O belga confirma o favoritismo e junta mais uma vitória numa grande prova ao seu currículo. Por outro lado, Pidcock voltou a dar luta e demonstrou que vamos ter de contar com o talentoso inglês na próxima década.
Wout Van Aert venceu a Amstel Gold Race. O ciclista da Jumbo bateu Thomas Pidcock ao sprint numa discussão em que foi preciso recorrer ao “photo finish”, ficando Schachmann em 3.º. O ciclista belga junta este triunfo à Gent-Wevelgen em 2021, após ter sido batido na Flèche Brabannçonne pelo britânico da INEOS. Por outro lado, o companheiro Roglic teve um problema mecânico no Cauberg e não conseguiu estar na discussão da prova.


12 Comentários
Jan the Man
Decisão que deixa muitas dúvidas, Pidcock chega à linha de meta mais rápido e nenhuma das imagens divulgadas me é suficientemente esclarecedora da vitória do belga. Acaba por se aceitar o triunfo de Van Aert mas creio que é mesmo uma questão de frames, mais 1 metro de corrida e a vitória ia para o inglês.
Primeira semana das Ardenas com um Pidcock a voar completamente e a demonstrar o nível que se augurava, ele que apenas tinha conseguido estar com os melhores na Strade Bianche. Vai com certeza estar na luta pelas próximas corridas.
Nota-se cada vez mais a perda de explosão no sprint por parte de Van Aert. O calendário bastante carregado não ajuda, mas depois da derrota na Brabantse Pijl hoje por pouco não volta a ser batido. Não sei quais são os seus planos a curto/médio prazo, mas esta tentativa de adaptação a outros terrenos pode não ser a melhor para o ciclista belga, apesar de mesmo assim continuar a ser excepcional.
Gostava que Alaphilippe subisse o nível para discutir a vitória quer na Fléche Wallonne quer na LBL, ele que tem feito uma temporada de clássicas mais discreta relativamente aos outros “monstros”, não vencendo nenhuma das provas que disputou. Veremos do que o francês é capaz, numa Deceunick que tem Vansevenant a mostrar que pode ser mais um nome a ter em conta para estas provas.
charles eclair
Sobre as dúvidas do photo-phinish aconselho o artigo da cycling tips “Making sense of the controversial photo-finish at amstel gold”. Explica muito bem porque motivo o photo-finish é o que conta. No fundo, a linha preta é uma aproximação do photo-finish e não o contrário, daí que este seja o único resultado válido sempre que não for possível distinguir o vencedor a “olho nu”.
Quanto às dúvidas da tecnologia, é um tecnologia usada há muitos anos (de certo que terá sido melhorada desde a sua invenção) e por muitos desportos por isso parece-me um não assunto.
Syd Barrett
Fiquei com a mesma ideia que tu Jan, até ver uma imagem nas redes sociais da Ineos onde se percebe que o Pidcock chega depois. Quanto ao Van Aert concordo contigo, parece estar a moldar-se para grandes voltas, no entanto arrancou primeiro no sprint (que normalmente não é favorável) pareceu me ter perdido a frente e no fim ainda ganha. O homem faz tudo. Ganha clássicas, disputa sprints com os melhores, ganha sprints no Tour e ainda discute/trabalha na alta montanha. É uma máquina. No podcast do Lance, ele diz que ficou assustado com o planeamento de treinos dele. Diz que depois de treinar na estrada KMS e KMS chega e ainda vai correr. Diz que NC viu nada assim.
charles eclair
O WVA está um monstro ganha ao sprint, contra-relógio, clássicas e demonstrou estar muito bem na média montanha e nas montanhas do Tour já provou ser uma grande ajuda para o Roglic, um ciclista super completo e um dos que mais gosto.
Acredito que este menor fulgor não seja tanto pela perda de explosividade (fez estágio de altitude para se preparar para as montanhas no Tour) mas sim pelo calendário super preenchido que tem tido e o desgaste que leva nas pernas. Este ano por exemplo já ganhou no Tirreno-Adriático ao sprint ao Caleb Ewan e Fernando Gaviria em pelotão compacto, continua com explosividade. Se formos a ver tanto o MVDP, outro ciclista fantástico, como o Allaphilippe (atualmente com WVA são os 3 melhores em provas de um dia) têm feito muito menos corridas e por exemplo no caso do Tirreno-Adriático nem lutaram pela geral o que permitiu desligaram-se em algumas etapas.
Neste momento com as suas características, parece-me que tem potencial que pode vir a ganhar os 5 monumentos (já tem 1), algo que grandes nomes tentaram, mas apenas 3 conseguiram, todos belgas, e ninguém desde 79 consegue este feito. Atualmente Philippe Gilbert, com 4, ainda o pode fazer mas não acredito que ganhe a Milan-San Remo. No resto do pelotão, MVDP com o potencial que tem pode andar bem em quase todo o lado, se quiser, mas precisa de melhorar nas subidas para um dia vir a ganhar a LBL ou o Giro da Lombardia. O Allaphilippe penso que será muito difícil ganhar o Paris-Roubaix mas tem muito talento, e há dois anos ninguém acreditava que pudesse discutir a vitória no Tour de Flandres e já provou que sim.
