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Um clube com identidade regional

vtEm Bilbau, o futebol vive-se de forma apaixonante. Nesta cidade, encontra-se um clube cujas últimas liga espanhola e Taça do Rei conquistadas remontam ao ano de 1984. Com todo o direito de se orgulhar como um dos poucos totalistas de La Liga, o Athletic Club é visto como um símbolo da identidade basca. Em contraste com o seu maior rival de San Sebástian, a Real Sociedad, a sua política desportiva peculiar baseia-se em contar nas suas fileiras apenas com futebolistas da região da Euskal Herria, naquilo que pode ser considerado um caso singular no panorama das principais ligas do futebol europeu.

Deste modo, a principal estratégia centra-se na formação de jovens da sua escola e na prospecção de prodígios regionais, o que faz com que evitem gastar balúrdios em contratações, contribuindo com mais fundos para a renovação de contrato com os jogadores. Prova da qualidade basca são as figuras que actuaram na “Catedral” bilbaína. “Pichichi” Aranzadi, Zarra, Iribar, Zubizarreta, Sarabia, Goiketxea, Guerrero, Urzaiz, Etxeberria ou Llorente são alguns dos principais nomes que se destacaram no clube, ao longo das diferentes gerações. No último defeso, por exemplo, o conjunto de Ernesto Valverde não foi  ao mercado, privilegiando somente a entrada dos jovens formados em Lezama e a continuidade da maioria do plantel da época passada. Analisando as últimas dez temporadas, podemos verificar que o maior investimento dos leões de San Mamés foi a contratação do médio ex-colchonero Raúl Garcia, no verão de 2015, a troco de 8 ME. Por outro lado, é de elogiar a capacidade de planeamento das aquisições e vendas cirúrgicas, de maneira a não comprometer o projecto desportivo. A título de exemplo, Ander Herrera e Javi Martínez ilustram boas incursões do emblema euskadi no mercado regional nos últimos anos, que se revelaram mais tarde um excelente retorno nos planos desportivo e financeiro.

Porém, nem tudo consegue ser sempre um mar de rosas. Entre 2005 e 2007, os bascos estiveram em risco de descer, realizando as suas piores participações em La Liga, que ficam na memória dos adeptos como o biénio negro. Contudo, desde 2009, conseguiram ser 3 vezes finalista vencido da Taça do Rei. Em 2012, atingir a final da Liga Europa foi um feito épico, pela segunda vez na história da instituição, apesar do troféu ter sido levantado pelo Atlético de Madrid. Porém, o regresso à glória concretizou-se em 2015, com a conquista da Supertaça perante o Barcelona. E isto tudo sem mudar a sua identidade. Numa era em que a ideia dominante é a comercialização massiva e progressiva de jogadores a cada janela de transferências, eis que o Athletic tenta continuamente preservar os seus valores de origem. É um caso de romantismo regional, à procura de reviver um passado de enorme sucesso, ao passo que é contracorrente à carência de laços de identidade entre futebolistas e clubes, que se instalou nas últimas décadas no futebol moderno.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Luís Enrique Santos

41 Comentários

  • Kafka
    Posted Setembro 12, 2016 at 12:53 pm

    O Bilbao será o último clube Romântico no Mundo ou pelo menos o último dos que se encontram ao mais alto nível

    Apesar da sua escola de formação / captação quase nunca aparecer nos tops Mundiais para mim são talvez a melhor do Mundo, pois atrevo-me a dizer que nenhum clube no Mundo conseguiria estar desde sempre na 1a divisão de uma das 4 melhores ligas do Mundo com uma base de recrutamento tão pequena e quase só recorrendo à formação

    • Phantaminum
      Posted Setembro 12, 2016 at 1:09 pm

      E ainda têm conseguido ir às competições europeias!

    • João Mesquita
      Posted Setembro 12, 2016 at 2:42 pm

      Há outros casos interessantes (não tão românticos, obviamente) pelo Mundo, como o caso do Chivas de Guadalajara no México, que nunca jogou com jogares estrangeiro, mas consegue ser o segundo clube mexicano com melhor palmarés (foi ultrapassado recentemente pelo América…a antítese do Chivas).

