Os San Antonio Spurs acabaram de vencer o seu quinto título da NBA, pondo fim ao reinado dos Miami Heat e de Lebron James. Antes de mais, há que fazer uma pequena introdução. Na NBA, existem diversas franchises cuja capacidade de atrair bons jogadores as coloca em imediata vantagem em relação à concorrência. O exemplo mais conhecido são os LA Lakers, que para lá de ter um historial rico, permite aos atletas conviver de perto com as estrelas de Hollywood e todo o tipo de artistas. Depois há cidades apelativas, por uma razão ou por outra, como New York, Boston ou Miami. Outros clubes permitem-se gastar bem acima do tecto salarial, como é o caso de Brooklyn, ou Dallas, quando Mark Cuban acorda bem disposto. No espectro oposto, as equipas mais “pequenas”, com receitas menores ou donos mais forretas, são obrigadas a contar os tostões, ou aquelas sediadas em “paraísos” como Salt Lake City ou Minneapolis, locais para onde a maioria dos jogadores prefere não ir viver e trabalhar. Esta ressalva é importante para que se perceba o porquê de se dar tanta importância ao sucesso de San Antonio, um sucesso baseado no trabalho, no planeamento e na organização. Tudo “começou” em 1997, ano em que Tim Duncan foi seleccionado como #1 no draft. É verdade que SA já possuía talento, com o Almirante Robinson à cabeça, mas a chegada do PF foi determinante para a conquista do primeiro título, em 1999. No espaço de 15 anos, sempre sob o comando de Popovich, os Spurs acumularam sucessos e fracassos, mas nunca perderam o rumo. Nem mesmo em 2011, quando foram derrotados pelos jovens e atléticos Grizzlies. Duncan mostrou debilidades físicas e mostrou-se uma sombra do que fora, o tipo de jogo dos Spurs parecia ultrapassado, e não foram poucos os que lhes passaram a certidão de óbito. Outro tipo de organização entraria em pânico e implodiria a equipa, mas não San Antonio… Voltando um pouco atrás: San Antonio sempre foi uma espécie de persona non grata no mundo da NBA. A equipa sempre foi etiquetada como “aborrecida”, “chata”, e criou à sua volta uma aura de semi bad-boys, muito por culpa de jogadores como Bruce “Lee” Bowen. O jogo estava a mudar, a ficar mais rápido, e San Antonio manteve-se como o bastião do jogo old school, defesa dura, incluindo recurso a tácticas moralmente discutíveis, muita bola dentro, preferência pelo jogo 5×5 e rotação de bola em detrimento das transições rápidas e penetrações para o cesto. Regressando a 2011, o modelo parecia esgotado, e claramente a equipa não podia depender tanto do Big Fundamental. Que fez então Popovich? Mudou o estilo de jogo, e optou por uma gestão de minutos adequada à quilometragem do seu melhor jogador. Os resultados são os que se sabem. Este sucesso de San Antonio pode ser, de um modo simplista, resumido a três faces: organização, treinador, e o já citado Tim Duncan. A organização, como referido, é exemplar. O Big-3 de SA foi construído puramente via draft, e sem recorrer a posições altas. Os jogadores contratados têm de se enquadrar não só no modelo de jogo, mas também no modelo de comportamento, em SA não entram jogadores de mau trato, e as maçãs podres cedo são colocadas fora do cesto. Dificilmente os Spurs são entalados com contratos ruinosos de longa duração, ou se apanham metidos em problemas estilo “Jail” Blazers. Depois, há o treinador. Popovich é o cúmulo do no nonsense, isto numa Liga onde os jogadores apresentam um grau de imaturidade cada vez mais elevado, fruto das tenras idades e da crescente pressão mediática. Ele não atura tretas, venham elas dos seus jogadores (não tem pejo em encostar os seus melhores se pensar que eles não estão a render ou a esforçar-se), dos adversários, ou sequer dos pobres jornalistas. Além disso, Pop sabe do ofício como poucos, tal como o seu PF titular. Duncan é e sempre foi um jogador tecnicamente e tacticamente refinado, e o seu elevado QI permitiu-lhe manter-se ao mais alto nível, mesmo com o desgaste natural da idade, ao contrário de jogadores como Shaq. Lançamentos a 45º, imagem de marca, parecem fáceis, mas não há muito jogador que os façam com eficácia. Duncan será certamente um Hall of Famer, e é reconhecido como um dos melhores, quiçá até o melhor PF de sempre, à frente de rapaziada como Charles Barkley e Karl Malone. Na ressaca deste título é possível que Timmy pense em retirar-se, afinal a saída em beleza com um título no bolso é o melhor cenário possível. Ou então pode fazê-lo… em 2015.
