Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

Um elenco cheio de craques à procura do primeiro êxito

A Bélgica sempre foi um país ligado ao desporto, sendo que, no futebol, há muito está arredada dos grandes momentos. Desde a grande geração da década de 1980, saída do triunfo no Europeu de sub-19 em 1977 e que teve como ponto áureo a meia-final do Mundial 1986, o melhor resultado de sempre dos belgas em Mundiais, numa prestação que terminou aos pés de Diego Maradona e da sua Argentina. Desde então muito mudou na antiga Gália Belga e no futebol em geral. Se anteriormente os grandes craques militavam em clubes nacionais (Anderlecht e Brugge eram potências), hoje em dia encontram-se espalhados pela Europa fora, servindo os melhores clubes. Após 30 anos de exílio, a Bélgica está de volta com uma geração de ouro que precisa de títulos para cimentar um estatuto a nível internacional. Após atingirem os quartos-de-final no Mundial 2014 e no Europeu 2016, os Diabos Vermelhos, alcunha eternizada pelo jornalista Pierre Walckiers, quererão dar o passo seguinte e este Campeonato do Mundo parece ser a competição ideal para tal, uma vez que o calendário é favorável e porque a maioria dos craques se encontram na plenitude dos seus recursos. Com uma fase de qualificação imaculada, onde esmagaram no grupo H (28 pontos em 30 possíveis e uma diferença de golos positiva de 43-6), a turma de Roberto Martínez, técnico que ocupa o cargo desde 2016 e que está obrigado a mostrar serviço, chega à Rússia na máxima força, dando-se ao luxo de prescindir de Radja Nainggolan. Inserida num grupo bidimensional, onde é favorita à passagem aos oitavos-de-final do Grupo G, juntamente com a Inglaterra, em detrimento da Tunísia e do estreante Panamá, e tendo como aliciante o facto de cruzar com um grupo que não possui nenhum papão nos oitavos, tudo o que não seja uma presença, no mínimo, nos quartos-de-final será escandaloso. Contudo, isso parece não bastar, dado estarmos perante um dos melhores elencos presentes na competição, onde se conjuga talento, experiência e um poder ofensivo extraordinário (o 3-4-3 habitualmente adoptado exponencia esse poderio) e que apenas não se insere no lote de favoritos pelo parco historial nestas andanças. Neste sentido, esta é a hora ideal para afastar o adágio de selecção que muito promete, mas que pouco faz na hora da verdade, confirmando o regresso às grandes decisões, até porque será a derradeira oportunidade num Mundial para muitos dos convocados.

Estrela: Eden Hazard (Extremo, 27 anos, Chelsea) – O capitão de equipa e líder desta geração. Hazard é o feiticeiro capaz de elevar a equipa para outro patamar, sendo que das suas fintas nascerá o sonho belga e da sua técnica poderá surgir o paraíso. Apesar da constelação de estrelas que milita na convocatória, muito do que a Bélgica poderá fazer nesta prova dependerá do talento do craque oriundo de Louvière, na medida em que nenhum outro possui a mesma capacidade para desequilibrar individualmente, seja através da velocidade, do passe ou do remate.

Jogadores em Destaque: Kevin De Bruyne (Médio, 27 anos, Man City) – Um dos melhores médios do futebol europeu esta época, tal foi o seu rendimento no super conjunto de Guardiola. O médio total, que percebe como ninguém o que tem de fazer em campo e que, actuando agora mais recuado, é o responsável pela construção de jogo desde trás, conseguindo ainda desequilibrar com a sua capacidade no transporte, no remate e nas bolas paradas. Dries Mertens (Avançado, 31 anos, Napoles) – Não teve uma temporada tão fulgurante como no ano passado, mas continuou a ser uma figura em destaque em Itália, embora na selecção ainda não tenha conseguido ter o mesmo impacto. Um avançado inteligente, rápido, com um drible curto forte e com facilidade na finalização, fazendo parte do trio de ataque diabólico dos Rode Duivels. Romelu Lukaku (Ponta de Lança, 25 anos, Man Utd) – O artilheiro da qualificação (11 golos, apenas atrás de Lewandowski e Ronaldo) e um dos melhores dianteiros do mundo. Este ano deu o salto para o topo do futebol inglês novamente e, apesar de não ter conquistado qualquer título, fez uma temporada positiva, obtendo o seu melhor registo goleador de sempre (27 golos). Um portento físico, que dá trabalho a qualquer defesa e que cria problemas não só pelo que joga e marca, mas também pela facilidade com que arrasta marcações e abre espaços para os companheiros.