  • El Pibe
    Posted Setembro 12, 2016 at 12:59 pm

    A mostrar que podem ter “sucesso” sem entrarem no capitalismo futebolístico. Teem uma grande academia e um estádio novinho. Aposta-se na renovação das infraestruturas e nos salários dos da casa e valoriza-se a região que é a deles e os seus.

  • Carlos Gonçalves
    Posted Setembro 12, 2016 at 1:04 pm

    Portanto, tudo aquilo que salvo raras excepções não se encontra em Portugal.’: identidade, mentalidade e um sentimento de pertença a um lugar e a valores que vão para lá da Vitória do ganhar de como não procurar no futebol a falta de vitórias na vida. Não são fechados nem limitados, é sim uma diferenciação toda ela saudável. Um exemplo que devia fazer corar de vergonha a grande maioria dos adeptos portugueses.

    • umatiaz
      Posted Setembro 12, 2016 at 1:20 pm

      Assino por baixo!
      Em portugal não se encontra disto, clubes mais perto desta situação, mas ainda um pouco distante, o V.Guimarães..

      • Pedro Salgado
        Posted Setembro 12, 2016 at 3:01 pm

        Caro Carlos Gonçalves, concordo em absoluto com o seu comentário. Em tempos, o jornal a Bola, fez um cartoon com Leicester que resume a mentalidade portuguesa.

  • Sakamoto
    Posted Setembro 12, 2016 at 1:17 pm

    É uma filosofia maravilhosa que tem que estar apoiada numa super estrutura para funcionar.

  • Tiago Silva
    Posted Setembro 12, 2016 at 1:17 pm

    Este é um clube que me fascina imenso! Eles têm orgulho da região que pertencem e lutam com tudo para representar o melhor possível a sua região que tanto amam. Têm uma excelente academia e grandes valores para além de terem um enorme espírito de união e garra.

  • ze terrivel
    Posted Setembro 12, 2016 at 1:30 pm

    Penso que o chivas do mexico, tbm apenas pode contratar jogadores mexicanos, nada que se compare a este caso claro, mas tbm estao bastante limitados

  • Andre Dias
    Posted Setembro 12, 2016 at 1:34 pm

    O Athletic já merecia um post no VM.

    É um clube fascinante pela sua cultura e história. E tem adeptos fantásticos! A sua política de apostar apenas em jogadores bascos é impressionante, mesmo que recentemente tenham começado a aceitar jogadores que sejam bascos apenas por parte da mãe ou do pai.

    O futebol a viver um período com transferências absurdas, valores nunca antes vistos (Sterling custou mais que Zidane, por exemplo), e este fantástico clube não abdica dos seus princípios. Sou adepto do Barcelona, mas desejo tudo de bom ao Athletic.

  • Nuno R
    Posted Setembro 12, 2016 at 1:53 pm

    É um daqueles casos pitorescos que nós, adeptos, achamos interessantes porque está lá longe.
    Dificilmente em Portugal um projecto deste tipo seria bem visto no futebol profissional.

    • Manuel Teixeira
      Posted Setembro 12, 2016 at 4:06 pm

      Sinceramente acho que é uma política completamente retrógrada e totalmente desfasada do mundo em que vivemos.
      Faz-me lembrar aquela estupidez dos católicos e protestantes no Celtic-Rangers.

      • Manuel Ferreira
        Posted Setembro 12, 2016 at 4:18 pm

        Bem visto.
        Será sempre preciso acrescentar que isto também acontece por razões políticas. Não vale a pena dizermos que isto “devia acontecer em Portugal”, já que não há nenhum caso de defesa da independência (só se for na Madeira, ehehe).
        Compreendo o fascínio pelo Ath Bilbao, mas gostava de ver menos comentários do género “um exemplo para todos.” Ok, um exemplo na aposta da formação ,sem dúvida, mas rejeitar jogadores estrangeiros (ou mesmo nascidos fora da região) não me parece “exemplo” para ninguém, sobretudo no mundo de hoje. Não há nenhum campeonato que fosse superior abolindo os estrangeiros, muito menos Portugal.