PS: não é costume apresentar preferências clubísticas nestes textos, mas neste caso vou violar as regras. Ao contrário do que possa parecer, não gosto dos Spurs. Pelo contrário, eu absolutamente odeio e abomino os sacanas. Mas respeito-os. Pelo que fazem, e como o fazem. É pena que no desporto, os adeptos não respeitem os adversários, nem lhes reconheçam os méritos, mas peço para abrirem uma excepção no caso dos San Antonio Spurs.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Nuno Ranito



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dário cardoso
Enormes! O colectivo arrasou o individualismo.
Luis
Bravo Nuno Ranito.
Obrigado por mais uma fantástica época da NBA, desta vez ganha pelos meus spurs. Reparei agora no conhecimento que tens (semelhante ao meu, no que toca aos spurs pelo menos), o que revela que já és um apreciador á alguns anos, só que com melhor capacidade de escrita :D Os meus Parabéns e até Setembro!
Quanto aos spurs, são a aliança entre a escola europeia e o talento norte-americano. Quem diz europeia diz sul-americana porque, pelo que vejo nos mundiais, a filosofia é a mesma. Espero que seja o principio do fim do jogo 1v1 na NBA, uma nova página onde um jogador vale cada vez menos por aquilo que sabe fazer muito bem(um marcador de pontos, um defensor, um ressaltador) e onde outro vale cada vez mais por tudo que sabe sobre todos os aspetos do jogo.
Pedro Amaro
Eu pelo contrário, sou fã de SAS :) não que sejam a minha equipa preferida, mas talvez porque prefira um basket mais pensado, mais em equipa, mais trabalhado. Gostos não se discutem e neste caso é de facto apenas isso, gosto pessoal e eu gosto. É sempre de salutar boas análises e esta é uma boa análise a um desporto fantástico e intenso. Parabéns Nuno e obrigado.
Juvenal Ramires
Que belo post! Não tenho nada a acrescentar, queria só agradecer o óptimo post :)
Anónimo
Só um acrescento ao artigo, apesar de San Antonio ser um small market, têm a vantagem de naquela cidade só existe um desporto "grande" que é basket, eles não têm basebol nem futebol americano, nem hockey.
e isso ajuda um pouco, pois não há divisão da atenção do publico local.
Por outro lado, e tendo em conta o nivel do basket actual. Certamente é uma das melhores equipas da história.
Manu com 37 afundar na cara do Anderson se não me engano, não é brincadeira nem para todos.
Beijinhos pa todos os que achavam que eles estavam velhos . :)
Pitoxoroglu
Excelente Nuno Ranito!
O efeito Pop está bem à vista! Homem de trabalho, rato velho que ve no respeito e organização a base para a sua equipa!
Em Portugal tivemos um treinador semelhante e que acabou por ser aquele que teve mais sucesso na nossa selecção.
Talvez só quem teve o previlégio de trabalhar com o Valentim Melnichuk perceba o que escrevo! No meu caso que fui trabalhado por ele nas camadas jovens, devo muito da minha visão desportiva a ele. Homem rigoroso, tal como Pop, taticamente disciplinadissimo, tal como Pop, trabalha uma equipa com organização como uma familia, tal como Pop. Gregg Popovich será um pouco militarista tal como Valentim o era pelo regime de leste, mas vejo muitas curiosidades e coincidencias destes 2 senhores.
Desculpem fazer este comparativo mas admiro os San António pelo Sr. Gregg e pelo Tim D. ta claro, porque revejo a minha formação basquetebolista numa devida comparação com os ensinamentos recebidos por parte do Sr. Valentim.
