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Um campeonato cada vez mais caro… e menos competitivo

A Liga portuguesa está na moda. Desde a conquista do Euro’2016, os emblemas estrangeiros começaram a dar mais atenção aos clubes portugueses e às competições do nosso país. As transferências para as principais ligas, embora não fossem uma novidade para os clubes pequenos, eram raras de acontecer, sendo, na maioria negócios a envolver jovens, como por exemplo Ruben Vezo e Ricardo Horta – ambas no ano de 2014 para o campeonato espanhol. Não só as atenções das equipas se voltaram para Portugal, como também os valores de muitas transferências foram bastante elevadas, acompanhando a tendência do mercado internacional. Assim, conjuntos fora dos três “grandes” realizaram bons encaixes, como o caso do Feirense, que vendeu Oghenekaro Etebo por mais de 7 milhões de euros para o Stoke City, quando o valor do seu passe na época era de 1,5 milhões (dados Transfermarkt). Outro caso é o de Shoya Nakajima, que rumou ao Al-Duhail pela brutal quantia de 35 milhões de euros (dados Transfermarkt). Não só o jogador estrangeiro ficou mais caro, como também o português. Diogo Jota, no ano em que Portugal vence o Europeu, torna-se a venda mais cara do Paços de Ferreira por 7,2 milhões de euros (dados Transfermarkt). Com o aumento do valor das alienações em Portugal esperava-se que as compras elevassem o nível, contudo em grande parte dos casos isso não aconteceu. A maioria dos clubes, principalmente os que lutam por objetivos mais modestos, continuaram a fazer aquisições por valores muito inferiores, levando a uma queda do nível do campeonato. Os clubes designados “pequenos” continuam a contratar jogadores aos mercados habituais – salvo exceções como Kraev ou Taremi – sendo raro os que são transferidos dos países cujo ranking é superior ao nosso.

Atualmente, muitos dos jogadores que jogam em clubes com menor visibilidade, conseguem atrair a atenção de emblemas maiores, contudo, quando se demonstra interesse por esses atletas, os valores pedidos são encarados como demasiado elevados. Poucos elementos dos quadros principais de Sporting, Benfica e FC Porto passaram por equipas de média/pequena dimensão em Portugal nos últimos 3 ou 4 anos, quando antes era o principal mercado. Há, assim, uma aposta na observação dos talentos portugueses quando estes ainda estão nos escalões de formação, longe do olhar da imprensa, agravando a competitividade dos escalões de formação do nosso país, pois os craques principais estão concentrados nas melhores formações. Seria muito difícil imaginar hoje em dia qual o valor de mercado quando o Benfica comprou João Vieira Pinto ao Boavista, ou até qual seria o valor do negócio Derlei, que chegou ao FC Porto proveniente da U. Leiria por 450 mil euros. Será cada vez mais importante que as equipas de observação trabalhem com mercados alternativos, de maneira a adquirir jogadores com qualidade, tanto para o presente como para o futuro. Em Portugal está complicado encontrar atletas com talento que estejam acessíveis.

Devido à pandemia, há a possibilidade dos preços voltarem a baixar para valores que se praticavam antes, mas decerto que estaremos ansiosos para saber quanto os clubes vão pedir pelas suas pérolas e quantas transferências internas irão existir…

Visão do Leitor: Ricardo Lopes

4 Comentários

  • Tiago Silva
    Posted Maio 2, 2020 at 11:37 am

    Muito bom texto e é a nossa realidade. Os clubes pequenos têm pouca visão e não conseguiram gerir-se melhor com o aumento das receitas, o que é que o Portimonense fez com os 35M do Nakajima? Ou o que é que o Feirense fez com os 7M do Etebo? Curiosamente são estes os clubes que estão a lutar por manutenções e que descem, têm pouca visão também.

    Depois temos a mentalidade portuguesa, em que apenas se vêem os 3 grandes à frente e portanto todos os miúdos são desses clubes e querem jogar lá, havendo assim pouca distribuição do talento jovem pelo país e concentrando-se muito nos 3 grandes e vá o Braga e o Vitória. Precisamos de mais projetos como o do Famalicão, do Rio Ave ou do Paços ou mesmo do Tondela em que as suas academias estão a crescer imenso e onde se vê jogadores com margem de progressão e com qualidades para gerarem boas receitas e assim aumentarem o nível, através de uma boa base de scouting e muito critério na adição de jogadores.

    E penso que o futuro do futebol, está nos acordos que os clubes fazem, seja com outros clubes ou com empresários, sem afetar os interesses do clube e sem haver favores. E depois está em conseguir formar, porque não temos dinheiro para andar a comprar craques.

  • Manel Ferreira
    Posted Maio 2, 2020 at 5:55 pm

    Compreendo o que o autor quer dizer, mas isto acaba por ser um pouco “preso por ter cão e preso por não ter”. Se os clubes gastam, está mal porque se endividam. Se não gastam, está mal porque não investem. É óbvio que o dinheiro das transferências vai para a sobrevivência dos clubes, como o pagamento de dívidas, por exemplo (não falo do Portimonense, que parece ser um caso à parte).

    Depois, a questão de que os clubes devem apostar noutros mercados que não os habituais (suponho que esteja a falar do brasileiro), também é discutível. É muito difícil convencer um clube pequeno a gastar uns 200/300 mil euros num jogador, sobretudo de um mercado mais “exótico” e de onde há menos jogadores que deram provas. É bastante dinheiro para um clube pequeno e a possibilidade de o jogador dar flop pode vir a ser catastrófica numa maneira que não seria num clube do top-5.
    O Kraev chegou ao Gil por empréstimo e o Taremi chegou a custo zero, são casos diferentes. Se dissermos que os clubes pequenos devem explorar estas duas possibilidades, ainda vá (e eu diria que em relação a empréstimos estrangeiros estão a explorar mais do que deviam). Agora, pagar pela transferência é sempre muito complicado.

    E percebe-se porque é que os clubes vão pescar tanto ao Brasil. Além de ser um país com uma quantidade brutal de talento, os jogadores também se adaptam facilmente a PT por razões óbvias. Há flops, claro, mas os sucessos acabam por justificar a coisa.

  • Giuseppe F
    Posted Maio 2, 2020 at 7:50 pm

    Uma questão pouco falada até é o facto dos clubes pequenos terem, na sua maioria jogadores com contratos de curta duração. Todos os anos mudam o plantel em 2/3 posições chave e compram 10 jogadores por mercado.

    Não seria melhor canalizar este dinheiro para renovar contratos com os jogadores do plantel (ainda que mãos caros) e dar-lhe 4/5 anos de contrato? Fica a questão…

  • Judge_Dredd
    Posted Maio 2, 2020 at 10:03 pm

    O futebol portugues tem bastantes problemas, uns mais vincados que outros mas na minha otica são:
    – Demasiadas equipas profissionais em proporção com os praticantes(225 mil praticantes federados) o que promove uma excessiva importação de jogadores(na I liga são quase 2/3) que aliado a um mercado limitado, faz com que esses jogadores não tenham qualidade.

    -Formação apesar do otimo trabalho realizado nos ultimos anos, a formação em Portugal continua sem uma estrutura que lhe permita tirar maiores dividendos.
    Uma politica de formação assente num financiamento por parte do futebol profissional(escalões até aos juvenis não deviam pagar a nivel distrital) poderia potenciar a capacidade de Portugal formar jogadores

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