  • Paulo Oliveira
    Posted Setembro 12, 2016 at 2:02 pm

    Pedro B. o Nico é melhor como poste ou como abajur?

  • João D
    Posted Setembro 12, 2016 at 2:12 pm

    Em Portugal faltam clubes assim. O que mais se aproxima em termos de identidade ainda vai sendo o Vitória.

    Mas que dizer de um país onde 95% das pessoas apoiam cegamente os 3 clubes de sempre.

    Isto para dizer que os 3 grandes não me dizem nada. Sou do clube da minha cidade, ponto. Mas sei que ninguém é assim…

    Vamos ao estádio da Académica bem no centro da cidade e de uma cidade com 145 000 pessoas só 2000 vão aos jogos.
    Vamos a Aveiro e no EMA vão 1500 de 80 000 na cidade e 120 000 na área urbana.
    Vamos a Leiria com 125 000 pessoas e se 1000 vão ao estádio já é muito.
    Vila Real, Viana do Castelo, Évora, Beja, Bragança, Portalegre, Guarda sem menor tradição no futebol e são capitais de distrito…

    Por isso digo: o Vitória é o oásis do futebol português em mentalidade, identidade e bairrismo.

    • Francisco Magalhães
      Posted Setembro 12, 2016 at 2:38 pm

      Guimarães é rival histórico da minha Briosa, mas é um clube que invejo e admiro pela mentalidade é projeto (nunca tiveram a ‘sorte’ do Braga). Desejo tudo de bom ao clube, não sei se é o teu, e que tenham sucesso.
      Espero que agora a nova direção aproxime a cidade do clube outra vez, este ano tenho visto mais gente no estádio

      • Nuno R
        Posted Setembro 12, 2016 at 2:57 pm

        A “rivalidade” é mais consequência do carimbo do que de outra coisa…

      • Rodolfo
        Posted Setembro 12, 2016 at 3:29 pm

        Uma maneira de aproximar a cidade com o clube era apostar na formação, em elementos com o Vidigal, Pedro Lagoa, Hugo Ribeiro, João Gomes etc.

      • João D
        Posted Setembro 12, 2016 at 3:46 pm

        Mas qual é o clube que não é rival histórico do Vitória? Braga ainda se entende…

        Agora Leixões, Académica, Boavista, Belenenses, etc são só pelas picardias.

        • Manuel Ferreira
          Posted Setembro 12, 2016 at 4:14 pm

          Provavelmente ainda não vias bola nessa altura, mas nos anos 90, Boavista-V. Guimarães era sem dúvida a maior rivalidade extra-grandes, mas de muito longe! Até porque o Braga andava várias vezes a lutar pela permanência e não fazia muita mossa.
          BFC-VSC eram sempre jogos durinhos, muitas vezes com pancada, com bocas entre os dirigentes, às vezes a decidirem lugares europeus…