Rush
Concordo em absoluto. Acredito que o novo foco em provas por etapas lhe possa ter retirado alguma explosividade, mas acho que os percalços que teve nesta época de clássicas se deveram sobretudo à falta de inteligência que ele tem demonstrado e às más abordagens da equipa (que por sinal tem um bloco de clássicas bastante fraco).
Rush
Não há subjetividade na decisão. Foram ao photo finish e viram. Não há ali interferência humana.
Jan the Man
O sistema de photo finish do ciclismo não é certamente o mais avançado a nível tecnológico e de precisão, simplesmente nunca gerou uma dúvida a este nível de detalhe.
Apesar do sistema ser automático, a implementação das linhas vermelhas que marcam as distâncias entre os ciclistas já é feita de forma manual, logo passa a haver interferência humana e um consequente aumento da margem de erro.
Aliás, este assunto está a gerar alguma discussão nas redes sociais (Twitter), pois o sistema de photo finish não é/estava totalmente alinhado com a linha real de meta, o que neste caso é mais uma “acha para a fogueira”.
Pedro Barbosa
Olá @Jan the Man,
Atenção, eu não sou técnico, só vi de fora e isto é informação já com alguns anos por isso pode já ser diferente. Só queria informar que as linhas vermelhas não são um input manual, são colocadas através de um software; não é literalmente uma pessoa a tentar colocá-las a olho. O sistema do photo finish foi desenhado para corridas de cavalos por isso imagina o quão preciso teria que ser para ver diferenças em narizes. Para bicicletas o sistema é extraordinariamente preciso, detectando diferenças até ao milissegundo (0,0001 segundo).
Isto não quer dizer que, por um lado, não possa haver diferenças indiscerníveis, como já ouve numa corrida recente num Mundial sub-23, e, por outro lado, não possa existir erros no photo finish por variadas razões técnicas (por exemplo, as condições de filmagem não serem as ideais ou a câmara não foi bem centrada pelo técnico), mas não é por interferência humana após termos a imagem composta. Acho que nem se quer se conseguiria detectar um potencial erro após teres a imagem composta, tinha que ser através de uma segunda câmara na meta, que muitas vezes é usada (não sei se neste caso foi usada mas é provável que sim, sendo uma prova UCI World Tour).
Não sei como é que nessas discussões no Twitter que assististe alguém saiba desse desalinhamento com a linha de meta. Parece-me impossível alguém ter ideia disso sem estar lá fisicamente e fazer testes, certamente não consegue saber disso assistindo através da televisão.
Jan the Man
Olá Pedro,
Obrigado pela explicação. Entretanto saíram também alguns artigos sobre o funcionamento do photo finish, entre os quais um bastante elucidativo do Velo News.
A discussão sobre a colocação da linha é analisada através de algumas imagens com base no funcionamento do sistema, entre as quais esta (fonte La Flamme Rouge) :
Rush
O La Flamme Rouge é das melhores contas que mais e melhor informação disponibiliza sobre a modalidade, mas parece-me que aqui está a falar do que não sabe.
Rush
Vi a imagem do photo finish e parece-me claro. O que não é claro e induz em erro é o angulo que mostram da camara lateral, pois não só não está alinhado com a linha de meta como basta pararem no frame errado para inviabilizar a análise.
Pedro Barbosa
Literalmente por milímetros. Grande sprint por Wout van Aeart e Pidcock, nomeadamente o pequeno inglês, que fez quase tudo perfeito e se tivesse havido mais uns centímetros de estrada teria provavelmente ganho e batido o belga de novo em poucos dias. Aquela imagem do photo finish ficará para a história. Destacar também Schachmann que continua a somar bons resultados nas Clássicas das Ardenas, e que eventualmente no futuro irá colocar o seu nome como vencedor.
Foi uma prova interessante e dinâmica, com a fuga final a acontecer a 15 km do fim, notando-se nesse momento a falta de capacidade de Alaphilippe de fechar o espaço para os três eventuais finalistas. Vames a ver se o campeão do mundo vai estar melhor daqui a uns dias na sua prova mais predilecta (pelo peso maior da subida do Huy para a vitória), a Flèche Wallonne.
Um último ponto para destacar Valverde. Aos 40 anos de idade já não pode ser considerado um favorito mas curiosamente Amstel era a clássica das Ardenas que lhe faltava para a tripla, e vê-lo a fazer 5º lugar, vencendo o sprint do grupo… nem sei o que dizer, verdadeiramente espectacular.
Termina hoje também a Volta a la Comunitat Valenciana, com um grande resultado para o Nélson Oliveira (2º na geral, a 6 segundos, tão perto…), após um contrarrelógio no Sábado dramático para o seu líder de equipa, Enric Más, que furou a um quilómetro do fim sem chance para substituir a bicicleta, quando corria para vencer a prova. O Nélson terminou o contrarrelógio igualmente em segundo, mantendo viva assim a sua façanha (inusitada) de nunca vencer como profissional uma etapa na sua especialidade (tirando os Nacionais), apesar de estar entre os 10-15 melhores contralogistas dos últimos dez anos. Algo um tanto bizarro.