Talvez erroneamente, mas sempre achei que os homens-golo que no Arsenal chegavam para substituir os seus antecessores, eram os certos à hora certa. Se houve alguém que conhecia o relógio do jogo era Dennis Bergkamp, um feiticeiro loiro que foi capaz de transformar alguns movimentos que hoje se vêem, num cliché bordado a letras laranjas com o seu nome. Alguns anos se passaram desde a sua retirada – é possível vê-lo em vídeos na internet a fazer diabruras junto das camadas jovens do Ajax, por ele treinadas. Depois foi Henry que substituiu como ninguém Ian Wright. Agora é a vez de Robin Van Persie, outro holandês que, para além de ser o armador dos canhões do Arsenal, é também as próprias balas: no ano civil de 2011 leva 29 golos apontados em 28 partidas na Premier League. Onze no começo desta. Mas que é que produziu a faísca da imensa combustão em que virou o jogo e números de Van Persie? Não discutindo nuances tácticas, a resposta poderá passar pelo assumir de responsabilidade que significou a saída de Fábregas. Quando o espanhol fez as malas em direcção à catalunha, parte da identidade do Arsenal desapareceu. Foi sempre assim no clube londrino. A juntar a tamanha perda, a “traição” de Nasri fez aumentar ainda mais as expectativas sobre o rendimento e a capacidade de Van Persie conduzir este Arsenal. Como outrora o tinham feito Henry, o citado Bergkamp, mas também Tony Adams ou Patrick Veira. Através do relatado nos jornais britânicos, fica-se a conhecer um pouco mais do que é Van Persie como líder. Tem a palavra o seu treinador: “Ele é um capitão perfeito. Não apenas porque marca golos, mas pelo seu comportamento dentro e fora do campo. Esssencialmente fora do campo”. Não raras vezes o holandês crítica jogadores da própria equipa por levarem uma vida boémia, afirmando que não se coaduna com a profissão de atleta de alto rendimento. Sábia forma de estar no futebol.
A extremo (lado esquerdo como iniciou a carreira, ou na direita como acontece na selecção), a 2º avançado, ou a avançado centro, a verdade é que o holandês é um dos jogadores mais completos da actualidade (altura, velocidade, força, técnica, remate poderoso, finalização muito forte, e livres directos) e depois de David Silva (já reconhecemos o nosso erro e o disparate que foi não termos colocado os 2 nos 15 melhores do Mundo, mas de acordo com os nossos critérios, a 15 de Setembro era aquela a lista mais justa, se fosse a 5 de Novembro certamente seria outra) o jogador em melhor momento na Premier League. Se as lesões não o atormentarem como no passado, é muito provável que se esteja a fabricar nova lenda no Arsenal.
A.Borges