    • João M.
      Posted Setembro 12, 2016 at 4:09 pm

      Este lambe-botismo é fascinante.
      João Dias, perdoa-me a pergunta – não te é estranho que, sendo de Aveiro, sejas também adepto do Boavista, vindo depois elogiar o exemplo de Guimarães? Que cansa sobremaneira, diga-se desde já.
      E essa ideia – apresentada pelo Francisco Magalhães – de que o Vitória não teve, historicamente, a “sorte” que ele atribui ao Braga não passa disso mesmo – de uma ideia, simpática para com o clube com que qualquer português simpatiza, mas, ainda assim, uma ideia. É que, só para a eventualidade de não se recordarem, foi nos anos 80/90 que o Vitória começou a cimentar uma massa adepta alicerçada e entusiasmada com os bons resultados de uma equipa que, a partir de certa altura, começou a fazer uma figura bastante razoável nas competições europeias. O que se passou com o Vitória nos anos 80/90 é, enfim, aquilo por que tem vindo a passar o Braga nos últimos anos – ainda que, digo eu, seja o projecto do Braga mais sólido do que era o do Vitória.
      Nasci em Braga, vivo em Braga, apoio, desde sempre e incondicionalmente, o clube da minha cidade, e sei que, por muito que queiram dizer o contrário, e por muito que seja merecedora de elogios a massa adepta do Vitória, não corresponde à verdade que, em Guimarães, o Vitória tenha o predomínio que tantos, vendo de fora, lhe atribuem.
      Estudei na Universidade do Minho, tive no meu curso cerca de 15/20 vimaranenses e, curiosidade das curiosidades, apenas um – uma, no caso – era vitoriana.
      Criou-se a ideia de que há, em Guimarães, uma massa adepta indefectível, infalível, que há, em Guimarães, uma ligação umbilical entre vimaranenses e Vitória, mas esse é apenas mais um mito que o tempo tem tratado de desmontar.
      Conta o Vitória com uma excelente massa adepta, como o conta o Braga, mas acontece em Guimarães o mesmo que acontece em Braga, ainda que, assumo, em menor medida: existem adeptos de todos os clubes, existem adeptos dos estarolas que simpatizam com o clube local e existem pessoas a quem o clube local, incompreensivelmente, diz muito pouco. Se se derem a esse trabalho, constatarão que, desde o Euro 2004, foram quase sempre semelhantes as médias de assistências.
      Acredito é que, de há uns anos a esta parte, e não tendo o Vitória tido os resultados desportivos que se comparem com o Braga (mesmo tendo ganho uma Taça), agarram-se os vimaranenses às assistências como quem, num deserto, se agarra a uma garrafa de água. Só isso justifica que o Vitória seja, semana após semana, o único clube – disse-mo quem trabalha num jornal desportivo – que apenas divulga as assistências nos dias após os jogos. Alguém, depois de vistas as imagens, acredita que frente ao Paços tivessem estado 14 mil vitorianos? Não acredita, porque, confrontado com as imagens, não consegue acreditar.
      Braga e Vitória são, definitivamente, os únicos casos extra-metralhas de que este país se pode orgulhar. São os únicos que, a jogar em casa, e seja em que jogo for, estão em clara maioria.
      Agora, começa a ser ridículo que, ano após ano, se perpetuem mitos que, como mitos que são, não têm qualquer adesão à realidade. Dizer que em Guimarães apenas se respira Vitória, quando as assistências rondam os 10/13 mil, num concelho com 158.000 habitantes, é ver, e dizer, apenas o que convém. Ou alguém acredita que o Vitória – em parceria com a Câmara – tivesse impedido que os benfiquistas festejassem no Toural sem crer que essa era, em Guimarães, uma forte possibilidade?
      Andam bem o Braga e o Vitória, e respectivas cidades, por serem os únicos com capacidade para – vá lá- fazer face aos metralhas, mas nem numa, nem noutra se dá, nem de longe, o que se dá em Bilbau. Se assim fosse, tanto o estádio do Braga como o do Vitória estariam cheios, semana após semana. E bem sabemos que, sejam quais forem os resultados, não é isso que acontece. Com muita pena minha, admito.

