Daniel Ek, co-fundador da plataforma streaming Spotify, manifestou interesse em comprar o Arsenal e agora, em entrevista à CNBC, diz que já recolheu os fundos para o fazer. O problema é que Stan Kroenke não parece disposto a vender o clube londrino.
🗣"I want to bring the club back to its glory, I'm very serious, I've secured the funds."
Daniel Ek says he is very serious and has the funds to secure a takeover of Arsenal pic.twitter.com/jqrpRRTCI7
— Football Daily (@footballdaily) April 28, 2021


56 Comentários
Fantantonio
Só falta mesmo pagar em condições aos artistas por stream
Joao X
Exato, que palhaçada. É gozar com a malta.
LANDERS
mesmo!
Mantorras
E assim em tudo na vida. Os que tem muitas “escutas” recebem muito, os outros quase nada… faz parte. O modelo de negocio assim obriga, a plataforma e gratuita e ninguem e obrigado a la colocar a musica deles.
Claudio V.
Pode-se facilmente pagar mais aos produtores de música. Se escolhemos ouvir música e nem pagar 10% dos lucros dessa escuta aos artistas é o mesmo que fazemos quando escolhemos não pagar nem 10% do preço das batatas aos agricultores. Se é assim em tudo na vida, pois, não devia ser, esse é o ponto.
Sombras
Ficarias muito surpreendido com muitas coisas que pagas bem menos aos “produtores” originais.
josecarvalho
Spotify paga 75% do que recebe de subscricoes e artistas aos detentores dos direitos, que os distribuem entre labels, distribuidores, agencias e depois aos artistas, consoante o que estes assinaram.
Mantorras
O principal problema tem que ver com quem tem os direitos, que e quem recebe. Se sao os artistas ou nao e indiferente para quem paga, eles pagam a quem tem que pagar, no fundo. Eu nao estou a dizer que eles sao mecenas, porque sao uma empresa privada que nao tem qualquer obrigacao de ser fixe e nao maximizar lucros, mas na sao nenhum demonio.
A verdade e que os problemas desse grupo de artistas, que nao tem reconhecimento, visibilidade, etc, nao comecou com o spotify. Esse e o MEU ponto. Os problemas ja existiam e eram os mesmos, dai que insistirem que o spotify e culpado de alguma coisa nao faz muito sentido, na minha opiniao.
Fantantonio
Mas foram muito, mas mesmo muito agravados pelo Spotify desde que tornou o streaming como principal meio de consumo de música e literalmente nada tem sido feito pelo Spotify para contrariar a situação, pelo contrário. Esse é o ponto de toda a gente que está a contra-argumentar.
Fazer 0,30 e tal dólares/CD com 1000 cópias vendidas é muito diferente de 0,003 doláres/stream em 10000 escutas. Chegou a 10 vezes mais gente, fez 10 vezes menos dinheiro, isto tirando as fatias de streaming que as editoras têm. No entanto, confrontado com esta realidade, o CEO diz que está tudo bem e não se queixem.
Não acho difícil de compreender por que razão o Spotify é predatório para com os artistas, e outras plataformas de streaming menos más, mas ainda assim, pouco rentáveis, também. Ou isso, ou não estamos a pôr devidamente em perspetiva a dimensão da diferença que os valores pré-streaming têm, para além da maneira como a dinâmica dos contratos discográficos, os orçamentos e recursos das editoras mudou completamente com a indústria focada no streaming, para pior.
Há que dar aos artistas condições para terem uma tentativa legítima de fazer uma vida digna com o que querem fazer, não há de ser desta forma.
Mantorras
Pois, mas estas a comparar o incompararvel.
Comprar um CD acontece porque? Quantas escutas houve antes disso? Quando decides comprar um CD fazes com a mesma conviccao que carregas play numa plataforma qualquer de streaming? Claro que nao, nao podes ser tao literal numas coisas e tao pouco noutras.
Eu tambem posso alugar uma casa e pagam-me um valor irrisorio por cada noite que la passar comparado com o valor para ter definitivamente.
Estamos a por em perspectiva sim, simplesmente uma perspectiva diferente.
Isto nao tem nada que ver com compreender, para que fosse dificil, a argumentacao e simples, e perceber que discordem dela tambem.
Os shoppings nao fazem doaccoes aos cafes. Nem as mercearias. Nem as lojinhas de esquina. O linkedin nao paga indirectamente a empresas de recrutamento que possa ter substituido. As redes sociais nao pagam aos jornais que perderam leitores, a Uber nao paga aos taxis, etc…
Muita coisa pode ter um paralelo, embora em alguns casos seja desfazado da realidade, acho que entendes que nao estou a colocar tudo no mesmo patamar, apenas a dar exemplos.
O meu primeiro trabalho na area foi atraves duma empresa de recrutamento, que fazia outrsroucing do meu tempo a outra empresa. Depois de alguns anos, eu ja nao me mexo para arranjar trabalho, eles vem ter comigo. Tambem nao me submeto a qualquer intermediario. Podemos dizer, que na minha area, eu ja adquiri experiencia, reconhecimento e visibilidade necessaria para tal. E quem comeca do zero? Sera que o faz assim? E as plataformas como a toptal, por exemplo, sera que estao a competir com RH de empresas, empresas de recrutamento, ou com o linkedin? Onde esta a linha? Quem ficou prejudicado? Como resolver esse “prejuizo”? De quem e a responsabilidade de zelar pelos interesses do seu tecido empresarial e legislar de forma a que certas coisas nao acontecam? E positivo ou negativo?
Se quisermos mesmo discutir de todos os prismas possiveis ha muito para dizer. Nao e dificil de compreender, so nao concordo, e tambem nao julgo que estejas 100% errado, ou muito ou pouco errado, simplesmente nao me parece que isso seja imputavel ao spotify, por motivos que ja expliquei. A responsabilidade e de outros.
