Naval 1º de Maio, União de Leiria, Beira-Mar, Académica, Tondela. O que há de comum entre estes clubes? Já longe dos relvados ou a renascer das cinzas, todos eles representaram a Região Centro no principal escalão do futebol português no século XXI. Entretanto desceram. O Tondela foi o último sobrevivente de uma zona do país com cada vez menos representantes na I Liga. Em 2022/23, pela primeira vez em toda a história da competição, não haverá qualquer clube da Região Centro na jornada inaugural da principal divisão do futebol nacional.
Ainda se lembram da última vez em que pelo menos três clubes do Centro coabitaram em simultâneo na I Liga? Para tal é preciso recuar a 2011/12, ano em que Académica – que se sagraria vencedora da Taça de Portugal –, Beira-Mar e União de Leiria partilharam o palco principal. Desde então, o melhor registo foi de duas equipas, tanto em 2012/13 (Académica e Beira-Mar), como em 2015/16 (Académica e Tondela).
Por esta altura, muitos já se interrogaram por que motivo Arouca e Feirense não estão a ser encarados como emblemas da Região Centro. Eis a explicação: de acordo com a Nomenclatura de Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS), embora ambos pertençam ao distrito de Aveiro e representem a respectiva Associação de Futebol (AF Aveiro), ainda se enquadram, territorialmente, na Região Norte.
Um dos aspectos mais curiosos que se tem vindo a acentuar na I e na II Liga é precisamente a distribuição das equipas por região territorial. Dos 36 clubes presentes nestas duas competições esta época, apenas Académica, Académico de Viseu, Sp. Covilhã e Tondela, este último na I Liga, faziam parte da Região Centro. Quatro clubes. Uma percentagem ligeiramente superior a 10%. Esta distribuição, refira-se, continua a ser largamente dominada pela Região Norte (18), cuja percentagem se cifra nos 50%.
A continuidade da participação da Região Centro na I Liga residia nos ombros do Tondela. O clube da Beira Alta, que já por duas vezes conseguira evitar a despromoção à tangente, desta vez pereceu diante do Boavista na derradeira jornada (empate a duas bolas, resultado curto mediante a vitória do Moreirense) e confirmou o regresso à II Liga, competição esta que este ano viu um histórico da Região Centro – a Académica – tombar pela primeira vez, assistiu a uma salvação in extremis do Académico de Viseu (um lugar acima da “linha de água”) e aguarda agora o desfecho do play-off de despromoção (o Sp. Covilhã defrontará o Alverca no duplo embate decisivo).
Diogo Carvalho


17 Comentários
Mr.433
Sempre pensei em termos Hipotéticos numa liga composta por clubes com adeptos e considerando um pouco localização do clube (ignorando o mérito desportivo, que acaba por ser o mais importante)
Por exemplo, uma liga de 20 clubes algo do gênero:
1- Benfica
2- Porto
3- Sporting
4- Braga
5- Guimarães
6- Boavista
7- U. Leiria
8- Beira Mar
9- Académica
10- Paços de Ferreira/ Morreirense
11- Santa Clara (presença dos Açores)
12- Marítimo
13- Os Belenenses (o verdadeiro)
14- Olhanense/ Portimonense
15- V. Setúbal
16- D. Chaves/ Rio Ave
17- Leixões/ Feirense (Ou até Varzim)
18- Famalicão/ Vizela
19- Estoril/ Estrela da Amadora
20- Nacional/ Farense
Seria algo nessa ótica de clubes, claro que não é assim que funciona, e a cima de tudo os clubes tem ou não tem presença na primeira por mérito desportivo. Fica apenas uma “imaginação” adicionem clubes que achem que merecessem estar nessa liga de adeptos (ou de representantes por zonas do país). Ou que eu me tenha esquecido.