      • Manuel Ferreira
        Posted Setembro 12, 2016 at 4:37 pm

        João M., apoio a 100% o teu comentário.
        Eu nem sou braguista, mas chateia-me muitíssimo a maneira como o Braga é tratado, não só pelos adeptos dos outros clubes, como pela própria CS. São os “lampiões do Norte”, são os “adeptos das vitórias” e por aí fora.
        É claramente reação ao vosso sucesso e tentativa de vos deitar abaixo. A diferença entre V. Guimarães e Braga não é tão grande como nos querem fazer crer. As diferenças nas médias de assistências são apenas de umas 500/1000 pessoas. Quem lê um jornal fica a pensar que é uma diferença de 20 mil pessoas…
        E a história de que “toda a gente em Guimarães é do Vitória” é treta. Tal como tu, também conheci vários vimaranenses que apoiavam um dos 3 estarolas. E basta ver as assistências quando o VSC joga à mesma hora de um estarolas. Aquilo desce logo muitíssimo.
        Posto isto, V. Guimarães e Braga são clubes que devem ser acarinhados por ainda terem um bocadinho de amor ao clube da terra (seja dividido com estarolas ou não). O Marítimo também ainda vai metendo alguma gente no estádio, tal como o Boavista (tendo os axadrezados o handicap de não serem o clube representativo da sua cidade).
        Continuo a achar que a Académica e V- Setúbal são talvez os únicos clubes em PT com potencial para serem o novo Braga, por assim dizer. Vivi em Coimbra e acredito que as pessoas gostem do clube e que valorizem a associação clube-estudantes. Não se sentem é muito motivadas para ir ver uma equipa que anda mais de 10 anos a safar-se da descida na última jornada.
        Uma Académica a lutar regularmente pela Europa seria das melhores coisas a acontecerem ao futebol português. Agora, vão precisar de trabalhar muito para chegarem a esse patamar.

        • DR
          Posted Setembro 12, 2016 at 5:19 pm

          Confesso que não conheço essa realidade dos clubes do Minho de que estão a falar, quem é mais e menos fiel e tal, por isso o meu comentário vale o que vale. Ainda assim digo isto: nunca vi em pleno jogo do Guimarães no Afonso Henriques os adeptos da casa gritarem um golo do Benfica na Luz como aconteceu na última jornada da época passada… Por isso o rótulo de “lampiões do norte” se calhar não é tão injusto quanto isso.

