A qualificação para o França 2016 mudou o panorama futebolístico na Europa ao nível de selecções. E o curioso é que isto nem se deve na totalidade às ideias de Platini (do alargamento), já que países como a Islândia e Áustria até dominaram os seus grupos e o País de Gales e a Irlanda do Norte seguem em primeiro.
Quando em 2008 a UEFA decidiu aumentar em 8 o número de selecções que participam no Euro 2016, muitas nações esfregaram as mãos de alegria. Turquia, Sérvia, Roménia, Bósnia-Herzegovina, Noruega, Dinamarca, Rep. Checa, Rep. Irlanda e Polónia, habituadas a participar nas grandes competições “ora sim, ora não” tinham uma excelente oportunidade para garantir uma qualificação tranquila, atrás dos grandes tubarões (Portugal, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália, Croácia, entre outros). Contudo, o aumentar de vagas fez também abrir caminho a novas nações, pouco habituadas a estes voos, que viram a oportunidade ideal para brilhar.
O principal destaque vai claramente para a Islândia. Os islandeses, bastante longe da Europa Continental, andaram a preparar o terreno, com um excelente trabalho desenvolvido nas camadas jovens – destaque para os sub-21, com uma participação recente no europeu 2011 e uma eliminação no playoff. Contudo, num país com apenas 300 mil habitantes (6º menos populoso da Europa) e com o andebol na primeira linha do desporto, os resultados apresentados pelo conjunto de Lagerback superam, em muito, as expectativas. Apesar da qualidade ofensiva da equipa, a experiente e organizada defesa é que tem estado em destaque, com apenas 3 golos sofridos em 8 jogos (a Rep. Checa foi a única equipa a marcar aos islandeses). Halldórsson (NEC, Hol), Sævarsson (Hammarby, Sue), Sigurðsson (Krasnodar, Rus), Árnason (Malmo, Sue) e Skúlason (OB, Din) têm formado a base defensiva, enquanto Gunnarsson (Cardiff City), o talentoso Bjarnason (Basileia), o craque Sigurdsson (Swansea) e Gudmundsson (Charlton) completam o meio campo. Na frente de ataque, o predador Sigtorsson (Nantes – 17 golos em 31 jogos pela selecção) faz parelha, à vez, com Böðvarsson (Viking, Nor), o conhecido Finnbogasson (Olympiacos) e o veterano Gudjohnsen.
No grupo G só deu Áustria. Finalmente e após longos anos sem conseguir ultrapassar a fase de qualificação (os austríacos participaram no Euro 2008, mas como organizadores), os comandados de Marcel Koller brilharam ao mais alto nível. Num grupo com Rússia, Suécia e Montenegro, Alaba e companhia apenas cederam um empate (1-1 na recepção à Suécia), derrotaram a Rússia por duas vezes e humilharam a Suécia na Escandinávia (4-1). Com um plantel baseado na Bundesliga (Alaba, Klein, Junuzovic, Harnik e Baumgartlinger, entre outros) e com os “ingleses” Arnautovic, Prodl e Fuchs, os austríacos apresentaram-se em grande forma e prometem complicar a vida aos favoritos em França.
No grupo B, o País de Gales falhou no domingo o apuramento, algo que não deverá deixar fugir em Outubro (ainda recebe a frágil Andorra). Tal como a selecção islandesa, os galeses têm baseado o seu jogo numa excelente organização defensiva (2 golos sofridos, contra Chipre e Andorra) e na classe de Bale. O extremo do Real Madrid marcou 6 dos 9 golos do País de Gales, que procura a 1ª participação num Europeu e a 2ª numa grande fase final, depois do Mundial 1958. Apesar de não contar com grandes nomes, com a excepção de Bale e Ramsey, a experiência da Premier League e do Championship têm trazido bons resultados aos galeses. Jogando num 3-5-2 que facilmente se transforma num 5-3-2 (ou vice-versa), o País de Gales tem apresentado uma muralha difícil de quebrar. Hennessey (suplente no Palace) é o habitual guarda-redes, enquanto Ashley Williams (Swansea) é o líder da defesa (Ben Davies – Tottenham e Collins – West Ham têm feito parelha com o capitão). Nas laterais, Jazz Richards (Fulham) e Neil Taylor (Swansea) têm dado profundidade, enquanto King (Leicester) e Edwards (Wolverhampton) ajudam Ramsey (Arsenal) nas tarefas do meio campo, isto nas ausências de Ledley (Palace) e Allen (Liverpool). No ataque, tudo gira à volta de Gareth Bale (Real Madrid), que tem quase sempre como companhia Robson-Kanu (Reading).