Fantantonio
Acho isso uma maneira algo simplista de ver as coisas, vou por isso tentar expor a minha perspetiva de forma clara porque conheço bem de perto o impacto que o modo de consumo de música atual tem nos artistas. Vou tentar ser o mais sucinto possível.
Há muita coisa de errado com o shift da indústria musical para o streaming, em termos de condições favoráveis aos artistas e o principal responsável por isso é o Spotify que abriu a caixa de pandora (no pun intended). Isso de não serem obrigados a colocar a música deles lá, é bonito, mas é inegável que se não tiveres a tua música numa plataforma de streaming, partes em séria desvantagem por chegares a um número significativamente mais baixo de ouvintes. Inclusive muitos locais para atuação e promotores de eventos utilizam visualizações e streams como métrica para determinar se vale a pena contratar alguém ou não, logo, é impraticável para quem quiser fazer carreira em 2021.
Para o consumidor, o modelo é bastante conveniente, o mais conveniente até hoje: por 11€ ou menos, dependendo do tipo de cliente que for, tudo à distância de um par de cliques completamente guilt-free porque é legal; depois do lobby das majors conseguir introduzir normas para controlo das receitas de streaming, ficaram todos a ganhar… exceto os artistas, que conseguem ganhar ainda menos com os projetos que lançam agora do que no tempo das edições físicas e têm progressivamente menos espaço para parar de fazer música ou estar na estrada porque não vivem de exposição (que é o argumento que o Spotify usa para não aumentar o valor por stream), a um ritmo que está a deteriorar a saúde física e, principalmente, mental de muita gente. Isto tudo enquanto o Spotify dita o standard do mercado, por ser a plataforma com mais utilizadores e maior catálogo, e não paga sequer meio cêntimo/stream, com mais do que margem para isso desde 2019 (ao contrário do que se disse acima, neste momento o Spotify está no seu melhor momento de sempre financeiramente) e, através de intervenções e medidas implementadas por este senhor no post, têm gozado com a cara dos artistas, incentivando ainda mais a sobrecarga de trabalho para uma paga miserável (seria mais útil se pudesse spammar links para ilustrar os pontos a que quero chegar, mas o Google pode ajudar a perceber). A maioria dos artistas sempre foram submetidos a situações precárias, seja por vínculos contratuais ou outros motivos, mas o streaming veio acentuar tudo isso porque não são só os artistas sujeites a maus contratos a dependeram deste tipo de serviço como fonte de rendimento, muitos são 100% independentes.
Há alternativas melhores para os artistas ganharem mais, sempre houve, mas passam por sair da esfera do ouvinte casual. Por exemplo, comprar edições físicas (um álbum a um artista independente por 10€ dá-lhe mais dinheiro do que 2 meses de streaming no Spotify, se tiver 1000 streams mensais, por exemplo), merch, consciencializar as pessoas das condições do mercado de streaming e virá-las para um modelo como o do Bandcamp ou até convidá-las a experimentar o novo formato do Soundcloud que tem implementado medidas de financiamento direto aos artistas, etc. Coisas que fazem uma enorme diferença para todos os artistas, principalmente aos de menor e média dimensão, em detrimento do streaming, mas que exigem uma taxa de esforço maior e são menos convenientes do que uma simples subscrição premium numa plataforma como o Spotify, e já assim era antes de ser necessária sequer uma subscrição premium, pois muito do que tens agora com isso era absolutamente grátis de início e levou a plataforma a atingir a dimensão que tem hoje, logo, não têm relevância comparável. Por conseguinte, os artistas e quem acompanha esta situação e quer ver os principais protagonistas com uma fatia adequada, não veem isto com bons olhos. E com razão.
Por tudo isto, face a inúmeras manifestações, organizações sindicais e intervenções públicas de várias personalidades, o mínimo que se pede são melhores condições de pagamento por stream, rates que não são completamente impraticáveis, face ao que a companhia gera e à valorização que teve porque apesar de estar sempre no vermelho até 2018, muita gente a lá injetou capital, as labels lucram, os montantes distribuídos pelos shareholders aumentam de ano para ano, os processos por violação de direitos de autor multiplicam-se, mas os lucros têm chegado ao verde, o CEO já está mais rico há anos e quer comprar o Arsenal, mas os autores recebem praticamente a mesma miséria desde o princípio. Sem dúvida que não merece escrutínio ou comentários como o meu e de outros neste post e deve ficar tudo como está porque está tudo muito bem e assim é a vida, eles que se amanhem.
Mantorras
Fantonio, antes de mais, obrigado pela resposta (quer pelo conteudo, quer pela forma).
Nao era minha intencao ir muito a fundo, dai a resposta simplista, porque e quase impossivel debater “a serio” aqui.
Eu conheco varias bandas, uma delas com 3 discos gravados, ha mais de uma decada, numa editora alema, sendo portugueses. Ninguem os conhece. Todos os membros trabalham e sempre trabalharam. A culpa disso nunca foi do spotify, que nem existia quando eles comecaram, ja era assim muito antes e continuou assim depois.
Falaste em alternativas, e bem, elas existem e cabe aos artistas usar. Ou fazer outras. Palavras duras? Sim, mas apenas reflectem a realidade. Trabalhava num call center enquanto estudava e conheci la um rapaz que e compositor de formacao. Toca guitarra como “um animal”, tinha uma banda de metal… e, curiosamente, tambem era arquitecto(!) de formacao. Foi para a Suecia ganhar a vida, trabalha como arquitecto e faz uns jingles para spots publicitarios e pecas de teatro. Nao foi o spotify que fez isto.
