Sarri tem sido bastante contestado pelos resultados obtidos, principalmente devido às goleadas sofridas às mãos de Bournemouth e Manchester City. Sendo já conhecida a pouca paciência de Abramovich no que diz respeito a treinadores, é natural que a imprensa comente a possível saída do italiano do cargo no Chelsea. Contudo, é no meio termo que se deve medir a importância do ex-Nápoles na situação: a culpa recai sobre ele, mas o próprio é também a solução.
Recorde-se a entrada de Sarri no clube inglês. Quando a maioria das equipas estava já com a época minimamente planeada, ainda estava Abramovich a negociar com Antonio Conte a saída deste. O russo pretendia que o seu plantel jogasse um futebol mais vistoso, depois de se ter cimentado na elite da Premier League, e achou que este era o timing ideal para a mudança, principalmente porque Sarri, o mentor do bonito jogo do Nápoles, estava disponível. A conclusão que se pode retirar daqui é que o italiano já entra tarde na época e tal poderia ter sido uma explicação para a dificuldade em implementar as suas ideias. O “problema” é que o Chelsea foi vencendo os seus primeiros jogos, nos quais já era possível identificar a mão do ex-Nápoles. A euforia dos adeptos cresce e eles assumem que o seu clube é candidato ao título, expectativa que, apesar de não ser descabida, dificilmente se tornaria realidade. Tanto Guardiola como Klopp têm, neste momento, mais argumentos para vencer a Premier League. Mas é necessário perceber que ambos necessitaram de pelo menos uma época (e de alguns milhões de libras) para se integrarem no futebol inglês. Sarri parece ter sido precoce nesse aspecto, mas é igualmente verdade que a equipa deixou de evoluir, apresentando praticamente os mesmos mecanismos desde o início da temporada.
O italiano apostou numa saída de bola através de Kepa, David Luiz e Jorginho, com a largura a ser dada por Marcos Alonso e Hazard e Pedro/Willian a realizarem movimentos interiores. Esta estratégia funcionou bem enquanto as outras equipas não perceberam como travá-la. A partir de certo ponto, Jorginho começou a ser marcado de forma individual e o onze começou a demonstrar sinais de fraqueza. O médio é uma extensão do treinador em campo e um jogador que marca a identidade do futebol de uma equipa. E Sarri ainda não se prontificou a arranjar solução para este problema, a meu ver fundamental para a dinâmica que pretende implementar. Este dilema poderia ser resolvido recuando Kanté, para que este criasse superioridade numérica na saída de bola e libertasse um pouco Jorginho dessa responsabilidade. Aproveitar-se-ia bastante melhor o francês que, apesar de ter realizado algumas partidas de qualidade na função de médio mais adiantado, revela dificuldade em jogar de costas para a baliza e não oferece um toque diferenciado e criativo.
A posição de ponta de lança foi a questão com que Sarri mais se debateu nesta estadia em Stamford Bridge. Começou por experimentar Morata, só que este não realizava o jogo de costas que o italiano pretendia para o seu papel. Sai o espanhol e entra Giroud, que também não aproveita a oportunidade devido ao facto de ser um excelente futebolista de equipa, mas não um goleador. A última solução foi Hazard, mas o belga, para além de fazer mais falta noutras áreas do campo, é muito menos efectivo a jogar com menos espaço, como é habitual no centro do terreno. Para colmatar esta falha, chegou Higuain no mercado invernal. O argentino consegue fazer um pouco de tudo o que os antecessores faziam e tem a vantagem de já conhecer Sarri dos tempos em Nápoles. Só que, como se veio a provar, o problema do jogo ofensivo do Chelsea não passava apenas pelo intérprete da função de ponta de lança. É mais profundo ainda. A equipa não consegue encontrar remates limpos em direcção à baliza, que parece estar sempre superpovoada. Um dos motivos para isso acontecer é o facto de Hazard e Pedro/Willian não soltarem a bola no momento correto em ataque posicional, demorando-se inúmeros segundos com ela no pé, nem aparecerem nos espaços livres fundamentais quando os adversários ainda estão a recuperar posição. E o italiano já deveria ter intervindo aqui, educando os seus pupilos no sentido em que o seu jogo necessita de mais velocidade na troca de bola e que o timing é um conceito extremamente importante.
Por último, também se deve criticar a falta de rotatividade do plantel, aspecto que já era reprovado na passagem de Sarri por Nápoles. O italiano não parece confiar nos seus suplentes e, quando os coloca em campo, é por alguma necessidade superlativa ou para que estes interpretem exactamente a mesma função dos que estão em campo, não respeitando as potenciais características diferenciadas que estes poderiam oferecer. Este factor demonstra que o ex-funcionário bancário está com alguma dificuldade em potenciar jogadores e que se sente demasiado agarrado à sua identidade.