O grupo F prometia muito, pelo simples facto de não ter um claro favorito. A Grécia, na ressaca pós Fernando Santos está uma sombra de si própria e compete com Gibraltar para o número de golos marcados (2), tendo perdido duas vezes frente às Ilhas Faroé. Quem aproveitou, neste momento, foi a Roménia e, principalmente, a Irlanda do Norte. A pequena nação situada a norte da Irlanda tem feito uma campanha espectacular, mesmo contando com um elenco bastante fraco e envelhecido. Kyle Lafferty tem brilhado, com 7 dos 12 golos, tal como o veterano Gareth McAuley (WBA) – 3 golos. No 11 habitual de Michael O´Neill, para além dos dois citados, contam-se também Jonny Evans (ex-United), Chris Baird (Derby), Steven Davis (Southampton), o médio adaptado a defesa esquerdo, Chris Brunt (WBA) e um jogador do III escalão inglês (Conor McLaughlin). Os norte-irlandeses já participaram em 3 Mundiais (1958, 1982 e 1986), mas nunca participaram num Europeu.
Eslováquia, Ucrânia, Hungria, Albânia, Noruega, Eslovénia ou Israel são outras das selecções que podem marcar presença no França 2016, dando outro colorido à prova. Quais são as principais surpresas da fase de apuramento e as principais desilusões? O aumentar para 24 nações poderá trazer mais brilho ao Europeu?



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João Dias
Excelente post que vai no seguimento daquilo que eu já tinha dito aqui no blog.
Há anos e anos que o Europeu está confinado às mesmas seleções e às mesmas equipas em fases adiantadas (Portugal, Espanha, Itália e Alemanha têm sido as mais constantes).
E qual é o interesse de ver uma competição que tem sempre os mesmos protagonistas?
Daí eu ser totalmente a favor deste alargamento. Novas seleções com boas gerações (Islândia, Austria, Ucrânia, etc) ganharam novas esperanças de se apurarem e isso traz um novo alento a este torneio de seleções mais nivelado por cima em todo o mundo.
João
As seleções já perderam o brilho de antigamente. Olhem o Brasil e a sua seleção, o que foi e o que é. Os grandes jogadores já ligam pouco às seleções nacionais, preocupam-se mais com o seu clube, com o seu salário e com a sua imagem. O amor à camisola já faz parte do passado.
As excepções são aqueles países mais pequenos que têm pouca história no futebol. Por exemplo o País de Gales de Bale, aí ainda existe um grande sentimento patriótico porque é um país que costuma estar afastado das fases finais e há uma grande sede de vencer. Até no jogo contra a Albânia se viu isso, Portugal tem muito melhores jogadores mas há um certo relaxamento, não mostram muita vontade de vencer o jogo rapidamente, não correm muito atrás do resultado, parece que estão convencidos que mais tarde ou mais cedo acabam por marcar e vencer. Do lado albanês é o contrário, os jogadores dão tudo, reconhecem que Portugal é superior mas não viram a cara à luta. Ter a sua seleção no Euro 2016 é um sonho e eles fazem tudo por ele. Outro exemplo é o da Espanha que tem dos melhores jogadores do Mundo e fez um péssimo jogo frente à pobre Macedónia, valendo-se de um auto-golo para chegar à vitória.
Na fase final tudo deverá ser diferente porque aí as grandes estrelas já sentem ser um palco suficientemente grande e querem exibir-se perante o Mundo,
Anónimo
Penso que, nas fases de qualificação, sempre houve esse relaxamento de que fala por parte das seleções mais fortes.
Jorge dos Santos
E Jorge
Olhem para o Brasil? Errado, para quem acompanha bem o futebol sabe que o Brasil já ficou 24 anos sem ganhar o mundial. Depois foi para 3 finais seguidas…Brasil pelas seleções é como o Real Madrid por clubes.
Cristianinho Meireles
Devia era haver uma divisão das equipas em dois escalões. Os da primeira divisão lutavam pelo apuramento aos torneios e as da segunda divisão lutariam pela promoção ao primeiro escalão. Independentemente do alargamento, não faz sentido Gibraltar, Andorra, San Marino competirem contra as maiores potências do futebol mundial como a Alemanha, Inglaterra ou França. São jogos desinteressantes e nada competitivos.
