desde 2012. O treinador argentino de 52 anos é um nome reputado no futebol equatoriano. Antes de se transferir para o Barcelona SC, foi campeão em 2019 levando o Delfín SC, ao seu primeiro título nacional. É um treinador bicampeão, que procura o terceiro título consecutivo na liga nacional, mas também deixar uma marca na maior prova do futebol sul-americano.
O Barcelona de Guayaquil qualificou-se em primeiro lugar, num grupo que contava com dois gigantes do futebol sul-americano, Boca Juniors e Santos. Não perdeu frente a nenhum deles, sendo a única derrota averbada nessa fase contra o The Strongest (Bolívia). Seguiu-se o Vélez Sarsfield nos oitavos de final. Depois da derrota na Argentina, a vitória por 3-1 em casa carimbou o passaporte para a fase seguinte. Nos quartos de final defrontou o Fluminense, 2-2 no Maracanã e 1-1 no Estádio Monumental Banco Pichincha. Os dois golos marcados fora fizeram a diferença na eliminatória e permitiu ao clube equatoriano garantir a vaga entre os quatro melhores da competição. Segue-se o todo-poderoso, Flamengo. Os brasileiros são favoritos a conquista da competição, mas o percurso do Barcelona fala por si e os equatorianos querem contrariar as expetativas.
O plantel do Barcelona de Guayaquil é interessante para a realidade do clube e apresenta alguns jogadores internacionais pela seleção do Equador. Na baliza, Javier Burrai, argentino de 30 anos transmite segurança para os restantes companheiros. Prova disso são os 5 jogos sem sofrer golos na presente edição da Libertadores. Na defesa, William Riveros e Fernando León são jogadores importantes na manobra defensiva da equipa. Na zona intermediária do campo, Bruno Piñatares é um homem de trabalho, o uruguaio como é típico no seu país, dá tudo pelos seus companheiros de equipa. O argentino, Emmanuel Martinez joga descaído pelos flancos e é um perigo pelo golos e assistências que faz. Mas a magia fica entregue ao número 10, Damián Díaz (35 anos), um argentino de nascença que joga e faz jogar. Está na sua nona temporada no clube e recentemente, estreou-se pela seleção equatoriana. É o homem que faz sonhar os adeptos do Barcelona de Guayaquil. Por fim, uma menção para Matías Oyola (38 anos), outro argentino naturalizado equatoriano, encontra-se na décima terceira temporada no clube, é o capitão de equipa. Soma apenas 54 minutos na edição da Libertadores, mas por aquilo que representa merece o destaque. No ataque, Carlos Garcés e Gonzalo Mastriani são os homens golo da equipa. Garcés é internacional pelo Equador, conta com 3 golos na presente edição da Libertadores. Já Mastriani, uruguaio de 28 anos, apontou um golo decisivo na eliminatória frente ao Fluminense.
Os comandados de Fabián Bustos valem pelo seu todo, por aquilo que representam enquanto equipa, a capacidade de luta, de entrega de todos os jogadores, sem esquecer a magia de Damián Díaz, o jogador chave da equipa. Outro fator importante é que jogar em Guayaquil não é fácil, como fica comprovado nesta edição da Libertadores. O clube ainda não perdeu na condição de visitado. O seu estádio é a sua fortaleza, e nem está relacionado com a altitude, pois Guayaquil está praticamente ao nível do mar, ao contrário de Quito – capital do Equador – que fica 2850 metros acima. O Flamengo está avisado para os perigos desta eliminatória, pois sabe daquilo que os equatorianos são capazes, uma vez que o percurso deles na competição demonstra a qualidade da equipa.
Visão do Leitor: Rui Maia


4 Comentários
Kacal
Por mais que adore ver história ser feita em qualquer desporto e fosse lindo ver o Barcelona alcançar a final, quem sabe vencer. Duvido. Arrisco mesmo dizer que nesta 1ª mão vai já ficar fechada a eliminatória a favor do Flamengo, acho que eles vão procurar fazer isso. Mas penso que o Barcelona vai tentar jogar tudo neste jogo porque parece-me haver algum desleixo na Liga com base na classificação e nos resultados portanto isso deve-se ao facto do foco estar na Libertadores provavelmente. Vamos a ver, mas acho que o Flamengo “fecha” isto hoje.
Natan Fox
Curiosamente, o Barcelona é o único clube a se meter nas semi-finais, nos últimos cinco anos, sem que seja brasileiro ou Boca-River. Isso deve dizer alguma coisa sobre planejamento.
Ricardo Lopes
Os meus parabéns ao Rui Maia por apresentar um clube desconhecido ao adepto comum, apesar de estarem nas meias da Libertadores. Acredito que o Flamengo passe com distinção os equatorianos, por muito que seja bonito ver um clube distinto na final. Em termos de competitividade a outra semifinal é muito mais interessante.
Af2711
O Barcelona foi a equipa sensação desta competição, mas vem num mau momento até na sua liga. Acho que o Flamengo tem grandes chances de resolver a eliminatória já hoje.