Havia apenas uma diferença, o velho Valentim era rato e não permitia que desperdiçassemos a oportunidade de uma transição rapida, sempre por ratisse.
Cumprimentos e saudações basquetebolistas.
Tigas
Falta ai Chicago como um big market! E não tem só a haver com a história de Jordan. É uma cidade grande que vive e respira de basketeball!
Não percebo o porque de haver tanta gente que não goste dos spurs… Jogam em equipa partilhando a bola como ninguém, são uma das melhores defesas da NBA, nenhum jogador tem uma média superior a 20 pontos marcados os mais de 30 minutos jogados, o que quer dizer que todos contribuem com pontos e tempo de jogo. Não deveria ser sempre assim num desporto colectivo??? Enfim… Afundanços é que é basquetebol, né?!
E já agora querem saber porque os Spurs têm tantos jogadores extra-usa? Porque só nos States se tem aquele conceito de jogar para a vedeta. No resto do mundo partilha-se a bola e os jogadores percebem e encaixam-se mais facilmente no sistema do Popovich! Basta por exemplo ver a média de pontos marcados pela grande maioria das vedetas europeias (anda na casa dis 13/15 pontos).
Kafka I
Chicago não é um big market? Chicago é só a 3ª maior cidade dos Estados Unidos em população, e acaba também por ser a 3ª mais importante, só superada mesmo por New York e LA…
Fábio Teixeira
Chicago não é um big market. Quase nenhum FA de topo quer ir para lá.
Jeremy
Muito bom artigo Nuno.
Só um aparte, não foi em 2011 que os Spurs começaram a jogar de forma mais rápida, isso aconteceu em 2010 a seguir a terem sido eliminados 4-0 pelos Suns do Nash.
O Steve Kerr contou numa entrevista recente que estava com os treinadores dos Spurs a analisarem filme dessa série e o Pop disse aí que se queriam competir tinham que começar a correr e a apostar mais na imaginação e infiltrações de Parker e Ginobioli em vez do habitual e previsível jogo de poste do Duncan, que já não conseguia levar a equipa ás costas.
Aliás muito do sistema de jogo ofensivo dos Spurs é baseado nessa equipa do D'Antoni, com pick and roll's constantes de Parker e Manu e muitos lançamentos de 3. Defensivamente é que não tem nada a ver pois estes Spurs são muito bons nesse departamento ao contrário desses Suns.
Foi no início de 2010/2011 que os Spurs começaram a jogar de forma mais rápida, e a partir desse ano ficaram sempre no top 10 de equipas com mais posses de bola por jogo (indicador da velocidade a que se joga) todos os anos até agora.
Por isso é que eu dou muito mérito ao Popovich, por perceber qual era maneira certa para jogar e por ter tido sucesso tanto num jogo mais lento e defensivo, tanto num jogo mai rápido e espetacular. Par mim o melhor treinador de sempre da Liga.
Outro fator fundamental nestas últimas épocas em que os Spurs têm voltado a ser competitivos e estar na luta pelo título, desde 2012 foi a troca do Hill com Indiana por uma escolha de Draft que se tornou no Leonard.
Sem essa troca os Spurs nunca iriam ser competitivos porque lhes faltava um tipo no perímetro capaz de defender as estrelas como LeBorn e Durant (ele é capaz de ser o jogador da liga que melhor o faz) e também trazer capacidade física para contrapor Parker e Manu.
Acertaram em cheio e agora têm um jogador jovem que será a estrela da equipa quando o Big 3 se retirar.
Mas o que é mais espetacular nesta equipa é a forma como 'acertam' em jogadores que ninguém dá nada, desenvolvendo-os até se tornarem úteis.
O Diaw é o caso mais incrível, ele foi dispensado pelos Bobcats de 2012, a pior equipa da história da liga em nº de vitórias e agora foi um elemento fundamental no título. Situações parecidas aconteceram com Green e Mills.