As dificuldades em viver da arte nao comecaram com o spotify. Nem comecaram com a pirataria. A falta de visibilidade nao se resolve sem visibilidade. E ela esta directamente ligada ao dinheiro.
Quantas pecas de teatro foram vistas por pessoas que param por aqui nos ultimos 10 anos? Tudo somado, arrisco dizer que seria uma quantidade irrelevante (mas nao sei, logico). Contra mim falo, que so vi 2 ou 3 numa decada. Quantos daqui gostem de ler e partilham/sacam ebooks? Conheco muitos. De quem e a culpa? Eu nao culpo quem fez o kindle. Quantos vao aos concertos da casa da juventude (nem sei se ha, tive muito tempo fora e so voltei ja com covidices e agora nao ha nada, mas antes havia)? Quantos se esforcam minimamente para procurar alguma coisa que nao “caia a frente”, musicalmente falando? Quantos vao a museus, por genuino interesse? Quantos aqui crackam jogos feitos por equipas inteiras de pessoas que dedicaram a sua vida a estudar, continuar a estudar pos estudar, para criarem um video jogo utilizando tecnologia “insana” que demorou anos e anos e milhoes e milhoes de investigacao para hoje ser o que e? Quantos sabem o quao dificil e programar um jogo? Mas pirateiam… e nunca pararam bem para pensar porque e que a EA Sports ganha mais a vender cartinhas do no UT, ou porque e que os jogiunhos agora sao gratis e vende-se equipamento dentro do jogo… mas nao foi culpa das empresas de jogos, nem de distribuicao dos mesmos. Aconteceu, porque as pessoas assim influenciaram o mercado, e quem regula a sociedade, ou por outra, quem tem essa responsabilidade nao sao empresas privadas.
A falta de visibilidade, e consequentemente de valor, nao nasce com as plataformas, mas com a falta de interesse das pessoas, e sem isso, e praticamente impossivel fazer algo que resulte, pelo menos ao ponto de dar lucro para pagar a quem ja tem visibilidade, e ainda arranjar forma de ou dar visibilidade a quem nao tem, ou pelo menos dar dinheiro para pagar a quem nao tem visibilidade, mesmo sem terem visibilidade. Isto simplesmente nao funciona assim.
O spotify traz musica baratinha, ou gratis, ao consumidor, e vive muito da publicidade. Cresceu no gratis e ganhou assim o mercado como quase todas as plataformas que existem… olha se um dia nao tornam o instagram pago… e que tambem ha muitas ferramentas pagas para poderes tirar todo o leaverage do isntagram. A monetizacao baseado em ads tambem funciona assim, em quantidade e visibilidade, sendo apenas natural que isso se propague depois ate ao pagamento final “ao artista”, em cascata. Eles nao tem como proposito fazer o contrario, nem tem qualquer responsabilidade social nesse sentido, para mim, isso deve partir dos governos, nem que seja criando leis que condicionem a sua accao e ajustem “o mercado”, seja a nivel nacional ou europeu, etc. Governos, instituicoes e funcadoes, que se dedicam a cultura, tem como objectivo dar espaco e apoio aos artistas que nao tem visibilidade, e de alguma forma ajudar a tornar mais sustentavel a sua actividade. A arte sempre teve este problema, e quem tem a responsabilidade de o resolver nao tem capacidade para tal. Nunca teve. Eu nao acho justo culpar-se uma empresa privado cujo proposito nao e esse… e que teve capacidade, engenho e criatividade suficiente para fazer muita coisa, sendo viavel e dando lucro. Merito deles. Se fosse facil fazer o que eles fizeram, teriam existido mais, ja teriam sido replicados com o mesmo sucesso, ou os artistas ja se tinham juntado e feito o mySpotify.
Se promotores usam “escutas” para delinear quem contratar, entao e porque calibraram a sua accao ao mundo actual, mas acima de tudo, e porque podem(!). Estao a jogar segundo as regras existentes, e quem cria as regras e tem essa responsabilidade nao e o spotify. Quem tem real responsabilidade sobre o tecido cultural do seu pais nao sao empresas privadas. Um artista sem visibilidade nao vai viver do que ganha no spotify, isso e ponto assente, e se pensa isso entao o problema comeca logo ai, ao pensar errado. Falaste em alternativas, e poupas-me o trabalho de as mencionar, elas existem e nenhuma delas foi feita por quem tem como “trabalho” debrucar-se sobre e/ou resolver os problemas da cultura na sociedade moderna. Da que pensar. O spotify e maior porque as pessoas fizeram deles maiores, nao caiu do ceu.
Nao esperemos que empresas privadas tenham capacidade e criatividade para se tornarem gigantes, porque fazem algo “que muitos querem e usam”, e depois ainda lhes sobre tambem capacidade de serem idealistas e resolvam os problemas de sempre enquanto fazem isso. E facam isto enquanto crescem, prosperam e fazem muito dinheiro. E utopico. Nunca vai acontecer. A google tambem era muito fixe e tudo gratis, mas foram eles que invetaram este modelo de fazer render a publicidade com “oferta gratuita” de servicos. Podemos dizer que “roubaram dados” ou “recolheram informacao indevidamente”, mas a verdade e que “em terra de cegos quem tem um olho e rei”, e quem pensa primeiro, e acima de tudo, quem faz primeiro… colhe os frutos.