João Dias
O desiquilíbro faz parte da competição. E que dizes de um Real Madrid-Elche? Também não ficam 6-0, 7-1, etc?
A fase de qualificação é um campeonato.
André Dias
Penso que a Liga das Nações funcionará assim, mas com mais escalões.
Rafael Vicente
Um pouco como no futebol de praia. Em que a divisão 1 luta pelo título europeu, enquanto a divisão 2 luta pela promoção. Sobem os 2 primeiros da divisão 2 e descem os 2 últimos da divisão 1.
Anónimo
Todas as selecções devem ter direito de lutar pela ida a um Mundial ou Europeu, como acontece em todos os continentes. O que acho que deveria acontecer eram duas fases no apuramente: uma primeira com as piores selecções no Ranking (eliminatória ou grupo) e as vencedoras passariam à 2ª fase juntando-se às melhores selecções posicionadas no Ranking FIFA.
TheRevolution
Kafka I
Continuo a achar que a Liga das Nações não irá para a frente, e desejo mesmo que não vá, só vai servir para atrapalhar mais os clubes, pois será uma sobrecarga ainda maior de jogos e os clubes até lá acredito que irão pressionar para que tal competição não se realize
Joao Pinto
TheRevolution
isso ja é feito em muitas confederações, e com o devido distanciamento como é obvio, há equipas que se apuram por eliminatorias, e que depois em fase de grupos sao goleados por tudo e todos, até por equipas modestas. acho que um modelo que assentava bem era o da CONCACAF, as mais fracas jogam eliminatorias entre si e a medida que avançam entram as mais cotadas em ranking, ate a quarta fase de apuramento (mundial 2018) e apenas eliminatorias onde a melhor selecçao presente é uma Jamaica ou um Canadá
André Dias
A Liga das Nações será constituída por 4 grupos de 3 selecções, jogando entre si 2x. O 1º classificado de cada grupo passa à fase seguinte (ou ao escalão acima), o 3ª desce de escalão. Depois temos logo meia-final e final (apenas no 1º escalão). Portanto, no máximo são 6 jogos. Praticamente um Mundial. Também duvido que vá para a frente mas gostava de ver como seria a competição.
Kafka I
Estou dividido, por um lado é engraçado ver Selecções mais fracas como a Islândia, Irlanda do Norte ou Albânia (neste momento esta muito bem posicionada para se qualificar directamente) no Europeu, por outro o nível de qualidade vai baixar bastante
André Dias
Acrescento que a probabilidade de vermos um grupo da morte será menor, com muita pena minha. As fases a eliminar, muito provavelmente, serão repletas de favoritos à vitória na competição.
Pedro Barbosa
Concordo que na fase final o nível de qualidade irá baixar mas sempre me questionei no sentido que terá manter desesperadamente standards. Todas as equipas que antes iam à fase final não partiam em pé de igualdade, e para cada surpresa havia sempre outra desilusão.
Obviamente a utopia seria ver um Europeu cheio de emoção e ambição por parte de todas as equipas, com grupos de morte por todo o lado. Na minha opinião a convergência que assistimos é positiva para a saúde do desporto e para os adeptos, e espero que com a maior possibilidade de destaque para nações menos fortes haja também mais ambições e no fundo mais imaginação.
Stalley VM
Subscrevo Kafka
Anónimo
O Euro 2016 será um passeio para selecções como Portugal. Aposto seriamente em Portugal como favorito à vitória, ainda mais com o futebol super cínico do Fernando Santos. Somos um Grécia com muito mais qualidade.
Ass: Carlos Silva
João Dias
É verdade, Carlos.
Sejamos realistas, se a Grécia com uma seleção limitada o conseguiu porque é que também não havemos de conseguir?
Anónimo
Será um passeio ( o que não acho) na fase de grupos, depois é a doer quando defrontarem as melhores selecções.
