
Numa temporada cheia de reviravoltas surpreendentes e excitantes, acabamos por não nos inteirar, muitas vezes, de histórias de clubes mais modestos e desconhecidos para o comum dos adeptos do desporto-rei, mas que embelezam o beautiful game.
No País de Gales, o Cardiff Metropolitan University FC conseguiu qualificar-se pela primeira vez na sua história para as pré-eliminatórias da Liga Europa. A curiosidade reside no facto desta equipa ser maioritariamente composta por estudantes de doutoramentos e de mestrados – uma essência que em Portugal se viveu há largos anos na Académica de Coimbra.
Fundado em 2000, resultante da fusão entre o Inter Cardiff e o Cardiff Metropolitan University, adquiriu apenas em 2009 a sua atual designação. Todavia, em 2010 atingiram o fundo do poço, ao serem relegados para o IV escalão. No entanto, numa incrível história de superação, os Archers lograram 2 promoções consecutivas entre 2012 e 2014, ficando em 2015 em 3.º lugar na Division One (II escalão), mesmo à beira da subida à Premier League galesa. Assim, em 2016, o conjunto estudantil alcançou a tão almejada subida ao principal campeonato do País de Gales, erguendo o título de campeão da Division One.
No ano de estreia na Premier League galesa, atingiram a final dos play-offs que poderia garantir uma vaga nas pré-eliminatórias da Liga Europa, fruto de um golo de cabeça de Charlie Corsby (o futebolista com mais jogos pelo emblema de Cardiff). No entanto, o sonho, nessa temporada, seria destruído pelo Bangor City, que derrotou os estudantes por 1-0. Na época passada, o carrasco foi o Cefn Druids AFC, pelo mesmo resultado, perdendo, além disso, a final da Taça da Liga para o The New Saints.
Assim, esta época acabou por ser de boa memória para a formação de Cardiff, dado que viram a equipa feminina qualificar-se também pela primeira vez na história para a Liga dos Campeões e, em masculinos, também levantaram o troféu da Taça da Liga, com 2 golos de Adam Roscrow. O mesmo avançado que se esmerou com 10 golos na decisiva fase de despromoção, onde a equipa selou a última vaga de acesso ao play-off (o 7.º lugar), entrando novamente na discussão pelo acesso ao sonho europeu. Os Archers tiveram que dar a volta nas meias-finais contra o Caernarfon Town (4.º classificado da fase campeão), triunfando por 2-3.
Na final, o médio Eliot Evans foi o grande herói, ao empatar no imediato a partida contra o Bala Town, aos 24 minutos, permitindo que a contenda fosse para o prolongamento, onde o 1-1 não sofreu alterações. Depois, no drama da lotaria das grandes penalidades – algo inédito nos play-offs da Premier League galesa – Will Fuller defendeu 3 tentativas dos Lakesiders, sobrando para Eliot Evans a façanha de marcar o castigo máximo que levou o Cardiff Metropolitan University FC a concretizar o seu pequeno conto de fadas.
Luis Enrique Santos


5 Comentários
rmatos24
Adoro ler estas histórias e dou os meus parabéns ao visão de mercado por permitir que estas preciosidades sejam lançadas para o público e neste caso ao Luís Enrique Santos pelo belo texto.
Estigarribia
Bom texto, Luís Enrique Santos. É por textos como este que o Visão de Mercado é o melhor site/blog desportivo em Portugal.
Pessoalmente não conhecia esta equipa e o facto de terem conseguido a concretizar o sonho de chegar às pré-eliminatórias da Liga Europa faz-me acreditar que afinal o futebol não é só dinheiro e que ainda há quem jogue por amor à camisola (mesmo sabendo que é só em clubes como Cardiff Metropolitan University FC). Oxalá consigam chegar longe na Liga Europa e, quem sabe, entrar na fase de grupos da 2ª competição da UEFA, já que isso seria a cereja no topo do bolo desta equipa galesa.
Saudações Leoninas
T. Pinto13
É sempre bom ler sobre estes feitos.
Obrigado Luís.
Tiago Silva
Há tantas histórias bonitas no futebol! Não conhecia esta, sem dúvida uma grande história, são apenas estudantes de uma universidade e vão viver o sonho de muitos miúdos galeses. Parabéns!
TOPPOGIGGIO
Histórias destas são sempre bonitas e exemplos de que o futebol é realmente belo e que a perseverança é um bom caminho ? A AACoimbra podia reavivar essa chama também ?