Para terminar, o que é mais incrível nos Spurs é que se nota que são uma equipa no seu estado mais puro, onde ninguém quer saber dos pontos que tem nem dos prémios que recebe, ontem foi um bom exemplo disso com o Duncan, Parker e Manu verdadeiramente contentes pelo Leonard ter sido o MVP, acham que Kobe ou o Jordan reagiram assim?
Se eles não fossem o MVP de uma final que tivessem ganho ficariam irritados porque mais que ganhar para ambos o importante era mostrar que eram os melhores.
Isso até se vê nos contratos, porque o Big 3 de San Antonio está todo a jogar por menos dinheiro do que receberiam noutras equipas, isto tudo para ficarem nos Spurs.
Sempre fui fã dos Spurs porque o Tim Duncan era um tipo que eu admirava pela personalidade e qualidade e também pelo Manu que era e é dos jogadores mais incríveis de assistir pela sua criatividade. E de todas as equipas que tiveram esta é claramente a melhor.
Aliás nunca vi uma equipa superior a esta na NBA, das que vi a única que teria hipótese eram os Lakers do Shaq e do Kobe.
Pop, Duncan, Parker e Ginobili têm já o Hall of Fame garantido. E como acredito que Duncan faz mais um ano acho que para a próxima época são favoritos. Têm que renovar com o Diaw e o Mills que são free agent's.
Fábio Teixeira
Comecei a seguir NBA quando os Spurs limparam os Cavs nas finais por 4-0. Na altura era fascinado pelo Parker.
Também acho que o Pau vai parar em SA.
Rodrigo
Que texto soberbo! Parabens ao Nuno mais uma vez.
De facto, tambem nao sou amante dos Spurs, mas admito que sao uma equipa bastante competente e que o seu projecto de ascensao e extraordinario. Popovich um grande treinador sempre ao comando, um big-3 via draft, uma equipa que nao entra em loucuras com contratos de longa duraçao que se podem tornar ruinosos, uma Duncan fantastico, etc.
No entanto, esta epoca foi incrivel e fica a certeza de que sao a melhor equipa na actualidade. Leonard esta cada vez melhor e mereceu o premio de MVP das finais. Duncan e Duncan, nao precisa de mais elogios. Parker e soberbo, Ginobili, etc. Conseguiram anular os Heat de uma forma fantastica e mereceram claramente o titulo.
Por fim, veremos se a espinha dorsal da equipa se mantem, sendo que gostava de ver o Duncan mais um ano, embora perceba que se queira retirar em beleza e no momento em que ganha o 5º anel seria bonito.
Diogo Marques
Muito bom texto. Espero que para o ano faças um sobre os suns
Luís Borges
Excelente texto. Eu também não apreciava os Spurs e o seu historial enquanto equipa, desde os tempos do Bowen. Contudo, esta época fiquei rendido, e sou daqueles que, na NBA, torce pela equipa do seu jogador preferido. Como tal, torcia pelos Heat.
Apesar disso, Pop é o melhor treinador do desporto atual.
Gringo
San António é a 7ª cidade mais populosa dos States, não são nenhuns probrezinhos.
Gringo
Até poderão ser, mas então há muito por onde crescer, a 7ª maior cidade não apoia o seu clube porquê?
Nuno R
São um small market, na realidade da NBA.
Francisco
Fantástico! E vindo de um hater…melhor ainda. Os meus parabéns ;)
Bom trabalho
Kafka I
Nuno,
Simplesmente perfeito o teu texto, a resumir na perfeição estes Spurs..
Já agora, achas que caso Tim Duncan abandone mesmo, conseguem na mesma atacar o Bi-Campeonato? sinceramente parece-me que será uma baixa demasiado difícil de colmatar numa só época, até pelo que ele representa não só dentro mas também fora do campo, para os Spurs..
Jeremy
Sim,
São diferentes, em parte porque o Marc é bem melhor atualmente.
Não concordo com o Pau ser mais parecido com o Duncan. O Marc tem um jogo muito mais semelhante, sobretudo na defesa onde tanto o Marc como o Duncan são dos melhores da liga e o Pau é 'fraquito'.
A minha opinião tinha mais a ver com o fato de eu achar que o Tim faz mais um ano, pois até tem essa clausula no contrato e continua em boa forma, bem melhor que o Wade por exemplo.
