A chegada de André Villas-Boas ao FC Porto dividiu muitos adeptos do clube e proporcionou um rol de dúvidas no futebol português. Contudo, a opção de Pinto da Costa em escolher um técnico com “meia dúzia” de jogos como treinador principal não poderia ter sido mais acertada. Dez meses depois do inicio da temporada, poucos são aqueles que ainda tem dúvidas relativamente às qualidades que o ex-adjunto de Mourinho possui.
O próprio Visão de Mercado no príncipio de época, e ao longo da temporada demonstrou sempre algumas recitêncas em relação ao técnico portista, não tanto pela sua escolha, mas sim por tudo o que a antecedeu com falhadas tentativas de Pinto da Costa em contratar Jesus, Muricy ou Mano Meneses, fazendo de AVB uma clara 3ª ou 4ª escolha. Fomos igualmente críticos no que diz respeito à sua conduta (expulso por duas vezes por não saber perder) e ao jogo excessivo de palavras (principalmente visando o Benfica, mas também o Sporting) que só incendeiam o futebol português. No entanto, na nossa opinião pelo que conseguiu, alcançou e produziu, Villas-Boas é sem dúvida nenhuma a figura do ano no futebol português.
Natural do Porto e confesso adepto do clube, na sua temporada de estreia no Dragão, alcançou uma época a roçar a perfeição. Já conta no currículo com uma Supertaça e um campeonato
nacional. mas, mais que isso, é notável como o conseguiu. Sendo que ainda poderá juntar a Taça de Portugal e a Liga Europa, a este seu ano 2010/11 memorável. Numa equipa onde Hulk, Falcao ou Rolando brilharam dentro das 4 linhas, foi o jovem técnico o principal catalisador do sucesso azul e branco. O FC Porto foi dominador ao longo de toda a temporada, demonstrando ser imbatível e uma equipa que, nos momentos decisivos, nunca falhou. Na Europa, os dragões “passearam” até à final da Liga Europa, goleando alguns adversários com exibições memoráveis. Contudo, o sucesso dos azuis e brancos não assenta apenas na figura de AVB. A seu lado, o técnico de 33 anos tem toda uma estrutura habituada a vencer e, mais importante que isso, protege-o a si e aos seus pupilos. O seu discurso inteligente e bem estruturado, apesar de excessivo no que toda as picardias e mind games, tornam-o num comunicador nato (ainda na passada semana brilhou na conferência de imprensa ao falar em castelhano, inglês, italiano e português). Para além disso, Vítor Pereira, o treinador adjunto de Villas-Boas é uma peça fundamental na equipa técnica dos dragões, pelo trabalho que acaba por desenvolver na sombra do novo timoneiro azul e branco.
É justo dizer que AVB é o principal destaque da temporada azul e branca e do futebol português? Entrará para a história do Porto? Conseguirá Pinto da Costa segurar o jovem técnico? Até onde pode chegar o ex-adjunto de ‘Mou’?
A.Mesquita