TheRevolution
João Dias
A Grécia também não tinha em 2004 e no entanto limparam a França de Zidane e Henry, Portugal de Figo e Ronaldo, República Checa de Cech e Nedved e Espanha de Raúl e Xavi…
Kafka I
A Grécia de Rehhagel era muito forte colectivamente e um "camaleão táctico" capaz de se adaptar a qualquer adversário, e defendia melhor do que esta Selecção Portuguesa…mesmo não tendo individualmente as estrelas de outras Selecções, do ponto de vista colectivo formaram um grande bloco e depois durante 1 mês foram de facto a melhor Selecção e justificaram o título alcançado, até pelo percurso extremamente difícil que tiveram sem nunca baquear
Agora 1 mês como aqueles onde tudo lhes correu bem e tudo correu mal ao resto, acontece uma vez na vida e não é por a Grécia ter ganho em 2004 que faz de Portugal um candidato ao título, nem sequer perto disso
Candidatos há apenas 3 para mim, que são a Alemanha, França e Espanha, e depois existem outras Selecções como a Bélgica, Inglaterra, Itália, Portugal….que estando num dia bom e as 3 em causa (Alemanha, Espanha e França) tiverem num dia mau é possível lhes vencer, agora lá esta é preciso não só um dia bom de Portugal e um dia mau dos outros e isso por si só não nos torna favoritos
Num dia bom de Portugal e Espanha, a Espanha ganha
Num dia bom de Portugal e Alemanha, a Alemanha ganha
Num dia bom de Portugal e França, a França ganha
Se por ventura quando jogarmos contra estas 3 Selecções vai ser o dia bom delas não sei (espero que não seja), mas realisticamente não podemos ser considerados favoritos porque diria que não dependemos apenas do nosso dia bom, dependemos também de um dia mau de alguns
luis la liga
So vai resultar em espetaculos miseraiveis com essas selecoes como se viu no mundial em que a costa rica depois de ter feito o impensavel (apurar se na fase de grupos) praticamente so defendeu. Querem mais grecias? Olhar o exemplo português a albania e mais um exemplo. Equipa fraca que defende bem.tou farto deste pragmatismo.
Rodolfo Trindade
Fico muito satisfeito por ver outras selecções marcarem presença pela primeira vez num Euro.
Espero que o País de Gales possa seguir os passos da Islândia e achava piada que a Albânia também se apurasse.
Por outro lado e com razão haverá os que não acham piada a estas selecções qualificadas, pois em teoria o nível individual dos jogadores será menos, logo poderá baixar a qualidade e a competitividade do Euro.
Ola
O Europeu vai baixar bastante de qualidade. Vê-se bastante durante os mundiais que a melhor competição de seleções são os Euro's, porque são nivelados por cima, não se apanham muitos jogos considerados aborrecidos. Este apuramente pouca emoção traz, quando temos Alemanhas a jogar no Algarve contra o Gibraltar por exemplo. Pequenas seleções como Andorra, Luxemburgo, Leichenstein, Gibraltar, Ilhas Faroé e por ai fora retiram o interesse da maioria esmagadora dos espectadores em interessar-se por estes apuramentos porque no fundo vai dar sempre às mesma seleções no final.
Apesar de ser contra este alargamento, penso que a Liga das Nações vai resolver o problema e trazer jogos bastante mais interessantes de ver e num formato mais apelativo para o publico em geral. Mal posso esperar
Anónimo
Não podemos proibir Andorra, Luxemburgo ou o Leichenstein de ter a sua seleção e participar nestas provas, sou nações soberanas e independentes. Já Gibraltar e Ilhas Faroé, entre outras, não tem lógica nenhuma. Mas isto sou outras discussões.
Jorge dos Santos
Rúben Gomes
Admito que é uma surpresa agradavel as seleções como a Austria ou a Islandia conseguirem a classificação, mas durante o Euro se estas seleções como Albania, Eslovenia, etc. se encontrarem serao espetaculos deprimentes.
João Dias
No Mundial 2006 vimos um Angola-Irão…
E achas que esse Mundial teve menos interesse por causa desse jogo?
Anónimo
Existem selecções fracas, mas que, com alguma sorte, têm estado em grande como Albânia (futebol muito falta de qualidade, mas organizada, num grupo "atipico"), País de Gales (muito se deve a Bale), Irlanda do Norte (cujo o grupo ajudou muito). Mas a Austria tem uma enorme geração, jogam do melhor futebol deste apuramento e podem tentar surpreender no próximo Europeu. A Islândia tem qualidade, mas também tem muitas limitações.
E depois existem selecções que tanto relaxaram que se viram ultrapassadas de forma inexplicável: Holanda, Grécia ou Bósnia. A própria Turquia volta a desiludir (um claro case study).