TOPPOGIGGIO
Nesse exercício hipotético acrescentaria Leça e Salgueiros que, mesmo nas divisões inferiores, têm adeptos com uma grande paixão. Leixões Vs Leça por exemplo é uma rivalidade enorme. O Torreense ou Estrela da Amadora também são clubes interessantes, assim como o Académico de Viseu. O Alentejo acaba por não ter um representante, muito também devido a natureza do projecto do Campomaiorense que, do que me lembro, foi o maior representante. Mais a Sul o Olhanense também teve participações dignas na 1a Liga.
offtopicguy93
Essa do campomaiorense ser o maior representante do alentejo é a piada do ano! De facto só os petrodolares é que não são bem vistos na sociedade em geral, todo o dinheiro proveniente de outros negócios já é legítimo e podem investir no futebol! O campomaiorense chegou à primeira divisão pois a família nabeiro esturrou milhões de euros no clube, assim que deixaram de investir o que aconteceu? Pois, vai ler como está o clube agora, nem futebol sênior tem… a formação está deprimente, à deriva diria! As instalações no geral estão a cair de podres, no fundo um clube sem identidade e projeto!
O maior clube do alentejo é e sempre será o “O Elvas CAD”! Esteve na primeira divisão em duas épocas da sua história distintas e sempre por mérito próprio, usando jogadores da cidade para lá chegar e inclusive usando esses mesmos jogadores na primeira divisão, casos de Beto Vidigal, juanito, joao Carlos, entre outros… além de ser o único clube alentejano que colocou jogadores na seleção nacional, o grande domingos patalino (jogador que deu e dá o nome ao estádio do elvas).
No alentejo quem domina é o elvas, desde petizes aos seniores! Quer seja a nível de títulos, quer seja a nível de grandeza e adeptos!
TOPPOGIGGIO
Esse teu primeiro parágrafo também vai para a secção de piadas, pois não leste bem o que escrevi…
Eu explico o meu comentário anterior “DO QUE EU ME LEMBRO”, e embora não me tenha lembrado d’O Elvas, tenho memória do Clube (já lá iremos), mas já há tanto tempo que não está nos escalões profissionis, que nem me lembrei….
“A NATUREZA DO PROJECTO” eu ainda estava em Cabo Verde e sempre ouvi dizer que era um projecto finito e que estava relacionado com a marca do Nabeiro, logo não era um projecto cuja finalidade fosse maioritariamente desportiva, embora pessoalmente até me tenha simpatizado com a equipa. Portanto, se foram os petrodólares, foram os dele (mais uma vez, correndo o risco de ser chamado à atenção, os relatos que oiço e que cheguei a ler de empregados seus é que é um homem bom, decente, correcto com os seus empregados, e que trabalhou para ter; se é mentira estarás melhor preparado para responder…), e havia um propósito claro que era comercial. Não estou a atribuir ao clube um peso histórico como os demais, mas fiz referênia pela região e do que me lembrei. Nessa região, há ainda o Desportivo de Beja e um clube com o qual passei a simpatizar depois de uma reportagem na Sport Tv que é o Mineiros de Aljustrel, um clube de mineiros e que se estivr pelo Youtube aconselho a malta a ver. São clubes sem petrodólares e normalmente é por esses que simpatizo…
Voltando ao Elvas, era eu menino de 5/6 anos em Cabo Verde e lembro-me dos rapazes mais velhos da aldeia, que sempre seguiram (e o hábito ia passando) escrupulosamente os campeonatos Portugueses; as tardes de Domingo eram passadas a ouvir resultados, de 1ª, 2ª, 3ª divisão, via rádio (a dar mal e porcamente AM/FM, SW/ LW) e os nomes dos clubes – que muitas vezes eram o das regiões – vieram a ser-me úteis quando fui para Portugal.
Como não é como agora que se consegue arranjar um calendário impresso, essa rapaziada tinha o trabalho de apontar num caderno, todas as 30/34 jornadas da 1ª e 2ª liga, e todos os fins de semana lá se escrevia à mão os resultados, quem marcou os golos, etc… O Elvas, estava nesses cadernos, mas eu era um pirralho ainda e não tenho memória de os ver jogar, daí não ser a primeira que me veio a cabeça.
Quanto ao artigo, vou ler depois porue gosto da história dos menos famosos.
Meu nome é Toni Sylva
De facto, se há coisa que não tem nada a ver com petrodolares, foi o investimento da Delta. Mas estamos num país que não merece nada…
Para mim o Farense conta mais que os outros dois algarvios.
Também colocava o Salgueiros em vez do Famalicão ou Vizela.
offtopicguy93
https://maisfutebol.iol.pt/amp/o-elvas-quando-o-alentejo-fazia-sofrer-os-tres-grandes
Se tiveres interesse deixo te aqui um artigo para leres!
offtopicguy93
Fazer um comentário politicamente correto e não incluir uma equipa do interior, dá que pensar!