Se o Tim fizer mais um ano em 20015 sairá e abre espaço salaria para um free agent de top. Nesse ano o Marc e o Love serão free agents os 2. A minha lógica é por aí.
E acredito que se nessa altura Pop ainda for o treinador eles irão considerar mudar-se para os Spurs, até porque tanto um como outro têm um estilo muito á imagem desta equipa: são dos postes que melhor passam a bola na liga.
O Love encaixava como 'mel'. Não tanto para o lugar do Duncan mas para jogar a posição 4 ficando o Splitter na 5.
Se á jogador á imagem dos Spurs é o Love, a sua capacidade de passe e de lançamento exterior e a grande inteligência de jogo são a imagem dos Spurs atuais. Convêm não esquecer que ele este ano foi estatisticamente o 3º melhor jogador da Liga só atrás de James e KD (em termos de PER).
Mas mais complicado que substituir o Duncan será substituir o Ginobili. O Manu é dos jogadores mais únicos da Liga.
Anónimo
O marc é muito diferente do paul, o paul é mais à imagem do duncan e está livre, ou seja dá para entrar agora na equipa ;) não acho que o k.love desse nesta equipa…mas concordo com o aldridge. Contudo são jogadores q não estao disponiveis para os spurs.
José
Jeremy
Sim Gasol era muito bom para substituir o Duncan quando este se retirar.
Agora não o Pau, mas sim o Marc.
O Pau Gasol já foi um grande jogador mas atualmente está muito 'acabado', muitas lesões e cada vez menos capacidade atlética e isto com quase 34 anos.
O Marc sim está no topo da forma e atualmente é muito melhor que o irmão, no ataque mas sobretudo na defesa (que é onde o Tim se destaca mais atualmente).
O cenário ideal para os Spurs seria o Duncan jogar mais um ano para em 2015 poderem atacar o mercado de free agents que vai abrir.
E aí há 2 jogadores que encaixavam bem, o Marc como já foi dito e o Love, que tem outras caraterísticas mas é dos 10 melhores jogadores da liga para mim.
Se o Tim se retirar este ano só vejo o LeMarcus Aldrige para o substituir.
Mas o pior é que Pop já disse que quando o Duncan sair ele tb vai. E o Manu tem quase 37 também e só jogará mais um ano.
Enfim aproveitem este basketball fantástico enquanto dura. O que no máximo será mais um ano.
Nuno R
É difícil responder… ele vale muito, dentro e fora de campo.
Mas podem tentar um alvo tipo Gasol (se bem que tenho um feeling que vai parar a Minnesota) para ajudar.
Anónimo
Indo buscar o gasol, penso que dá para disfarçar ;)
José
Nuno R
Sem recorrer a posições alta, excepto o supracitado Duncan, claro.
O resto do plantel é tudo picks baixas e FA de 2ª linha.
E bastantes estrangeiros, curiosamente.
Jeremy
Também acho que o Pop é melhor que o Phil…
O Phil quando ganhou teve sempre 2 dos melhores 5 ou 6 jogadores da liga: Jordan e Pippen, Kobe e Shaq (na altura eram os 2 melhores) e Kobe e Gasol (o Gasol não estaria neste lote de 6 melhores mas era top 10).
O Pop provavelmente nesta equipa não tem nenhum dos 10 melhores jogadores da Liga e tem uma equipa fantástica que limparia aqueles Lakers de 2009 e 2010 tranquilamente.
Quanto ao tanking pelo Duncan, é verdade por muito que eles neguem. O Robinson falhou mais de meio ano com uma lesão de 3 semanas…
Aí foi a sorte dos Spurs, é que nem eram eles os favoritos á primeira pick. Lá está, agora todos sabemos que o Pop é um génio, mas se não tivesse ganho aquela lotaria o que seria dos Spurs?
Toda a gente precisa de sorte.