Por exemplo, quando falas em 10EUR ser mais que 1000 “escutas”, lembra-te que por 10EUR compras escutas infinitas, e por 1000 views s compras 1000 views. Tens que pagar pela 1001. Lembra-te que desses 10EUR o artista recebe 1EUR. Uma escuta e efemera, comeca e acaba, o CD e “eterno”. Sao coisas diferentes. Eu tive uma conversa com uma banda chamada Amplifier (vieram abrir para Opeth ha muitos anos, e se gostares de rock progressivo, recomendo), e queriamos compra-lhes o CD, depois do concerto… sabes o que nos pediram? Que comprassemos merch, porque lhes compensava mais…
Nada comecou com o spotify, nao me parece justo esperarem que eles resolvam um problema que nao e da sua responsabilidade. Se formos ao limite da analogia, eu indo de carro para o trabalho tenho culpas no transito, mas nao e minha responsabilidade resolver. E do governo. Seja criando condicoes para haver mais carros, seja tendo alternativas suficientes, seja “obrigando” (com leis concretas) a que haja um shift no sentido que pretendem para balancear as coisas melhor. Eu sei que o spotify se pinta como amigos dos artistas quando na realidade nao sao, mas o evil side of marketing nao faz deles culpados de nao salvarem os artistas.
Fantantonio
Eu não estou a discordar no sentido do Spotify limitar-se a responder à procura/oferta, em termos da maneira como opera, nem de que haverá sempre quem tenta e não consiga chegar muito longe com a música. O meu ponto não é esse. O meu ponto é que mesmo havendo condições para isso, que as há, os rates a que o Spotify paga com streaming tornam qualquer tipo de sucesso mais difícil e o aumento que se pede não é insustentável, há outros serviços independentes com menos recursos que o Spotify que pagam 1cent/stream, não têm é o mesmo catálogo, a mesma máquina de marketing por trás e acima de tudo, os mesmos protocolos com as principais editoras, logo, não têm o mesmo número de utilizadores nem a mesma expectativa de lucro que atrai investidores como os que mantiveram o Spotify em funcionamento até ser lucrativo. Não é irracional pedi-lo e não é aí que vai fazer a diferença enorme, mas já é um avanço porque são mais de 300x mais do que o que paga em média atualmente por stream.
A questão é: se como artista com alguma visibilidade te vires impossibilitado de atuar ao vivo e dependeres do streaming para fazer algum dinheiro, a não ser que sejas um artista blockbuster ou próximo disso, muito dificilmente consegues fazer o suficiente para um ordenado mínimo português mensalmente, e isso é grave. O merch tem custos e o fabrico das edições físicas tem custos para quem os faz, é claro que os Amplifier te pediram para comprar merch, mesmo que estejam numa editora que tenha algum tipo de percentagem sobre direitos de imagem e artigos de merchandising, quanto mais caro for o artigo, por norma, maior o montante que recebem, por isso é que dei o exemplo dos CD’s em cima. São um valor maior que entra diretamente nas contas dos artistas do que o streaming, mesmo contando com as fatias absurdas das editoras e distribuidoras. Porém, a questão está mesmo aí: tu com streaming não cobres esses custos de fabrico de mecanismos que movam mais dinheiro que o streaming, não cobres campanhas publicitárias nem investimentos em plataformas de crescimento, com o acréscimo das plataformas de upload e gestão de redes incluído, principalmente se fores independente, não há forma disso acontecer para a esmagadora maioria de quem utiliza o streaming, que é inegavelmente a principal forma de consumir música hoje. Até para criares NFT’s, que é para muitos, a derradeira salvação, por não ter 3ª partes envolvidas, precisas de investir e de que as pessoas se interessem por esse meio. E depois ainda tens questões muito específicas para quem faz música em torno de sampling que torna tudo isto ainda menos linear e têm alguns casos aberrantes de pessoal bem estabelecido que tem muito do seu catálogo a não transitar bem, ou de todo, para a era do streaming.
É óbvio que a maior parte do pessoal que cresce de forma orgânica acumula a música com outras ocupações porque ninguém vive de ar e muitas vezes a música acaba por ser só hobby, por muito talentoso que o indivíduo ou o grupo seja, mas isso não impede o Spotify de deixar de se fazer de surdo e lavar as mãos como se não fosse nada com ele, pois têm todas as condições para pagar mais aos artistas por stream e não o fazem porque simplesmente não têm qualquer obrigação ou intenção de o fazer, já que as pessoas continuam a consumir nos moldes em que a coisa está e com apatia e aceitação desses moldes, nunca há de mudar minimamente. A via da legislação e enquadramento legal seria boa, mas o lobby das principais editoras é gigante e os órgãos representativos da classe são algo frágeis e sem grande expressão, por isso, não sei até que ponto uma mudança será possível sem partir das próprias plataformas a responder às reivindicações dos artistas e dos fãs de quem eles no fundo dependem.
Mantorras
Eu entendo agora qual e mesmo o teu ponto um pouco melhor, e como ja referi, isto nao e preto vs branco, tem muitas coisas a considerar.
Para mim, e uma questao de responsabilidade, e por isso nao me parece que o spotify tenha que ter em conta isto. Se seriam melhores pessoas se o fizessem? Claramente. Em tudo o resto tambem e assim.
Exemplo idiota: empresas usam filtros nas chamines. Porque? Houve um qualquer estudo que ditou que eram necessarios para evitar certos niveis de poluentes. O estado ouviu os especialistas do ministerio/area que existe (e tem dinheirinho de todos nos orcamentado para gerir e melhorar essa mesma area) para esse efeito, e legislou. Depois de um periodo de adopcao criou entidades “independentes” que fiscalizam isso mesmo para garantir que “pelo menos em certa medida”, essas regras sao cumpridas.
Isto e um exemplo parvo, mas enquadra-se no ponto da responsabilidade que queria realcar. E fundamental gerir as coisas partir do estado, porque e ai que reside a responsabilidade social para com, neste caso, os artistas.