Marcio Ricardo
O Tondela é do interior… Mas sim, ele também podia mencionar o Académico de Viseu, Benfica de Castelo Branco ou Sporting da Covilhã.
Aurinegro
Tondela interior ? Pertence à Beira Alta e não à Beira Interior. Basta olhar para o mapa para ver que Tondela está mais perto do litoral do que de Espanha.
Quanto ao post, se querem usar a NUTS II, tudo bem, mas então não se esqueçam que o Torrense, que subiu, é centro.
Mr.433
Sim podia ter adicionado uma do interior, mas a verdade é que até o próprio Tondela não tem uma grande massa associativa. Em termos futebolisticos por mais que se queira defender é a região mais enfraquecida. O Académico de Viseu é uma opção interessante sim, mas é um clube que vive a base do potencial de ter toda uma região com bastante população como apoiante de um clube só (existem outros clubes em Viseu mas com menor expressão)… Mas até hoje o Viseu sempre teve pouca aderência aos jogos.
É verdade tentei colocar também por região, mas a base era os clubes com mais adeptos. E no interior infelizmente por enquanto acho que terá dificuldade de entrar num “top 20”
Neville Longbottom
Apenas para enquadrar: isso não é a classificação por número de adeptos ou é? Caso seja, estranho. Paços e Moreirense tão acima? Vitória atrás do Braga (esta não sei mesmo, podes desmentir-me)…
SL
Mr.433
Não os números não tem significado nenhum, nem ordem de equipas. É totalmente aleatório, simplesmente, os primeiros que me vieram a cabeça acabaram por ser também os maiores. Mas não não tem significado.
Neville Longbottom
All right! Obrigado!
Mr.433
Concordo plenamente, o torreense, Leça, salgueiros, Viseu, são todos com muitos adeptos. A Liga 3 veio dar um papel incrível a esses clubes, tem se revolucionado o lema do “apoia o clube da tua terra”, este ano viu-se muitos clubes de terceira com estádios bem compostos. Leiria então nem se comenta (meteu mais de 10mil várias vezes agora no final do campeonato, o último jogo meteu 14mil). Referi por exemplo o Varzim, porque mesmo que tenha descido divisão tiveram muitos adeptos no estádio (inclusive na condição nfe visitante)
O olhanense foi campeão português no antigo campeonato. E venceu uma taça de Portugal se não me engano.
Ricardo Lopes
Texto interessante. Na minha cidade, o futebol é cada vez menosprezado, pelo menos o clube de Viseu. Preferem muito mais ir ver o Tondela, que está bastantes passos acima, apesar de estarem na mesma divisão. O Académico só se safou porque os outros foram piores. O futebol com Pedro Ribeiro foi muito fraco, havendo somente um conjunto de jornadas mais para o fim do campeonato em que a coisa encarreirou. A maior parte das partidas era defender e sair no contra ataque. Se começávamos a ganhar, a ordem era montar o autocarro. Muitas vezes corria mal. A estrutura é pobre, com um diretor desportivo que no ano passado ajudou a descer uma equipa e que estava quase a descer outra. Contratações de Inverno foram quase uma nulidade. As de Verão, somente Quisera, Nussbaumer e Gril merecem aplauso.
Não antevejo nada de bom para este ano, terá de haver uma revolução no plantel, mas se forem as mesmas pessoas a montá-lo (+Pedro Ribeiro), o resultado será negativo.
Tem que se trazer de novo as pessoas para o Fontelo. Foi um ano a jogar em Aveiro, em horários que tornavam impossível a deslocação até lá. Este ano é só ir até à Mata, tem é que se convencer a população a voltar a gostar do CAF (dar bilhetes, nas escolas, sessões de autógrafos, como se fazia antigamente).
Foi um ano péssimo para a Beira Alta (na parte do distrito de Viseu). No futebol, o Tondela desceu, o Académico não mostrou melhorias, o Ferreira de Aves parece que não conseguiu condições para ficar no CPP e o Viseu 2001 desceu no futsal (e para voltar vai ser bem mais complexo do que o que aparenta). Somente o Castro Daire fez um trabalho razoável. Veremos se o novo “campus” no Mundão trará algum fruto, nem que seja na formação.