        • João M.
          Posted Setembro 12, 2016 at 5:46 pm

          A mim, não me faz confusão que possa haver, no futuro, mais clubes a procurar ocupar o lugar de destaque que, hoje, o Braga ocupa. Acho até saudável. E muito gostaria eu que, no futuro, este 4º lugar fosse tão disputado quanto hoje o é, por exemplo, o 5º e o 6º (Vitória, Paços, Rio Ave e um outro clube que possa aparecer).
          A Briosa, fruto das direcções que tem tido, muito dificilmente conseguirá aspirar a grandes resultados num futuro próximo. O Vitória de Setúbal, pela mesma razão e também porque a cidade de Setúbal parece ter-se desligado do Vitória. Clube que eu respeito imenso e cujos adeptos, os fiéis que lá vão resistindo, merecem o meu reconhecimento. Ao Boavista também não auguro um futuro muito radioso, acima de tudo, por dividir a cidade com o FC Porto. Porque tem, reconheço eu, uma massa adepta fervorosa.
          O Boavista tem, tal como Braga e Vitória, uma massa adepta apaixonada, mas muito dificilmente passará a ser maior do que é actualmente. Tem o azar de dividir a cidade com quem divide.
          Isto dito, acredito que, num futuro próximo, só Braga e Vitória ocuparão frequentemente os lugares cimeiros.
          Já no que toca a essa ideia, generalizada, de que em Braga somos “lampiões do norte”, assim como à ideia de quem em Guimarães apenas existem vitorianos, concordo contigo quando dizes que esse tipo de ideias vão sendo difundidas com o firme propósito de atacarem a dignidade de um clube – dos seus adeptos, que são, afinal, a essência do clube – que se atreveu a crescer, que não resignou com a mediocridade e que todos vêem como sendo o único capaz de, mais tarde ou mais cedo, afrontar o regime vigente.
          Dando de barato que alguns são mesmo ignorantes, que logram perceber que, para lá do tacanho mundo deles, também existe vida, acredito que a generalidade destes críticos de serviço não acredita convictamente no que diz. Di-lo porque fica bem, porque todos o dizem, porque já ouviram alguém dizê-lo, e porque, sabem eles muito bem, o Braga é um osso duro de roer.
          Apelidam-nos de “lampiões do norte”, mas são os próprios benfiquistas a assumir que, em Braga, sentem um ambiente muito hostil. Foi, aliás, o Pablo Aimar quem disse que o estádio do Braga era, sem dúvida alguma, um dos estádios onde mais sentiu dificuldades ao longo da sua grandiosa carreira. Diz ele, essencialmente, o seguinte em entrevista ao jornal “O Jogo”: “em Portugal, o estádio mais difícil em que joguei é o do Braga, porque os adeptos puxam muito pela equipa e pressionam imenso o adversário”. Vivia-se, então, um dos momentos altos da rivalidade Braga-Benfica e ficou à vista de toda a gente que, cá em Braga, não existem corações divididos. Existem os braguistas – que são cada vez mais e que apoiam, indefectivelmente, o seu clube – e depois existem os outros – os adeptos dos estarolas, que sabem que, na nossa cidade, os protagonistas não são eles.
          Basta ver o que se disse aquando do Braga – Sporting da época passada para concluir. Fez-se crer que, aqui, foram festejados os golos do Benfica. Pois, eu asseguro-vos que, por estas bandas, ninguém festejou golos do Benfica. Por aqui, houve um conjunto de adeptos que, indignados com os insultos vindos dos adeptos do Sporting (que passam parte significativa dos jogos a insultar o adversário), lá decidiram provocá-los com a circunstância de terem perdido o campeonato. Em Braga desejava-se, acima de tudo, que ninguém festejasse o campeonato no nosso estádio. Fosse o Benfica e a conversa seria a mesma. Fosse o Porto e a conversa seria, também, a mesma.
          Patético, no meio disto tudo, é perceber que em Guimarães aconteceu praticamente a mesma coisa e que acerca desse caso nada foi dito. Lembro-me, como se lembram muitos vitorianos, de naquele jogo frente ao Benfica se ter festejado um hipotético golo do Porto no Restelo. Basta, de resto, visitar fóruns afectos ao Vitória para perceber que isto aconteceu mesmo. Concedo que também os adeptos do Vitória queriam, acima de tudo, que ninguém festejasse o campeonato no Afonso Henriques. Como os adeptos do Braga desejavam, ardentemente, que ninguém fosse campeão em Braga – fosse esse algum o Sporting ou o Benfica, ou o Porto -, também os vitorianos o desejavam. A questão é que, enquanto os adeptos do Braga são conotados com o benfiquismo, não vejo ninguém associar os adeptos vitorianos ao portismo. Em Portugal, lida-se muito mal com o sucesso alheio. Perante aquele que conquista, que luta para ser melhor, a atitude é triste. Há inveja, em vez de admiração. É-se mesquinho, em vez de se ser minimamente justo. E é triste que assim seja, mas eu já vou abdicando de gastar o me latim com estes parolos, com estes lunáticos e demais terroristas da internet.
          Um abraço para si.

      • FilipeAZ
        Posted Setembro 12, 2016 at 8:17 pm

        Já sabemos que os adeptos do Braga gostam de chamar de Míticos os vitorianos… Porque será?

        • João M.
          Posted Setembro 12, 2016 at 9:10 pm

          Os vitorianos auto-intitulam-se “únicos”. Nós acreditamos que é o ego deles, associada a uma gritante incapacidade para lidarem com a realidade, que os torna únicos. E, assim, acabamos por ser nós a apelidá-los de “únicos”.

    • Luis
      Posted Setembro 12, 2016 at 5:03 pm

      95% das pessoas que engloba o Joao Dias que ja aqui afirmou o seu amor ao Benfica depois de andar a dizer que o seu unico clube era o Beira-Mar e a criticar os outros por serem dos 3 grandes.

      Hoje volta a dar o dito pelo nao dito( coisa habitual) e ja diz que afinal nao é de nenhum.

      E ja agora duvida que metade dos adeptos do Vitoria tambem sao adeptos dos 3 grandes ? Eu nao duvido tenho a certeza porque conheço alguns.