Eu julgo que o mundo, a sociedade, a historia, recente e nao tao recente, ja provou em diversas areas, por diversas vezes, que nunca vais resolver nada, pelo menos devidamente, ou seja, a fundo e de forma duradoura, sem que isso seja salvaguardado pela lei, e sem que certas coisas passem a ser direitos… porque se dependermos da boa vontade deste(s) ou daquele(s) privado(s), simplesmente nao vai acontecer. Por isso insisti na narrativa de “o problema existia e continuara a existir”, independetemente do spotify. O spotify e recente, o mundo esta a calibrar, e nao esquecas que alem do servico de streaming, tens apps para tudo, tens integracao com certas coisas que so funcionam com spotify (e precisa de ser premium), tens recomendacoes MUITO superiores a qualquer outro servico de sreaming, mas nem tem comparacao… e isso requer muito poder computacional, muito planeamento, pessoas altamente qualificadas, investigacao, etc.
Eles tiveram muita gente a meter la dinheiro ate ser rentavel, exactamente porque viam que no futuro ia ser rentavel. Compraram a ideia, e assim que funciona o financiamento (grosso modo).
Eu duvido sinceramente que o spotify aumentar o valor por stream de x para 10x faca diferenca no final, para 99% dos artistas do mundo. Qualquer artista com visibilidade reduzida, ou a “querer lancar-se”, nao vai conseguir ter sucesso por ai. Para eles, o spotify e so um sitio onde, se tiverem uns trocos, disponibilizam a sua musica, e nada mais. Nunca sera fonte de rendimento suficiente, muito menos estavel o suficiente. Mesmo com aumento substancial. So com bots a fazer loop das suas musicas sempre (que hoje nao vai dar facilmente, porque o nivel de skill necessario para ludribriar os sistemas de deteccao de fraude do spotify, e demasiado alto). Eventualmente, um aumento podia viabilizar este ou aquele artista, pontualmente, temporariamente, mas nao me parece, de todo, que eles sejam solucao para coisa nenhuma. Um artista independente muito dificilmente alguma vez na vida vai sobreviver a conta do streaming, o modelo em si nao e bom para os pequenos, e acho que nao foi feito nesse sentido, e sera muito dificil que algum dia seja.
Posso estar redondamente enganado.
Fantantonio
Ah, e esqueci-me de mencionar isto diretamente ainda: o Daniel Ek foi CEO do UTorrent e depois trouxe o fundador da UTorrent para o Spotify sob a sua alçada, contribuíram ambos para muitos dos problemas que alegam que o Spotify e a era de streaming consequente resolveram. Capitalizaram da miséria que as plataformas P2P fizeram das artes de entretenimento através da pirataria e depois venderam a solução aos postos influentes do ramo da música, com a condição de os salvar, mas sem o mínimo de preocupação com as ramificações dos problemas para os principais intervenientes: os artistas. Por isso, sim, o Spotify tem culpas no cartório nisto por mais do que um motivo.
Mantorras
La esta, nao me quero muito focar na pessoa, nem na personalidade, tento sempre fazer isso ao maximo. Admito que por ai nao sejam exemplo de nada.
josecarvalho
Não é gozar com a malta. É irem ver onde é que eles vão buscar o dinheiro e quanto pagam. A spotify é o streamer que mais paga em percentagem. E depois eles pagam igual quer sejas a beyonce ou o Zé Manel. O que muda é o mérito, ou seja precisamente o número de views. Se calhar se falassem do que estao a receber as labels, distribuidores e agencias, para depois so darem uma parte aos artistas era melhor. Ou melhor ainda, consumam a musica dos pequenos e medios em vez dos grandes. O problema não é o negocio, somos nós que não queremos saber e não ouvimos, porque na maioria das vezes a música é pior e o nosso tempo é finito.
Fantantonio
O que muda não é só o “mérito” (que neste campo é uma métrica muito subjetiva, os meios da Beyoncé para propaganda e a rede de segurança não são os mesmos do Zé Manel), é a facilidade e a conveniência do serviço, que impede as pessoas de querer sequer olhar para outros meios de consumo de música e faz com que não se sintam mal por pagar uma subscrição por um serviço legal com tudo o que quiserem à sua disposição, em vez de continuar na tendência da pirataria até 2011. Por isso é que se fazem estas exigências ao Spotify, já que quer se goste ou concorde, quer não, é o maior meio de consumo de música aos dias de hoje e para grande parte dos artistas independentes só dá prejuízo mesmo porque muitos não conseguem fazer o dinheiro que investem em plataformas como o Distrokid para poderem partilhar álbuns lá, acrescendo a campanhas publicitárias e anúncios em social media a patrocinar singles e álbuns, com dinheiro do streaming. Antes com as vendas físicas, muitas ou poucas, percentagens maiores ou menores, a fatia representava um valor bem maior por unidade do que por streaming. Um artista pequeno ou médio que se veja em condições de não poder atuar, tipo este ano, tem que viver de rezas porque o streaming não paga e ainda tem que ouvir o CEO do Spotify dizer que os artistas não se podem contentar com lançar música ao seu passo.
Eu estou convicto que estou no meu direito de o achar absurdo e vou continuar a achá-lo enquanto assim se mantiver.
Abbas
Vai dar para ver os primeiros 5 minutos à borla, o resto tem que se pagar. Mas é como o Fantantonio diz, dinheiro para isto há, para pagar aos pequenos/médios artistas não.
Claudio V.
Tem 5x mais capital que o Paul McCartney que é a rockstar mais rica da história. E só não é mais diferença porque o Paul começou a sua carreira em 1957 e também é empresário.