Knox_oTal
Realmente é uma pena não representação desta região do país, sobretudo tenho pena da Académica e do Beira-mar não estarem na I Liga, apesar de respeitar os outros clubes referidos.
A Académica é mesmo um caso intrigante, tem imensa história, faz parte do imaginário de todos no futebol português pela sua relação quase romântica com o futebol em décadas anteriores, com a sua aposta em jogadores estudantes e as suas tradições. Depois, sendo Coimbra uma das cidades referência do país, pelo seu contexto cultural e histórico, e sobretudo por ser a maior da região centro, é quase difícil de perceber para alguém de fora, como eu, o divórcio aparente entre a cidade e o clube nos últimos largos anos, que culminaram nesta quase tragédia do clube descer esta época à Liga 3. No fundo é um clube que por várias razões, não consegue materializar o potencial que tem, espero que esta “descida aos infernos” dê para um “renascer das cinzas”, mas os indicadores não são muito animadores perante a evidente espiral negativa. Espero que sobrevivam e voltam o quanto antes ao seu devido lugar na Primeira Liga.
Quanto ao Beira-mar, é um clube pelo simpatizo sobretudo por gostar imenso da cidade de Aveiro. Excelente cidade, a crescer a olhos vistos (cada vez que vou lá fico surpreendido positivamente) e com gentes de “primeira água”… logo, mais um hotspot em termos de potencial se bem explorado. O Beira-mar bateu no fundo, mas aos poucos tem escalado, na próxima época estarão no CP, o seu regresso à ribalta. Espero que o seu crescimento e escalada acompanhe o da cidade e que os aveirenses acarinhem o clube, aliás pelos mais de 10.000 adeptos no jogo de consagração dos campeão distritais, penso que já há um bom trabalho no terreno a ser feito. Vai demorar e será muito complicado, mas acredito que a médio/longo prazo naturalmente o Beira-mar irá voltar à Primeira Liga.
Por fim, este fenómeno dos clubes do centro é uma boa amostra para o quê o futebol português no geral penso eu. Tudo um futebol nacional virado apenas e só para três clubes, pouca ligação entre muitas cidades/regiões e os seus clubes, muito mau, péssimo mesmo, dirigismo (que o digam a Académica e Beira-mar por exemplo) e esta dicotomia limitadora e algo bacoca que há no país entre Norte e Sul, ou seja, entre Porto e Lisboa. Portugal é muito mais do que isso, logo o seu futebol também o deveria ser… aliás este aspecto deveria ser uma das prioridades das autoridades competentes que gerem o nosso futebol, só que não. Estão mais interessados/complacentes a marcar jogos para as 21h, a fomentarem polémicas, a perpetuarem o manto da suspeição, enfim… o costume! E se formos mesmo à matriz do problema, veremos que, como noutros casos, a principal responsabilidade acaba por ser mesmo dos adeptos em si, há uma enorme falta de fair-play, de cultura desportiva e de desapego ao clube da sua terra (e contra mim falo nesta parte). E depois não esquecer que por muito mau que o dirigismo seja em Portugal, alguém vota uma e outra vez no mesmo perfil de dirigentes…
Porém, nem tudo é mau no futebol português (sou menos pessimista do que o que pareço ehehe), esta última reestruturação foi bastante positiva e a Liga 3 um sucesso no meu entender, com uma reacção muito boa por parte dos adeptos que reavivaram a sua ligação emocional aos clubes da sua terra. Óbvio que isto pede igualmente um trabalho “à priori”, pois em sítios onde a ligação emocional ao clube não é fusional ou mesmo cultural como em Guimarães com o Vitória por exemplo, tem que haver um plano/trabalho contínuo de aproximação, de cativação e apelo, sobretudo aos mais jovens, às famílias… no fundo voltar à base dos valores do desporto. E muitos dos clubes da Região Centro estão a trabalhar muito bem esse aspecto actualmente, criando uma base forte de apoio que será fundamental a médio/longo prazo quando voltarem à ribalta da I Liga. Quanto a mim, fico a torcer pelo regresso do Beira-mar e da Académica, mas se entretanto a União e o Académico subirem também serão justos representantes da região!
Saudações Desportivas
RobbenKroos
Sou da opinião que história existe, bases existem, mas falta vontade e mobilização para alcançar uma maior representatividade de outras zonas de Portugal menos representadas no futebol português.