XI Base: Courtois, Toby Alderweireld, Kompany, Vertonghen, Meunier, Witsel, Kevin De Bruyne, Carrasco, Mertens, Hazard, Lukaku

Jovem a Seguir: Adnan Januzaj (Extremo, 23 anos, Real Sociedad) – Não fez qualquer partida na selecção na fase de apuramento, mas mereceu a confiança de Roberto Martínez depois de ser muito utilizado na Real Sociedad (35 jogos e 4 golos). Após ter explodido com Van Gaal em Inglaterra, foi perdendo protagonismo e desaparecendo do panorama do futebol mundial, mas tem técnica, velocidade e criatividade para ser uma mais-valia neste elenco. Deve ser suplente, mas pode acrescentar irreverência a partir do banco.

Principal Ausência: Radja Nainggolan (Médio, 30 anos, Roma) – Um dos melhores médios do futebol mundial, mas que, segundo Martínez, não tem lugar neste elenco. Irreverente e muito completo, Nainggolan é um todo-o-terreno que dificilmente alguém pode enjeitar, tal é a sua capacidade com e sem bola. Além disso, fez parte da campanha da Roma, que atingiu a meia-final da Liga dos Campeões, marcando inclusivamente dois golos aos Reds. É, sem dúvida, uma ausência de peso na Bélgica e uma das mais relevantes deste Mundial.

Convocatória: Guarda-redes: Koen Casteels (Wolfsburgo/Ale), Thibaut Courtois (Chelsea/Ing) e Simon Mignolet (Liverpool/Ing). Defesas: Toby Alderweireld (Tottenham/Ing), Dedryck Boyata (Celtic/Esc), Leander Dendoncker (Anderlecht), Vincent Kompany (Manchester City/Ing), Thomas Meunier (Paris Saint-Germain/Fra), Jan Vertonghen (Tottenham/Ing) e Thomas Vermaelen (FC Barcelona/Esp). Médios: Yannick Carrasco (Dalian Aerbin/Chn), Nacer Chadli (West Bromwich/Ing), Kévin De Bruyne (Manchester City/Ing), Moussa Dembélé (Tottenham/Ing), Marouane Fellaini (Manchester United/Ing), Youri Tielemans (Mónaco/Fra) e Axel Witsel (Tianjin Quanjian/Chn). Avançados: Michy Batshuayi (Borussia Dortmund/Ale), Eden Hazard (Chelsea/Ing), Thorgan Hazard (Borussia Mönchengladbach/Ale), Adnan Januzaj (Real Sociedad/Esp), Romelu Lukaku (Manchester United/Ing) e Dries Mertens (Nápoles/Ita).

Seleccionador: Roberto Martínez
Prognóstico VM: 1.º no grupo e quartos-de-final

Rodrigo Ferreira

Outras selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo A: Uruguai
Grupo B: Marrocos
Grupo C: FrançaDinamarca
Grupo D: IslândiaArgentina
Grupo E: Costa RicaBrasilSérvia
Grupo F: SuéciaCoreia do Sul
Grupo G: InglaterraPanamá, Bélgica
Grupo H: SenegalJapão

15 Comentários

  • Musa Dav
    Posted Junho 4, 2018 at 7:27 pm

    Grandes jogadores mas não vão ganhar nada pois têm um treinador mediano. Bastou ver a miséria contra Portugal.

  • Roy_KK
    Posted Junho 4, 2018 at 7:30 pm

    Surpresa para mim será quando a Bélgica fizer um bom mundial, assim como Inglaterra.
    O recente jogo contra Portugal mostrou que são só uma equipazinha cheia de estrelas.

  • TheHunter
    Posted Junho 4, 2018 at 7:34 pm

    Uma selecção cheia de potencial mas que tarda em explodir pois tem um 11 e muitos jogadores no banco para deixar uma marca interessante. Da baliza ao ataque possuem excelentes jogadores em todas as posições.

  • Kafka
    Posted Junho 4, 2018 at 7:55 pm

    A Bélgica faz lembrar um pouco o que era a Espanha na década de 90 e inicio deste Século, ou seja, prometia sempre imenso, fazia sempre qualificações exemplares e depois chegavam às fases finais e invariavelmente falhavam, até que em 2008 a coisa pegou e o resto é o que se sabe….

    Vamos lá ver se algum dia esta Bélgica pega, ou se vai continuar a desilusão do costume

  • Bio
    Posted Junho 4, 2018 at 8:09 pm

    Conjunto fortíssimo de jogadores, mas enquanto equipa ainda não convenceram.
    Para mim em termos de elenco estão no grupo de 2ª linha, juntamente com a Argentina, só atrás de Brasil, Espanha, França e Alemanha.