Um artista pequeno ou médio continua a ganhar mais dinheiro em concertos, inclusive na rua, do que em qualquer outro lado. Imaginemos então agora como o estão a passar com a pandemia…
Xyeh
Não te esqueças que o McCartney perdeu montes de direitos de músicas porque o Michael Jackson as comprou, a fortuna do McCartney podia ser ainda maior. O Spotify e outras empresas do género aproveitam-se mas os artistas podem sempre optar por ficar fora do Spotify, eu sou designer e fotografo e tenho plataformas onde poderia colocar trabalhos a render mas ao mesmo tempo estou a desvalorizar o meu trabalho e a compactuar com a desvalorização de milhões de trabalhos ao mesmo tempo logo não coloco nada nessas plataformas.
Abbas
O Bandcamp é uma ótima ferramenta e tem muitos aderentes, mas muitas vezes se não estás no Spotify ninguém te ouve.
Claudio V.
Claro. Os artistas só estão no Spotify porque toda a gente o usa. Já sabem que não vão ganhar dinheiro lá, mas se estivessem ausentes de lá, nem eram escutados de todo. Só um grande artista se pode dar ao luxo de esquivar-se do Spotify. Se pudessem, estavam todos só no Bandcamp mas sabemos bem que não tem adesão minimamente comparável
hortalica
Conseguir, consegues, tens é de ser muito bom a promover-te. O 6ix9ine (ou lá como se diz) é provavelmente o fenómeno maior. Foi excluído de plataformas devido a crimes graves do seu gangue, deve ser o rapper mais odiado da américa e no entanto consegue bater records inacreditáveis para quem está fora das melhores plataformas e é tão odiado (mesmo por outros artistas). Eu nunca ouvi nada dele e tudo o que leio sobre ele é maioritariamente mau, mas deve ser um marketer muito bom para se conseguir promover fora dos principais “centros” ainda para mais fazendo tanta porcaria e irritando tanta gente.
Abbas
No tempo dos álbuns, também era uma fonte de receita. Agora com o streaming a única fonte de rendimento são concertos.
Miguel SADSC
Não deixa de ser giro ver isto quando pagam menos de meio cêntimo por 1 stream aos artistas. O capitalismo desenfreado é fantástico.
Pedro Miguel S.M. Rodrigues
Bem, como se confirma, os jornais ingleses conseguem ter o scoop imensas vezes e so avançam com a notícia quando têm fontes efectivas… que Portugal aprenda…
Quanto a esta proposta, por aqui (UK) são vários os reports que o colocam a preparar esta oferta juntamente com Henry e outros jogadores da invencível equipa liderada por Wenger.
Nesses mesmos reports é referido que Ek não se importará em que o Governo inglês avance com reformas que dêem mais poderes aos fãs naquilo que é o controlo da vida do clube e nomeadamente quanto à possibilidade da existência de golden shares que permitirão aos adeptos bloquear questões constitucionais do clube, como por exemplo, novo estádio, mudança de cidade, futuras iterações de uma Superliga, entre outros assuntos fundamentais para um clube.
De notar que esta oferta e os rumores surgem na mesma altura em que Henry deu uma entrevista longa e exclusiva ao The Daily Telegraph onde ele tece sérias críticas sobre a gestão de Kroenke e, claramente, prepara o pitch para apresentar uma oferta como uma proposta que vai de acordo com o desejo dos adeptos e sócios.
Por outro lado, um dos maiores grupos de adeptos e sócios do Arsenal já veio afirmar que independentemente de Ek ou Kroenke o que os adeptos desejam é uma gestão que não ignore os problemas e críticas dos adeptos e sócios e são imensas sobre o Arsenal.
Por isso, preparem-se para uma guerra de bastidores e as vezes públicas pelo controlo do Arsenal… e se desejam informações fiáveis recomendo vivamente os maiores jornais ingleses. Que os portugueses não entendem nada… com uma excepção para o admirável trabalho do VM como é óbvio…
Pedro Barbosa
Olá Pedro Miguel S.M. Rodrigues,
Como eu me ri ao ler o teu primeiro parágrafo. Eu percebi onde querias chegar (o Times e o Telegraph são do melhor a nível internacional) mas, e perdoa-me esta bicada, o panorama geral da imprensa inglesa não deve nada mesmo à imprensa portuguesa. Estamos a falar do país dos tabloides e do comportamento jornalístico menos ético possível, que fariam o Correio da Manhã parecer um jornal quase sério. Não queria que passasse a ideia que em Portugal é tudo mau ou não percebem quando temos jornais de qualidade irrepreensível, como o Público e o Expresso, que (como é óbvio) não andam a fazer investigação jornalística ao Arsenal.
O surgimento de Daniel Elk não me surpreende, está a cavalgar a “onda populista” (eu sei, não é a melhor palavra, mas acho que é adequada) recente em volta do futebol. Opinião pessoal: estas prioridades dos bilionários… ao menos que usasse o dinheiro para fazer algo com sentido ou productivo, e não em “vanity projects” que é exactamente o que isto é.
De forma mais imparcial, ainda é cedo para tecer opiniões no entanto não sei até que ponto esta potencial compra será o ideal para o futuro do Arsenal. É verdade que o clube tem sido gerido de forma quase amadora (o contrato do William e a situação do Saliba demonstram isso bem) mas que equipa de gestão é Henry, Bergkamp e Vieira? Parece-me unicamente com o propósito de apelar às memórias e ganhar simpatia entre os adeptos, o que é logo um mau sinal à partida para mim.
O que eu gostaria de ver de quem faz questão de demonstrar a sua paixão e preocupação com o clube não era uma proposta megalómana de takeover, mas sim usar os seus meios para organizar-se com os fãs e simpatizantes para criar um novo stakeholder no clube, que é o verdadeiro desejo entre a massa adepta como fizeste questão de salientar. Senão parece-me que apenas quer brincar ao FM na vida real (ou um Owner Manager neste caso), e isso não o distingue de outros donos.
