No 5º e último patamar na corrida ao título da NBA, quatro franchises muito diferentes (até em termos de mediatismo), mas que apresentam soluções para ganhar a qualquer equipa (não acreditamos que cheguem ao anel, mas podem ter um papel decisivo na recta final). No entanto, a lesão de Horford (vai parar pelo menos 3 meses) pode deitar por terra as aspirações dos Hawks, o mesmo se passa com Zach Randolph nos Grizzlies, a sua ausência poderá ser decisiva e até mesmo deixar os Memphis fora dos playoffs (Denver e Utah também lutam por um lugar, e se considerarmos que Lakers, Portland, Thunder, Dallas, Spurs e Clippers vão conseguir ficar nos 8 primeiros, sobram 2 lugares para 3/4 equipas).
Memphis Grizzlies
Foram uma das sensações da época passada, ao eliminarem os Spurs (líderes na fase regular) na 1ª ronda dos playoffs – apenas perderam frente aos Thunder na negra (e isto tudo, sem Rudy Gay, a grande estrela da equipa). Como tal, os Grizzlies surgem esta temporada com a esperança de melhorarem ainda mais e surpreenderam os franchises da conferência Oeste. No que toca a saídas e entradas, viram sair o experiente Shane Battier e ainda Greivis Vasquez e Henry. No sentido contrário viram entrar Pondexter, Dante Cunningham e Marreese Speights. Lionel Hollins manteve-se no comando técnico da equipa e ao longo do ano deverá apostar em Conley-Allen-Gay-Randolph-Gasol. É uma equipa que defende bem, que demonstrou grande espírito colectivo nos playoffs da época passada. No entanto, o seu verdadeiro ponto forte está no jogo interior. Os Grizzlies assinaram um novo contrato de muitos milhões com Marc Gasol, confirmando a importância do espanhol na manobra da equipa. O Center, juntamente com Zach Randolph, constitui uma das melhores duplas de interiores da actualidade (ressaltos ofensivos e defensivos, pontos, blocos, é com eles, e na época passada criaram dificuldades a todas as equipas da NBA). E isso nos playoffs pode ser decisivo. Se Gay fôr o jogador chave nos momentos críticos, que todos esperam que seja, se Mayo conseguir ser o 6º jogador que também todos esperam que seja – são 2 elementos com um potencial tremendo – os Memphis podem sonhar. Conley apesar das recentes boas exibições é que não dá na posição de PG a mesma qualidade que se verifica nas outras posições. Se voltar a defrontar Westbrook perde invariavelmente no matchup.
Los Angeles Clippers
Depois de anos e anos na sombra dos rivais Lakers, eis que surgem uns Clippers renovados e prontos para voar alto. A expectativa é enorme para esta temporada e certamente serão uma equipa a ter em conta até ao fim. Na offseason o plantel sofreu várias alterações e quase ninguém tem dúvidas que mudaram para melhor. No que toca a saídas, Chris Kaman, Eric Gordon. Aminu e ainda Craig Smith deixaram a equipa. No sentido inverso entraram Chris Paul, Chauncey Billups, Caron Bulter e Reggie Evans. As saídas de Kaman e Gordon pesaram um pouco, mas para terem o melhor PG puro da Liga, os Clippers não tinham outra alternativa. No comando técnico da equipa manteve-se Vinny Del Negro, que deverá apostar num 5 inicial: Paul-Billups-Butler-Griffin-Jordan. As aquisições de Butler e Billups foram também importantes, pois vieram acrescentar à equipa experiência e maturidade, algo que não tinham. Tal como já foi referido, têm o melhor PG puro da Liga em Chris Paul e ele será certamente uma das figuras da Liga. No entanto, a força da equipa está na capacidade atlética de alguns dos seus jogadores, nomeadamente Griffin e Jordan. São dois jogadores que evoluíram bastante, especialmente o primeiro, e que constituem uma dupla de postes muito forte. A presença no banco de elementos como Mo Williams (vários anos titular nos Cavs), Bledsoe (jovem PG que muito promete), Foye, Gomes e especialmente Reggie Evans (um dos jogadores tecnicamente mais fracos da NBA, mas fortíssimo a defender) dá igualmente aos Clippers uma boa 2ª linha. Se consideramos que CP3 nos Hornets praticamente sozinho dava muita luta às melhores equipas do Oeste nos playoffs, com a junção a Griffin, Butler e Billups, a ambição certamente não passa apenas por dar espectáculo.