Luís Borges
O Danny Green aquecia o banco onde se sentava o LeBron, em Cleveland. Hoje em dia, para além de ser um lançador de elite, é um defensor do melhor que há. Quando Leonard não estava a defender LeBron, o Green tomava bem conta do assunto (nos tempos em que foram colegas de equipa, se calhar o mais natural era o LBJ fazer trinta por uma linha dele nos treinos). E quando não era o Green, até o Diaw se safava nesse campo. Imaginemos se a qualidade dos seus defensores não tivesse sido deste nível… Os números de LeBron seriam então estratosféricos, porque mesmo assim safou-se bem e foi o único a tentar rumar contra a maré. Estes Spurs são um exemplo.
Nuno R
Os spurs tiveram sorte porque ficaram com o 3º pior recorde. Encostaram o Robinson, e também o Sean Elliot e o Chick Person. O tanking deles não terá sido "pensado" como o de Philly este ano, por exemplo, mas aproveitaram… embora o neguem ate hoje.
O facto de serem um small market obriga-os a olhar para lá dos states, e ir buscar valores à euroliga, por exemplo. Têm muitos scouts no estrangeiro.
SA é daquelas equipas onde todos jogam bem… basta ver o Roger Mason e o Gary Neal, desde que saíram não mais fizeram nada. O Danny Green quem era antes de chegar a SA?
Anónimo
Antes de mais parabéns pelo artigo, vou tentar completá-lo um pouco ;)
-O desporto na América é bastante diferente do resto do mundo, é planeado de forma totalmente diferente, e no caso da NBA existe o salary cap e contratos para respeitar, que condiciona bastante o modo de construção de uma equipa, é totalmente diferente do futebol, o que torna bastante dificil discutir aqui no forum as trocas e assim…
-Não sei se foi propositado ou não, mas gostei de não teres incluido Chicago naquele lote de equipas, é uma equipa, com dinheiro e história, pode não ter a quantidade de títulos dos lakers e celtics, ou o dinheiro destes, mas o legado de Jordan ainda mora lá e é incrível como é tão pouco aproveitada, independentemente das lesões;
-O Pop antes de ser treinador era general manager, e despediu o treinador para poder tomar as rédeas da equipa em 1996, e já tinha sido assistente durante um período anterior;
-Duncan foi primeira escolha do draft depois dos Spurs terem feito tanking devido à lesão do Robinson, muitos dizem que ele ficou lesionado mais tempo do que o pressuposto, um pouco à imagem do que dizem do Kobe esta época por exemplo;
-Visto passarem a ter sempre dos melhores records, passaram a ter direito apenas às últimas draf picks de cada draft, e aqui entra a chave do sucesso dos Spurs. Ao contrário do normal das restantes equipas eles olharam para fora da América, e conseguiram descobrir um Parker em frança, um Ginobli na argentina entre muitos outros, sempre com um Cap controlado;
-Ao longo dos anos Pop construiu esta equipa com Duncan, os jogadores formam uma equipa que com os fundamentos da equipa procuram sempre os lançamentos de elevada percentagem apoiados por uma defesa top;
Tudo isto numa frashise pequena, a gastar pouco…e nem com este exemplo muda, eu vejo os Spurs como um caso de sucesso de gestão, de inteligência, não é esbanjar ou juntar estrelas, é pensar uma equipa, pensar um modelo de jogo, ter os jogadores certos para este modelo de jogo e trabalhar. O sucesso da equipa começa e acaba no Pop, único, pode não ter os títulos do Phil, mas nem o Phil fez este trabalho na construção de uma equipa, algo único. Tanto que se vê a quantidade de treinadores adjuntos de Pop espalhados na liga e a quantidade treinadores que acompanharam o Phil na liga…
José
Anónimo
Bom artigo Ranito. Kawhi Leonard foi 15th pick dos Pacers, mesmo assim ainda fica a meio da first round do draft. Patty Mills pesou bastante nesta grande época dos Spurs, assim como Bellinelli também foi um input oportuno. De resto já havia um núcleo duro bastante consolidado, o que permite à direcção buscar jogadores como estes, não completos mas bons lançadores, para entrar na rotação. Mas a partir do momento que Duncan saia da equipa já não será apenas necessário jogadores de rotação mas um rebuild completo.
Antunes