      • Pedro Salgado
        Posted Setembro 12, 2016 at 5:48 pm

        Depois de ler alguns comentários dou por mim a pensar que afinal faço parte de um pequeníssimo e restrito grupo de adeptos verdadeiramente Vitorianos. Nem sei se me devo sentir orgulhoso ou preocupado.
        Não há nada como ouvir gente de Braga, aparentemente com conhecimento de causa, rigorosa e completamente imparcial, para concluirmos que afinal não existem vitorianos e a cidade de Guimarães é igual a tantas outras no que ao futebol diz respeito. Da minha parte só posso estar agradecido por este banho de realidade. Um grande bem-haja.
        Cumprimentos para todos.
        PS: nem imagino o que se diria dos adeptos do Vitória se o seu Presidente dissesse que com os adeptos do Braga seria campeão.

    • João D
      Posted Setembro 12, 2016 at 5:39 pm

      Por amor de Deus…

      Deixem-se de coisas. A rivalidade Braga-Guimaraes diz-me pouco.
      Não sou minhoto, raramente visito as duas cidades e nem lá perto estou em termos culturais comparado com a Região Norte e o Minho.
      Vivi e vivo numa cidade completamente diferente da vossa em tudo. Se é melhor ou não, não discuto isso.

      Ainda há dias elogiei o Braga e referi o tremendo potencial que tem. É só puxar atrás no blog.

      Alias, falam de Coimbra mas para mim (não digo isto por ser aveirense até porque é reconhecido por outras pessoas de outras cidades) o clube com maior potencial de crescimento fora dos 3 grandes e Minho é o maior de Aveiro. Falo obviamente do clube da minha cidade.

      Razões? Já as apontei várias vezes.

      • Luis
        Posted Setembro 13, 2016 at 1:36 am

        Esta a crescer tanto que foi parar á distrital, mas tambem seja sincero nunca se sabe bem qual é o seu clube, ora é o Beira-Mar depois o Boavista, á semanas atras era o Benfica.

  • RodolfoTrindade
    Posted Setembro 12, 2016 at 2:17 pm

    Excelente post!

    É realmente um clube à parte e que conta com adeptos do mais fervorosos que existem.

    Uma pena a base de recrutamento não ser assim tão vasto.

  • prassa
    Posted Setembro 12, 2016 at 2:21 pm

    Sou basco com muito orgulho!

  • João-Pedro Cordeiro
    Posted Setembro 12, 2016 at 2:33 pm

    Eu sei que os meus horizontes futebolísticos estão um bocado limitados entre Portsmouth e Inverness, mas queria aproveitar o post de um clube especial, para referenciar o Queens Park F.C. que nos tempos que correm, o do futebol profissional, é provavelmente a única equipa amadora a competir em divisões profissionais. Os Spiders subiram este ano à League One Escocesa, jogam no estádio nacional de Glasgow (Hampden), mas é o facto de todos os seus jogadores serem amadores/não remunerados e o facto do lema do clube ser “to play for the sake of playing” que torna o clube tão especial. O Queens Park foi o principal clube escocês (e até um dos principais clubes britânicos) até à Era do profissionalismo e é ainda hoje o terceiro clube escocês com mais Taças da Escócia conquistadas.

    Contudo, e apesar de tudo isto, a sua grande importância para o futebol prende-se com o facto de ter sido provavelmente o clube que definiu o futebol como é hoje jogado. Foi provavelmente o clube que instituiu a táctica no jogo em si, e que definiu algo que se passou a conhecer como o “combination football” ou o “scottish style” que foi a base de “estudo” e desenvolvimento do jogo para os primeiros pensadores do mesmo como Hugo Meisl, Chapman, Hogan. Uma importância tal que a FIFA acabaria mesmo por garantir a Ordem de Mérito Desportivo ao clube em 2008.

    Pessoalmente, se fosse futebolista profissional, principalmente escocês/britânico, teria na minha bucketlist fazer pelo menos uma época ao serviço do Queen’s Park.