O ex-Nápoles continua a parecer o homem certo para liderar um Chelsea que pretende um beautiful football, mas tem de reconhecer os seus erros e adaptar as suas ideias, sem fugir ao seu jogo de autor. E tanto os adeptos como Abramovich têm de estar cientes que, mais importante do que penalizar quem erra, é apoiar aqueles que são a solução, como o é Maurizio Sarri.
Visão do leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui): Rui M. Teixeira


20 Comentários
psychomantis
Sarri é um bom treinador mas não passa disso, um bom treinador. Ainda está a alguma distância dos melhores.
Ainda ouvi dizer que ele era dos melhores do mundo e até que o Nápoles tinha ficado a perder com a sua saída e a chegada de Anceloti. Ridiculo.
Sarri é um dos treinadores da moda, mas de treinadores (e jogadores) da moda está o futebol cheio.
Sarri ainda tem de melhorar muita coisa para se sentar á mesa com os melhores.
Eagle1991
É tudo uma questão de expetativas. Sarri é um bom treinador mas que nada ganhou antes de chegar ao Chelsea. Houve uma euforia excessiva. Não houve preparação da época dado o contexto do despedimento do Conte e contratação tardia do Sarri. Posto isto nem Sarri é tão bom quanto queria fazer crer mas não é tão mau como estes resultados parecem demonstrar. Há que dar tempo ao tem e deixar o italiano desenvolver o seu trabalho. Balanços deverão ser feitos no final da época através dos resultados desportivos e da evolução da equipa até lá.
Berto
O treinador ideal seria o Frank Lampard. Podem acusar a falta de currículo e experiencia mas conhece bem o clube e creio que seria a pessoa indicada para liderar o clube.
E o que temos
É completamente estúpido despedir o Sarri nesta altura, quem é que eles vão colocar cá que seja melhor ?
bojo
Sarri é um tremendo treinador, mas chega ao Chelsea com um histórico de futebol atrativo…mas títulos que é bom, nada! Há um enorme hype em torno de Sarri que me parecem manifestamente exagerados, pois não chega jogar bem se não se conseguem troféus, sobretudo numa equipa como o Chelsea.
A questão da chegada tardia ao clube é verdade, mas também o é que começou bem a temporada e à medida que a época vai avançando as coisas estão cada vez menos famosas.
Tiago Silva
Belo ponto de vista. Tanto o Guardiola como o Klopp, para muitos os melhores treinadores do Mundo, também começaram mal, a adaptação à Premier League é difícil. Daria mais tempo a Sarri.
AnalistaVerde
Não percebo toda esta excitação pelo Kloop, pelo Guardiola ainda entendo, pois é dos melhores do Mundo, agora o Kloop, o que fez para ser dos melhores do Mundo?
No Dortmund esteve lá 8 ou 9 épocas, teve dos melhores planteis de sempre, o Bayern não era a força que é há 5,6 anos, venceu 2 ligas e algumas taças, mas nada de extraordinário para o plantel que tinham, perdeu uma Champions League para o Bayern.
Tinha jogadores como Reus, Subotic, Gotze, Lewandoswki ou Hummels, dificil era não ganhar algo.
No Liverpool esta lá há 5 épocas, com investimentos acima dos 200 milhões todas as épocas e até agora nada ganhou, é eliminado por equipas secundárias nas Taças, nunca consegue ser consistente a nível nacional e europeu.
Esta época estão em 1º, mas aposto que o City ainda vai ser campeão, é uma equipa de absoluta vertigem, não conseguem controlar nenhum momento de jogo, queria ver o Kloop em Portugal, muitos mudavam de opinião.
O Sarri é dos melhores do mundo, mas o plantel não está formatado às suas ideias de jogo, com tempo as coisas irão assentar, se Abrahomovic tiver paciência.
Chomate
Concordo a 100%. Como simpatizante do Liverpool, exigo o despedimento de Kloop, e para o substituir gostava que contratassem João Henriques ou Jorge Simão.
Já o que o Kloop fez no Dortmund, também acho extremamente sobrevalorizado. Até parece que o Dortmund, desde que o Kloop saiu, não está farto de ganhar títulos. Oh wait…
TheGolden
Dizer que o Liverpool é de absoluta vertigem, é de quem não viu nenhum jogo esta época.
Sim, porque quando chegou ao Dortmund, tinha esses jogadores e também tinham a qualidade que apresentam ao dia de hoje.
As tuas opiniões são surreais.