Mas isto tudo é mais especulação que outra coisa porque a posição oficial de Kroenke não é de venda da sua participação no clube. E, para quem consolidou ainda mais o seu controlo do clube em 2018, não me parece que tenha mudado (nem com a morte prematura da Superliga).
Diogo Filipe
Pelos vistos não só tem os fundos necessários como tem o apoio de algumas lendas do clube. Como simpatizante do clube eu ficaria contente com uma mudança.
O problema do Arsenal foi que quando tinham um bom treinador não investiram. O Wenger fez milagres durante muitos anos, potenciou vários craques vindos da academia e tinha uma visão de mercado do melhor que eu já vi mas a equipa tinha sempre algumas lacunas.
Depois disso começaram a gastar mais dinheiro mas sem o Wenger o Arsenal perdeu o rumo e o futebol que o caracterizava. O clube tem todas as condições para se manter no topo (mesmo que ganhe a liga europa esta época foi muito fraca) no entanto tem que apostar num treinador de topo. Porque só com um treinador de topo se consegue ganhar títulos em Inglaterra.
Hansi Flick está livre, fica a sugestão.
Rui Miguel Ribeiro
O Flick está encaminhado para a selecção da Alemanha.
Jonas SCP
O Flick vai ser selecionador alemão…
Oldasity
Passa a ideia que o Arsenal não investia enquanto havia Wenger mas isso não é totalmente verdade.
Auba – 60M
Lacazette – 50M
Mustafi – 40M
Mkhitaryan – 35M
Xhaka – 45M
Cech (em fim de carreira) – 15M
Sanchez – 40M
Ozil – 45M
Depois há uma série de jogadores que custaram entre 10M a 20/25M como:
Debuchy – 15M
Werlbeck – 20M
Chambers – 20M
Paulista – 15M
Elneny – 12M
Lucas Perez – 20M
E eu apenas contabilizei os jogadores a partir de Ozil (2013). Ou seja, investiram cerca de 320M entre 2013 e 2018.
Não esquecer que nestes anos ainda não se praticavam os valores de hoje em dia. Até porque foi mais ou menos a partir de 2016, após a contratação de Pogba, que os valores começaram a explodir.
Diogo Filipe
Antes de 2017 (wenger sai em 2018) os únicos “grandes reforços” foram Ozil e Alexis Sanchez.
Auba e Mkhitaryan nem deviam contar nessa lista porque apenas tiveram meia dúzia de meses com Wenger…
Ainda assim não devia ter dito que não investiram. Corrijo: não investiram regularmente com qualidade como fizeram todas as equipas que venceram a Premier League nos últimos 10 anos (excepto o Leicester City que foi excepção).
Wenger manteve sempre a equipa no top 4 com planteis desequilibrados e mesmo quanto tinha sempre metade da equipa lesionada todos os anos.
Mantorras
Pelos vistos anda tudo muito indignado com a forma de monetizacao do spotify. Realmente e muito facil monetizar uma plataforma gratis, onde os artistas podem criar e difundir a sua arte gratuitamente, e tambem podem retirar a qualquer altura. Ja agora, tambem sao livres de fazerem uma plataforma e difundir por ai, depois ja podem pagar-se o que quiserem. Na volta falam e nem sequer tem spotify premium…
Abbas
O Mantorras nunca ouviu falar de como funcionam monopólios
Sombras
Aparentemente nem tu, a partir do momento em que existe Apple Music, Tidal, YouTube Music, SoundCloud, Prime Music, Pandora…
Mantorras
Joguei algumas vezes.
Abbas
E por acaso até tenho Tidal, que paga aos artistas o triplo.
josecarvalho
Certo, Apple Musica tambem paga mais aos users, no entanto paga menos em percentagem de dinheiro recebido. Spotify é o streamer de musica que mais paga às labels (75-80%) do revenue contra 60% do Tidal e 55% da apple music. A questão aqui prende-se com o modelo de negócio. Spotify tem a maior comunidade de todos, mas tem uma elevada percentagem de free users, alias sem anuncios estavam no red. Depende do teu modelo de negocio. E o deles é liberalizar completamente o acesso, logo também tem desvantagens para ambos.
RenatoFr
Já para não falar que o Spotify nem sequer dá lucro como empresa. Ou seja, o dinheiro que ele não está a dar aos artistas não está a ir diretamente para o bolso dele
hortalica
Só porque não está a ir directamente para o bolso dele, não significa que não esteja a enriquecer através da empresa e tens um bom exemplo em Portugal com a Farfetch. A Farfetch está desde a sua criação a dar prejuízo (nunca teve um semestre positivo desde a sua fundação) e já vai em mais de 3 mil milhões de prejuízo acumulado e no entanto o seu fundador tem uma fortuna avaliada em 2.2 mil milhões e a Farfetch é grande parte do seu património.
Sombras
Parece aquela cruzada contra os downloads ilegais de música no eMule e Limewire de alguns anos atrás.
Como dizia um amigo meu: só tinha pena de sacar músicas até ver os artistas a exibir os seus palácios no MTV Cribs!
Yeti Cool Brother
E o resto dos artistas, que só tentam ter uma vida digna com a sua arte, não contam?
Mantorras
Claro que sim, mas nao e no spotiy que esses vao apostar para ganhar a vida. Nao e essa a funcao do spotify.
Yeti Cool Brother
O meu comentário, neste caso, era para responder à questão do download ilegal que mudou completamente a indústria. O Spotify, mal ou bem, ao menos paga alguma coisa.