    • Luís Neves
      Posted Setembro 12, 2016 at 6:30 pm

      Que conhecimento que classe de comentário. Apreciei muito ler cada palavra. E para isto que o visão de mercado existe. Excelente

    • MiguelSCB
      Posted Setembro 12, 2016 at 7:38 pm

      Genial mesmo este comentário. Aprende-se muita coisa por aqui realmente !

  • Logen
    Posted Setembro 12, 2016 at 2:37 pm

    O Bilbao merece o respeito de todos.
    É incrível como se mantém a tantos anos entre os melhores, e se fizermos uma retroespectiva aos últimos 10 anos a media é estar constantemente entre os 8 melhores da liga …
    Se pudessem juntar por exemplo 4 elementos extra pais basco estaríamos perante mais uma equipa tipo “Atlético Madrid” .
    Contudo o orgulho de ser assim é superior a qualquer troféu conquistado!

  • Estivela
    Posted Setembro 12, 2016 at 4:21 pm

    Ainda bem que não existem muitos clubes assim. Felizmente vivemos no século XXI onde a globalização é um facto consumado. Existe uma diferença entre bairrismo e provincionismo. Sou adepto é sócio do clube da minha terra mas nunca na vida queria ver apenas portugueses ou gente de braga a jogar no meu clube. Somos um clube aberto para o mundo como muitos outros e felizmente o tempo dos afonsinhos já não existe.

  • Hugo Oliveira
    Posted Setembro 12, 2016 at 9:51 pm

    Antes de tudo começo por dizer que sou de Guimarães e 100% vitoriano. Começo por reconhecer a superioridade a nivel desportivo dos nossos rivais de Braga nos ultimos anos, superioridade essa que levou a que realmente se tivessem aproximado de nós em termos de assistencia no estadio, mas aí é está a verdadeira questão. Apesar de tanta superioridade e bons resultados apenas se aproximaram. Agora imaginem o meu Vitoria com epocas sucessivas de sucesso e planteis caros e capazes de se intrometerem entre os 3 estarolas. Sei que ja foi muito discutido, mas na epoca em que drasticamente caimos na 2 liga crescemos em assistencia media no nosso estadio, em n de sócios e ainda contribuimos para um significativo aumento das assistencias medias nos restantes estadios. Duvido ser possivel algo parecido acontecer no nosso futebol. Saudaçoes Vitorianas.

    • João M.
      Posted Setembro 13, 2016 at 11:04 am

      O Braga não apenas se aproximou, como, em algumas épocas, ultrapassou o Vitória em termos de assistências. A comprová-lo está, por exemplo, a tabela que consta do site da Liga.
      Agora, dizer que o Vitória não tem tido melhores assistências porque os resultados não correspondem ao desejado é, no fundo, assumir que os vitorianos são como tantos outros, e que os outros, nomeadamente os de Braga, não recebem deles qualquer lição de lealdade a um clube.
      E, dando embora de barato que os resultados do Vitória não são do vosso agrado, o certo é que neste século não vos ocorreu apenas descer de divisão. Na verdade, queixam-se tanto, procuram tão afincadamente justificar a aproximação (e, em alguns anos, a ultrapassagem) do Braga ao Vitória em termos de assistências, mas parecem esquecer que, nos últimos anos, disputaram duas finais da Taça de Portugal, tendo ganho uma, disputaram duas Supertaças e andaram a disputar a Liga Europa.
      Não creias com isto que desrespeito o Vitória, ou o sentimento daqueles que são, mesmo, 100% vitorianos – bem sabemos que nem todos o são -, mas cansa este discurso de constante vitimização que tantas vezes visa justificar o injustificável.
      Depois, como quem não quer a coisa, ainda dizem que estão a aguardar uma má época do Braga, a fim de testar a nossa fidelidade. Pois, caso não lembrem, recordo-vos eu: na época do Jesualdo e do Jorge Paixão, ficamos em 9º lugar e, logo no início da época, fomos afastados pelo Pandurii.
      Dá para perceber este discurso? Não, não dá.

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