Os emblemas da Premier League vão sufocar o mercado?
André Villas confirmou, no podcast de Obi Mikel, que o FC Porto falhou a contratação de Caleb Yirenkyi. “É cada vez mais difícil competir com os clubes da Premier League. Posso falar do caso do Caleb Yirenkyi. Estávamos a negociar com o Nordsjaelland e fomos o mais longe que podíamos para o trazermos, mas tivemos de parar e ele acabou por ir para o Coventry City por 27 milhões mais bónus. É um jogador muito talentoso e tínhamos grandes expectativas para o futuro dele. Queríamos trazê-lo, desenvolvê-lo e, mais tarde, provavelmente transferi-lo para um dos grandes clubes da Premier League, mas não conseguimos. Isto acontece cada vez mais. A habilidade que os clubes ingleses têm para construir grandes departamentos de scouting capazes de identificar talentos mais rápido do que nós permite-lhes antecipar-se. Noutra altura qualquer, o Caleb teria vindo para o FC Porto e depois seguiria para um grande clube da Premier League. O caminho típico dos jovens talentosos seria parar em Portugal ou Espanha antes de rumar à Premier League, mas isso já não acontece. Os jovens vão diretamente para a Premier League, não para os clubes de topo, mas para outros que lutam pela manutenção. Nós também vendemos para esses clubes e isto é uma nova tendência. Está a tornar-se cada vez mais difícil competir com eles. Para identificarmos talentos antes deles, temos de analisar jogadores com 16, 17 e 18 anos ao redor do mundo. Por exemplo, trouxemos o Oskar Pietuszewski aos 17 anos, o Eirik Granaas aos 16 e o Gabriel Mec aos 18. No futuro, o fluxo excessivo de talentos para Inglaterra pode causar um deslizamento do talento da Premier League nas próximas épocas, porque os jovens não estão a ter minutos e estão constantemente a mudar de clubes. Os clubes ingleses vão querer continuar a recrutar talento, mas também vão querer transferi-lo e nós não temos capacidade para cobrir o salário deles. Isto já está a acontecer na Arábia Saudita e nós já contratámos jogadores como o Gabri Veiga. Ele mudou-se cedo para lá por questões financeiras, mas quis regressar à Europa e voltar a receber um salário europeu, porque queria adquirir experiência europeia e disputar a Liga dos Campeões. O que está a acontecer na Arábia Saudita pode vir a acontecer na Premier League daqui a dois ou três anos.”

