Apenas azar? Parece claro que um plantel mais profundo atenuava este problema, e nem era preciso mudar o número de elementos. Tinha bastado substituir Fresneda, Esgaio e St. Juste por três opções válidas.
Frederico Varandas abordou a onda de lesões no Sporting, destacando que se pudesse contratava mais jogadores para as atenuar. “Eu vejo o Manchester City, um dos clubes mais ricos do mundo, com um dos plantéis mais caros, o que lhes aconteceu? Tiveram uma vaga de lesões nalguns jogadores nucleares e agora estão arredados da Champions e com a vida complicada no campeonato, estão em quarto. Nós estamos na luta, em primeiro lugar, e nisso tenho de dar muito mérito à nossa estrutura. Não esquecer que a nossa capacidade de investimento é quase o dobro do que quando esta direção chegou. Se pudesse ter mais jogadores, não tenha dúvida [de que os contratava].” Já se há algum mistério, referiu: “Vamos por fases. A lesão existe no desporto e o Sporting nestes últimos anos, desde que cá estamos, tem tido épocas com muitas poucas lesões. Penso que Daniel Bragança fez lesão grave há dois anos, até lá fomos tendo lesões, mas quer do ponto de vista traumático e muscular, muito poucas. Sempre tivemos uma ótima disponibilidade dos atletas para treinos e jogos. O que acontece este ano é que temos tido de facto muitas lesões, sobretudo traumáticas. Ainda agora estamos com oito lesionados, dos quais cinco são lesões traumáticas, três dessas são graves e três lesões musculares, o que é normal tendo em conta o volume e exposição destes jogadores. O que não é normal é começarmos em novembro e entrarmos com uma vaga de três ou quatro lesionados. Nesse caso temos dois problemas: um é porque não contamos com eles e depois os jogadores disponíveis não vão poder rodar como tínhamos previsto ao nível de cargas. Eles vão se sobrecarregar e vamos ter mais lesões. Lesões trazem sempre mais lesões. Uma coisa é ter duas ou três, eles recuperam e passam, mas quando são três ou quatro pesadas em jogadores nucleares, isso levou a que, numa época em que temos de jogar em todas as frentes, em que existem mais dois jogos na Champions, final four da Taça da Liga, em que estamos nos quartos da Taça, em primeiro lugar no campeonato, em que os nossos jogadores internacionais têm jogos nas datas FIFA e não descansam… Isto tudo somado leva a uma situação muito complicada de gestão e há coisas que não se controlam.” O presidente leonino defendeu ainda o seu departamento médico. “Existe uma área que é bastante cara, que já existia quando eu era diretor clínico, mas na altura sem recursos financeiros. Em 2018 iniciámos essa Unidade de Performance, que tem dos melhores profissionais em termos de recursos humanos e que foi tendo… nada falta em termos de aparelhos desde 2019. Temos uma unidade que pertence à direção clínica, que faz toda a gestão das cargas. A equipa recebe o jogador pronto para treinar e para jogar. Temos este processo de trabalho desde 2019, nunca houve um ruído e os profissionais são os mesmos. Tenho de dizer isto porque muita gente fala, mas depois diz-se muita asneira e existe muito rumor, telenovelas e tal. Os profissionais são os mesmos na performance e área clínica. O diretor clínico está lá desde 2018 e é um médico referenciado ao nível nacional e internacional. Pertence a uma rede de médicos da FIFA que nas grandes competições como Europeus ou Mundiais, esses médicos são requisitados, os melhores. Ele está não só requisitado para isso, mas até para a final do Mundial de Clubes do próximo verão. Não preciso de dizer mais sobre currículo do doutor Pedro Araújo. Depois temos um coordenador de fisioterapeutas que recebeu oferta da mesma função num clube grande inglês, não vou revelar qual, mas são estas pessoas que estão no Sporting. Temos de perceber que