Kostadinov
O Klopp não é dos melhores do mundo mas o Sarri já é. Independentemente do parâmetro usado para se proferir uma declaração destas (identidade futebolística, títulos, feitos, recordes, relação com os jogadores, etc) esta nunca pode estar correcta. O Klopp correu sempre por fora em todas as equipas que orientou. Todas. Nunca esteve no melhor clube da Alemanha (embora o Dortmund fosse o segundo melhor) e de certeza que se hoje está naquele que é provavelmente considerado um dos 2 melhores clubes de Inglaterra é com grande mérito seu, porque ninguém colocava o Liverpool sequer no top 3 quando ele chegou. Nunca estando na melhor equipa do país na Alemanha ganhou 2 campeonatos, 1 Taça e 3 Supertaças além de ter chegado à final da Champions. No Liverpool, em 3 anos chegou a 2 finais europeias, e agora, no seu 4º ano, o clube está mais bem encaminhado do que alguma vez esteve em tempos recentes para ganhar um título que lhe escapa desde 1990. Aliás, quando chegou o próprio Klopp preconizou que se ‘dava’ a ele próprio 4 anos para ganhar um campeonato pelo Liverpool.
Por tudo isto essa é uma afirmação que pouco ou nenhum sentido faz.
LES
Concordando com praticamente toda a análise sobre os trabalho de Klopp no Liverpool, apenas referir é falso que ninguém tenha colocado os Reds no top3 da PL antes dele, nos anos que se antecederam à chegada do alemão. Tal afirmação trata-se de uma injustiça ao facto de Brendan Rodgers, que com uma equipa menos capaz do que a atual dos Reds, ter perdido na reta final o campeonato para o Man City, ficando em 2º lugar com 84 pontos, e 2013/14 – inesquecível aquele 3×3 em casa do Palace e a escorregadela do Gerrard em Anfield, vs Chelsea.
Kostadinov
Referi-me claramente ao ano em que Klopp chegou. Nessa altura, absolutamente ninguém salvo uma ou outra excepção colocava o Liverpool no top 3 das melhores equipas inglesas. Essa época de 13/14 foi uma clara anomalia na história recente do Liverpool:
09/10 – 7º lugar
10/11 – 6º lugar
11/12 – 8º lugar
12/13 – 7º lugar
14/15 – 6º lugar
15/16 (ano de entrada do Klopp) – 8º lugar
Como tal esse ano foi a excepção e não a regra. A verdade é que, desde a viragem do milénio, foram muitas mais as vezes que o Liverpool ficou fora do top 3 (13) que dentro dele (6).
BrunoV
Quem eram Reus, Subotic, Gotze, Lewandoswki ou Hummels, entre outros? Quem os potenciou?
Quando Klopp entrou no Dortmund o
Reus não estava lá, ou seja, o Klopp teve visão para o ir buscar (ou a equipa técnica)
Hummels, vinte anos, dispensado pelo Bayern, o Klopp apostou nele
Subotic, veio do Mainz juntamente com o Klopp, antes de ir para lá o Klopp teve a ousadia de apostar nele com 18 anos
Lewandoski, entrou na terceira época vindo da polónia com 22. visão e ousadia do klopp em contratá-lo
Para além de apostar em Nuri Sahin, Marcel Schemelzer, Gundogan, Kuba
E ainda na renovada aposta do Roman Weidenfeller, pois este era suplente do M. Ziegler
Ou seja, o teu comentário relativo ao Dortmund não tem pés nem cabeça pois quem criou “dos melhores planteis de sempre” do Dortmund foi o Klopp
Relativo ao Liverpool tens razão, tirando a ideia do investimento superior a 200 milhões por época…
1ª época mais ou menos 100 milhões
2ª época mais ou menos 150 milhões
3ª época mais ou menos 200 milhões
Quando comentares fundamenta o teu comentário com factos e não com ideia próprias podes cair no ridículo
Tiago Silva
Nem mais. Quem eram jogadores como Lewandowski, Reus, Subotic e Hummels antes de chegar o Klopp? Quem é que criou um dos melhores planteis de sempre do Dortmund que até foram a finais europeias? Quem eram Firmino, Salah, ou Van Dijk antes do Klopp? Eram bons jogadores mas não dos melhores do Mundo.
O Sarri é muito bom treinador, mas não está no nível do Klopp.
LES
Se consigo concordar que Firmino e Salah explodiram com Klopp, já não consigo dizer o mesmo quanto ao van Dijk, dado que só quem não viu jogos do Southampton em 2016 e 2017 é que pode afirmar que van Dijk só explodiu com Klopp. Penso que seria importante referir a grande evolução que tiveram sob a sua batuta jogadores low-profile como Alexander-Arnold e Robertson, esses sim mérito da atual equipa técnica dos Reds!
E o que temos
Bons bons são o Ivo Vieira e o Silas
Chomate
Compreendo a ironia perante o autor do comentário.
Mas acho que Ivo Vieira e o Silas são treinadores com um grande futuro, embora ainda não tenham mostrado ser treinadores para equipas candidatas a títulos
Fabio Mendes
E o Keiser ehhe
E o que temos
Esse já nao presta na óptica deste user, só durou um mês
J Silver
O Klopp é um gajo bué porreiro.