Nos anos 90 havia muita qualidade por várias selecções europeias: Jugoslávia, Croácia, Suécia, Bulgaria, Roménia, Austria, Dinamarca, Noruega, Portugal etc, era tanta qualidade que metade das selecções ficava de fora com grandes jogadores no seu elenco. Hoje em dia isso não é visivel e por isso não posso concordar com esta decisão. A fase de grupos do Europeu poderá tornar-se aborrecida e se tivemos mais grupos como o Grupo A do ultimo Europeu (Russia, Polonia, Rep. Checa e Grécia) nem os oitavos terão entusiasmo, a não ser 1/2 jogos. Acho que a só apartir dos Quartos de final da competição teremos realmente bom futebol, com a equipas de qualidade a jogarem ambas para ganhar. Mas a nível financeiro, a UEFA ficará sempre a ganhar e foi nisso que o Platini pensou, portanto acaba por ser uma boa ideia.
TheRevolution
Joao Pinto
Penso que todas as selecções tem o direito a participar, estão lá por mérito próprio (Islândia e Austria à cabeça), e acredito seriamente que serão equipas dificeis de bater pois a motivaçao será certamente muito maior!
obvio que seleções como san marino, andorras, luxemburgo e tais nao terao hipoteses mas equipas de 3ª linha poderaõ estar presentes, euipas como a Albania, Romenia, Irlanda e com certeza serão jogos equilibrados pois num Europeu os niveis de motivaçao estarão elevadissimos e quererão bater-se de igual com seleçoes mais fortes.
Pedro Barbosa
Excelente post com potencial para uma boa discussão.
A decisão do alargamento do número de equipas no França 2016 ia ter dois impactos. Em relação à competição pura em si, mais equipas e mais jogos significa naturalemnte menos variância/sorte nos encontros para decisão do vencedor final (se é que alguma vez isso constituiu problema, mas pode haver sempre tal pessoa). Mas na opinião geral, a principal razão era para dar maior destaque a nações que anteriormente não o tinham com regularidade, visto as vagas serem restritas. Sem conhecer estudos ou números, parece uma decisão que tem tudo para ser positiva.
Mas o destaque vai para a tal mudança no panorama futebolístico. Eu não considero que a razão tenha sido propriamente uma fá menos boa das principais nações do futebol europeu. No fundo as Qualificações foram sempre um período em que o futebol jogado era sempre pior, e muitas vezes sofrível, mas o desnível aparente entre selecções era tal que acabava por significar pouco. O que temos vindo a assistir é um processo de convergência entre o nível das selecções. Pode haver quem considere natural ou inevitável mas é preciso ter cuidado na análise. Por exemplo no futebol de clubes isso não parece evidente, muito pelo contrário, e só fazia sentido que nas selecções também pudesse acontecer um aumentar do fosso, em que 'ricos' ficavam mais ricos mais rapidamente que 'pobres' ficavam menos pobres.
Felizmente não aconteceu e até ver tem sido entusiasmante. Não que Portugal por exemplo não deva jogar melhor. Pode e deve mas ver a Albânia a lutar, com organização (o autocarro defensivo existe, mas não é igual aos tempos de 'Azerbeijões') e alguma qualidade no seu jogo, demonstrado no encontro em Aveiro do ano passado, deixa-me satisfeito também como adepto de futebol.
Surpresa máxima para mim há uma: Áustria. Não porque vão ao Europeu (é histórico para o país depois de muito anos afastado) mas sobretudo pela qualidade do futebol que apresentam e entusiasma. Outro destaque claramente a Islândia (posso não gostar tanto do estilo de jogo mas é vencedor) e têm uma 'geração de ouro' para a realidade do país fruto de trabalho muito bem feito nas camadas jovens e no lançamento dos jogadores. País de Gales, Israel (frente à Bósnia e com Chipre ainda a sonhar), Eslováquia à frente da Ucrânia, Eslovénia Estónia e Lituânia a lutar pela vaga, Irlanda do Norte 1º no Grupo F; todas merecem um destaque.
A questão será perceber entre todas estas nações, quais se irão manter (lembrar que no passado outras seleções menores tiveram os seus momentos de glória como por exemplo a Bulgária, Filândia ou Escócia) e por isso destaquei a Áustria, que me parece com as melhores condições para nos próximos anos se afirmar (mesmo o campeonato áustriaco tem ganho mais relevância).
JSC
O alargamento mudou dois paramêtros motivacionais as teoricamente mais fortes relaxaram ainda mais e as mais fracas aumentaram a sua esperança.