Atlanta Hawks
Têm sido talvez a equipa mais regular dos últimos anos, com presenças assíduas nos playoffs, colocando-se em 4º/5º lugar na fase regular. Os Hawks apresentam-se esta época na esperança de dar um salto qualitativo e chegar à final da Conferência Este. Para esta temporada viram sair Damien Wilkins e Jamal Crawford (era o 6º jogador e a época passada foi decisivo diante dos Magic), mas contrataram Tracy McGrady, Radmanovic e Jannero Pargo. O treinador continua a ser Larry Drew, que deverá apostar num 5 inicial com Teague-Johnson-Williams-Smith-Horford. É uma equipa que defende bem, já bastante rodada e com jogadores que se conhecem bastante bem. O seu jogo interior é muito forte e têm ainda em Joe Johnson um atirador por excelência, de quem eles esperam que seja o líder da equipa. Teague o PG da equipa está na época de afirmação, e com a presença de T. Mac e o regresso de Hinrich o backcourt é igualmente eficaz. Um dos problemas desta equipa é a falta de competitividade, pois em muitos jogos dá a sensação que não quererem estar a jogar e o esforço é mínimo (não trocam a bola e exageram em jump shots). Esta época ganharam em Miami quando os Heat estavam na máxima força, mas depois perderam em casa frente a um conjunto sem Wade e sem Lebron. O outro problema é a recente lesão de Horford, factor que pode ser decisivo, caso o Center (que a época passada nos playoffs jogou a PF) não volte a jogar esta época. Para Charles Barkley a equipa de Atlanta é a mais aborrecida da NBA, a que dá menos espectáculo e a que joga pior, mas a verdade é que estamos perante um conjunto experiente (Johnson, Horford, Smith e Williams é um dos quartetos que joga há mais tempo juntos na NBA), sólido, forte defensivamente, e que apresenta soluções no 5 titular e no banco (“podem queimar” jogadores interiores como Pachulia ou Collins frente aos Magic, bases como Hinrich frente aos Bulls, e ainda T-Mac diante dos Heat) para ganhar a qualquer equipa (mesmo a 7 jogos nos playoffs).
New York Knicks
Há muito tempo que a ‘big apple’ não tem uma equipa competitiva e capaz de lutar pelo título, mas esta temporada as esperanças são maiores, devido ao trabalho que o seu GM teve em tentar atrair os melhores jogadores da Liga. Para esta temporada perderam Roger Mason, Derrick Brown, Anthony Carter, Shelden Williams, Shawne Williams, Ronny Turiaf e ainda Billups. No sentido inverso, adquiriram os rookies Harrellson e Shumpert, juntando ainda Mike Bibby, Baron Davis e Tyson Chandler. É verdade que perderam muitos elementos, mas ficaram a ganhar com a contratação dos dois rookies (têm mostrado potencial) e de Chandler, que veio dos campeões Mavs, que acrescenta capacidade defensiva e de luta a este conjunto. No comando técnico manteve-se Mike D’Antoni, que deverá apostar no 5 inicial com Shumpert-Fields-Carmelo-Stoudemire-Chandler. Se Baron recuperar, deverá ser Baron-Shumpert-Carmelo-Stoudemire-Chandler. Os Knicks têm um dos melhores frontcourts da Liga, se não o melhor, que constituem a verdadeira força deste conjunto. Carmelo é um um jogador de top, um verdadeiro ‘go to guy’, que esta época parece estar a afastar o rótulo de jogador que lançava 60 vezes para marcar 20, sendo mais colectivo, enquanto que Stoudemire e Chandler são muito fortes nas tabelas. O basquetebol produzido por este conjunto é do mais rápido que existe (influência do treinador) e certamente iremos assistir a altas pontuações da equipa de Nova Iorque. Como contrapartida disso mesmo, a equipa apresenta grandes deficiências a nível defensivo (só 2 jogadores é que defendem basicamente, apesar de Shumpert estar igualmente a contrariar isso, aliás este rookie pode ter um papel decisivo esta temporada) e que muitas vezes reflectem-se nos resultados da equipa. Aos Knicks falta também um verdadeiro PG, pois Shumpert (ele que juntamente com Rubio, Brooks e Irving tem sido o rookie em mais evidência) e Douglas são mais atiradores do que bases, e em relação a Bibby e Baron Davis, a incógnita persiste, pois não se sabe o que eles podem ainda produzir. Não são uma equipa favorita-tipo pois apresentam graves problemas defensivos, mas no entanto, se Baron regressar a 100%, com Carmelo ao leme e com um frontcourt poderoso, poderão criar mossa em qualquer equipa e quiçá chegar ao título.
Onde chegarão Grizzlies, Clippers, Hawks e Knicks? Será a experiência adquirida na época passada suficiente para se considerar os Grizzlies como uma equipa a ter em conta? Terá a espectacular equipa dos Clippers estofo para chegar ao topo? É desta que os Hawks se assumem como uma das equipas mais fortes? Ou isso só será possível caso Horford (ele que até é na nossa opinião o melhor jogador de Atlanta) recuperar a tempo dos playoffs? Até que ponto o basquetebol produzido pelos Knicks poderá ser o indicado para chegar ao título? Será Shumpert a arma secreta para que o conjunto de Nova Iorque chegue ao título? Quem prevalecerá, as equipas que defendem mais (Grizzlies e Hawks), ou as que dão maior primazia ao ataque (Clippers e Knicks)?
José P.
José P.