existem lesões traumáticas que não se controlam e no desporto é como na vida pessoal, umas vezes dá, umas vezes tira e neste caso estas lesões são cinco. A do Nuno Santos gravíssima no joelho, Bragança gravíssima no joelho. João Simões, lesão grave no pé, são lesões que terminam a época. A do Pote, lesão muscular grave, normalmente pode ir de 10 dias a cerca de cinco meses. A lesão do Pote é grave, foi contraída em novembro e dou estes exemplos: O Havertz do Arsenal sofreu exatamente a mesma lesão do Pote e o Arsenal informou que não joga mais esta época. O Akanji do City é igual. Nuno Mendes, formado aqui e agora no PSG, sofreu exatamente o mesmo e esteve parado mais de quatro meses. Não há milagres e não vale a pena… Existem duas formas de encarar este tipo de adversidades: uma é começar a disparar para todo o lado, procurar culpados, dizer que isto é bruxedo, que é das botas, do treino… E depois existe encarar isto com calma e de forma racional, reagir e adaptar. Passámos épocas sem quase lesões graves, nesta temos e está a ser muito duro, duríssimo para o treinador, mas agora há uma coisa muito importante: neste momento aquele grupo que veio da Alemanha com mais dois lesionados não se rende, é um grupo muito forte, muito unido e de campeões nacionais. E acreditem que não vai ser nada fácil para qualquer equipa lhes tirar aquele título. E eu aqui tenho de dar uma palavra não só aos jogadores mas ao treinador, que acaba de entrar neste grupo, não fez pré-época, não teve um plantel delineado para um plano de jogo, com tantas lesões e jogos não consegue fazer treino, é recuperar jogar, e mesmo queimando processos de recuperação…. Temos de queimar estas etapas, o Morita é um excelente exemplo: veio de lesão, clinicamente está apto, mas pode jogar dois jogos seguidos? Não, fez e fez uma lesão diferente, é um ciclo vicioso.”


4 Comentários
Mantorras
Tem sido demasiadas lesoes, e por muito que se tente encontrar uma logica nisto, ha coisas que nao tem assim grande explicacao. Custa-me a crer que o departamente medico do Sporting nao seja competente.
Meu nome é Toni Sylva
É uma anomalia estatística, acontece a todos. Neste caso nota-se mais pela falta de alternativas.
Ricardo F.
Vai muito ao encontro do que já disse num outro post. Há um desgaste óbvio, porque o plantel é curto e vem tendo variadíssimos jogadores de fora. Mas, mesmo assim, uma grande quantidade de lesões não são musculares e isso é simplesmente azar. Não se controlam as pancadas ou as entorses, pelo que não faz qualquer tipo de sentido considerar que é um problema estrutural do clube.
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Retocar o plantel em janeiro, poderia e deveria ter sido feito, até pelos 6 ou 8 milhões que se gastaram no Biel, que eu quase ponho as minhas mãos no fogo, apesar da reduzidíssima amostra, que não vai dar nada. Nem vai chegar a merecer ser flop, já que nunca ninguém esperou nada dali. Mas, como também foi referido, é um mercado difícil e caro. No ano passado, por exemplo, chegaram o Koba e o Pontelo. Para isso, efetivamente, mais vale estar quieto. Poderia ter sido feito melhor, de qualquer forma. O Viana esteve extremamente aquém, na despedida.
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É esperar sobreviver às semanas que se seguem, aguardando pelas datas FIFA para tentar recuperar o máximo de jogadores possível para a reta final do campeonato. Foi uma boa entrevista, no cômputo geral.
SportingFan1906
Como é que substituir Fresneda, Esgaio e St Juste por 3 opções válidas resolvia o problema do meio-campo. Fazem falta dois médios e em Janeiro já fazia falta um deles, incompreensível como não foi contratado nenhum médio (se não havia dinheiro gastava-se o dinheiro do Biel num médio ou chamava-se de volta o Essugo e/ou o Koba)