Depois dantes também havia sempre 6 equipas médias que iam que ser os casos dos actuais líderes de grupos (Irlanda do Norte sendo a maior surpresa) fora das 10 selecções que costumavam ir nos últimos tempos, o que me preocupa é as equipas que vão aos playoff's e algumas que fiquem num segundo lugar. Como já disse no outro post.
Nuno R
Há não muito tempo atrás o Euro era disputado por 8 equipas, sendo globalmente uma prova mais difícil que o próprio mundial.
Os sucessivos alargamentos democratizavam a prova, mas também permitem o acesso de equipas de 2ª linha. Por outro lado, facilita deslizes nas fases de qualificação, como tem acontecido com Portugal, que sucessivamente vacila nas fases de apuramento, mas ontem bons resultados nos torneios.
É preciso também notar que o aumento no número de países vem de algum modo obrigar a estes alargamentos, mas também dispersou a qualidade, diminuindo o número de equipas de excelência, pois equipas como Croácia ou sérvia nunca terão o poder de uma Jugoslávia, nem voltaremos a ver uma Rússia tão forte como fora a URSS.
Kafka I
Isso é uma grande verdade, até à queda do Muro de Berlim haviam apenas cerca de 30 Países na Europa, e com a queda de URSS, Jugoslávia e Checoslováquia, perderam-se 3 Super-potências de Selecções para se ganhar quase 20 Selecções medianas
Tomé Brito
Por um lado o aumento é bom, pois vai trazer novas seleções ao Europeu que podem-se mostrar, mas por outro lado a qualidade do Euro deve baixar… A probabilidade de ser ver um grupo da morte vai ser menor, logo a competivivade penso que também não vai ser a mesma…
Mas depois as fases a eliminar essas sim podem ser muito interessantes pois vão ser (na teoria) todas as grandes seleções da Europa.
Anónimo
Bom artigo! Alguns pontos:
1) Na Islandia, o futebol é o principal desporto. Simplesmente, até agora, sempre tiveram melhores (excelentes!) resultados no andebol.
2) Na Islandia, o segredo do sucesso está de facto nas camadas jovens…nao necessariamente nos treinos e pedagogia, mas sim na abrangencia das camadas jovens. Quase todas as criancas da Islandia praticam desporto numa equipa "federada", com treinos e competicoes, sendo o futebol o desporto mais representado. Enquanto que, por exemplo, em Portugal, se calhar apenas 2% dos míudos jogaram numa equipa federada de futebol, na Islandia essa percentagem estará mais próxima dos 30%. Apesar de só terem 300000 pessoas, aproveitam-nas melhor!
Filipe N.
jonathan teles
Do pais de gales e da islandia ja tava a espera do apuramento mas nao com tanta facilidade. Estou mais surpreendido talvez com a Austria.
Quanto a desilusoes n tava a espera de uma holanda tao fraca mas como nao acho que seja nada de mais de jogadores n tou assim tao surpreendido. Depois a grecia é para mim sempre fraca portanto acho um lugar quase normal. A maior desilusao para mim é a servia. Nao mete medo a ninguem quando na teoria com aqueles jogadores, mesmo sem ter um Ronaldo devia ter discutido o primeiro lugar do grupo.
Anónimo
Eu acho que as principais seleções europeias desaceleraram nesta fase de qualificação porque se tornou demasiado fácil chegar ao europeu.
Filpe AZ.
Kafka I
Penso o mesmo
Gaitan
Voces ja praticaram algum desporto? É que dizem coisas incríveis, como Portugal ser uma selecção fraca… Como é que alguém que é das 10 melhores da europa pode ser fraca? Acredito que não cumpra os requisitos que queremos, mas dai até ser fraca vai uma grande distância… Claro que este alargamento é excelente! Com tantas nações emergentes era altura de aumentar o numero de selecções no europeu. O futebol tem de ser festa, e como alguém disse se um Angola Irão, não foi desinteressante porque será um Irlanda do Norte – Islândia? O problema de hoje em dia dos espectadores é que só pensam em grande, só vêm reais madrids, barcelonas e bayerns à frente, mas o desporto e a vida real não são assim!
raviept
Tenho de concordar contigo. Há uma certa banalização por parte de muitos adeptos em relação à dificuldade de atingir o topo, em parte porque nunca se dedicaram a um desporto a este nível. Isto leva a uma desvalorização de níveis mais inferiores. Penso que, acima de tudo, se deveria valorizar o sacrifício humano face às capacidades, não apenas os resultados em termos absolutos. E aí a Islândia é quase campeã.