  • T. Pinto13
    Posted Junho 4, 2018 at 8:30 pm

    Penso que será mais do mesmo, para além que me dá a ideia que este treinador não é indicado para o projeto.

  • RuiCosta10
    Posted Junho 4, 2018 at 8:50 pm

    Mais uma grande competição desperdiçada por esta seleção, que tem um treinador que é apenas ridiculo. Deixou só um dos melhores médios do mundo a ver o mundial na tv, porque tem problemas pessoais com ele, e nem isso admite.

  • Mike The Kid
    Posted Junho 4, 2018 at 9:00 pm

    Acho a Bélgica o oposto da Alemanha, na medida em que os belgas têm grandes jogadores e muito talento, mas como equipa são muito fracos, não jogaram nada no europeu. Já a Alemanha, não é a equipa mais forte em individualidades, mas coletivamente devem ser a melhor equipa do mundo.
    Não chamar o Nainggolan é ridículo

  • RLuz
    Posted Junho 4, 2018 at 9:13 pm

    Uma seleção que em termos individuais são do melhor que vai haver no mundial, mas acho que não irão muito longe no mundial ou pelo menos não irão tão longe face a qualidade que tem ao dispor.

  • cards
    Posted Junho 4, 2018 at 9:25 pm

    Boa seleção
    tem um historial muito superior ao de Portugal em termos mundiais.

  • MiguelF
    Posted Junho 4, 2018 at 9:26 pm

    Esta seleção da Bélgica tem jogadores espetaculares e é das melhores do mundo em termos individuais agora a nível coletivo por vezes deixa muito a desejar.

    Sinceramente acho que necessitavam de um selecionador a sério para os levar à glória e não penso que Roberto Martinez seja o homem certo.

    Penso que passarão sem problemas a fase de grupos mas que irão cair antes da final.

  • Rui Miguel Ribeiro
    Posted Junho 5, 2018 at 12:00 am

    Grandes jogadores, equipa boa e treinador mediano, homem pequeno que teve a pequenez de excluir um dos melhores médios…porque sim. E ainda teve a canalhice de inventar um falso pretexto.

  • Tiago Silva
    Posted Junho 5, 2018 at 9:27 am

    Não acredito que cheguem longe, o selecionador é fraco. Dá poucos minutos a Tielemans, não potencia os seus jogadores ao máximo, principalmente nos casos de Mertens (joga muito longe da baliza), De Bruyne (tem que ter liberdade e não servir como uma arma defensiva) ou Carrasco (deixar Jordan Lukaku de fora que era talvez o único jogador que poderia dar profundidade ao corredor esquerdo). E depois não esquecer o caso do Naingollan.

    A Bélgica deve fazer alguma remodelações no seu jogo. Gosto do sistema de 3 centrais, penso que encaixa bem e têm 3 centrais do melhor que há. Depois deveria ir Jordan Lukaku e ser titular de forma a dar profundidade nos corredores a par do Meunier. No meio-campo, De Bruyne deveria avançar no terreno e Tielemans ficaria a jogar como médio mais trabalhador ou mesmo Dendoncker ao lado do Dembelé. Depois em posições mais avançadas De Bruyne, Hazard e Lukaku. Mertens e Carrasco poderiam ser armas importantes para agitar, o selecionador não deveria forçar a sua ideia de jogo para pôr craques por pôr.

    Também não percebi a chamada do Chadli que apenas jogou 5 jogos esta época.

    Resumindo: não prevejo uma super-Bélgica mas que qualidade eles têm isso sim e poderiam jogar bem melhor do que o que jogam.

  • RMCL
    Posted Junho 5, 2018 at 11:14 am

    Que adianta ter um elenco individual fabuloso, se colectivamente deixa a desejar esta selecção belga,
    Quando conseguirem potenciar as individualidades em prol do colectivo não tenho duvidas que será uma selecção “temível”.

  • MonteiroJC
    Posted Junho 5, 2018 at 12:37 pm

    Um dos grande problemas da Belgica reside na falta de união no balneario, por razões políticas e de nacionalidade. A rivalidade entre valões e flamengos , tem vindo a minar as relações entre os jogadores, e esse motivo em nada ajuda a potenciar em prole do colectivo, as capacidades inequivocas destes futebolistas. Nem sequer há uma lingua consensual no balneário

Deixa um comentário