Fantantonio
Não tem nada a ver. Um é um meio ilegal de obter música e lesar todos os envolvidos, o outro é um modelo de negócio legal desenhado para toda a gente beneficiar, menos os artistas. Não deixa de ser irónico que o Ek tenha tido mão num dos principais clientes de BitTorrent e agora venha dizer que acabou com a pirataria, ditando quem deve fazer o quê para lucrar com qualquer media que seja na plataforma dele e fazendo com que os artistas ainda ganhem muito, mas mesmo muito menos do que o que ganhavam na altura do auge do Napster com EP’s e LP’s.
Abbas
E os artistas pequenos? Provavelmente 90% dos artistas que ouço não têm dinheiro para casas desse gabarito e merecem viver, digo eu.
Mantorras
Num mundo onde ser melhor e agradar a mais gente e vender mais, nao tou a ver o que e que alguem tera a ver com isso. Eu conheco cafes pequenos que nao tem ninguem a la ir e s shoppings nao lhes fazem doacoes.
Abbas
Quando pessoas com dezenas ou centenas de milhares de pessoas a ouvir ganham migalhas, algo está muito mal no modelo. Não devia ser preciso ter milhões para se conseguir ganhar a vida. Digo eu, que não quero viver num mundo onde tudo é igual, música, filmes, livros, roupa, pensamentos, etc etc etc. Felizmente música é uma arte que se consegue produzir com pouco dinheiro, especialmente atualmente, mas no cinema por exemplo é problemático. Se não existisse o cinema europeu com subsídios estatais e alguns estúdios independentes americanos e asiáticos que basicamente não têm intenção de gerar lucro com a maioria ou totalidade dos filmes, o landscape atual do cinema seria péssimo para não dizer outra coisa.
Mantorras
Oh Abbas, mas e desde quando e que os musicos estao condenados a viver do Spotify? Ate parece que os musicos so podem usar o spotify. Realmente, quanquer bandinha que se forme hoje em dia ou vive do spotify ou nao arranja concertos para dar la no bar da aldeia…
Enfim, na musica sempre foi assim, e nunca ninguem viveu de nada ate ter notoriedade a nao ser “de dar concertos”. Podem dar mil voltas a cueca que nao vao conseguir justificar nada com essa narrativa de que a culpa e do spotify por algo que sempre foi assim. O Spotify cumpre um papel, serve para alguns, nao serve para todos, nem tem que servir.
Nao vejo qual e a coerencia em indignar-se com isso, mas estar a vontade com o Neymar ganhar 40M e o Acuna ganhar so 3M. Shoppings estarem cheios e os cafes no Geres vazios. Ou com a malta comprar online, e a feira de artesanato estar vazia.
Ha milhares de exemplos e eu ja nao tenho paciencia para explicar que nao ha qualquer diferenca entre uns e outros, nem pagar de forma diferente faria qualquer diferenca ao longo do tempo.
A parte onde nao queres viver num mundo onde nao e tudo igual nao sei o que tem a ver com a conversa, mas pronto.
Para mim, o spotify faz o mesmo que fazem os outros. Alias, basta ver a forma de remuneracao baseada em ads, de qualq
Yeti Cool Brother
Os artistas podem o quê? É o que temos, pessoal que adora falar do que não sabe. Um artista independente que queira pôr o seu trabalho no Spotify tem que o fazer através de um serviço de distribuição como o Distrokid ou outro do género, onde paga uma mensalidade ou anuidade. Não existe nenhuma forma de fazer upload de músicas para o spotify que seja 100% gratuita. Ou seja, esse artista independente que falas que pode fazer upload gratuitamente e ainda se queixa, tem semope que pagar para que a sua música esteja disponível para ser ouvida, e o valor que receboe quando é reproduzida é, no mínimo, irrisório. Não há como fintar o Spotify, porque é, ao dia de hoje, a plataforma mais acessível para qualquer música ser ouvido, mas um músico independente está sempre mais perto de perder dinheiro do que ganhar.
Mantorras
Conheco quem faz musica apenas e tenha feito upload no spotify. Fui perguntar e tudo. Paga 20 eur ao ano. Realmente, querer fazer da musica profissao e nao ter isto se calhar diz tudo.
Repara que nao tou a gozar com ninguem, mas muita gente queria ser muita coisa, mas quando nao se tem oportunidades, talento ou condicoes, vao fazer o que? Nao e so na musica. Falta de visibilidade e oportunidades acontece em todas as areas.
Yeti Cool Brother
Concordo com o que disseste, especialmente com o último parágrafo. Só queria deixar claro que não é gratuito, para recuperar esses 20 euros ou outro valor (depende do número de músicas que fazes upload e do serviço que usas para o fazer) são precisas muitas reproduções, e esses serviços de distribuição ficam com uma percentagem dos lucros, como uma editora, não cobram apenas o fee inicial para a distribuição. Ou seja, no fundo, nunca consegues partilhar música de forma completamente gratuita. No YouTube sim, podes fazer uploads de forma completamente gratuita. Lá está, o mais importante para se ter retorno do investimento é uma boa estratégia de marketing e publicidade.
Mantorras
Sim, e verdade que nao e gratuito, eu pensava que era. Tambem e verdade que essas distribuidoras funcionam para outras plataformas, ou seja, depois de subscrever podes utilizar para varias plataformas, nao apenas spotify.
Cossery
Já aprendi umas coisas só a ler os comentários sobre plataformas de streaming. Muita cultura há neste visãodemercado!
Kacal
Por favor que se confirme a compra! E depois Henry, Vieira e Bergkamp estejam na estrutura. Contratem um treinador jovem e com boas ideias para um projecto de médio-longo prazo e depois fazem umas alterações no plantel e comecem mercado a mercado a investir como deve ser para daqui a 2-3-4 anos termos um Arsenal focado desportivamente com objectivo de ganhar titulos e valorizar a sua história, forte e competitivos. Não vou falar de pormenores, apenas deixo aqui o meu desejo porque o Arsenal merece mais!